terça-feira, 31 de julho de 2012

Lectio Divina - 31/07/12






TERÇA-FEIRA -31/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Jeremias 14,17-22

• Quantas vezes, como dizemos anteriormente, um acontecimento que se interpreta como negativo é, precisamente, o motor de acontecimentos que trouxeram a salvação e a vida, não só para nós, mas, para o mundo todo. Na passagem de hoje ouvimos como uma enfermidade mortal leva o rei a uma atitude de profunda humildade e a orar ao Senhor por sua vida. Esta oração se converte em salvação, não só para ele, mas, para todo seu povo. Assim acontece em nossa vida, já que as enfermidades, as crises econômicas e todos os acontecimentos que ferem nossa vida, podem ser utilizados por Deus, que é o Senhor da história, para nosso beneficio e de todos os que convivem conosco. A enfermidade e as crises econômicas, as catástrofes não são desejos e, muito menos, provocados ou mandados por Deus, como incorretamente muitos acreditam. Estes ocorrem na vida devido a fragilidade do ser humano ou pela debilidade de tudo o que existe, ou pelo pecado que sempre deixa conseqüências na natureza. Porém, de todas elas, o Senhor é capaz de tirar um resultado positivo, se nós, como o rei Ezequias, nos voltarmos para Ele em profunda humildade e retomarmos o caminho da oração. Nosso Deus é realmente um Deus de amor que, apesar da debilidade humana e do pecado, procura sempre a forma de fazer-nos o bem e, sobretudo, de salvar-nos. Qualquer outro tipo de pensamento, simplesmente não é cristão.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, protetor dos que em ti esperam, sem ti na é forte nada é santo. Multiplica sobre nós os sinais de tua misericórdia, para que, sob tua guia providente, de tal modo nos sirvamos dos bens passageiros que possamos aderir aos eternos. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 13,36-43

• O evangelho de hoje nos apresenta a explicação que Jesus dá da parábola do trigo e da joio, quando os discípulos lhe perguntam. Alguns estudiosos pensam que a explicação que Jesus dá aos discípulos, não é de Jesus, mas sim da comunidade. É possível e é provável, pois uma parábola, por sua própria natureza, pede a implicação e a participação das pessoas no cumprimento do sentido. Assim como a planta já está dentro de sua semente, assim, de certo modo, a explicação da comunidade, já está dentro da parábola. E é exatamente este o objetivo que Jesus queria e que quer alcançar com a parábola. O sentido que hoje nós vamos descobrir na parábola que Jesus contou há dois mil anos atrás já estava implícito na história que Jesus contou, como a flor já está dentro de sua semente.
• Mateus 13,36: OS DISCÍPULOS PEDEM A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO. Os discípulos, em casa, conversam com Jesus e pedem uma explicação da parábola do trigo e do joio. Várias vezes, é informado que Jesus, em casa, continua ensinando aos discípulos. Naquele tempo não havia televisão e nas longas horas de espera, pelas noites, as pessoas se reuniam para conversar e para tratar de assuntos da vida. Jesus fazia o mesmo. Era nestas ocasiões que Ele contemplava o ensinamento e a formação dos discípulos.
• Mateus 13,38-39: O SIGINIFICADO DE CADA UM DOS ELEMENTOS DA PARÁBOLA. Jesus responde retomando cada um dos seis elementos da parábola e lhes dá um sentido: o campo é o mundo; a boa semente são os membros do Reino, a joio são os membros do adversário (maligno); o inimigo é o diabo; a ceifa é o fim dos tempos, os ceifadores são os anjos. Agora existe luz na experiência lendo de novo a parábola colocando o sentido certo em cada um dos seis elementos: campo, boa semente, joio, inimigo, ceifa e ceifadores. E assim a história toma um sentido totalmente diferente e você alcança o objetivo que Jesus tinha em mente ao contar as pessoas esta história do trigo e do joio. Alguns pensam que esta parábola deve ser entendida como uma alegoria e não como uma parábola propriamente dita.
• Mateus 13,40-43: A APLICAÇÃO DA PARÁBOLA OU DA ALEGORIA. Com estas informações dadas por Jesus você entenderá a aplicação que Ele dá: Da mesma maneira, pois, que se colhe a joio e a queima no fogo, assim será o fim do mundo. O Filho do homem enviará seus anjos, que recolherão de seu Reino todos os escândalos e os trabalhadores da iniqüidade, e os jogarão no forno de fogo; ali será o pranto e o ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. O destino do joio é o forno, o destino do trigo bom é brilhar como o sol no Reino dos Céus. Por trás destas duas imagens está a experiência das pessoas. Depois do que ouviram de Jesus e o aceitaram em suas vidas, tudo mudou para elas. O fim chegou. Isto é, em Jesus chegou àquilo que, no fundo, todos esperavam: a realização das promessas. Agora a vida se divide em antes e depois do que ouviram e aceitaram de Jesus em suas vidas. A nova vida começou como o brilhar do sol. Se houvessem continuado viver como antes, seria como o joio jogado no forno, vida sem sentido e sem servidão para nada.
• PARÁBOLA E ALEGORIA. Existe a parábola. Existe a alegoria. Existe a mescla das suas que é a forma mais comum. No geral, tudo é chamado de parábola. No evangelho de hoje temos o exemplo de uma alegoria. Uma alegoria é uma história que a pessoa conta, porém, quando conta, não pensa nos elementos da história, mas sim no assunto que deve ser esclarecido. Ao ler uma alegoria não é necessário primeiro olhar a história como um todo, pois, em uma alegoria a história não se construiu em torno de um ponto central que depois serve como meio de comparação, mas, cada elemento tem sua função independente a partir do sentido que recebe. Trata-se de descobrir o que cada elemento das duas histórias nos tem para dizer sobre o Reino como faz a explicação que Jesus deu da parábola: campo, boa semente, joio, ceifa e ceifadores. Geralmente, as parábolas são alegorias. Existe a mistura das duas.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• No campo existe tudo misturado: joio e trigo. No campo de minha vida o que é que prevalece: o trigo ou o joio?
• Você tem tentado conversar com outras pessoas para descobrir o sentido de alguma parábola?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 146,5-6)
• Hoje me afastarei prontamente de cada situação que me queira fazer cair em pecado, e serei muito consciente de como cada coisa que ali conduz, só produz tristeza e desânimo, em vez da alegria que Deus nos oferece.




segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lectio Divina - 30/07/12






SEGUNDA-FEIRA -30/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Jeremias 13,1-11

•    O profeta Jeremias envia palavras duras ao povo, com o mesmo propósito de todos os profetas enviados por Deus: que o povo reconheça seus erros e retorne novamente para o Senhor. No entanto, o povo tinha endurecido seu coração, encheu-se de soberba e orgulho por ter muitas riquezas, um belo templo e estabilidade política, tudo isto os levava a afastar-se cada vez mais de Deus e a levar uma vida religiosa em que se mesclavam inclusive os deuses pagãos. Perderam totalmente o respeito por Deus e por esta razão Deus deixara que lhes acontecesse como ao centurião, apodreceram. Palavras fortes que devem ressoar também em nosso coração, pois ninguém está isento desta contaminação que nosso mundo moderno realiza em nossa sociedade cristã na qual é fácil começar a seguir deuses falsos, sobretudo, quando em nossa vida tudo vai bem, quando existe saúde e bem estar econômico é fácil que a astúcia do demônio nos leve, como ao povo de Israel, a separar-nos de Deus. Vemos com tristeza que existem pessoas que com facilidade deixa de ir missa porque foi ao campo, a uma reunião, para ver um programa de televisão, ou, simplesmente porque nesse domingo ficou com preguiça. O profeta Jeremias nos convida a mudar nossa atitude para com Deus e tê-lo verdadeiramente como o centro de nossa vida.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, protetor dos que em ti esperam, sem ti na é forte nada é santo. Multiplica sobre nós os sinais de tua misericórdia, para que, sob tua guia providente, de tal modo nos sirvamos dos bens passageiros que possamos aderir aos eternos. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 13,31-35

•    Estamos meditando o Sermão das Parábolas, cujo objetivo é revelar, por meio de comparações, o mistério do Reino de Deus presente na vida do povo. O evangelho nos trás hoje duas pequenas parábolas, do grão de mostarda e da levedura. Nelas Jesus conta duas histórias tiradas da vida cotidiana que serviram como meio de comparação para ajudar as pessoas a descobrir o mistério do Reino. Ao meditar estas duas histórias, o que devemos fazer primeiro não é querer descobrir o que cada elemento das histórias nos quer dizer sobre o Reino. Primeiro devemos olhar a história em si mesma como um todo e procurar descobrir qual é o ponto central em torno do qual a história foi construída, pois, é este ponto central que servirá como meio de comparação para revelar o Reino de Deus. Vamos ver qual é o ponto central das duas parábolas.
• Mateus 13,31-32: A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA. Jesus disse: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda” e em seguida conta a história: um grão bem pequeno é lançado no campo, mas, ainda sendo pequeno, cresce, se torna maior que as outras plantas e chega a atrair os pássaros para que façam nele seus ninhos. Jesus não explica a história. Aqui vale o que diz em outra ocasião: “Quem tem ouvido para ouvir, que ouça”. Isto é: “É isto. Vocês que tem ouvido, agora procurem entender!”. A nós cabe descobrir o que esta história nos revela sobre o Reino de Deus presente em nossas vidas. Assim, por meio desta história do grão de mostarda, Jesus provoca nossa fantasia, pois, cada um de nós entende algo de semeadura. Jesus espera que as pessoas, todos nós, comecemos a compartilhar o que cada um descobre. Compartilho aqui três pontos que descobri sobre o Reino a partir desta parábola: (a)-Jesus disse: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda”. O Reino não é algo abstrato, nem é uma idéia. É uma presença no meio de nós (Lc 17,21). Como é esta presença? É como o grão de mostarda: presença bem pequena, humilde, que quase não se vê. Trata-se do próprio Jesus, um pobre carpinteiro, andando pela Galiléia, falando do Reino às pessoas das aldeias. O Reino de Deus não segue os critérios dos grandes do mundo. Tem outra maneira de pensar e de proceder. (b)-A parábola evoca uma profecia de Ezequiel, na qual se diz que Deus fará brotar um pequeno ramo de cedro e o plantará nas alturas da montanha de Israel. Esse pequeno broto de cedro: “deixará ramos e produzirá frutos, e se converterá em um magnífico cedro”. Pássaros de todas as classes aninharão nele, habitarão na sombra de seus ramos. E todas as árvores do campo saberão que eu, o Senhor, humilho a árvore elevada e exalto a árvore humilhada, faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e o farei (Ez 17,22-23). (c)-O grão de mostarda, ainda que pequeno, cresce e suscita esperança. Como o grão de mostarda, assim o Reino tem uma força interior e cresce. Cresce como? Cresce através da pregação de Jesus dos discípulos e das discípulas, nos povoados da Galiléia. Cresce, até hoje, através do testemunho das comunidades e se torna boa noticia de Deus que irradia e atrai as pessoas. A pessoa que chega perto da comunidade sente-se acolhida, em casa, e faz nela seu ninho, sua morada. No final, a parábola deixa uma pergunta no ar: quem são os passarinhos? A pergunta terá resposta mais adiante no evangelho. O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar no Reino (Mt 15,21-28).
• Mateus 13,33: A PARÁBOLA DA LEVEDURA. A história da segunda parábola é esta: uma mulher mistura um pouco de levedura com três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado. De novo, Jesus não explica, só diz: “O Reino do Céu é como a levedura...” Como na primeira parábola, depende de nós saber descobrir o significado para hoje. Compartilho alguns pontos que descobri e que me fizeram pensar: (a)-O cresce não é a levedura, mas sim, a massa. (b)-Trata-se de uma coisa bem caseira, do trabalho da mulher em casa. (c)-A levedura tem algo de podre que se mistura com a massa pura de farinha. (d)-O objetivo é fazer “levitar” a massa e não apenas uma parte. (e)-A levedura, não tem um fim em si mesma, mas sim, serve para fazer crescer a massa.
• Mateus 13,34-35: POR QUE É QUE JESUS FALA EM PARÁBOLAS. Aqui, no final do Sermão das Parábolas, Mateus trás um esclarecimento sobre o motivo que levava Jesus a ensinar as pessoas em forma de parábolas. Ele disse que era para que se cumprisse a profecia que diz: “Abrirei com parábolas minha boca, publicarei o que estava oculto desde a criação do mundo”. Na realidade, o texto citado não é de um profeta, mas de um salmo (Sl 78,2). Para os primeiros cristãos todo o Antigo Testamento era uma grande profecia que tinha que anunciar veladamente a vinda do Messias e a realização das promessas de Deus. Em Marcos 4,34, o motivo que levava Jesus a ensinar as pessoas era para adaptar a mensagem à capacidade das pessoas. Ao ser exemplo tirados da vida das pessoas, Jesus ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no cotidiano. A vida se tornava transparente. Jesus fazia perceber que o extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. As pessoas entendiam assim, da vida. Nas parábolas recebia uma chave para abri-la e encontrar dentro da vida os sinais de Deus. No final do Sermão das Parábolas, em Mateus 13,52, como logo veremos, vai se dar outro motivo que levava Jesus ensinar por meio das parábolas.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Qual é o ponto destas parábolas que mais você gostou ou que mais lhe chamou a atenção. Por quê?
• Qual é a semente que, sem que tenhas percebido, cresceu em você e em tua comunidade?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 59,17)
• Hoje serei cuidadoso em manter uma atitude de humildade e simplicidade diante de Deus e de meus semelhantes.




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lectio Divina - 20/07/12






SEXTA-FEIRA -20/07/2012

PRIMEIRA LEITURA:  Isaías 38,1-6.21-22.7-8

• Quantas vezes, como dizemos anteriormente, um acontecimento que se interpreta como negativo é, precisamente, o motor de acontecimentos que trouxeram a salvação e a vida, não só para nós, mas, para o mundo todo. Na passagem de hoje ouvimos como uma enfermidade mortal leva o rei a uma atitude de profunda humildade e a orar ao Senhor por sua vida. Esta oração se converte em salvação, não só para ele, mas, para todo seu povo. Assim acontece em nossa vida, já que as enfermidades, as crises econômicas e todos os acontecimentos que ferem nossa vida, podem ser utilizados por Deus, que é o Senhor da história, para nosso beneficio e de todos os que convivem conosco. A enfermidade e as crises econômicas, as catástrofes não são desejos e, muito menos, provocados ou mandados por Deus, como incorretamente muitos acreditam. Estes ocorrem na vida devido a fragilidade do ser humano ou pela debilidade de tudo o que existe, ou pelo pecado que sempre deixa conseqüências na natureza. Porém, de todas elas, o Senhor é capaz de tirar um resultado positivo, se nós, como o rei Ezequias, nos voltarmos para Ele em profunda humildade e retomarmos o caminho da oração. Nosso Deus é realmente um Deus de amor que, apesar da debilidade humana e do pecado, procura sempre a forma de fazer-nos o bem e, sobretudo, de salvar-nos. Qualquer outro tipo de pensamento, simplesmente não é cristão.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que mostra a luz de tua verdade ao que andam extraviados, para que possam voltar ao bom caminho, concede a todos os cristãos rejeitar o que é indigno deste nome e cumprir quanto ele e significativo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 12,1-8

• No evangelho de hoje veremos de perto um dos muitos conflitos entre Jesus e as autoridades religiosas da época. São conflitos em torno das práticas religiosas daquele tempo: jejum, pureza, observância do sábado, etc... Em termos de hoje, seriam conflitos como, por exemplo, o casamento de pessoas divorciadas, a amizade com prostitutas, a acolhida dos homossexuais, o comungar sem estar casado pela igreja, o faltar na missa no domingo, não jejuar na sexta-feira santa. São muitos os conflitos: em casa, na escola, no trabalho, na comunidade, na Igreja, na vida pessoal, na sociedade. Conflitos de crescimento, de relações, de idade, de mentalidade. Tantos! Viver a vida sem conflito é impossível! O conflito é parte da vida e aparece desde o nascimento. Nascemos com dores de parto. Os conflitos não são acidentes de percurso, mas, são parte integrante do caminho, do processo de conversão. O que chama a atenção é a maneira como Jesus enfrenta os conflitos. Na discussão com os adversários, não se tratava de quem tinha razão, mas, de como prevaleceria a experiência que Ele, Jesus, tinha de Deus como Pai e Mãe. A imagem de Deus que os outros tinham era o de um Deus juiz severo, que só ameaçava e condenava. Jesus procurava fazer prevalecer a misericórdia sobre a observância cega das normas e das leis que não tinham nada a ver com o objetivo da Lei que é a prática do amor.
• Mateus 12,1-2: ARRANCAR O TRIGO NO DIA DE SÁBADO E A CRITICA DOS FARISEUS. Em um dia de sábado, os discípulos passavam por uma plantação e abriram caminho arrancando espigas para comê-las. Tinham fome. Os fariseus chegaram e invocaram a Bíblia para dizer que os discípulos estavam cometendo uma transgressão da lei do sábado (cf. Ex 20,8-11). Jesus também usa a Bíblia e responde evocando três exemplos tirados da Escritura: (a)-de Davi, (b)-da legislação sobre o trabalho dos sacerdotes no templo e (c)-da ação do profeta Oséas, isto é, cita um livro histórico, um livro legislativo e um livro profético.
• Mateus 12,3-4: O EXEMPLO DE DAVI. Jesus lembra que Davi havia feito uma coisa proibida pela lei, pois, tirou os pães sagrados do templo e os deu aos soldados para que os comessem porque tinham fome (1Sm 21,2-7). Nenhum fariseu tinha a coragem de criticar o rei Davi!
• Mateus 12,5-6: O EXEMPLO DOS SACERDOTES... Acusado pelas autoridades religiosas, Jesus argumenta a partir do que elas mesmas, as autoridades religiosas, fazem no dia de sábado. No templo de Jerusalém, no dia de sábado, os sacerdotes trabalham muito mais que nos dias da semana, pois, devem sacrificar os animais para os sacrifícios, devem limpar, varrer, carregar peso, degolar animais, etc. E ninguém dizia que ia contra a lei, pois, pensavam que era normal, etc. A própria lei os obrigava a fazer isto (Nm 28,9-10).
• Mateus 12,7: EXEMPLO DO PROFETA. Jesus cita a frase do profeta Oséas: Quero misericórdia e não sacrifício. A palavra misericórdia significa ter o coração (cor) na miséria (miseri) dos outros, isto é, a pessoa misericordiosa tem que estar bem próximo do sofrimento das pessoas, tem que identificar-se com elas. A palavra sacrifício significa fazer que uma coisa fique consagrada, isto é, quem oferece um sacrifício separa o objeto sacrificado do uso profano e o afasta da vida diária das pessoas. Se os fariseus tivessem em si este olhar do profeta Oséas, saberiam que o sacrifício mais agradável a Deus não é que a pessoa consagrada vida distante da realidade, mas, que coloque inteiramente seu coração consagrado à serviço da miséria de seus irmãos e irmãs para alivia-los. Eles não deviam condenar como culpados àqueles que na realidade eram inocentes.
• Mateus 12,8: O FILHO DO HOMEM É SENHOR DO SÁBADO. Jesus termina com esta frase: o Filho do Homem é senhor do sábado. Jesus, Ele próprio, é o critério para a interpretação da Lei de Deus. Jesus conhecia a Bíblia de memória e a invocava para mostrar que os argumentos dos outros não tinham fundamento. Naquele tempo, não havia Bíblias impressas como temos hoje em dia. Em cada comunidade só havia uma Bíblia, escrita a mão, que ficava na sinagoga. E que Jesus conhecesse tão bem a Bíblia é sinal de que durante trinta anos de vida em Nazaré, tenha participado intensamente na vida da comunidade, onde todos os sábados se liam as escrituras. A nova experiência de Deus como Pai fazia com que Jesus descobrisse melhor qual havia sido a intenção de Deus ao decretar as leis do Antigo Testamento. Ao conviver com as pessoas da Galiléia, durante trinta anos em Nazaré, e sentindo na pele a opressão e a exclusão de tantos irmãos e irmãs em nome da Lei de Deus, Jesus percebeu que isto não podia ser o sentido daquelas leis. Se Deus é Pai, então, Ele acolhe todos como filhos e filhas. Se Deus é Pai, então, devemos ser irmãos e irmãs uns dos outros. Foi o que Jesus viveu e rezou, desde o começo até o fim. A Lei deve estar a serviço da vida e da fraternidade. “O ser humano não foi feito para o sábado, mas sim, o sábado para o ser humano” (Mc 2,27). Foi por sua fidelidade a esta mensagem que Jesus foi condenado à morte. Ele incomodava o sistema, e o sistema se defendeu, usando a força contra Jesus, pois, Ele queria a Lei a serviço da vida, e não vice-versa. Falta, todavia, muito para que tenhamos essa mesma familiaridade com a Bíblia e a mesma participação na comunidade como Jesus.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Que tipo de conflito você vive na família, na sociedade e na Igreja? Quais são os conflitos relativos a práticas religiosas que, hoje, fazem sofrer as pessoas e, são motivos de muita discussão e polêmica? Qual é a imagem de Deus que está por trás de todos estes preconceitos, normas e proibições?
• O que é que tem ensinado o conflito nestes anos? Qual é a mensagem que tiramos de tudo isto para nossas comunidades hoje?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 63,7-9)
• Hoje farei uma análise de tudo àquilo que eu gostaria de solucionar em minha vida se um profeta de Deus viesse e me dissesse: “soluciona todos teus assuntos, porque não vai permanecer e vai morrer”, e farei os ajustes necessários para começar a solucioná-los tudo o quanto antes possível.




quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lectio Divina - 19/07/12






QUINTA-FEIRA -19/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaías 26,7-9.12.16-19

•    A passagem de hoje de Isaias está composta por uma série de idéias que pertencem a um tempo posterior as ameaças de invasões. Nelas, o profeta reconhece a bondade do Senhor e, sobretudo, a necessidade de tê-lo como protetor, e sua lei, como o caminho da vida. Ficaremos hoje com as palavras do profeta: “Minha alma te deseja pela noite, meu espírito te busca pela manhã”. Isto nos leva a pensar nesse desejo profundo que o Espírito Santo gera naqueles que experimentam uma sede profunda do eterno, do divino; nos levam a pensar naquelas palavras do salmista: “Minha alma tem sede de ti, meu espírito te busca com ansiedade”. Este pensamento, quando se cultiva na oração que nos conduz a provar da água viva, nos leva a concluir como Paulo, que para nós “a vida é Cristo e a morte uma ganância”. Cresce vertiginosamente em nós o anseio de viver Nele, de ser totalmente Dele e para Ele. Esta água viva que brota do coração do enamorado, o faz viver sempre na presença do amado. Quanto faz falta hoje em nossa Igreja, que mais irmãos tenham esta experiência que nos diz hoje Isaias, e que tem sido a experiência de todos os santos, de todos os que buscam com um coração sincero o Senhor. Você também é chamado para esta experiência. Deixa, por um momento, o ruído de tua atividade, feche as portas de teu quarto e, no silêncio do coração, encontrarás Jesus. Asseguro-te que a partir daí o desejarás com toda a alma dia e noite. Faça essa experiência, você não vai se arrepender.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que mostra a luz de tua verdade ao que andam extraviados, para que possam voltar ao bom caminho, concede a todos os cristãos rejeitar o que é indigno deste nome e cumprir quanto ele e significativo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 11,28-30

•    O evangelho de hoje tem só três versículos que formam parte de uma pequena unidade literária, uma das mais bonitas, na qual Jesus agradece ao Pai pela revelação da sabedoria do Reino aos pequenos para escondê-la dos doutores e entendidos. No breve comentário que segue incluiremos toda a pequena unidade literária.
• Mateus 11,25-26: SÓ OS PEQUENOS ENTENDEM E ACEITAM A BOA NOVA DO REINO. Jesus reza assim: “EU TE LOUVO, PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA, PORQUE TENS ESCONDIDO ESTAS COISAS AOS SÁBIOS E INTELIGENTES E AS TEM REVELADO AOS PEQUENOS”. Os sábios, os doutores daquela época haviam criado um sistema de leis que impunham as pessoas em nome de Deus (Mt 23,3-4). Pensavam que Deus exigia das pessoas estas observâncias. Porém, a lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importa para salvar-nos, não é o que fazemos para Deus, mas sim, o que Deus, em seu grande amor, faz para nós! Deus quer misericórdia e não sacrifício (Mt 9,13). As pessoas humildes e pobres entendiam esta maneira de Jesus falar e ficavam alegres. Os sábios diziam que Jesus estava equivocado. Não podiam entender seu ensinamento. “Sim, Pai, nisto te comprazes!”. É agradável ao Pai que os pequenos entendam a mensagem do Reino e que os sábios e entendidos não a entendam! Se eles querem entendê-lo tem que tornarem-se alunos dos pequenos! Este modo de pensar e ensinar inverte a convivência e a incomoda.
• Mateus 11,27: A ORIGEM DA NOVA LEI: O FILHO RECONHECE O PAI. Aquilo que o Pai nos tem para dizer, o entregou à Jesus, e Jesus o revela aos pequenos, porque estes se abrem a sua mensagem. Jesus, o Filho, conhece o Pai. Sabe o que o Pai nos queria comunicar quando, séculos atrás, entregou sua Lei a Moisés. Hoje também, Jesus está ensinando muitas coisas aos pobres e aos pequenos e, através deles, a toda sua Igreja.
• Mateus 11,28-30: O CONVITE DE JESUS QUE VALE ATÉ HOJE. Jesus convida a todos os que estão cansados que venham à Ele para obter descanso. Nós, nas comunidades de hoje, deveríamos dar continuidade a este convite que Jesus dirigiu ao povo cansado e oprimido sob o peso das observâncias exigidas pelas leis de pureza. Ele dizia: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Muitas vezes, esta frase foi manipulada para pedir as pessoas submissão, mansidão e passividade. O que Jesus quer dizer é o contrário. Pede que as pessoas deixem de lado os “sábios e entendidos”, aos professores de religião da época, e comecem a aprender com Ele, Jesus, um camponês do interior da Galiléia, sem instrução superior, que se diz “manso e humilde de coração”. Jesus não faz como os escribas que se exaltam por sua ciência, mas é como as pessoas que vivem humilhadas e exploradas. Jesus, o novo mestre, sabia por experiência o que passava no coração das pessoas e o que o povo sofria. Viu e conheceu de perto durante trinta anos em Nazaré.
• A MANEIRA QUE JESUS TEVE DE PRATICAR O QUE ENSINOU NO SERMÃO DA MISSÃO. Uma paixão é revelada na maneira que Jesus tem de anunciar a Boa Nova do Reino. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado de sua terra. Ali onde encontrava pessoas que o escutavam, Jesus transmitia a Boa Nova. Em qualquer lugar. Nas sinagogas durante a celebração da Palavra (Mt 4,23). Nas casas dos amigos (Mt 13.36). Andando pelo caminho com os discípulos (Mt 12,1-8). No meio do mar, nas margens da praia, sentado em um barco (Mt 13,1-3). Na montanha, onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1). Nas praças de aldeias e cidades, onde as pessoas levavam seus enfermos (Mt 14,34-36). No Templo de Jerusalém, durante as romarias (Mt 26,55). Em Jesus, tudo é “revelação” daquilo que o animava por dentro! Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino, mas, Ele era e continua sendo uma mostra viva do Reino. Nele aparece tudo aquilo que acontece quando um ser humano deixa que Deus reine em sua vida e seja o centro da mesma. O evangelho de hoje revela a ternura com a qual Jesus acolhe os pequenos. Ele quer que encontrem Nele a paz e o descanso. Por sua opção a favor dos pequenos e excluídos Jesus foi perseguido e criticado. Sofreu muito! O mesmo acontece hoje! Quando uma comunidade se abre e trata de ser um lugar de acolhida e de consolo, de descanso e de paz também para os pequenos e excluídos de hoje, para os migrantes e estrangeiros, são muitos os que criticam!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Já experimentou alguma vez o descanso que Jesus prometeu?
• As palavras de Jesus, como podem ajudar nossa comunidade a ser um lugar de descanso para nossas vidas?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 36,10-11)
• Hoje farei um encontro com o Senhor e terei um momento longo de colóquio com Ele e o desfrutarei no máximo. Dentro deste encontro com Ele, pedirei que me ajude a provocar, com mais freqüência, esses momentos.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Lectio Divina - 18/07/12







QUARTA-FEIRA -18/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaías 10,5-7.13-16


•    Esta passagem de Isaias nos ajuda a entender que tudo, em nossa vida e no mundo, está sob o controle de Deus e que, como dirá mais adiante Paulo, tudo obedece a um projeto amoroso de Deus para com seus filhos, ainda nas situações mais adversas. Se lermos os primeiros versículos de Isaias 1, veremos que o povo de Deus de desviou completamente do caminho do Senhor e que Deus buscou por todos os meios fazê-los compreender que só Nele serão felizes, porém, seu coração se fechou. De maneira que usará a Assíria como uma “vara de correção” para que seus filhos possam dar-se conta de seu erro. Entretanto, como se vê nesta passagem, a Assíria crê que destruirá Judá, porque é muito poderosa e nada lhe podia fazer frente, não se dá conta que é só um instrumento de Deus. Isto, pois, nos ajuda a entender que os acontecimentos cotidianos que vemos como “negativos” e contrários a nossos interesses, são só um instrumento de Deus para ajudar-nos a mudar e a regressar a Ele: “Pois tudo convém para aqueles que amam o Senhor”. O Reino do Sul, com sua capital Jerusalém, não entendeu a lição que Deus deu em seus irmãos do Reino do Norte, quando estes foram esmagados e destruídos totalmente pelos assírios e continuaram com sua rebeldia, até que a mesma sorte que eles ocorreu também ocorra à Jerusalém. Reflitamos seriamente sobre os acontecimentos de nossa vida e descubramos neles os sinais que Deus nos dá para que não nos apartemos Dele, e se nos afastarmos, para que regressemos a Ele e não soframos as conseqüências de nossa desobediência.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que mostra a luz de tua verdade ao que andam extraviados, para que possam voltar ao bom caminho, concede a todos os cristãos rejeitar o que é indigno deste nome e cumprir quanto ele e significativo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 11,25-27

•    CONTEXTO. Esta passagem de Mateus representa um giro em seu evangelho: são formuladas à Jesus as primeiras perguntas sobre a chegada do reino dos céus. O primeiro que pergunta sobre a identidade de Jesus é João Batista, que através de seus discípulos lhe dirige uma pergunta concreta: “És tu o que há de vir ou devemos esperar outro?”. Entretanto, os fariseus junto com os escribas se dirigem à Jesus com palavras de reprovação e de juízo: “Teus discípulos fazem o que não lícito fazer no sábado”. Até agora, nos capítulos 1-10, a chegada do reino dos céus na pessoa de Jesus não parecia encontrar obstáculos, porém, a partir do capítulo 11 começam a aparecer dificuldades concretas. Ou seja, muitos começam a tomar posição diante da pessoa de Jesus: às vezes é “objeto de escândalo”, de queda, “esta geração”, no sentido de descendência humana, não tem uma atitude de acolhida para o reino que vem, as cidades situadas ao longo do lago não se convertem, se desencadeia uma verdadeira controvérsia sobre o comportamento de Jesus, e mais, se começa a pensar como matá-lo. Este é o clima de desconfiança e de contestação em que Mateus marca esta passagem. Agora, chegou o momento de perguntar-se sobre a atividade de Jesus: como interpretar estas “obras de Cristo”? Como explicar estas ações milagrosas? Estas perguntas tocam na questão crucial da messianidade de Jesus. Entretanto, as obras messiânicas de Jesus colocam sob juízo não só “esta geração”, mas também as cidades em torno do lago que não se converteram ao chegar o reino na pessoa de Jesus.
• FAZER-SE PEQUENO. Para realizar esta conversão, o itinerário mais eficaz é fazer-se “pequeno”. Jesus transmite esta estratégia da “pequenez” em uma oração de reconhecimento (11,27) que tem um paralelo esplêndido no testemunho dado pelo Pai na ocasião do batismo. Os estudiosos gostam de chamar esta oração de “hino de júbilo”, O ritmo da oração de Jesus começa com uma confissão: “Eu te bendigo”, “te confesso”. Esta expressão introdutória dá uma atitude muito solene à Palavra de Jesus. A oração de louvor que Jesus pronuncia tem as características de uma resposta para o leitor. Jesus se dirige a Deus com a expressão: “Senhor do céu e da terra”, isto é, Deus como criador e protetor do mundo. No judaísmo, ao contrário, era costume dirigir-se a Deus com a invocação “Senhor do mundo”, mas, sem o termo “Pai”, que é uma característica distintiva da oração de Jesus. O motivo do louvor é a revelação de Deus: porque as ocultou..., e as revelou. Este esconder, referido aos “sábios e inteligentes”, afeta os escribas e fariseus, considerados como totalmente fechados e hostis a chegada do Reino. Revela-se aos pequenos, o termo grego diz “crianças”, aos que ainda não falam. Portanto, Jesus considera ouvintes privilegiados da proclamação do reino dos céus os inexperientes da lei, os não instruídos. Quais são “estas coisas” que se ocultam ou revelam? O conteúdo desse revelar, ou, ocultar é Jesus, o Filho de Deus, o revelador do Pai. É evidente para o leitor que o revelar-se de Deus é inseparavelmente unido a pessoa de Jesus, a sua palavra, a suas ações messiânicas. Ele é quem permite o revelar-se de Deus e não a lei ou os fatos que pressagiavam o tempo final.
• O REVELAR-SE DE DEUS, DO PAI AO FILHO. Na última parte do discurso, Jesus faz uma apresentação de si mesmo como aquele a quem tudo foi revelado pelo Pai. No contexto da chegada do Reino, Jesus tem a função e a missão de revelar em tudo o Pai do céu. Nesta função e missão, Ele recebe a totalidade do poder e do saber, e a autoridade para julgar. Para confirmar esta tarefa tão comprometedora, Jesus invoca o testemunho do Pai, o único que tem um real conhecimento de Jesus: “Ninguém conhece o Filho, mas sim, o Pai” e vice-versa, “ninguém conhece o Pai, mas sim, o Filho”. O testemunho do Pai é insubstituível para que a dignidade única de Jesus como Filho seja entendida por seus discípulos. Afirma-se, além disso, a exclusividade de Jesus no revelar o Pai, assim afirmava o evangelho de João: “A Deus ninguém jamais viu: o Filho único, que está no seio do Pai, Ele é o que o tem revelado” (1,18). Em síntese, o evangelista faz entender a seus leitores que o revelar-se de Deus acontece através do Filho. E mais: o Filho revela o Pai a quem quer.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Você sente na oração a necessidade de expressar ao Pai todo teu agradecimento pelos dons derramados em tua vida? Tem tempo de confessar e de exaltar publicamente o Senhor pelas obras maravilhosas que realiza no mundo, na Igreja, em tua vida?
• Em tua busca de Deus, coloca tua confiança em tua sabedoria e inteligência, ou, te deixas guiar pela sabedoria de Deus? Qual é a atenção que prestas em tua relação com Jesus? Escuta sua Palavra? Tem os mesmos sentimentos para descobrir sua fisionomia como Filho do Pai do céu?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 71,15.17)
• Hoje colocarei muito mais atenção na correção e na repreensão de meus próximos e as tomarei como instrumento de Deus para guiar-me a uma vida muito mais plena.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Lectio Divina - 17/07/12





TERÇA-FEIRA -17/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Is 7,1-9

•    O inicio do capítulo 7 refere-se à campanha da Síria (Aran) e do Israel setentrional (Efrain) contra Judá, durante o reinado de Acaz. A campanha em questão aconteceu entre 735 e 733 a.C. e é conhecida como guerra síro-efrainita. A Síria e Israel já pagavam tributo à Assíria desde 738 a.C., mas agora tinham decidido revoltar-se, retendo o pagamento. Judá recusa-se a fazer parte da aliança. Por enquanto, Acaz não tinha nenhum motivo de queixa contra a Assíria e, de qualquer modo, a esperança de sucesso era remota. Israel e a Síria, então, tentaram destronar Acaz e substituí-lo por um rei mais receptivo a seus intentos. A ideologia régia da dinastia davídica professava sublime confiança em que Deus protegeria sua cidade e seu rei escolhido. Tal profissão é feita com facilidade quando não há perigo imediato. Diante de uma invasão real, entretanto, “o coração (do rei) e o coração de seu povo ficaram agitados como as árvores da floresta são agitadas pelo vento”. A referencia 65 anos tem intrigado os comentadores. Está longe demais para ter relevância imediata para Acaz e, além disso, Israel acabou efetivamente em 722 a.C. Alguns biblistas sugerem ser este versículo uma glosa acrescentada em 671 a.C., quando outros povoadores foram levados a Samaria pelo rei assírio Asaradon.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que mostra a luz de tua verdade ao que andam extraviados, para que possam voltar ao bom caminho, concede a todos os cristãos rejeitar o que é indigno deste nome e cumprir quanto ele e significativo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 11,20-24

•    O Sermão da Missão ocupa o capítulo 10. Os capítulos 11 e 12 descrevem como Jesus realizava a Missão. Ao longo destes capítulos, aparecem as adesões, as dúvidas e as rejeições que a ação de Jesus ia provocando. João Batista, que olhava com os olhos do passado, não conseguia entendê-lo. As pessoas, que olhavam para Jesus com finalidade interessada, não foram capazes de entendê-lo. As grandes cidades ao redor do lago, que ouviram a pregação de Jesus e viram seus milagres, não quiseram abrir-se a mensagem (é o texto do evangelho de hoje). Os sábios e os doutores, que apreciavam tudo a partir de sua própria ciência, não foram capazes de entender a pregação de Jesus. Os fariseus que confiavam só na observância da lei, criticavam Jesus e decidiram matá-lo. Diziam que Jesus agia em nome de Belzebu. Queriam Dele uma prova para poder-lhe crer. Tampouco, seus parentes apoiavam Jesus. Só os pequenos e o povo enfermo o entendiam e aceitavam a Boa Nova do Reino. Iam atrás Dele e viam Nele o Servo anunciado por Isaias.
• Esta maneira de descrever a ação misericordiosa de Jesus era uma advertência clara para os discípulos e as discípulas que andavam com Jesus pela Galiléia. Não podiam esperar muita recompensa nem elogia pelo fato de serem missionários de Jesus. A advertência vale também para nós que, hoje, lemos e meditamos este Sermão da Missão, pois, os evangelhos foram escritos para todos. Nos convidam a confrontar nossa atitude com a atitude dos personagens que aparecem no evangelho e a perguntar-nos se somos como João Batista, como o povo interessado, como as cidades incrédulas, como os doutores que pensavam saber tudo e não entendiam nada, como os fariseus que a única coisa que sabiam fazer era criticar, ou, como as pessoas que iam procurar Jesus para seguir-lhe e que com sua sabedoria, sabiam entender e aceitar a mensagem do Reino.
• Mateus 11,20: A PALAVRA CONTRA AS CIDADES QUE NÃO O RECEBERAM. O espaço por onde Jesus andava durante aqueles três anos de sua vida missionária era um espaço reduzido. Ao longo do Mar da Galiléia havia poucos quilômetros quadrados em torno das cidades de Cafarnaum, Betsaida e Corazim. Somente poucos quilômetros! Foi, pois, neste pequeno espaço, onde Jesus realizou a maior parte de seus milagres e de seus discursos. Veio para salvar toda a humanidade, e quase não saiu do limitado espaço de sua terra. Tragicamente, Jesus teve que constatar que as pessoas daquelas cidades não quiseram aceitar a mensagem do Reino e não se converteram. As cidades se fixaram em sua rigidez, em suas tradições e em seus costumes e não aceitaram o convite de Jesus que consistiam em mudar de vida.
• Mateus 11,21-24: CORAZIN, BETSAIDA E CAFARNAUM, são piores que Tiro, Sidon e Sodoma. No passado, Tiro e Sidon, inimigos férreos de Israel, maltrataram o povo de Deus. Por isto, foram amaldiçoados pelos profetas (Is 23,1; Jr 25,22; 47,4; Ez 26,3; 27,2; 28,2; Jl 4,4; Am 1,10). E agora, Jesus disse que estas cidades, símbolos de toda a maldade possível, se haveriam se convertido se nelas houvessem dado os milagres feitos em Corazin e Betsaida. A cidade de Sodoma, símbolo da pior perversão, foi destruída pela ira de Deus. E agora Jesus diz que Sodoma existiria até hoje, pois, teria se convertido se houvesse visto os milagres que Jesus fez em Cafarnaum. Hoje continua de pé o mesmo paradoxo. Muitos de nós, que somos católicos desde pequenos, temos tantas convicções consolidadas, que nada é capaz de converter-nos. E em alguns lugares, o cristianismo, em vez de ser fonte de mudança e de conversão, é o reduto das forças mais reacionárias da política do país.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Como me situo diante da Boa Nova de Jesus: como João Batista, como o povo interessado, como os doutores, como os fariseus ou como o povo pequeno e livre?
• Minha cidade e meu país merecem a advertência de Jesus contra Cafarnaum, Corazin e Betsaida?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 48,2-3)






segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lectio Divina - 16/07/12






SEGUNDA-FEIRA -16/07/2012




PRIMEIRA LEITURA: Zc 2,14-17

• O Senhor vem morar com a comunidade do Templo. O hebraico do versículo denota a linguagem de manifestação e presença duradoura. A permanência do Senhor é mencionada no versículo seguinte com proclamações inesperadas. “Numerosas nações se ligarão ao Senhor naquele dia”, referindo-se ao dia do Senhor. Tornar-se-ão seu “próprio povo”. Não é mencionado como as nações se ligarão nem como Israel e as nações se tornarão um “povo”. O conceito do senhor morando no meio das nações e de Israel é notável, em especial quando comparado com o contemporâneo de Zacarias, Ageu. A linguagem da aliança “elegerá” é usada para mostrar o relacionamento do Senhor com Judá e Jerusalém. A designação de Judá como “Terra Santa” só aparece aqui. Tudo será santo, porque o Senhor mor no meio do povo. As respostas terminam com um fragmento de diretriz litúrgica: “Silêncio... perante o Senhor!”.



ORAÇÃO INICIAL

• Vem Espírito Santo, encha com tua luz nossas mentes para entender o verdadeiro significado de tua Palavra. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 19,25-27


• JUNTO A CRUZ. Nesta passagem encontramos também uma palavra muito importante que se repete duas vezes quando o evangelista fala da mãe de Jesus e do discípulo amado. O evangelista conta que a mãe de Jesus estava “junto a cruz” e o discípulo amado estava “junto a ela”. Este importante detalhe tem um significado bíblico muito profundo. Só o quarto evangelista conta que a mãe de Jesus estava junto à cruz. Os outros três não especificam. Portanto, só João sublinha que a mãe de Jesus estava presente, não o seguindo de longe, mas, junto à cruz em companhia das outras mulheres. Reta de pé, como uma forte mulher que continua acreditando, esperando e tendo confiança em Deus, inclusive naquele momento tão difícil. A mãe de Jesus está no momento importante no qual “Tudo se consumou” na missão de Jesus. Além disso, o evangelista sublinha a presença da mãe de Jesus no começo de sua missão, nas bodas de Cana, onde João usa quase a mesma expressão: “Estava ali a mãe de Jesus”.
• A MULHER E O DISCÍPULO. Nas bodas de Cana e na cruz, Jesus mostra sua glória e sua mãe está presente de modo ativo. Nas bodas de Cana se faz evidente, de modo simbólico, o que aconteceu na cruz. Durante a festa das bodas de Cana, Jesus transformou a água contida em seis potes. O número seis simboliza a imperfeição. O número perfeito é o sete. Por este motivo Jesus responde a sua mãe: “Ainda não chegou minha hora”. A hora, na qual Jesus renovou tudo, foi na hora da cruz. Os discípulos lhe perguntaram: “Senhor, é este o tempo em que reconstruirá o reino de Israel!” (At 1,6). Na cruz, com água e sangue, Jesus faz nascer a Igreja e ao mesmo tempo ela se converte em sua esposa. É o começo do novo tempo. Tanto nas bodas de Cana como na cruz, Jesus não chama sua mãe pelo próprio nome, mas sim, lhe dá o belíssimo título de “Mulher” (Jo 2,19-26). Na cruz Jesus não está falando com sua mãe, movido somente por um sentimento natural de filho com a sua mãe. O título de “Mulher” coloca claro que naquele momento Jesus estava abrindo o coração de sua mãe à maternidade espiritual de seus discípulos, representados na pessoa do discípulo amado que se encontra sempre próximo de Jesus, o discípulo que na última ceia reclinou sua cabeça sobre o peito de Jesus (Jo 13,23-26). O discípulo que entendeu o mistério de Jesus e permaneceu fiel à seu mestre até a crucificação, e mais tarde deveria ser o primeiro discípulo em acreditar que Cristo havia ressuscitado ao ver a tumba vazia e os panos de linho por terra (Jo 20.4-8), enquanto Maria Madalena assegura que haviam levado o corpo de Jesus embora. Portanto, o discípulo é quem acredita e permanece fiel à seu Senhor em todas as provas da vida. O discípulo amado de Jesus, não tem nome, porque ele representa você eu e, à quantos são verdadeiros discípulos. A mulher se converte em mãe do discípulo. A mulher, que nunca é chamada pelo evangelista pelo nome próprio, não é só a mãe de Jesus, mas, também é mãe da Igreja. Ao evangelista João agrada chamar a Igreja de “mulher” ou “senhora”. Este título se encontra na 2ª Carta de João e no livro do Apocalipse: “No céu apareceu um grandioso sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua sob seus pés e em sua cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava pelas dores e trabalhos do parto” (Ap 12,1-2). A mulher, pois, é a imagem da Igreja mãe que está com dores do parto para gerar novos filhos a Deus. A mãe de Jesus é a imagem perfeita da Igreja esposa de Cristo que está em parto para gerar novos filhos à seu esposo.
• O DISCÍPULO RECEBE A MULHER EM SUA CASA. Se Jesus deixou nas mãos da mulher (sua Mãe e da Igreja) seus discípulos representados na pessoa do discípulo amado, igualmente deixou nas mãos dos discípulos a Mulher (sua Mãe e da Igreja). O evangelista conta que apenas Jesus viu o discípulo que amava junto a sua mãe e disse: “Eis ai tua mãe!”. O evangelista continua: “E desde aquele momento o discípulo a recebeu em sua casa”. Isto significa que o discípulo recebeu a mulher como uma pessoa valiosa e querida. Isto de novo nos lembra quanto João diz em suas cartas, quando chama a si mesmo de presbítero que ama à Senhora eleita, que ora por ela, para que cuide e a defenda contra o anticristo, isto é, dos que não reconhecem Cristo e procuram perturbar os filhos da Igreja, os discípulos de Jesus. As palavras do versículo 27 “e desde aquele momento o discípulo a recebeu em sua casa”, lembra-nos que encontramos também no começo do evangelho de Mateus. O evangelista abre sua narração com a visão do anjo no sonho de José, o esposo de Maria. Nesta visão o anjo disse a José: “José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua esposa, porque o que foi gerado nela vem do Espírito Santo” (Mt 1,20). Mateus abre seu evangelho com o Senhor confiando Maria e Jesus a José, enquanto João conclui seu relato com Jesus confiando sua Mãe e a Igreja nas mãos do discípulo amado.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• O que lhe chamou mais a atenção nesta passagem e na reflexão?
• Na cruz, Jesus nos deu tudo: sua vida e sua Mãe. E você, está preparado para entregar algo pelo Senhor? É capaz de renunciar a tuas coisas, a teus gostos, etc., para servir a Deus e ajudar ao próximo?
• “Desde aquele momento o discípulo a recebeu em sua casa”. Acredita que as famílias de hoje seguem o exemplo do discípulo amado de Jesus? Que significado tem estas palavras para tua vida cristã?




ORAÇÃO FINAL

• (Lc 1,46-55)





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lectio Divina - 13/07/12





SEXTA-FEIRA -13/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Oséas 14,2-10

•    Uma das coisas que mais impressiona nesta passagem é a ternura de Deus para com o pecador. Talvez, algo que, todavia, devemos mudar em nosso coração é nosso conceito de Deus e de seu infinito amor. Muitos de nós nos parecemos com o filho pródigo da parábola contada por Jesus o qual, enquanto, caminhava de regresso ao Pai, ia preparando sua “desculpa” ou sua defesa. O final da parábola nos mostra que não necessitamos defesa em desculpa com Deus, pois, Deus é um Pai terno e amoroso que nos ama INCONDICIONALMENTE. Ama-nos pelo que somos: SEUS FILHOS, e não pelo que tenhamos ou não feito. Aproveitemos qualquer momento para receber o amor e o perdão incondicional de Deus, através do Sacramento da Reconciliação e deixa-te abraçar por Ele.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que por meio da humilhação de teu Filho levantaste a humanidade caída; concede a teus fiéis a verdadeira alegria, para que, quem for libertado da escravidão do pecado, alcance também a felicidade eterna. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 10,16-23

•    De cara sua futura missão, Jesus dá algumas diretrizes à comunidade de seus discípulos, chamados e reunidos em torno Dele e investidos de sua mesma autoridade como colaboradores.
• Mateus 10,16-19: O PERIGO E A CONFIANÇA EM DEUS. Jesus introduz esta parte de seu discurso com duas metáforas: ovelhas entre lobos, prudentes como as serpentes, simples como as pombas. A primeira mostra o contexto difícil e perigoso em que os discípulos são enviados. Por um lado se evidencia a situação perigosa em que se encontraram os discípulos enviados à missão; por outro, a expressão “eu os envio” expressa proteção. Também na astúcia das serpentes e na simplicidade das pombas parece que Jesus relaciona dois comportamentos: a confiança em Deus e a reflexão atenta e prolongada do modo de relacionar-se com os demais. Jesus dá depois uma ordem que, a primeira vista, parece assinalada por uma marca de desconfiança: “guardai-vos dos homens...”, porém, na realidade indicam estar atentos a possíveis perseguições, hostilidades e denuncias. A expressão “os entregarão”, não se só a acusação nos tribunais, mas sim, que tem, sobretudo, um valor teológico: o discípulo que realiza o seguimento de Jesus poderá viver a mesma experiência que o Mestre, “ser entregue nas mãos dos homens” (17,22). Os discípulos têm que ser fortes e resistir “para dar testemunho”, sua entrega aos tribunais tem de ser testemunho para os judeus e para os pagãos, como possibilidade de atrair para a pessoa e para a causa de Jesus e, portanto, ao conhecimento do evangelho. É importante esta volta positiva ao testemunho caracterizado pela fé que se faz acreditável e atraente.
• Mateus 10, 20: A AJUDA DIVINA. Para que tudo isto se torne realidade na missão-testemunho dos discípulos, é indispensável a ajuda que vem da parte de Deus. Isto é, é necessário não confiar nas próprias seguranças ou recursos, mas sim que, nas situações críticas, perigosas e agressivas de sua vida, os discípulos encontrarão em Deus ajuda e solidariedade. Aos discípulos também lhes é prometido o Espírito do Pai (v.20) para realizar sua missão, Ele trabalhará neles para levar à cabo sua missão de evangelizar e dar testemunho, o Espírito falará através deles.
• Mateus 10,21-22: AMEAÇA-CONSOLO. O tema da ameaça volta de novo com a expressão “entregará”: irmão contra irmão, pai contra filho, filho contra seus pais. Trata-se de uma verdadeira e grande desordem das relações sociais, a trituração da família. As pessoas, unidas pelos mais íntimos laços familiares – como os pais, os filhos, os irmãos e as irmãs – caíram na desgraça de odiarem-se e eliminarem-se mutuamente. Em que sentido esta divisão da família tem alguma coisa a ver com o testemunho a favor de Jesus? Tal ruptura das relações familiares poderia encontrar sua causa na diversidade de atitudes adotada no seio da família com respeito a Jesus. A expressão “sereis odiados”, parece indicar o tema da acolhida hostil de seus enviados por parte dos contemporâneos. A dureza das palavras de Jesus é comparável a outro escrito do NT: “Bem-aventurados vós se sois insultados em nome de Cristo, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vós. Que nenhum de vós tenha que sofrer por homicida, ladrão, malfeitor ou delator. Mas, se alguém sofre como cristão que não se envergonhe, mas dê glória a Deus por este nome”. O anuncio da ameaça continua com a promessa da consolação (v3). A maior consolação dos discípulos será “ser salvos”, poder viver a esperança do salvador, isto é, participar de sua vitória.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Estas disposições de Jesus o que é que nos ensinam hoje para que compreendamos a missão do cristão?
• Você sabe confiar na ajuda de Deus quando sofre conflitos, perseguições e provas?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 51,14.17)
• Hoje repassarei os mandamentos do Senhor e confrontarei minha vida com eles. Darei ênfase nos mandamentos que mais não tenho cumprido ou passado por alto e me farei consciente de como tenho afetado minha pessoa e a dos que me rodeiam.





quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lectio Divina -12/07/12






QUINTA-FEIRA -12/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Oséas 11,1-4;8-9

•    Só quem tem em seus braços um filho, poderá entender as palavras do profeta referidas a YHVH. Deus havia chamado Israel e o havia convertido em seu Filho, em sua herança. Mas, Israel tinha-se voltado para Ele, havia desprezado este amor, havia esquecido todas as mostras de carinho e de ternura de seu Pai Deus e se haviam prostituído com os Baals, afastando-se de Deus. Com esta leitura, vem à minha mente a cena da paixão de Cristo e o texto do apóstolo João que em seu evangelho nos diz: “‘Tanto amou Deus ao mundo que entregou seu próprio Filho para que todos os que acreditam Nele não pereçam, mas tenham vida eterna”. O problema da humanidade é esquecer com facilidade as mostras de amor: de nossos pais, de nossos amigos, do próprio Deus e com isso vamo-nos esquecendo, como o povo de Israel, insensíveis. Não temos consciência que o que se aparta do amor se encaminha fatalmente para a escuridão e o egoísmo. Como esquecer-te, Senhor? Como esquecer teu imenso sacrifício na cruz; teu imenso amor por todos nós? O profeta Isaias, quando o povo estava no desterro, disse: “Poderá um mãe esquecer do filho em suas entranhas? Pois, ainda que alguém assim o fizesse, Eu não te esquecerei jamais?”. Se nosso amor por Jesus tem diminuído, lembremos hoje as palavras do Apocalipse: “Olhe de onde saíste e retorne ao primeiro amor”.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que por meio da humilhação de teu Filho levantaste a humanidade caída; concede a teus fiéis a verdadeira alegria, para que, quem for libertado da escravidão do pecado, alcance também a felicidade eterna. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 10,7-15

• O evangelho de hoje nos apresenta a segunda parte do envio dos discípulos. Ontem vimos a insistência de Jesus em dirigir-se primeiro às ovelhas perdidas de Israel. Hoje vemos as instruções concretas de como realizar a missão.
• Mateus 10,78: O OBJETIVO DA MISSÃO: REVELAR A PRESENÇA DO REINO. “Ide e anunciai: O Reino do Céu está próximo”. O objetivo principal é anunciar a proximidade do Reino. Aqui está a novidade trazida por Jesus. Para os outros judeus faltava muito para que o Reino chegasse. Só chegaria quando eles houvessem se colocado à parte. A chegada do Reino dependia de seu esforço. Para os fariseus, por exemplo, o Reino chegaria só quando a observância da Lei fosse perfeita. Para os Essênios, quando o país fosse purificado. Jesus pensa de outra forma. Tem outra maneira de ler os fatos. Disse que o prazo já estava vencido (Mc 1,15). Quando disse que o Reino está próximo, Jesus não quer dizer que estava chegando naquele momento, mas que já estava ali, independentemente do esforço feito pelas pessoas. Aquilo que todos esperávamos, já estava presente no meio das pessoas, gratuitamente, porém, as pessoas não sabiam e não percebiam (cf. Lc 17,21). Jesus percebeu! Pois, Ele olha a realidade com um olhar diferente. E vai revelar e anunciar esta presença escondida do Reino no meio das pessoas pobres de sua terra (Lc 4,18). Eis aqui o grão de mostarda que receberá a chuva de sua palavra e o calor de seu amor.
• Mateus 10,8: OS SINAIS DA PRESENÇA DO REINO: ACOLHER OS EXCLUÍDOS. Como anunciar a presença do Reino? Só por meio de palavras e discursos? Não! Os sinais da presença do Reino são antes de tudo gestos concretos, realizados gratuitamente: “Curar enfermos, ressuscitar mortos, purificar leprosos, expulsar demônios. De graça recebestes, de graça deves dar”. Isto significa que os discípulos têm que acolher dentro da comunidade aqueles que da comunidade foi excluído. Esta prática solidária critica tanto a religião como a sociedade excludente, e aponta para saídas concretas.
• Mateus 10,.9-10: NÃO LEVAR NADA PELO CAMINHO. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus não podem levar nada: “Não procureis ouro, nem prata, nem cobre em vossas cintas, nem alforje pelo caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o trabalhador merece seu sustento”. Isto significa que devem confiar na hospitalidade das pessoas. Pois, o discípulo que vai sem levar nada só a paz (Mc 10,13), mostra que confia nas pessoas. Acredita que será acolhido, que participará na vida e no trabalho das pessoas do lugar e que vai poder sobreviver com aquilo que receberá em troca, pois, o trabalhador tem direito a seu alimento. Isto significa que os discípulos têm que confiar no compartilhar. Por meio desta prática criticam as leis da exclusão e resgatam os antigos valores da convivência comunitária.
• Mateus 10,11-13: COMPARTILHAR A PAZ EM COMUNIDADE. Os discípulos não devem andar de casa em casa, mas, devem procurar ir onde existem pessoas de Paz e permanecer nesta casa. Isto é, devem conviver de forma estável. Assim por meio desta nova prática, criticam a cultura da acumulação que marcava a política do império romano e anunciam um novo modelo de convivência. No caso de haver respondido a todas estas exigências, os discípulos podiam gritar: O Reino chegou! Anunciar o Reino não consiste, em primeiro lugar, em verdades e doutrinas, mas, em procurar viver de forma nova e fraterna, e compartilhar a Boa Nova que Jesus nos trouxe: “Deus é Pai, e nós somos todos irmãos e irmãs”.
• Mateus 10,14-15: A SEVERIDADE DA AMEAÇA. Como entender esta ameaça tão severa? Jesus veio nos trazer uma coisa totalmente nova. Veio resgatar valores comunitários do passado: a hospitalidade, o compartilhar, a comunhão ao redor da mesa, a acolhida dos excluídos. Isto explica a severidade contra os que rejeitam a mensagem. Pois, não rejeitam algo novo, mas sim, seu próprio passado, sua própria cultura e sabedoria. A pedagogia tem como objetivo desenterrar a memória, resgatar a sabedoria das pessoas e reconstruir a comunidade, renovar a Aliança, refazer a vida.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Como realizar hoje a recomendação de não levar nada pelo caminho quando se vai em missão?
• Jesus manda dirigir-se a uma pessoa de paz, para poder viver em sua casa. Como seria hoje uma pessoa de paz à que dirigimos no anuncio da Boa Nova?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 80,15-16)
• Hoje terei com os que me rodeiam mais mostras de amor que as que habitualmente tenho, buscando que elas sejam instrumentos de Deus para manifestar-lhes seu amor de Pai.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lectio Divina - 11/07/12





QUARTA-FEIRA -11/07/2012




PRIMEIRA LEITURA: Oséas 10,1-3.7-8.12

• Em nosso texto de hoje o profeta continua sua reprovação a Israel e lhe adverte do perigo iminente, do castigo que receberá de Deus por não retornar à vida conforme a Aliança. Construíram ídolos e acreditaram que por ter altares e oferecer sacrifícios a Deus estavam salvos. Idiotas! Serão castigados. Espalharam vento e colherão tempestades. Esta frase não lembra as palavras de Paulo em sua carta aos Gálatas: colhe-se aquilo que semeias!. Hoje em dia, é triste descobrir que estas palavras continuam sendo de grande atualidade para aqueles que pensam que basta ir á missa para agradar a Deus, enquanto que em suas vidas comum se dedicam em semear ódios, violência e injustiças, aqueles que continuam, como naqueles tempos, construindo ídolos que não podem salvá-los; gente ignorante que colocou sua confiança no dinheiro, em seu poder e em outras tantas coisas que, no lugar de ajudar-lhes a ser melhores e alcançar a salvação, só os jogam na amargura e se não se convertem, são atirados nas profundezas do inferno. É tempo, de retornar ao Senhor, de retomar seu evangelho e procurar viver conforte este, não só no domingo enquanto estamos na missa, mas sim, em todo o momento. Disto pode depender nossa vida eterna.



ORAÇÃO INICIAL

• Oh Deus, que por meio da humilhação de teu Filho levantaste a humanidade caída; concede a teus fiéis a verdadeira alegria, para que, quem for libertado da escravidão do pecado, alcance também a felicidade eterna. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 10,1-7

•    No capítulo 10 do Evangelho de Mateus inicia-se o segundo grande discurso, O Sermão da Missão. Mateus organizou seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus, ou como um novo “pentateuco” com seus cinco livros. Por isto, seu evangelho, trás cinco grandes discursos, ou seja: INTRODUÇÃO: NACIMENTO E PREPARAÇÃO DO MESSIAS (Mt 1 a 4), (a)-Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7) Narrativa (Mt 8 a 9), (b)-Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10) Narrativa (Mt 11 e 12), (c)-Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13) Narrativa (Mt 14 a 17), (d)-Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18) Narrativa (Mt 19 a 23), (e)-Sermão da futura chegada do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25), CONCLUSÃO: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).
• O evangelho de hoje é o inicio do Sermão da Missão, na qual se manifestam três assuntos: (1)-o chamado dos discípulos (Mt 10,1); (2)-a lista dos nomes dos doze apóstolos que vão ser os destinatários do sermão da missão (Mt 10,2-4); (3)-o envio dos doze (Mt 10,5-7).
• Mateus 10,1: O CHAMADO DOS DOZE DISCÍPULOS. Mateus já havia falado do chamado dos discípulos (Mt 4,18-22;9,9). Aqui, no começo do Sermão da Missão, faz um resumo: “E chamando os doze discípulos, lhes deu o poder sobre os espíritos imundos para expulsá-los, e para curar toda enfermidade e toda doença”. A obrigação ou a missão do discípulo é seguir Jesus, o Mestre, formando comunidade com Ele e realizando a mesma missão de Jesus: expulsar os espíritos imundos, curar toda doença e enfermidade. No evangelho de Marcos, eles receberam a mesma dupla missão, formulada com outras palavras: Jesus instituiu Doze, para que estivessem com Ele, e para enviá-los a pregar com o poder de expulsar os demônios (Mc 3,14-15). (a)-Estar com Ele, isto é formar comunidade, na qual Jesus é o centro, o eixo. (b)-Rezar e ter poder para expulsar o demônio, isto é, anunciar a Boa Nova e combater o poder do mal, que mata a vida da gente e aliena as pessoas. Lucas diz que Jesus rezou toda a noite e no dia seguinte, chamou seus discípulos. Rezou a Deus para saber a quem escolher (Lc 6,12-13).
• Mateus 10,2-4: A LISTA DOS NOMES DOS DOZE APÓSTOLOS. Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Por exemplo, Simão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos, sete têm um nome que vem dos patriarcas. Dois se chamam “Simão”, dois “Tiago”, um “Judas”, “Levi” tem um nome grego: Felipe. Isto revela o desejo das pessoas de refazer a história desde o seu começo! Seria como hoje em uma família em que todo mundo tivesse o nome dos antepassados, e um só, por exemplo, com um nome moderno e usado em outro país. É de fazer pena pensar nos nomes que hoje damos a nossos filhos. Porque cada um de nós é chamado por Deus pelo nome.
• Mateus 10,5-7: O ENVIO OU MISSÃO DOS DOZE APÓSTOLOS PARA AS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL. Depois de haver enumerado os nomes dos doze, Jesus os envia com estas recomendações: “Não tomeis caminho dos gentios nem entreis em cidade de samaritanos; dirigi-vos mais para as ovelhas da casa de Israel. Proclamando que o Reino dos Céus está próximo”. Nesta única frase existe uma tríplice insistência em mostrar que a preferência da missão é para a casa de Israel: (1)-Não tomar o caminho dos pagãos. (2)-não entrar nas cidades samaritanas, (3)-ir primeiro as ovelhas perdidas de Israel. Aqui se manifesta uma resposta à duvida dos primeiros cristãos em torno da abertura aos pagãos, concorda em dizer que a Boa Nova trazida por Jesus devia ser anunciada primeiro aos judeus e, depois, aos pagãos (Rm 9,1 a 11,36; cf. At 1,8; 11,3; 13,46;15,1.5.23-29). Porém, mais adiante, no mesmo evangelho de Mateus, na conversa de Jesus com uma mulher cananéia, se dará a abertura para os pagãos (Mt 15,21-29).
• O ENVIO DOS APÓSTOLOS PARA TODAS AS PESSOAS. Depois da ressurreição de Jesus, existem vários episódios de envio dos apóstolos não só para os judeus, mas sim, para todos os povos. Em Mateus: “Ide, pois, e fazei discípulos a todas as pessoas batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-lhes a guardar tudo o que eu os tenho mandado. E eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”. Em Marcos: “O que crer será salvo, o que não crer não será” (Mc 15-16). Em Lucas: “Assim está escrito: o Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. E vós sereis testemunhos de tudo isto” (Lc 24,46-48; At 1,8). João resume tudo nesta frase: “Como o Pai me enviou, eu também os envio!” (Jo 20,21).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Você já pensou no significado de teu nome? Já perguntou a seus pais porque te colocaram o nome que tem? Você gosta de teu nome?
• Jesus chama os discípulos. Seu chamado tem uma dupla finalidade: formar comunidade e ir em missão. Como vivo esta dupla finalidade em minha vida?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 105,4-5)
• Hoje me privarei de algo que estou acostumado e lembrarei que posso prescindir de tudo menos do Senhor.






sexta-feira, 6 de julho de 2012

Lectio Divina - 06/07/12





SEXTA-FEIRA -06/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Amós 8,4-6.9-12

•    Com tamanha crueza relata a realidade que experimentava Israel antes do Exílio quando sofrera o castigo por toda mesquinhez que tinha realizado. Esqueceu-se de cultuar seu Deus e caiu no que tantas vezes Jesus nos advertiu para que não caíssemos: na idolatria do dinheiro, no que chamamos consumismo. Jesus dizia a seus contemporâneos: “Não podem servir a Deus e ao dinheiro”. É triste que hoje, apesar de ter estas palavras que ressoam desde a Sagrada Escritura, existam as mesmas vexações e que, como antes, os que sofrem as conseqüências desta avareza, deste pecado social, sejam os bolsos dos mais pobres. O mais grave é que ninguém faz nada. Agora tudo o que vemos tão normal no meio de um mundo globalizado onde os pobres “estorvam”, onde se matam as crianças quando são indefesas (no seio de suas mães) para assim poder ter “mais”. Que estúpidos! Nós vemos que tudo isto nos faz cada vez mais pobres? O profeta Amós pregou ao redor do ano 750 a.C., isto mesmo Jesus repetiu faz 2000 anos e tristemente, continua sendo tão atual em nossos dias, que é necessário reagir e não deixar-nos levar pela globalização, pelo consumismo e, sobretudo, pela falta de humanidade.



ORAÇÃO INICIAL

• Pai de bondade, que pela graça da adoção nos fez filhos da luz; concede-nos viver fora das trevas do erro e permanecer sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 9,9-13

• Mateus 9,9: O CHAMADO PARA SEGUIR JESUS: As primeiras pessoas chamadas para seguir Jesus foram quatro pescadores, todos judeus (Mt 4,18-22). Agora Jesus chama um publicano, considerado pecador e tratado como impuro pelas comunidades mais observantes dos fariseus. Nos demais evangelhos, este publicano chama-se Levi. Aqui seu nome é Mateus, que significa “dom de Deus” ou dado “por Deus”. As comunidades, em vez de excluir o publicano como impuro, devem considerá-lo como um “Dom de Deus” para a comunidade, pois, sua presença, faz com que a comunidade mude sinal de salvação para todos! Como os primeiros quatro chamados, assim também o publicano Mateus deixa tudo o que tem e segue Jesus. O seguimento de Jesus exige ruptura. Mateus deixa seu escritório de impostos, sua fonte de renda, e segue Jesus.
• Mateus 9,10: JESUS SENTA-SE NA MESA COM OS PECADORES E OS PUBLICANOS. Naquele tempo, os judeus viviam separados dos pagãos e dos pecadores e não comiam com eles na mesma mesa. Os judeus cristãos tinham que romper este isolamento e criar comunhão com os pagãos e impuros. Foi isto que Jesus ensinou no Sermão da Montanha, como expressão do amor universal de Deus Pai (Mt 5,44-48). A missão das comunidades era oferecer um lugar aos que não tinham lugar. Em algumas comunidades, as pessoas vindas do paganismo, ainda sendo cristãs, não era aceita na mesma mesa (cf. At 10,28;11,3; Gl 2,12). O texto do evangelho de hoje indica como Jesus comia com publicanos e pecadores na mesma casa e na mesma mesa.
• Mateus 9,11: A PERGUNTA DOS FARISEUS. Aos judeus era proibido sentar-se na mesa com publicanos e pagãos, porém, Jesus não presta atenção a isto, pelo contrário, confraterniza-se com eles. Os fariseus, vendo a atitude de Jesus, perguntam aos discípulos: “Por que é que vosso mestre come com os arrecadadores de impostos e com os pecadores?”. Esta pergunta pode ser interpretada como expressão do desejo destes, que querem saber por que Jesus age assim. Outros interpretam a pergunta como uma crítica dos comportamentos de Jesus, pois, durante mais de quinhentos anos, desde o tempo do cativeiro na Babilônia até a época de Jesus, os judeus haviam observado as leis de pureza. Esta observância secular se tornou para eles um forte sinal de identidade. Ao mesmo tempo, era fator de sua separação no meio dos outros povos. Assim, por causa das leis de pureza, não podiam nem conseguiam sentar-se na mesa para comer com os pagãos. Comer com os pagãos significava tornar-se impuro. Os preceitos de pureza eram rigorosamente observados, tanto na Palestina com nas comunidades judaicas da Diáspora. Na época de Jesus, havia mais de quinhentos preceitos para guardar a pureza. Nos anos setenta, época em que Mateus escreve, este conflito era muito atual.
• Mateus 9,12-13: EU QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIOS. Jesus ouve a pergunta dos fariseus aos discípulos e responde com dos esclarecimentos. O primeiro é tirado do senso comum: “Não necessitam de médico os que estão fortes, mas sim, os que estão mal”. O outro é tirado da Bíblia: “Aprendam, pois, o que significa: Quero Misericórdia, e não sacrifício”. Por meio destes esclarecimentos Jesus explicita e esclarece sua missão junto às pessoas: “Não vim chamar aos justos, mas sim, aos pecadores”. Jesus nega a critica dos fariseus, e não aceita seus argumentos, pois, nasciam de uma falsa idéia da Lei de Deus. O mesmo invoca a Bíblia: “Quero misericórdia e não sacrifício!”. Para Jesus a misericórdia é mais importante que a pureza legal. Apela à tradição profética para dizer que para Deus a misericórdia vale mais que todos os sacrifícios (Os 6,6;Is 1,10-17). Deus tem índole de misericórdia, que se comovem diante das faltas de seu povo (Os 11,8-9).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Hoje, em nossa sociedade, quem é que é marginalizado e quem é excluído? Por que? Em nossa comunidade temos idéias preconcebidas? Quais? Qual é o desafio que as palavras de Jesus apresentam a nossa comunidade, hoje?
• Jesus ordena ao povo que leia e que entenda o Antigo Testamento que diz: “Quero misericórdia e não sacrifícios”. O que é que Jesus quer dizer com isto, hoje?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 119,2-3)
• Hoje procurarei no meu ambiente de trabalho uma pessoa que na verdade tenha muitas necessidades e compartilharei uma boa parte do com ela.





quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lectio Divina - 05/07/12





QUINTA-FEIRA -05/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Amós 7,10-17

•    É incrível a obcecação que manifestamos frequentemente com o Senhor. Nos perdoa, nos fala, nos convida, nos repreende e ainda assim, continuamos com nossa atitude de rejeição a sua palavra e a seu amor. O rei Jereboão, em lugar de procurar a conversão de seu povo, e com isso a salvação deste, prefere ouvir as vozes do mundo e rejeitar o profeta de Deus. Esta é muitas vezes nossa atitude. No lugar de mudar nossa vida, preferimos deixar de lado o Deus que me estorva e que não me permite viver a vida como eu desejo que, freia e me joga na cara meus pecados com o fim de que eu me volte para Ele. Preferimos ouvir as vozes do mundo e não as do Evangelho, as vozes que vem dos meios de comunicação, em lugar daquelas que vem de nossos pastores. Ainda nos anúncios proféticos realizados por visionários, é nosso gosto ficarmos com o fenômeno (que sempre é atrativo), no lugar de converter-nos e voltarmos para Deus. Mudemos nossa atitude diante do Deus de misericórdia, diante do Deus do perdão; lembremos que seu coração está sempre aberto para os que se arrependem e voltam para Ele.



ORAÇÃO INICIAL

• Pai de bondade, que pela graça da adoção nos fez filhos da luz; concede-nos viver fora das trevas do erro e permanecer sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 8,28-34

• A AUTORIDADE EXTRAORDINÁRIA DE JESUS. Jesus aparece diante do leitor como pessoa investida de uma extraordinária autoridade mediante a palavra e o sinal (Mt 9,6.8). A palavra autoritária de Jesus ataca o mal em sua raiz: no caso do paralítico ataca o pecado que corrói o homem em sua liberdade e bloqueia suas forças vivas: “Teus pecados são perdoados”; “Levanta-te, toma tua cama e vai para casa”. Em verdade, todas as paralisias do coração e da mente com as quais alguém é encarcerado, a autoridade de Jesus as anula, pelo fato de encontrar-se com Ele na vida terrena. A palavra autoritária e eficaz de Jesus desperta à humanidade paralisada e lhe dá o dom de caminhar com uma fé renovada.
• O ENCONTRO COM O PARALÍTICO. Jesus, depois da tempestade e de uma visita ao país dos gadarenos, volta para Cafarnaum, sua cidade. Durante o regresso tem lugar o encontro com o paralítico. A cura não se realiza em uma casa, mas sim, ao longo do caminho. Assim, pois, durante o caminho que conduz a Cafarnaum o levaram um paralítico e Jesus se dirige a ele chamando-o de “filho”, um gesto de atenção que logo se converterá em um gesto salvífico: “teus pecados são perdoados”. O perdão dos pecados que Jesus invoca sobre o paralítico de parte de Deus alude a união entre enfermidade, culpa e pecado. É a primeira vez que o evangelista atribui a Jesus de maneira explicita este particular poder divino. Para os judeus, a enfermidade no homem era considerada um castigo pelos pecados cometidos; o mal físico, a enfermidade, sempre eram sinal e conseqüência do mau moral dos pais (Jo 9,2). Jesus restitui ao homem sua condição de salvação ao libertá-lo tanto da enfermidade como do pecado.
• Para alguns dos presentes, como os escribas, as palavras de Jesus anunciando o perdão dos pecados são uma verdadeira blasfêmia. Para eles Jesus é um arrogante, já que só Deus pode perdoar. Este juízo sobre Jesus não era manifestado abertamente, mas, murmurado entre eles. Jesus, que escruta seus corações, conhece suas considerações reprova sua incredulidade. A expressão de Jesus “para que saibais que o Filho do homem tem poder de perdoar os pecados...” indica que não só Deus pode perdoar, mas, que Jesus, também pode perdoar um homem.
• Diferente dos escribas, a multidão se enche de assombro e glorifica Deus diante da cura do paralítico. As pessoas estão impressionadas pelo poder de perdoar os pecados manifestados na cura, e se alegram porque Deus concedeu tal poder ao Filho do Homem. É possível atribuir isto a comunidade eclesial onde se concedia o perdão dos pecados pelo mandato de Jesus? Mateus coloca este episódio sobre o perdão dos pecados com a intenção de aplica-lo às relações fraternas dentro da comunidade eclesial. Nela já se tinha a prática de perdoar os pecados por delegação de Jesus; esta era uma prática que a sinagoga não compartilhava. O tema do perdão dos pecados aparece de nova em Mt 18 e no final do evangelho se afirma que isso tem suas raízes na morte de Jesus na cruz. Porém, em nosso contexto o perdão dos pecados aparece unido à exigência da misericórdia como se faz presente no seguinte episódio, a vocação de Mateus: “...quero misericórdia, e não sacrifício. Porque na vem chamar os justos, mas sim aos pecadores” (Mt 9,13). Estas palavras de Jesus pretendem dizer que Ele tornou visível o perdão de Deus, sobretudo, em suas relações com os publicanos e pecadores, ao sentar-se com eles na mesa.
• Este relato que retoma o problema do pecado e reclama a conexão com a miséria do homem, é uma prática do perdão que se tem que oferecer, porém, é, sobretudo, uma história que deve ocupar um espaço privilegiado na pregação de nossas comunidades eclesiais.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Está convencido de que Jesus, chamado amigo dos pecadores, não despreza tuas debilidades e tuas resistências, mas, as compreende e te oferece a ajuda necessária para viver em harmonia com Deus e com os irmãos?
• Quando vive a experiência de negar e rejeitar a amizade com Deus, recorre ao sacramento que te reconcilia como o Pai e com a Igreja e que faz de ti uma nova criatura pela força do Espírito Santo?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 145,8-9)
• Durante o dia de hoje ouvirei cantos e louvores a Deus e cantarei constantemente acompanhando esses cantos com boas intenções.





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Lectio Divina - 04/07/12






QUARTA-FEIRA -04/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Amós 5,14-15.21-24

•    Como podemos ver nesta passagem, a brecha entre a fé e as obras tem sido sempre um grave problema no Povo de Deus. É triste que, todavia, haja irmãos, que apesar de estar habitados pelo Espírito Santo, pensam que basta ir a missa no domingo, cultuar Deus para estar em comunhão com Ele. O profeta Amós nos lembra que, se é correto que o culto a Deus é bom, este perde seu sentido quando se vive à margem da justiça e do amor. É necessário que nossa vida seja conforme o Evangelho e com ele se faça uma opção definitiva de renunciar ao pecado e ao que nos afasta de Deus. É necessário que nossa vida diária, em casa, em nosso trabalho e nas escolas, seja congruente com a fé que dizemos ter em Jesus que, como diz o apóstolo: “quem se diz seguidor de Jesus, deve viver como Ele viveu”.



ORAÇÃO INICIAL

• Pai de bondade, que pela graça da adoção nos fez filhos da luz; concede-nos viver fora das trevas do erro e permanecer sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 8,28-34

• O evangelho de hoje acentua o poder de Jesus sobre o demônio. Em nosso texto, o demônio ou o poder do mal é associado com três coisas: (a)-Com o “cemitério”, o lugar dos mortos. A morte que mata a vida! (b)-Com o “porco”, que era considerado um animal impuro. A impureza que separa de Deus! (c)-Com o “mar”, que era visto como símbolo do caos diante da criação. O caos que destruiu a natureza. O evangelho de Marcos, de onde Mateus tira sua informação, associa o poder do mal com um quarto elemento que é a palavra “Legião”, (Mc 5,9), nome dos exércitos do império romano. O império que oprimia e que explorava as pessoas. Assim se compreende como a vitória de Jesus sobre o demônio tinha um alcance enorme para a vida das comunidades dos anos setenta, época em que Mateus escreve seu evangelho. As comunidades viviam oprimidas e marginalizadas, pela ideologia oficial do império romano e do farisaísmo que se renovava. Este mesmo significado e alcance continua sendo válido para nós hoje.
• Mateus 8,28: O PODER DO MAL OPRIME, MALTRATA E ALIENA AS PESSOAS. Este versículo inicial descreve a situação antes da chegada de Jesus. Na maneira de descrever o comportamento dos endemoninhados, o evangelista associa o poder do mal com o cemitério e com a morte. É um poder mortal sem rumo, ameaçador, destruidor e descontrolado, que dá medo a todos. Priva a pessoa de sua consciência, do autocontrole e da autonomia.
• Mateus 8,29: DIANTE DA SIMPLES PRESENÇA DE JESUS O PODER DO MAL DESMORONA E SE DESINTEGRA. Aqui se descreve o primeiro contato entre Jesus e os possuídos. É total a desproporção. O poder, que antes parecia tão forte, se derreta e se desmorona diante de Jesus. Eles gritam: “O que é que temos nós contigo, Filho de Deus? Veio para atormentar-nos antes do tempo?”. Se dão conta de que perderam o poder.
• Mateus 8,30-32: O PODER DO MAL É IMPURO E NÃO TEM AUTONOMIA, NEM CONSISTÊNCIA. O demônio não tem poder sobre seus próprios movimentos. Consegue só entrar nos porcos com a permissão de Jesus. Uma vez dentro dos porcos, estes se precipitam no mar. Segundo a opinião das pessoas, o porco era símbolo da impureza que impedia o ser humano relacionar-se com Deus e sentir-se acolhido por Ele. O mar era símbolo do caos que existia antes da criação e que, segundo a crença da época, continuava ameaçando a vida. Este episódio dos porcos que se precipitam ao mar, é estranho e difícil de ser entendido. Porém, a mensagem é muito clara: diante de Jesus, o poder do mal não tem autonomia, não tem consistência. Quem crê em Jesus, já venceu o poder do mal e não tem nada a temer.
• Mateus 8,33-34: A REAÇÃO DAS PESSOAS DO LUGAR. Alertado pelos empregados que se ocupavam dos porcos, as pessoas do lugar foram ao encontro de Jesus. Marcos informa que viram “o endemoninhado sentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5,15). Porém, ficaram sem os porcos! Por isto, pedem a Jesus que vá para longe. Para eles, os porcos eram mais importantes que o ser humano que acabava de recobrar o juízo.
• A EXPULSÃO DOS DEMÔNIOS. No tempo de Jesus, as palavras “demônio ou Satanás”, eram usadas para indicar o poder do mal que desviava as pessoas do bom caminho. Por exemplo, quando Pedro tentou desviar Jesus, ele foi Satanás para Jesus (Mc 8,33). Outras vezes, aquelas mesmas palavras eram usadas para indicar o poder político do império romano que oprimia e explorava as pessoas. Por exemplo, no Apocalipse, o império romano se identifica como o “Diabo ou Satanás” (Ap 12,9). Outras vezes as pessoas usavam as mesmas palavras para indicar os males e as enfermidades. Assim se falava do demônio ou espírito mudo, espírito surdo, espírito impuro, etc. Havia muito medo! No tempo de Mateus, segunda metade do primeiro século, o medo dos demônios estava aumentando. Algumas religiões, vindas do Oriente, divulgavam um culto aos espíritos. Ensinavam que gestos errados podiam irritar os espíritos, e estes para se vingar, podiam impedir nosso acesso a Deus e privar-nos dos benefícios divinos. Por isto, através de ritos e orações, rezas e cerimônias complicadas, a pessoa procurava aplacar esses espíritos ou demônios, para que não prejudicassem a vida humana. Estas religiões, ao invés de libertar as pessoas, alimentavam o medo e a angustia. Um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar as pessoas a libertarem-se deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder “mais forte”. Jesus é “o homem mais forte” que chega para amarrar Satanás, o poder do mal, e tirar-lhe a humanidade prisioneira do medo (cf. Mc 3,27). Por isso, os evangelhos insistem na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demônio, sobre Satanás, sobre o pecado e sobre a morte. Era para animar as comunidades a vencer este medo do demônio. E hoje? Quem de nós pode dizer: “Sou totalmente livre?”. Ninguém! Então, se não sou totalmente livre, alguma parte de mim é possuída por outros poderes. Como expulsar estes poderes? A mensagem do evangelho de hoje continua sendo válida para nós.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• O que é que hoje está oprimindo e maltratando as pessoas? Por que é que hoje, em certos lugares, se fala tanto de expulsão de demônios? É bom insistir tanto no demônio? O que você pensa?
• Quem de nós pode dizer que é totalmente livre ou liberto? Ninguém! Então, todos nós estamos um pouco possuídos por outros poderes que ocupam algum espaço dentro de nós. Como fazer para expulsar este poder de dentro de nós e de dentro da sociedade?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 145,8-9)
• Durante o dia de hoje ouvirei cantos e louvores a Deus e cantarei constantemente acompanhando esses cantos com boas intenções.




terça-feira, 3 de julho de 2012

Lectio Divina - 03/07/12






TERÇA-FEIRA -03/07/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efésios 2,19-22

•    Ao celebrar a festa de Tomé Apóstolo, a liturgia nos convida a fazer um ato de fé na condução e na evangelização que Jesus vai fazendo de sua Igreja mediante os bispos, sucessores dos apóstolos. É por meio deles, como nos diz hoje este texto de Paulo, que toda a Igreja vai se integrando para formar uma construção sólida. Jesus quis deixar os bispos como um instrumento através do qual continua Ele próprio, pela ação do Espírito Santo, conduzindo e instruindo o Povo de Deus. Esta comunhão com nossos bispos é que assegura que tornemos e formemos parte da família de Deus. Oremos, pois, por eles, para que nunca falte a fé e a esperança neles e para que, sendo os que acreditaram sem ter visto, continuem animando o povo que lhes foi confiado a perseverar na fé e a crescer na caridade.



ORAÇÃO INICIAL

• Pai de bondade, que pela graça da adoção nos fez filhos da luz; concede-nos viver fora das trevas do erro e permanecer sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

João 20,24-29

• Hoje é a festa de São Tomé, o evangelho nos apresenta o encontro de Jesus ressuscitado com o apóstolo Tomé, que queria ver para poder crer. Por isto muitos chamam Tomé, o incrédulo. Na realidade, a mensagem deste evangelho é bem diferente. É muito mais profundo e atual.
• João 20,24-25: A DÚVIDA DE TOMÉ. Tomé, um dos doze, não estava presente quando Jesus aparece aos discípulos na semana anterior. Tomé não acredita no testemunho dos demais que diziam: “Vimos o Senhor!”. Coloca condições: “Se eu não ver em suas mãos o sinal dos cravos e não colocar os dedos nos furos dos cravos e não colocar minha mão em seu costado, não acreditarei!”. Tomé é exigente. Quer ver para crer. Não quer um milagre para poder crer. Não! Quer ver os sinais nas mãos, nos pés e no costado. Não acredita em um Jesus glorioso, desligado do Jesus humano que sofre na cruz. Quando João escreve, no final do século primeiro, havia pessoas que não aceitavam a vinda do Filho de Deus na carne (2Jo 7,1Jo 4,2-3). Eram os gnósticos que desprezavam a matéria e o corpo. E para criticar os gnósticos, o evangelho de João fala da preocupação de Tomé que quer “ver para crer”. A dúvida de Tomé deixa transparecer também o difícil que era acreditar na ressurreição.
• João 20,26-27: NÃO SEJAS INCRÉDULO, MAS ACREDITE. O texto diz “seis dias depois”. Isto significa que Tomé foi capaz de sustentar sua opinião durante uma semana inteira, contra o testemunho dos outros apóstolos. Vã teimosia! Graças a Deus, para nós! E assim, seis dias depois, durante a reunião da comunidade, eles tiveram de novo uma profunda experiência da presença de Jesus ressuscitado no meio deles. As portas fechadas não puderam impedir que Ele estivesse no meio dos que acreditavam Nele. Hoje acontece o mesmo. Quando estamos reunidos, ainda que tenhamos as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus, é e sempre será: “A Paz esteja convosco!”. O que chama a atenção é a bondade de Jesus. Não critica, nem julga a incredulidade de Tomé, mas, aceita a provocação e diz: “Tomé, vem, coloque teu dedo em minhas feridas!”. Jesus confirma a convicção de Tomé e das comunidades, a saber: o ressuscitado glorioso é o crucificado torturado! Jesus que está na comunidade, não é um Jesus glorioso que não tem nada em comum com nossa vida de gente normal. É o mesmo Jesus que viveu nesta terra e que tem no corpo os sinais de sua paixão. Os sinais de sua paixão estão hoje no sofrimento das pessoas, na fome, nos sinais de tortura, de injustiça. E nas pessoas que reagem, que lutam pela vida e não se deixam abater, Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós. E Tomé acredita neste Cristo, e nós também!
• João 20,28-29: FELIZES OS QUE NÃO VIRAM E ACREDITARAM. Como ele, dizemos: “Meu Senhor e meu Deus!”. Esta entrega de Tomé é a atitude ideal da fé. E, Jesus completa com a mensagem final: “Acreditou porque me viste. Felizes os que não viram e acreditaram!”. Com esta frase, Jesus declara felizes todos os que estão nesta condição: sem haver visto, acreditaram que Jesus esta no meio de nós, é o mesmo Jesus que morreu crucificado!
• O ENVIO: “Como o Pai me enviou, eu também os envio!”. Deste Jesus, crucificado e ressuscitado, recebemos a missão, a mesma que Ele recebeu de seu Pai (Jo 20,21). Aqui, na segunda aparição, Jesus repete: “A paz esteja convosco”. Esta repetição acentua a importância da Paz. Construir a paz é parte da missão. Paz, significa muito mais que a ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, na qual as pessoas possam ser elas mesmas, tendo tudo o que é necessário para viver, convivendo felizes e em paz. Foi esta a missão de Jesus, e é também nossa missão. Jesus sofreu e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Somente com a ajuda do Espírito de Jesus, seremos capazes de realizar a missão que Ele nos deu. Em seguida, Jesus comunicou o poder de perdoar os pecados: “A quem perdoais os pecados, ficam perdoados, a quem o retiver, ficarão retidos”. O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam. Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23;Mt 18,18). No evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19). Aqui se percebe que uma comunidade sem perdão nem reconciliação não é uma comunidade cristã. Dito com uma palavra, nossa missão é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Na sociedade de hoje, as divergências e tensões de raça, classe, religião, gênero e cultura são enormes e crescem a cada dia. Como realizar hoje a missão de reconciliação?
• Em tua família e em tua comunidade, existe algum “grão de mostarda” que aponta para uma sociedade reconciliadora?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 117)
• Sabendo que um dia no céu poderemos abraçar a cada membro da Família celestial; hoje abraçarei as pessoas possíveis, sendo consciente de que eles também são parte ou podem ser integrantes desta.