quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lectio Divina - 31/10/12





QUARTA-FEIRA -31/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 6,1-9

•    Vida cristã em sua cotidianidade é algo que surpreendia aos que conviviam com os primeiros cristãos, pois, as relações entre eles eram marcadas pelo amor. Este amor se expressava nas relações entre pais e filhos e, sobretudo, com os escravos e seu trato com estes e seus patrões. Era um trato em que cada um entendia com clareza seu papel diante do Senhor. Os filhos manifestavam seu amor obedecendo a seus pais e, estes mostravam seu amor educando e corrigindo seus filhos. Esta relação entre pais e filhos é uma das coisas que devemos rever em nossa vida cotidiana, onde vemos uma grande rebeldia por parte dos filhos, a qual, esta baseada em uma falta de educação apropriada, onde se tem procurado dar tudo e algo mais aos filhos. São poucas as famílias, ainda que cristãs que educam na disciplina e na austeridade, que educam aos filhos no “temor de Deus”, para que o respeitem e o amem. Este principio é básico, se queremos que nos obedeçam, pois, se não existe respeito para com Deus, será difícil que exista para conosco. Mostremos nosso amor aos filhos educando-os em uma relação séria e amorosa para com Deus nosso Senhor.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, aumenta nossa fé, esperança e caridade, e, para alcançarmos tuas promessas, concede-nos amar teus preceitos. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 13,22-30

•    Hoje o evangelho nos relata um episódio acontecido durante o longo caminho de Jesus desde a Galiléia até Jerusalém, cuja descrição ocupa mais de uma terça parte do evangelho de Lucas.
• Lucas 13,22: O CAMINHO DE JERUSALÉM. “Atravessava cidades e povoados ensinando, enquanto caminhava para Jerusalém”. Mais de uma vez Lucas diz que Jesus está à caminho de Jerusalém. Nos dez capítulos que descrevem a viagem até Jerusalém, Lucas, constantemente, lembra que Jesus está a caminho de Jerusalém (Lc 9,51.53.57; 10,1.38; 11,1; 13,22.33; 14,25; 17,11; 18,31; 18,37; 19,1.11.28). E o que é mais claro e é definido desde o começo é o destino da viagem: Jerusalém, a capital, onde Jesus será condenado à morte (Lc 9,31.51). Raramente, informa sobre o ocorrido e os lugares por onde Jesus passava. Só no começo da viagem (Lc 9,51), no meio (Lc 17,11) e no final (Lc 18,31;19,1), sabemos algo a respeito do lugar por onde Jesus estava passando. Deste modo, Lucas sugere o seguinte ensinamento: temos que ter claro o objetivo de nossa vida, e assumi-lo decididamente como fez Jesus. Devemos caminhar. Não podemos parar. Mas, nem sempre é claro e definido por onde passamos. O que é certo é o objetivo: Jerusalém, onde nos espera o “êxodo” (Lc 9,31), a paixão, a morte e a ressurreição.
• Lucas 13,23: A PERGUNTA SOBRE OS POUCOS QUE SE SALVAM. Ao longo do caminho para Jerusalém acontece de tudo: informações sobre os massacres e os desastres (Lc 13,1-5), parábolas (Lc 13,6-9.18-21), discussões (Lc 13,10-13) e, no evangelho de hoje, perguntas das pessoas: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”. Sempre a mesma pergunta ao redor da salvação!
• Lucas 13,24-25: A PORTA ESTREITA. Jesus diz que a porta é estreita: “Lutem para entrar pela porta estreita, porque, vos digo, muitos querem entrar e não poderão”. Jesus diz isto para encher-nos de medo e obrigar-nos a observar a lei como ensinavam os fariseus? O que significa esta porta estreita? Do que se trata? No Sermão da Montanha, Jesus sugere que a entrada no Reino tem oito portas. São as oito categorias de pessoas das bem-aventuranças: (a) pobres de espírito, (b) mansos, (c) aflitos. (d) famintos e sedentos de justiça, (e) misericordiosos, (f) puros de coração, (g) construtores da paz e (h) perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-10). Lucas as reduz a quatro: (a) pobres, (b) famintos, (c) aflitos e (d) perseguidos (Lc 6,20-22). Somente entram no Reino os que pertencem a uma destas categorias enumeradas nas bem-aventuranças. Esta é a porta estreita. É a nova olhada sobre a salvação que Jesus nos comunica. Não existe outra porta! Trata-se da conversão que Jesus nos pede. Insiste no seguinte: “Lute para entrar pela porta estreita, porque, vos digo, muitos pretenderão entrar e não poderão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, os que ficaram para fora dirão: Senhor, abre-nos a porta! E responderei: Não vos conheço”. O tempo até a hora do juízo, é tempo favorável para a conversão, para mudar nossa visão sobre a salvação e entrar em uma destas oito categorias.
• Lucas 13,26-28: O TRÁGICO MAL ENTENDIDO. Deus responde aos que chamam à porta: “Não vos conheço”. Mas, eles insistem e argumentam: Comemos e bebemos contigo e tens nos ensinado! Não basta haver convivido com Jesus, não basta haver participado na multiplicação dos pães e haver escutado seus ensinamentos nas praças das cidades e nos povoados. Não basta haver ido a Igreja e haver participado das instruções do catecismo. Deus responderá: “Não vos conheço! Afastai de mim, todos os malfeitores!”. Trágico mal entendido e falta total de conversão, de compreensão. Jesus declara injustiça aquilo que os demais consideram coisa justa e agradável a Deus. É uma totalmente nova sobre a salvação. A porta é realmente estreita.
• Lucas 13,29-30: A CHAVE QUE EXPLICA O MAL ENTENDIDO. “E virão do oriente e ocidente, do norte e do sul, e se colocarão a mesa no Reino de Deus. Pois os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”. Trata-se de uma grande mudança que se operou com a vinda de Deus até nós em Jesus. A salvação é universal e não só do povo judeu. Todos os povos terão acesso e poderão passar pela porta estreita.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Ter o objetivo claro e caminhar para Jerusalém: meus objetivos são claros ou me deixo levar pelo vento do momento?
• A porta é estreita. Que idéia tenho de Deus, da vida, da salvação?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 145,10-11)
• Hoje confrontarei minha maneira de ser filho e pai com a maneira de Deus ser e, farei os ajustes necessários para ir imitando cada vez mais sua maneira de ser.





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lectio Divina - 30/10/12






TERÇA-FEIRA -30/10/2012

PRIMEIRA LEITURA:Efesios 5,21-33

•    Entre as tantas correntes filosóficas e doutrinais que procuram distorcer a mensagem de Cristo está aquela que pretende que o homem e a mulher sejam iguais. Por isso Paulo, e de maneira especial nesta carta o mesmo que em 1Cor 7 é julgado erroneamente. Certamente nem o homem nem a mulher é maior ou inferior, foram criados ambos “a imagem de Deus”, são, de acordo com Gênesis, um só homem em dois sexos. Por isso nos fez completamente distintos a fim de que pudéssemos ser “COMPLEMENTOS”. O que um em tem falta ao outro e assim, na “doação” mutua de um ao outro, se alcança a perfeição. Esta passagem é muito ilustrativa, pois junto com 1Cor 7, nos dá indicações de quais são as funções básicas na convivência matrimonial. A mulher pede-se como mostra de seu amor o “respeito” ao marido, que aprenda a confiar nele... No entanto, ao marido pede-se como mostra de seu amor que se “ENTREGUE” a si mesmo, inclusive até dar a vida pela esposa (como diz em 1Cor 7) a fim de fazê-la “SANTA”. Por isso, é que o matrimonio cristão, vivido de acordo com a palavra de Deus, é o espaço ideal para alcançar a felicidade perfeita. Procuremos que nossos matrimônios sejam adequados a este projeto de Deus para o homem e a mulher.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, aumenta nossa fé, esperança e caridade, e, para alcançarmos tuas promessas, concede-nos amar teus preceitos. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO
Lucas 13,18-21


•    O CONTEXTO. Ao longo do caminho que o conduz a Jerusalém, Jesus estava rodeado por muitas pessoas (11,29) que se amontoavam ao seu redor. O motivo desta atração das multidões é a Palavra de Jesus. No capítulo 12 aparece a sucessão alternada dos destinatários da Palavra: os discípulos (12,1-12), a multidão (vv. 13,2-12), os discípulos (vv.22,53) a multidão (vv.54-59). Entretanto, em Lc 13,1-35 o tema dominante é o escândalo da morte. Na primeira parte se fala da morte de todos (vv 1-9), enquanto que na segunda fala da morte de Jesus (vv.31-35) e da morte poupada aos pecadores para que possam dispor-se à conversão. Mas, ao lado do tema dominante existe outro: a salvação oferecida aos homens. A cura da mulher curvada: uma filha de Abraão a qual Satanás mantinha amarrada fazia dezoito anos, é libertada por Jesus. Além disso, no coração deste capítulo 13, encontramos duas parábolas que formam uma unidade temática: o reino de Deus comparado com um “grão de mostarda” e com o “fermento”.
• O REINO DE DEUS É SEMELHANTE A UMA SEMENTE DE MOSTARDA. Esta semente é muito comum na Palestina, de modo particular junto ao lago da Galiléia. É conhecida por sua singular pequenez. Em Lc 17,6 Jesus usa esta imagem para expressar sua esperança de que seus discípulos tenham um mínimo de fé: “Se tiveres fé como um grão de mostarda…”. Esta parábola tão simples compara dois momentos da história da semente: quando é enterrada (os inícios modestos) e quando se faz uma árvore (o milagre final). Portanto, a função do relato é explicar o crescimento extraordinário de uma semente que se enterra no próprio jardim, e seu crescimento assombroso ao fazer-se uma árvore. Igual esta semente, o Reino de Deus tem também sua história: o Reino de Deus é a semente enterrada no jardim, lugar que no Novo Testamento indica o lugar da agonia e da sepultura de Jesus (Jo 18,1.26; 19.41); segue depois o momento do crescimento em que chega a ser uma árvore aberta a todos.
• O REINO DE DEUS É SEMELHANTE AO FERMENTO. O fermento se esconde em três medidas de farinha. Na cultura hebraica, o fermento era considerado um fator de corrupção, até o ponto de ser eliminado nas casas para não contaminar a festa da Páscoa, que justamente começava na semana dos ázimos. O uso deste elemento negativo para descrever o Reino de Deus era um motivo de perturbação para os ouvidos judeus. Porém, o leitor percebe sua força convincente: é suficiente colocar uma pequena quantidade de fermento em três medidas de farinha para se conseguir uma grande quantidade de massa. Jesus anuncia que este fermento, escondido ou desaparecido nas três medidas de farinha, depois de um tempo, faz crescer a massa.
• EFEITOS DO TEXTO NO LEITOR. O que dizem a nós estas duas parábolas? O Reino de Deus, comparado por Jesus a uma semente que se converte em árvore, nos aproxima da história de Deus como a história de sua Palavra: está escondida na história humana e vai crescendo; Lucas pensa na Palavra de Jesus (o reino de Deus está no meio de nós) que já está crescendo, entretanto, não se converteu em árvore. Jesus e o Espírito Santo estão dando suporte a este crescimento da palavra. A imagem do fermento completa o quadro da semente. O fermento é o Evangelho que age no mundo, na comunidade eclesial e em cada pessoa que crê.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Você é consciente de que o Reino de Deus está presente no meio de nós e que cresce de maneira misteriosa difundindo-se na história de cada homem, na Igreja?
• O Reino é uma realidade humilde, escondida, pobre e silenciosa, mesclado com as lutas e prazeres da vida. Você aprendeu nas duas parábolas que só verás o reino em ti se adotares uma atitude de serviço humilde e de escuta silenciosa?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 128,1-2)
• Hoje serei sinal da presença de Deus no mundo, levando consolo ao que sofre, comida ao faminto, bebida ao sedento e solidariedade ao que necessite.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lectio Divina - 29/10/12





SEGUNDA-FEIRA -29/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 4,32-5,8

•    Paulo não podia ser mais claro nesta passagem: existem coisas que não são próprias dos cristãos e das quais NEM POR ERRO NEM POR DESCUIDO se podem permitir. Entre ela está a vida sexual do cristão, a qual deve estar centrada no amor, na entrega e não no egoísmo que sabemos que termina sempre por destruir nossa vida e daqueles que vivem próximos de nós. Não nos deixemos enganar com falsos razoamentos filosóficos ou psicológicos promovidos por quem não conhece Cristo: “a relação sexual fora do matrimônio destrói e envenena a vida do amor”. O sexo é um presente de Deus para o homem, e como todas as coisas que Ele nos tem dado, deve ser usado de acordo com seu plano perfeito. Por isso a relação íntima do casal, e tudo o que é parte desta intimidade dos esposos, está reservada para àqueles que têm feito um compromisso diante de Deus de amar-se e respeitar-se por toda a vida. De maneira que a postura do cristão diante dos temas sexuais, no meio do relaxamento moral que no circunda, é totalmente distinta a dos outros não cristãos. As piadas e as conversas obscenas, assim como os filmes e revistas pornográficas pertencem a vida dos que ainda não conhecem a Cristo. Talvez você em outro tempo, também foste trevas, porém, agora vive em Cristo que tem chamou para que viva na luz e em seu amor. Viva, pois, como filho da luz.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, aumenta nossa fé, esperança e caridade, e, para alcançarmos tuas promessas, concede-nos amar teus preceitos. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 13,10-17

•    O evangelho de hoje descreve a cura da mulher encurvada. Trata-se de um dos muitos episódios que Lucas nos narra, sem muita ordem, ao descrever o longo caminho percorrido por Jesus para Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28).
• Lucas 13,10-11: SITUAÇÃO PROVOCA A AÇÃO DE JESUS. Jesus está na sinagoga em um dia de repouso. Cumpre com a lei, guardando o sábado e participando na celebração com sua gente. Lucas informa que Jesus estava ensinando. Havia na sinagoga uma mulher curvada. Lucas diz que um espírito de fraqueza lhe impedia de assumir uma posição reta. Naquele tempo as pessoas explicavam assim as doenças. Fazia dezoito anos que a mulher se encontrava nesta situação. Não fala, não tem nome, não pede cura, não toma nenhuma iniciativa. Sua passividade chama a atenção.
• Lucas 13,12-13: JESUS CURA A MULHER. Vendo a mulher, Jesus a chama e lhe diz: “Mulher, fique livre de tua enfermidade!”. A ação de libertar se realiza por meio da palavra, dirigida diretamente à mulher, e pelo toque da imposição das mãos. Imediatamente, se coloca de pé e começa a louvar o Senhor. Existe uma relação entre colocar-se de pé e dar glória a Deus. Jesus faz com que a mulher se coloque de pé para que possa louvar a Deus no meio do povo reunido em assembléia. A sogra de Pedro, depois de curada, se levanta e põe a servir (Mc 1,31). Louvar a Deus e a servir aos irmãos!
• Lucas 13,14: A REAÇÃO DO CHEFE DA SINAGOGA. O chefe da sinagoga se voltou furioso vendo a ação de Jesus, porque havia curado a mulher em um dia de sábado: “Existe seis dias para trabalhar, venha, pois, nesses dias para curá-los, e não em dia de sábado”. Na critica do chefe da sinagoga resume-se a palavra da Lei de Deus que dizia: “Guarde o dia de sábado para santificá-lo. Trabalhe seis dias e, neles, faça todas as suas tarefas. Porém, o sétimo dia é dia de descanso, consagra-o a Yahweh, teu Deus. Que ninguém trabalhe”. (Ex 20,8-10). Nesta reação autoritária do chefe temos uma chave para entender por que motivo as pessoas estavam tão oprimidas e por que a mulher não podia participar naquele tempo. O domínio sobre as consciências através da manipulação da lei de Deus era muito forte. Era esta a maneira em que mantinham as pessoas submetidas e curvadas.
• Lucas 16,15-16: A RESPOSTA DE JESUS AO CHEFE DA SINAGOGA. O chefe condenou as pessoas porque queria que observassem a Lei de Deus. Aquilo que para ele chefe de sinagoga é observância da Lei de Deus, para Jesus é hipocrisia: “Hipócritas! No sábado todos vós não desatam vossos asnos para levá-los à beber? E a esta, que é filha de Abraão, a qual Satanás amarrou já fazem dezoito anos, não foi bom desatá-la destas amarras em dia de sábado? Com esse exemplo tira da vida diária, Jesus mostra a incoerência deste tipo de observância da Lei de Deus. Se é permitido desatar um boi no dia de sábado, só para dar-lhe de beber, é muito mais permitido desatar uma filha de Abraão para libertá-la do poder do mal. O verdadeiro sentido da observância da Lei que agrada a Deus é este: libertar as pessoas do poder do mal e colocá-las de pé, para que possam glorificar a Deus e render-lhe homenagem. Jesus imita Deus que endireita os curvados (Sl 145,14;146,8).
• Lucas 13,17: A REAÇÃO DAS PESSOAS DIANTE DA AÇÃO DE JESUS. O ensinamento de Jesus deixa confusos seus adversários, porém, a multidão se enche de alegria pelas maravilhas que Jesus está realizando: toda pessoa se alegrava com as maravilhas que fazia. Na Palestina do tempo de Jesus, a mulher viva curvada, submetida ao marido, aos pais e aos chefes religiosos de seu povo. Esta situação de submissão estava justificada pela religião. Porém, Jesus não quer que ela continue curvada. Desatar e libertar as pessoas não tem dia marcado. É todos os dias, e até no dia de sábado!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    A situação da mulher mudou muito, ou, é a mesma do tempo de Jesus? Qual é a situação da mulher hoje na sociedade e na igreja? Existe alguma relação entre religião e opressão à mulher?
• A multidão se alegra com a ação de Jesus. Qual é a libertação que está acontecendo hoje e que está levando a multidão a alegrar-se e a dar graças a Deus?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 1,1-2)
• A partir de hoje serei sumamente cuidadoso na maneira em que falo, nas brincadeiras e piadas em que participo, assim como as imagens que deixo que entrem em minha cabeça. Afastar-me-ei dessa conduta e farei o acordo de deixar definitivamente isto.





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lectio Divina - 26/10/12


SEXTA-FEIRA -26/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 4,1-6

Certamente, como bem diz um refrão mexicano: “Não somos moedas de ouro para fazer bem a todos”. Não importa que sejamos bons cristãos, muitas vezes nosso caráter, nossa maneira de ser ou a maneira de ser dos demais irmãos não combina com a nossa ou a nossa com a deles. Ainda na mesma família nós percebemos que cada um é diferente e que nem sempre coincidem nossos critérios e a maneira de reagir diante de determinados elementos. Por isso, Paulo nos convida, primeiro a ser COMPREENSIVOS, isto é, a colocar-nos nos sapatos dos demais, a entender que o irmão (esposo, esposa, pai, mãe, etc.) está em um mau dia, que as coisas não têm saído como esperavam, simplesmente está cansado, que as histórias que estão atrás de nós nos marcam e que, portanto, suas reações não são as nós esperamos. 



ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno, te pedimos entregar-nos a ti com fidelidade e servir-te com coração sincero. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 12,54-59


Hoje o evangelho nos apresenta um chamado de Jesus para aprender a ler os Sinais dos Tempos. Foi este texto que inspirou o papa João XXIII a convocar a Igreja para prestar atenção aos Sinais dos Tempos e perceber melhor os chamados de Deus nos acontecimentos da história da humanidade.
• Lucas 12,54-55: TODOS SABEM INTERPRETAR OS ASPECTOS DA TERRA E DO CÉU... “Dizia também as pessoas: quando vêem que uma nuvem se levanta pelo ocidente, no momento dizeis: Vai chover, e assim acontece”. E quando sopra do sul, dizeis: Vai fazer calor, e assim acontece. Jesus fala de uma experiência humana universal. Todos, cada qual em seu país e em sua região, sabe ler os aspectos do céu e da terra. O próprio corpo percebe quando ameaça chuva ou mudança de tempo: “Vamos ter chuva!”. Jesus se refere à contemplação da natureza como sendo uma das fontes mais importantes do conhecimento e da experiência que Ele mesmo tinha de Deus. Foi a contemplação da natureza que o ajudou a descobrir aspectos novos na fé e na história de seu povo. Por exemplo, a chuva que cai sobre bons e maus, e o sol que nasce sobre justos ou injustos, lhe ajudaram a formular uma das imagens mais revolucionárias: “Amai os vossos inimigos!” (Mt 5,43-45).
• Lucas 12,56-57:..., MAS NÃO SABEM LER OS SINAIS DOS TEMPOS. E Jesus tira a conclusão para seus contemporâneos e para todos nós: “Hipócritas! Sabeis explorar o aspecto da terra e do céu, como não explorais, pois, este tempo?”. Santo Agostinho dizia que a natureza, a criação, é o primeiro livro que Deus escreveu. Por meio dela Deus nos fala. O pecado embaralhou as letras do livro da natureza e, por isso, já não conseguimos ler a mensagem de Deus estampado nas coisas da natureza e nos fatos da vida. A Bíblia, o segundo livro de Deus, foi escrito não para ocupar ou substituir a Vida, mas sim, para ajudar a interpretar a natureza e a vida para aprender de novo a descobrir os chamados de Deus nos acontecimentos. “Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?”. Compartilhando entre nós o que vemos na natureza, iremos descobrindo o chamado de Deus na vida.
• Lucas 12,58-59: SABER TIRAR A LIÇÃO PARA A VIDA. “Quando fores com teu adversário ao magistrado, procure no caminho combinar com ele, não lhe arraste diante do juiz, pois, o juiz te entregará ao carcereiro, e este o trancará no cárcere. Te digo que não sairás dali até que não tenhas pago o último centavo”. Um dos pontos em que Jesus mais insistia é a reconciliação. Naquele época havia muitas tensões e conflitos entre grupos radicais com tendências diferentes, sem diálogo: zelotes, essênios, fariseus, saduceus, herodianos. Ninguém queria ceder diante do outro. As palavras de Jesus sobre reconciliação pedindo acolhida e compreensão, iluminam esta situação. Pois, o único pecado que Deus não consegue perdoar é o que não perdoemos aos demais (Mt 6,14). Por isto, aconselha procurar a reconciliação antes que seja demasiado tarde. Quando chegar a hora do juízo, será demasiado tarde. Quando tivermos tempo, procuremos mudar de vida, de comportamento e do modo de pensar e procuremos acertar o passo. (cf. Mt 5,25-26; Col 3,13; Ef 4,32; Mc 11,25).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Ler os Sinais dos Tempos. Quando vejo, ouço ou leio as noticias na televisão ou nos jornais, tenho a preocupação de perceber os chamados de Deus nestes fatos?
• Reconciliar é o pedido no qual Jesus mais insiste. Como colaboro na reconciliação entre as pessoas, as raças, os povos, as tendências?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 24,1-2)
• Hoje, minimizarei os defeitos de caráter e questões que me molestam de pessoas a meu redor e me fixarei nas coisas boas que encontrar.





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lcetio Divina - 25/10/12





QUINTA-FEIRA -25/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 3,14-21

•    Uma das orações mais belas que podemos encontrar na Sagrada Escritura é esta que Paulo dirige ao Pai, para que cada um de nós possa TER A EXPERIÊNCIA DO AMOR DE DEUS. Nesta oração, primeiro pede que possamos conhecer este amor, mas logo diz “que possam experimentar”. É que é muito distinto saber que uma pessoa me ama e sentir-me realmente amado. Isto é o que faz a diferença em um matrimônio, em uma família ou em uma amizade. Pode ser que todos saibamos que, nosso pai, nosso esposo, filhos, etc. nos amam, porém, a pergunta seria realmente me sinto amado por eles? Seu amor é de tal modo manifesto que percebo e me sinto amado? Muitos problemas de desintegração familiar têm como origem – não a falta de amor entre pais e filhos -, mas sim a falta de EXPERIÊNCIA amorosa entre eles. O mesmo acontece com Deus. Eu creio que todos os cristãos saibam que Deus nos ama, porém, realmente nos sentimos amados por Ele? Se você não se sente amado por Deus, não é porque Deus não manifeste seu amor par você, mas sim porque muitas vezes nós temos fechado a porta a este amor: não oramos, não participamos dos sacramentos com devoção, mas sim com pressa, não lemos a Escritura. Deus quer que você experimente este amor. Abra-te ao Espírito Santo que é amor de Deus e peça-lhe para ter esta experiência.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, te pedimos entregar-nos a ti com fidelidade e servir-te com coração sincero. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 12,49-53

•    Hoje o evangelho nos apresenta algumas frases soltas de Jesus. A primeira sobre o fogo sobre a terra só existe em Lucas. As outras tem frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos remete ao problema da origem da composição destes dois evangelhos que fez correr muita tinta ao longo dos últimos séculos e se resolverá plenamente só quando possamos conversar com Mateus e Lucas, depois de nossa ressurreição.
• Lucas 12,49-50: JESUS VEIO TRAZER FOGO SOBRE A TERRA. “Vim arrojar um fogo sobre a terra e quanto desejaria que já estivesse preso! Com um batismo tenho que ser batizado e angustiado estou até que se cumpra!”. A imagem do fogo volta muitas vezes na Bíblia e não tem um sentido único. Pode ser imagem da devastação e do castigo e pode também ser a imagem da purificação e da iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode evocar até proteção como vemos em Isaias: Se passas no meio das chamas, não te queimarás (Is 43,2). João Batista batizava com água, porém, depois dele, Jesus batizaria por meio do fogo (Lc 3,16). Aqui, a imagem do fogo é associada a ação do Espírito Santo que desceu no dia de Pentecostes sob a imagem de línguas de fogo (At 2,2-4). As imagens e os símbolos não tem nunca um sentido obrigatório, totalmente definido, que não permita divergência. Neste caso não seria uma imagem, nem um símbolo. É típico da natureza do símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e dos espectadores. Deixando a liberdade aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a imagem do batismo indica a direção na qual Jesus quer que a pessoa dirija sua imaginação. O batismo é associado com a água e é sempre expressão de um compromisso de Jesus com sua paixão: Podereis ser batizados com o batismo com o qual eu vou ser batizado? (Mc 10,38-39).
• Lucas 12,51-53: JESUS VEIO TRAZER A DIVISÃO. Jesus fala sempre de paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo 14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que parece dizer o contrário: “Acreditais que eu estou aqui para colocar paz na terra? Não, os asseguro, mas sim a divisão”. Esta afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não quer a divisão. O anuncio da verdade que Ele, Jesus de Nazaré, era o Messias se tornou motivo de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou da comunidade, uns estavam a favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Notícia de Jesus era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou como dizia Jesus: “Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”. Era o que estava ocorrendo, de fato nas famílias e nas comunidades: muitas divisões, muitas discussões, como conseqüência do anuncio da Boa Noticia entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros negando. O mesmo vale para o anuncio da fraternidade com valor supremo da convivência humana. Nem todos concordavam com este anuncio, pois, preferiam manter seus privilégios. Por isto, não tinham medo de perseguir os que anunciavam a fraternidade e a partilha. Esta é a divisão que surgia e que está na origem da paixão e da morte de Jesus. Era o que estava acontecendo. O que pensava a pessoa. Jesus quer a união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Até hoje é assim. Muitas vezes, ali onde a Igreja se renova, o chamado da Boa Noticia se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que durante anos viveram acomodadas na rotina de sua vida cristã, e que já não querem ser incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, usam toda sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a verdadeira fé.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Procurando a união, Jesus era causa de divisão. Ocorreu a você o mesmo alguma vez?
• Diante das mudanças na Igreja, como você se sente?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 33,1-2)
• Hoje serei muito explícito ao dizer à meus seres queridos que os amo e que são sumamente importantes para mim.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Lectio Divina - 24/10/12





QUARTA-FEIRA -24/10/2012



PRIMEIRA LEITURA: Efesios 3,2-12

•    Enquanto os judeus pensavam que a salvação pertencia só a eles, que Deus fazia diferença entre um povo e outro, Paulo declara que isto não é verdade e que o projeto de salvação de Deus para o homem deve ser considerado um ministério. Deus chamou a todos e a cada um dos homens deste mundo à participar de seu amor e de sua verdade. Os únicos que não participaram disso são os que, como próprio Jesus disse: “são os que não crêem” (Mc 16,16). Este projeto de salvação universal que estava oculto se revela agora por meio da Igreja. Paulo é claro: a riqueza da graça é INCALCULÁVEL e abarca a todos os homens, ainda que, eles não o saibam. É nossa função, portanto, como membros desta Igreja, trazer ao conhecimento de todos o grande amor que Deus tem por cada um de nós, pois, entregou seu Filho para que todo que Nele acredite tenha vida, e a tenha em abundância. Não podemos ficar tranqüilos até que todos os homens desta terra saibam que Deus lhes ama e que os chama à viver em comunhão com Ele por meio da fé em Jesus Cristo. Parece estranho, porém, em nossos dias existem pessoas que convivem diariamente conosco e não sabem que Deus lhes ama e que Cristo morreu por eles. Você pode ser o canal para que o projeto salvífico de Deus, chegue a estas pessoas.



ORAÇÃO INICIAL

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 12,39-48

•    O evangelho de hoje nos lança de novo a uma exortação à vigilância com outras duas parábolas. Ontem a parábola era sobre o patrão e o empregado (Lc 12,36-38). Hoje, a primeira parábola é sobre o dono da casa e o ladrão (Lc 12,39-40) e a outra fala do proprietário e do administrador (Lc 12,41-47).
• Lucas 12,39-40: A PARÁBOLA DO DONO DA CASA E DO LADRÃO. “Entenda bem: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que ele entrasse em sua casa. Estejam vocês também preparados, porque quando menos se pensa, virá o Filho do Homem”. Assim como o dono da casa não sabe a que hora chegará o ladrão, assim também ninguém sabe a hora da chegada do Filho do Homem. Jesus deixa bem claro: “Daquele dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32). Hoje, muitas pessoas vivem preocupadas com o fim do mundo. Pelas ruas das cidades, às vezes, se vê escrito nos muros: Jesus voltará! Houve gente que, angustiada pela proximidade do fim do mundo, chegou a cometer suicídio. Mas, o tempo passa e o fim do mundo não chega! Muitas vezes a afirmação “Jesus voltará!” é usada para colocar medo nas pessoas e obrigá-las a atender uma determinada igreja. De tanto esperar e especular ao redor da vinda de Jesus, muita gente deixa de perceber sua presença no meio de nós, nas coisas mais comuns da vida, nos fatos da vida diária. Pois, o que importa não é saber a hora do fim do mundo, mas sim, ter os olhos capazes de perceber a vinda de Jesus já presente no meio de nós na pessoa do pobre (cf Mt 25,40) e em tantos outros modos e acontecimentos da vida de cada dia.
• Lucas 12,41: A PERGUNTA DE PEDRO. “Senhor, dizes esta parábola para nós ou para todos?”. Não se entende muito bem o porquê desta pergunta de Pedro. E evoca outro episódio, na qual Jesus responde a uma pergunta similar, dizendo: “A vós é dado a conhecer o mistério do Reino de Deus, porém, aos outros lhes é dado a conhecer em parábolas” (Mc 13,10-11; Lc 8,9-10).
• Lucas 12,42-48ª: A PARÁBOLA DO PATRÃO E DO ADMINISTRADOR. Na resposta de Pedro Jesus formula outra pergunta em forma de parábola: “Quem é, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor colocará a frente de sua servidão para dar-lhe a seu tempo seu conveniente salário?”. Imediatamente, o próprio Jesus dá a resposta: o bom administrador é aquele que cumpre sua missão de servo, que nunca usa os bens recebidos para seu próprio proveito, e que está sempre vigilante e atento. É possível que seja uma resposta indireta à pergunta de Pedro, como se dissesse: “Pedro, a parábola é realmente para ti! Você tem a incumbência de saber administrar bem a missão que Deus te dá como coordenador das comunidades. Neste sentido, a resposta vale também para cada um de nós. E ali tem muito sentido a advertência final: à quem muito se dá, muito se reclamará; e à quem muito é confiado, muito se pedirá”.
• A CHEGADA DO FILHO DO HOMEM E O FIM DO MUNDO. A mesma problemática havia nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Muita gente das comunidades, diziam que o fim do mundo estava próximo e que Jesus voltaria depois. Algumas comunidades de Tessalônica na Grécia, apoiando a pregação de Paulo, diziam: “Jesus, voltará!” (1Ts 4,13-18; 2Tes 2,2). Por isto, havia pessoas que haviam deixado de trabalhar, porque pensavam que a vinda fosse coisa de poucos dias ou semanas. Trabalhar para que, se Jesus iria voltar? (cf . 2Ts 3,11). Paulo responde que não era tão simples como se imaginava. E aos que não trabalhavam dizia: “quem não trabalha, não tem o direito de comer!”. Outros ficavam olhado para o céu, aguardando o retorno de Jesus sobre as nuvens ( Cf. At 1,11). Outros se reclamavam da demora (2Pd 3,4-9). Em geral, os cristãos viviam na expectativa da vinda iminente de Jesus. Jesus viria realizar o Juízo Final para terminar com a história injusta deste mundo aqui em baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do Novo Céu e da Nova Terra. Pensavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas gerações. Muita gente seguiria com a vida quando Jesus aparecesse glorioso no céu (1Ts 4,16-17; Mc 9,1). Outros, cansados de esperar, diziam: “Não voltará nunca!” (2Pd 3,4). Até hoje, a vinda final de Jesus não ocorreu. Como entender este atraso? Supõe que já não percebemos que Jesus voltou, que está no meio de nós: “E eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Ele já está conosco, ao nosso lado, na luta por justiça, pela paz e pela vida. A plenitude não chegou, todavia, porém, uma mostra ou garantia do Reino já está no meio de nós. Por isto, aguardamos com firme esperança a plena libertação da humanidade e da natureza (Rm 8,22-25). E enquanto esperamos e lutamos, dizemos com certeza: “Ele está no meio de nós!” (Mt 25,40).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    A resposta de Jesus a Pedro também serve para nós? Sou um bom administrador da missão que recebi?
• Como faço para estar sempre vigilante?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 113, 3-4)
• Hoje direi as pessoas que encontrar que Deus lhes ama plenamente.




terça-feira, 23 de outubro de 2012

Lectio Divina - 23/10/12






TERÇA-FEIRA -23/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 2,12-22

•    O povo judaico consideravam como “pagão” a todos os que não pertenciam a eles, os quais, eram excluídos da salvação de Deus. Esta idéia se estendeu ao cristianismo, por isso esta carta de Paulo pode ser considerada como “a carta magna do Ecumenismo”. É um convite, primeiramente, a sair de nosso “grupinho”. É triste que isto se dê entre cristãos, mas é a realidade. Não faltam em nossa Igreja aqueles que consideram que só os membros de um grupo apostólico ou de uma espiritualidade particular, são os que estão vivendo autenticamente o cristianismo, inclusive que os demais estão em perigo de perder a salvação eterna, pelo que os criticam acidamente ou se dedicam a fazer “proselitismo” entre os demais grupos. Isto não é outra coisa que fazer infrutífera a ação do Espírito Santo, que age em todos de um modo particular e misterioso empurrando a Igreja para a santidade plena. Cada espiritualidade responde a uma necessidade da Igreja e complementa desta maneira os recursos espirituais com os quais Deus a enriquece, de maneira que todos possam encontrar um ambiente e um espaço que lhes ajude a alcançar a santidade. O mesmo poderíamos dizer de nossos irmãos separados. Por isso o concílio Vaticano II expressa: “Na única Igreja de Deus, já desde os primeiros tempos, se efetuaram algumas exceções que o Apóstolo condena com severidade, porém, em tempos sucessivos surgiram discrepâncias maiores, separando-se da plena comunhão da Igreja não poucas comunidades, às vezes não sem responsabilidade de ambas as partes. Porém, os que agora nascem e se nutrem da fé de Jesus Cristo dentro dessas comunidades não podem ser responsáveis do pecado da separação, e a Igreja Católica os abraça com fraterno respeito e amor, posto quem crê em Cristo e recebe o batismo devidamente, ficam constituídos em alguma comunhão, ainda que não seja perfeita, com na Igreja Católica” (UR3). Abramos nosso coração à comunhão, somos uma só família.



ORAÇÃO INICIAL

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 12,35-38

•    Por meio da parábola, o evangelho de hoje nos exorta a vigilância.
• Lucas 12,35: EXORTAÇÃO A VIGILÂNCIA. “Tenha a cintura cingida e as lâmpadas acesas”. Cingir-se significava amarrar um tecido ou uma corda ao redor da vestimenta, para que não atrapalhasse os movimentos do corpo. Estar cingido significava estar preparado, pronto para a ação imediata. Na véspera de sua saída do Egito, na hora de celebrar a páscoa, os israelitas deviam cingir-se, isto é, estar preparados para poder partir imediatamente. (Ex 12,11). Quando alguém ia trabalhar, ou, executar alguma tarefa cingia-se (Ct 3,8). Na carta aos Efesios, Paulo descreve a armadura de Deus e diz que os rins devem estar cingidos com o cinturão da verdade (Ef 6,14). As lâmpadas deviam estar acesas, pois, a vigilância é tarefa tanto do dia como da noite. Sem luz não se caminha na escuridão da noite.
• Lucas 12,36: A PARÁBOLA. Para explicar o que significa estar cingido, Jesus conta uma pequena parábola. “Sejam como homens que esperam que seu senhor volte da boda, para que, quando chegar, abram-lhe imediatamente a porta”. A tarefa de aguardar a chegada do dono exige uma vigilância constante e permanente, sobretudo, quando é noite, pois, o dono não tem uma hora determinada para voltar. Pode fazê-lo a qualquer momento. O empregado deve estar atento, sempre vigilante!.
• Lucas 12,37: PROMESSA DE FELICIDADE. “Felizes os servos a quem o Senhor, ao vir, encontre despertos: Eu lhes asseguro que se cingirá, os fará colocar-se à mesa e, vendo um e outro, lhes servirá”. Aqui, nesta promessa de felicidade, os papéis se invertem. O patrão se torna empregado e começa a servir o empregado que se torna patrão. Evoca Jesus na ultima cena que, ainda sendo Senhor e mestre, se faz servo e empregado de todos (Jo 13,4-17). A felicidade prometida tem a ver com o futuro, com a felicidade no fim dos tempos, e é o oposto daquilo que Jesus prometeu em outra parábola que dizia: “Quem de vós que tem um servo orando ou pastoreando e, quando retorna do campo, lhe diz:“Já é tarde coloque a mesa?”. Ou, dirá: “Prepara-me algo para cear, e cinja-te para servir-me e logo que eu tenha comido e bebido tu comerás e beberás?. Acaso tem que dar graças ao servo porque fez o que mandaram? Do mesmo modo vós, quando tenhais feito tudo o que mandaram, diga: não somos mais que alguns pobres servos; só temos feito o que tínhamos que fazer (Lc 17-7-10).
• Lucas 12,38: REPETE A PROMESSA DE FELICIDADE. “Que venha na segunda vigília ou na terceira, se os encontre assim, felizes!”. Repete a promessa de felicidade que exige vigilância total. O patrão pode voltar no meio da noite, as três da madrugada, ou a qualquer outro momento. O empregado tem que estar preparado, cingido para poder entrar em ação.




PARA REFLEXÃO PESSOAL


•    Somos empregados de Deus. Devemos estar cingidos, preparados, atentos e vigilantes, vinte e quatro horas do dia. Você consegue? Como?
• A promessa de felicidade futura é o oposto do presente. O que é que nos revela isto, a bondade de Deus para conosco, para comigo?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 85, 9-10)
• Hoje procurarei conviver com alguma pessoa que tenho dificuldade de convivência e procurarei ser paciente e respeitoso.



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lectio Divina - 22/10/12





SEGUNDA-FEIRA -22/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 2,1-10

• É certo que desde o momento do batismo somos adotados por Deus como verdadeiros filhos em Cristo, é necessário que nossa vida possa se dividir em antes e depois. Na primeira comunidade no momento de ser batizado se fazia uma opção pessoal pelo Evangelho, uma aceitação total e definitiva por Cristo e seu Evangelho, de maneira que isto dividia a vida. Esta é a razão pela qual Paulo diz: “... antes vocês viviam de uma maneira desordenada sujeitos a suas paixões...”. Se verdadeiramente queremos participar do convívio de Deus, é necessário que façamos do Evangelho nossa norma de vida. Isto nos levará a ter um estilo de vida distinto. Pela ação do Espírito Santo, o qual deixará em liberdade não estaremos mais sujeitos as paixões desordenadas e teremos a liberdade para viver no amor e na paz de Deus. Se ainda não tomou esta decisão, que é a mais importante de tua vida, te convido a preparar-te para ela e decidir de uma vez por todas por Cristo, por seu Evangelho, por seu estilo de vida, por seus projetos, por sua Cruz.



ORAÇÃO INICIAL

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 12,13-21

• O relato do evangelho de hoje encontra-se só no Evangelho de Lucas e não tem paralelo nos outros evangelhos. É parte da descrição do caminho de Jesus, desde a Galiléia até Jerusalém, no qual Lucas coloca a maior parte das informações que consegue recolher a respeito de Jesus e, que não se encontram nos outros três evangelhos. O evangelho de hoje nos traz a resposta de Jesus a pessoa que lhe pediu que mediasse a divisão de uma herança.
• Lucas 12,13: UM PEDIDO PARA REPARTIR A HERANÇA. “Uma das pessoas disse: Mestre, diga a meu irmão que reparta a herança comigo”. Até hoje, a distribuição da herança entre familiares é sempre uma questão delicada e, muitas vezes, ocasiona infinitas discussões e tensões. Naquele tempo, a herança tinha que ver também com a identidade das pessoas (1Re 21,1-3) e com sua sobrevivência (Nm 27,1-11;36.1-2). O maior problema era a distribuição das terras entre os filhos do falecido pai. Sendo uma família grande, corria-se o perigo de que a herança se esmiuçasse em pequenos pedaços de terra que não poderiam garantir a sobrevivência de todos. Por isto, para evitar a desintegração ou a pulverização da herança e manter vivo o nome da família, o mais velho dos filhos recebia o dobro da herança (Dt 21,17, cf, 2Re 2,11).
• Lucas 12,14-15: RESPOSTA DE JESUS: CUIDADO COM A GANÂNCIA. “Jesus respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?”. Na resposta de Jesus se vê a consciência que tinha de sua missão. Jesus, não se sente enviado por Deus para atender ao pedido de arbitrar entre os parentes que discutem entre si a repartição da herança. Mas, o pedido desperta Nele a missão de orientar as pessoas, pois: “Lhes digo: Olhai e guardai-vos de toda a cobiça, porque, ainda que alguém possua abundantes riquezas, estas não lhe garantem a vida”. Era parte de sua missão esclarecer as pessoas a respeito do sentido da vida. O valor de uma vida não consiste em ter muitas coisas, mas, em ser rico para Deus (Lc 12,21). Pois, quando a ganância ocupa o coração, não se consegue repartir a herança com equidade e com paz.
• Lucas 12,16-19: A PARÁBOLA QUE FAZ PENSAR NO SENTIDO DA VIDA. Imediatamente depois, Jesus conta uma parábola para ajudar as pessoas a refletir sobre o sentido da vida: “Os campos de certo homem rico deram muito fruto, e pensava consigo mesmo, dizendo: que farei, pois não tenho onde armazenar minha colheita”. O homem rico está totalmente fechado na preocupação de seus bens que aumentaram de repente por causa de uma colheita abundante. Pensa só no acumular para garantir uma vida despreocupada. Diz: “Vou fazer isto: vou demolir meus celeiros, edificarei outros maiores, reunirei ali todo o meu trigo e meus bens e direi a minha alma: Alma, tens muitos bens em reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveitei”.
• Lucas 12,20: PRIMEIRA CONCLUSÃO DA PARÁBOLA. “Porém Deus lhe disse: Néscio! Esta noite, reclamar-te-ão a alma; as coisas que preparaste, para quem serão?”. A morte é uma chave importante para redescobrir o sentido verdadeiro da vida. Relaciona tudo, pois mostra o que perece e o que permanece. Quem só procurar ter e esquece o ser perde tudo na hora da morte. Aqui se evidencia um pensamento muito freqüente nos livros sapienciais: para que acumular bens nesta vida, se não sabes onde colocar os bens que acumulas, nem sabes o que o herdeiro vai fazer com aquilo que tu deixares (Ecl 2,12.18-19.21).
• Lucas 12,21: SEGUNDA CONCLUSÃO DA PARÁBOLA. “Assim é que entesourar riquezas para si não se enriquece na ordem a Deus”. Como se tornar rico para Deus? Jesus deu diversas sugestões e conselhos: quem quer ser o primeiro, que seja o último (Mt 20,27); é melhor dar do que receber (At 20,31); o maior é o menor (Mt 18,4) guarda sua vida aquele que a perde (Mt 10,39).






PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O homem pede a Jesus que lhe ajude na repartição da herança. E você o que é que pede a Deus em tuas orações?
• O consumismo cria necessidades e desperta em nós o desejo de acumular. O que é que faz você para não ser vítima da sociedade de consumo?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 100,1-2)
• Hoje repetirei constantemente: “fui salvo pela graça e pelo amor de meu Deus”. E verei em que coisas de minha vida não estou trabalhando como um liberto por Deus.





sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Lectio Divina - 19/10/12

SEXTA-FEIRA -19/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Efesios 1,11-14

•    A vida do cristão deve ser tal que em todas as partes, possa ser verdadeiramente um “louvor” à glória de Deus. Por isso nossas palavras, nossas atitudes, a maneira como levamos nossos negócios e nossa vida familiar não pode ser como a que leva o mundo. O cristão marcado e cheio do Espírito Santo vive sob a norma do amor e do perdão. Seus critérios dão mostras de uma justiça e de um interesse pelos irmãos, sobretudo, pelos mais necessitados, que em todas as partes, quem os vê o os conhece, dá sempre “glória a Deus”. Poderia dizer que tua vida tem esta qualidade de vida?



ORAÇÃO INICIAL

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 12,1-7

•    O evangelho de hoje apresenta uma crítica de Jesus contra as autoridades religiosas de seu tempo.
• Lucas 12,1a: Milhares de pessoas procuram Jesus. “Havendo-se reunido milhares de pessoas, até uns pisarem nos outros…”. Esta frase deixa aparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo das pessoas de se encontrarem com Ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa, aparecer, mesmo assim, o abandono na qual se encontravam as pessoas. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando viu a multidão para ouvir sua palavra (Mc 6,34).
• Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia. “Começou a dizer primeiramente à seus discípulos: “Guarda-os da levedura dos fariseus, que é a hipocrisia”. Marcos já falava da levedura dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava por um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui, neste texto, Lucas identifica a levedura dos fariseus com a hipocrisia. A hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma fachada bonita que encobre e disfarça a podridão que existe por dentro. Neste caso a hipocrisia era a máscara aparente da máxima fidelidade à Palavra de Deus que escondia a contradição de suas vidas. Jesus que o contrário. Quer coerência que não deixa nada escondido.
• Lucas 12,2-3: O escondido será revelado. “Nada existe encoberto que não vá ser descoberto nem oculto que não vai ser revelado. Porque quando falar na escuridão será ouvido na luz, e o que falar ao ouvido nas habitações privadas será proclamado nos terraços”. É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que escondem a verdade, os discípulos devem ter sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a compartilhar com os outros os ensinamentos que aprenderam com Ele. Os discípulos não podiam tê-los só para eles, mas, deveriam divulgá-los. Um dia, as máscaras cairão e tudo será revelado às claras, proclamado a partir dos terraços (cf. Mt 10,26-27).
• Lucas 12,4-5: Não devemos ter medo. “Não temais aos que matam o corpo, e depois disto nada mais podem fazer. Mostrarei a quem devereis temer: Temam Aquele que, depois de matar, têm o poder para jogá-los na geena; sim, repito: Temam a esse”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, aos discípulos e as discípulas. Eles não devem temer aqueles que matam o corpo, que torturam, que machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem matar o corpo, porém, não conseguem matar a liberdade do espírito. Devem ter medo, isto é, de que o medo ao sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade, assim, eles se afastam de Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.
• Lucas 12,6-7: Valeis mais do que muitos passarinhos. “Não se vendem cinco pássaros por duas asas? Pois bem, nenhum deles será esquecido diante de Deus. Até os cabelos de sua cabeça estão contados. Não temais, valeis mais que muitos pássaros”. Os discípulos não devem temer nada, pois eles estão nas mãos de Deus. Jesus manda olhar os pássaros. Dois passarinhos se vendem por poucos centavos e nenhum deles morre sem o consentimento do Pai. Até os cabelos da cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem que o Pai permita (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isto: “não temais, valeis mais que muitos passarinhos. É esta a lição que Jesus tira da contemplação da natureza”. (cf. Mt 10,29-31)
• A contemplação da natureza. No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante Jesus tira da contemplação da natureza. Ele diz: Ouçam o que é dito: Amarás o teu próximo e odiarás a teu inimigo. Pois Eu vos digo: Amai vossos inimigos e rogai pelos que os perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai celestial, que faz sair o sol sobre os maus e os bons, e chover sobre os justos e os injustos. Vós, pois, sede perfeito como é perfeito vosso Pai celestial. (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levara Jesus a esta afirmação revolucionária: “Porém, Eu lhes digo: amar a vossos inimigos!”. O mesmo vale para o convite a olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta atitude, surpreendente contemplativa diante da natureza, leva Jesus a uma crítica das verdades aparentemente eternas. Seis vezes seguidas teve a coragem de corrigir em público a Lei de Deus: “Se foi dito, porém, Eu vos digo…”. O descobrimento feito na contemplação renovada da natureza se volta para Ele em uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela as luzes que antes não eram percebidas. Hoje estamos diante de uma nova visão do universo. Os descobrimentos da ciência a respeito da imensidão do macro-cosmos e do micro-cosmos estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo. Está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.






PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O escondido será revelado. Existe em mim algo que eu tema ser revelado um dia?
• A contemplação dos pássaros e das coisas da natureza leva Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelam a bondade de Deus. Tenho o costume de contemplar a natureza?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 33,4-5)
• Hoje procurarei a maneira de que ao menos uma pessoa expresse gratidão a Deus por alguma obra que eu tenha feito.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lectio Divina - 18/10/12






QUINTA-FEIRA -18/10/2012


PRIMEIRA LEITURA: 2Timoteo 4,9-17

• Uma das coisas que mais ajudam para nosso crescimento espiritual é ter um bom mestre e a companhia de irmãos que pensam como nós e que estão também procurando a santidade e o agradar em tudo o Senhor, sendo radicais no seguimento do Evangelho. Ainda que não seja o tema próprio deste texto, vemos no pano de fundo Lucas, que encontraria Paulo muito possivelmente em sua segunda viagem missionária e a partir daí o acompanhará sempre até o final de seus dias. Lucas, que de acordo ao que próprio nos disse, o investigará pessoalmente como testemunha ocular, de Paulo aprendeu a amar Jesus com todo seu coração, a descobrir Nele a razão de sua vida. Viu Paulo pregar com paixão, viu sofrer por Cristo, o viu passar longas horas em oração, em uma palavra, aprendeu de Paulo o que significa ser e viver um autêntico cristão enamorado de Deus que o salvou e que tem dado razão a sua vida. Procure também ter amigos santos, homens e mulheres que, como você, busque a Deus, com os quais pode crescer e aprender de sua vida e de sua oração. Como diz o livro do Eclesiástico: quem encontra um amigo, encontrou verdadeiramente um tesouro.



ORAÇÃO INICIAL

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 10,1-9

•    Hoje é a festa de São Lucas, e o evangelho nos fala do envio dos setenta e dois discípulos que devem anunciar a Boa Notícia de Deus aos povoados, nas aldeias e nas cidades da Galiléia. Os setenta e dois somos todos nós que vivemos depois dos Doze. Mediante a missão dos discípulos e das discípulas, Jesus resgata os valores da tradição das pessoas que estavam sendo encobertas pelo duplo cativeiro do domínio romano e da religião oficial. Jesus renova e reorganiza as comunidades, para que sejam de novo uma expressão da Aliança, uma mostra do Reino de Deus. Por isto, insiste na hospitalidade, no compartilhar, na acolhida dos excluídos. Esta insistência de Jesus se percebe nos conselhos que dava aos discípulos e as discípulas quando os enviava em missão. No tempo de Jesus havia diversos outros movimentos que, igual a Jesus, apresentavam uma nova maneira de viver e conviver, por exemplo, João Batista, os fariseus e outros. Eles também formavam comunidades de discípulos (Jo 1,35; Lc 11,1; At 19,3) e tinham seus missionários (Mt 23,15). Porém, como veremos havia uma grande diferença.
• Lucas 10,1-3: A MISSÃO. Jesus envia os discípulos aos lugares onde ele próprio tem que ir. O discípulo é o porta-voz de Jesus. Não é o dono da Boa Noticia. Ele os envia de dois em dois. Isto favorece na ajuda mutua, pois, a missão não é individual, mas sim comunitária. Duas pessoas representam melhor a comunidade.
• Lucas 10,2-3: A CORRESPONSABILIDADE. A primeira tarefa é rezar para que Deus envie trabalhadores. Todo discípulo e discípula devem sentir-se responsáveis pela missão. Por isto têm que rezar ao Pai para que haja continuidade na missão. Jesus envia seus discípulos como “cordeiros no meio de lobos”. A missão é tarefa difícil e perigosa. Pois, o sistema em que os discípulos viviam e no qual continuamos vivendo era e, continua sendo contrária a reorganização das pessoas em comunidades vivas.
• Lucas 10,4-6: A HOSPITALIDADE. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas não podem levar nada, nem bolsa, nem sandálias. Porém, devem levar a “paz”. Isto significa que devem confiar na hospitalidade das pessoas. Pois, o discípulo que vai sem nada, levando apenas a paz, mostra que confia nas pessoas. Acredita que vai ser recebido, e as pessoas se sentem respeitadas e seguras. Por meio desta prática o discípulo critica as leis de exclusão e resgata os valores da convivência comunitária. Não “saudeis ninguém pelo caminho” significa que não se deve perder tempo em coisas que não pertencem à missão.
• Lucas 10,7: O COMPARTILHAR. Os discípulos não devem andar de casa em casa, mas, permanecer na mesma casa. Isto é, devem conviver de forma estável, participar da vida e do trabalho das pessoas e viver do que recebem em troca, “pois o trabalhador merece seu salário”. Isto significa que devem confiar no compartilhar. Assim, por meio desta nova prática, resgatam uma antiga tradição das pessoas, criticam a cultura da acumulação que marcava a política do Império Romano e anunciavam um novo modelo de convivência.
• Lucas 10,8: A COMUNHÃO DA MESA. Os fariseus, quando saiam em missão, iam prevenidos. Pensavam que não podiam confiar na comida e que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isto, levava alforje e dinheiro para poder cuidar de sua própria comida. Assim, em vez de ajudar a superar as divisões, as observâncias da Lei de pureza, enfraqueciam muito mais a vivência dos valores comunitários. Os discípulos de Jesus devem “comer o que as pessoas oferecem”. Não podem viver separados, comendo de sua própria comida. Isto significa que devem aceitar compartilhar a mesa. Em contato com as pessoas, não podem ter medo de perder a pureza legal. Agindo assim, criticam as leis da pureza em vigor e anunciam um novo acesso à pureza, isto é, a intimidade com Deus.
• Lucas 10,9a: A ACOLHIDA AOS EXLUÍDOS. Os discípulos devem “curar enfermidades”, curar os leprosos e expulsar os demônios (Mt 10,8). Isto significa que devem acolher dentro da comunidade aos que foram excluídos. Esta prática solidária critica a sociedade que exclui e aponta para saídas concretas. É o que hoje faz a pastoral dos excluídos, migrantes e marginalizados.
• Lucas 10,9b: A CHEGADA DO REINO. Cumprem-se todas estas exigências, os discípulos podem e devem gritar aos quatro ventos: “O Reino está chegando!”. Anunciar o Reino não é em primeiro lugar ensinar verdades e doutrinas, mas sim, levar a uma nova maneira de viver e de conviver como irmãos e irmãs a partir da Boa Notícia que Jesus nos trás: que Deus é Pai e Mãe de todos nós.






PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Hospitalidade, compartilhar, comunhão ao redor da mesa, acolhida aos excluídos: são os pilares que sustentam a vida comunitária. Como isto se realiza em nossa comunidade?
• O que é para você ser: cristão ou cristã? Em uma entrevista na televisão, alguém respondeu ao repórter: “Sou cristão, vivo o evangelho, mas não participo na comunidade da Igreja!”. O repórter comentou: “Assim que você se considera como um bom jogador de futebol, não participando de nenhuma equipe!”. É o seu caso?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 145,10-11)
• Atento ao chamado de Deus me faz ser solidário com meus irmãos que sofrem, dedicarei algo de meu tempo ou de meus bens para socorrer as necessidades de algum irmão que precise.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lectio Divina - 17/10/12


QUARTA-FEIRA -17/10/2012



PRIMEIRA LEITURA: Gálatas 5,18-25

Paulo finaliza sua carta mostrando-nos como o homem novo é e deve ser dirigido pelo Espírito. É o Espírito Santo quem, trabalhando a partir de dentro do homem, o transforma, mudando nele suas atitudes e dirigindo-o para a vida, a vida e abundância. Quando não permitimos ao Espírito que se desenvolva dentro de nós, quando não temos suficiente tempo para nossa oração e em geral para nosso trato com Deus – seja com sua Palavra ou com os Sacramentos -, quando se procura viver só regido por normas de tipo moral, o egoísmo e a debilidade humana produzem unicamente frutos de morte e destruição. Enquanto que, quando permitimos que Deus seja realmente Deus dentro de nós, os frutos desta relação interior se manifestam em vida e alegria. Por isso, é fácil ver quem tem vida espiritual e quem não; quem procura com seus próprios meios alcançar a felicidade e quem deixa que seja Deus que a produza e a desenvolva; é fácil ver quem vive conforme o Espírito e quem não. Quais são teus frutos? Pois, por teus frutos te conhecerão.



ORAÇÃO INICIAL 

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 11,42-46

Hoje o evangelho continua a relação de conflito entre Jesus e as autoridades religiosas de sua época. Hoje, na Igreja, se vive o mesmo conflito. Em uma determinada diocese, o bispo convocou os pobres para que participassem ativamente. Eles ouviram os pedidos e muitos deles começaram a participar. Surgiu um sério conflito. Os ricos diziam que haviam sido excluídos e alguns sacerdotes começaram a dizer: “O bispo faz política e esquece do evangelho!”.
• Lucas 11,42: “MAS, AI DE VÓS FARISEUS, QUE PAGAIS O DÍZIMO DA MENTA, DA ARRUDA E DE TODA HORTALIÇA, E DEIXAIS DE LADO A JUSTIÇA E O AMOR A DEUS! ISTO É O QUE HAVIA DE PRATICAR, AINDA QUE SEM OMITIR AQUILO”. Esta critica de Jesus contra os lideres religiosos daquela época pode ser repetido contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a justiça e o amor. Por exemplo, a “lepra” voltou árida a vivencia da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviavam as pessoas do caminho do amor. A irmã carmelita Santa Teresa de Lisieux se criou neste ambiente “jansenista” que caracterizava a França nos finas do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como uma força que tem que fortalecer por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo. A observação final de Jesus dizia: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas, dar cumprimento. Os asseguro: enquanto durarem o céu e a terra, não deixará de estar vigente nem uma vírgula da lei sem que tudo se cumpra. Portanto, o que transgredir um destes mandamentos menores e assim o ensinar aos homens, será o menor no Reino dos Céus, ao contrário, o que os observar e os ensinar, esse será grande no Reino dos Céus. Porque vos digo que, se vossa justiça não é maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. Jesus chama atenção dos discípulos sobre o comportamento hipócrita de alguns fariseus. Eles gostavam de circular pelas praças com longas túnicas, receber a saudação das pessoas, ocuparem os primeiros lugares nas sinagogas e lugares de honra nos banquetes (Cf. Mt 6,5;23.5-7). Marcos acrescenta que eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! Pessoas assim receberiam um juízo muito severo (Mc 12,38-40). Hoje em nossa Igreja ocorre o mesmo.
• Lucas 11,44: AÍ DE VOCÊS, SEPULCROS QUE NÃO SE VÊEM. “Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas, pois, sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem belos, mas, por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundície! Assim também vocês, por fora parecem justos diante dos homens, mas, por dentro estão cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mt 23,27-28). A imagem dos “sepulcros caiados” fala pro si só e não necessita comentários. Por meio dela, Jesus condena aos que têm uma aparência fictícia de pessoa correta, porém, cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer por fora. Lucas, fala de sepulcros escondidos: “Ai de vocês, pois sois como os sepulcros que não se vêem sobre os quais os homens andam sem saber”. Quem pisa ou toca um sepulcro se torna impuro, mesmo quando o sepulcro está escondido sob a terra. A imagem é muito forte: por fora, o fariseu de sempre parece justo e bom, mas, esse aspecto é um engano, pois, em seu interior existe um sepulcro escondido que, se a pessoa não sabe, difundo um veneno que mata, comunica uma idéia que afasta de Deus, sugere uma compreensão errada da Boa Notícia do Reino. Uma ideologia que faz do Deus vivo, um ídolo morto!
• Lucas 11,45-46: CRITICA DO DOUTOR DA LEI E A RESPOSTA DE JESUS. “Um dos legistas lhe respondeu: Mestre, dizendo estas coisas, também nos injurias!. Na resposta Jesus não volta atrás, mas, deixa bem claro que a mesma critica vale também para os escribas: “Ai de vocês, os legistas, que impõem aos homens cargas intoleráveis, e vós não a tocais nem com um de vossos dedos!”. No Sermão da Montanha, Jesus expressa a mesma critica que serve de comentário: “Na cátedra de Moisés tem sentado os escribas e os fariseus. Fazei, pois, e observai tudo o que dizem, porém, não imiteis sua conduta, porque dizem e não fazem. Atam cargas pesadas e as deixam nas costas das pessoas, porém, eles nem com o dedo querem movê-las (Mt 23,2-4).






PARA REFLEXÃO PESSOAL

A hipocrisia mantém uma aparência enganadora: até onde age em mim a hipocrisia? Até onde age em nossa Igreja?
• Jesus criticava os escribas que insistiam na observância disciplinar das coisas pequenas da lei como o dízimo da menta, da arruda e de toda hortaliça, e esquecem do objetivo da lei que é a prática da justiça e do amor. Esta critica vale também para mim?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 1,1-2)
• Hoje revisarei cada um dos frutos do Espírito e os confrontarei com minha vida para avaliar quanto tenho deixado de agir com Deus em minha vida.




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Lectio Divina - 16/10/12


TERÇA-FEIRA -16/10/2012



PRIMEIRA LEITURA: Gálatas 5,1-6

Paulo afirma categoricamente que o que salva o homem não são as obras (como a circuncisão, ou a observância dos preceitos da lei de Moisés), mas sim, a fé. Entretanto, esta fé tem uma característica particular que retorna a validade da lei e a leva a sua plenitude, como o próprio Jesus disse. A fé que o cristão professa, ou, que deve professar se verdadeiramente quer que sua fé seja válida e operante, será uma fé que “age através da Caridade”. Por isso, na carta aos corintios dirá: “Poderia ter uma fé capaz de mover montanhas, porém, se não tenho caridade nada sou”. Devemos lembrar que seremos julgados pela caridade. A fé do cristão se projeta na caridade. Caridade que é: perdão, ternura, compreensão e serviço, sobretudo, aos mais necessitados. Por isso, a fé é visível para todos os que nos rodeiam. Não posso dizer que acredito em Cristo e minha vida familiar esteja marcada pelo egoísmo, pela discórdia, pela indiferença, não posso ser cristão e tratar meus subordinados e aso que se relacionam comigo com despotismo e indiferença. Sim! A fé é que salva, porém, a fé age através da caridade. É esta a fé que tens em Cristo?



ORAÇÃO INICIAL 

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 11,37-41

Neste evangelho continua a relação tensa entre Jesus e as autoridades religiosas daquele tempo. Apesar da relação tensa, havia algo familiar entre Jesus e os fariseus. Convidado para comer na casa deles, Jesus aceita o convite. Jesus não perde diante deles a liberdade, nem os fariseus diante de Jesus. 
• Lucas 11,37-38: ADMIRAÇÃO DO FARISEU DIANTE DA LIBERDADE DE JESUS. “ Quando terminou de falar, um fariseu lhe rogou que fosse comer com ele, entrou, pois, e se colocou à mesa”. Jesus aceita o convite de comer na casa do fariseu, mas, não muda sua maneira de agir, pois, senta-se sem antes lavar as mãos. Nem o fariseu muda de atitude diante de Jesus, pois, expressa sua admiração pelo fato que Jesus não tenha lavado as mãos. Naquele tempo, lavar as mãos diante das comidas era uma obrigação religiosa, imposta às pessoas em nome da pureza, exigida pela lei de Deus. O fariseu estranhou vendo que Jesus não observa esta norma religiosa. E, apesar de ser totalmente diferentes, o fariseu e Jesus tinham algo em comum: a seriedade de vida. A forma de viver dos fariseus era assim: cada dia dedicava oito horas ao estudo e a meditação da lei de Deus, outras oito horas ao trabalho para poder dar de comer à família, e dedicavam outras oito horas ao descanso. Este testemunho sério de sua vida dava um grande sentido de liderança popular. Talvez, era por isto que, apesar de ser totalmente diferentes, os dois, Jesus e os fariseus, se entendiam e se criticavam mutuamente, sem perder a possibilidade de diálogo. 
• Lucas 11,39-41: A RESPOSTA DE JESUS. “Bem, Vós, os fariseus, purificais por fora o copo e o prato, enquanto por dentro estais cheios de rapina e maldade!”. Insensatos! O que fez o exterior, não fez também o interior? “Dê mais esmolas daquilo que tens e então tudo será puro para vós”. Os fariseus observavam ao pé da letra a lei. Olhavam só a letra e, por isso eram incapazes de perceber o espírito da lei, o objetivo que a observância da lei queria alcançar na vida das pessoas. Por exemplo, na lei está escrito: “ama teu próximo como a ti mesmo” (Lev 19,18). E eles comentavam: “Devemos amar o próximo, mas, só o próximo, os outros não!”. E dali nascia a discussão sobre a questão: “Quem é meu próximo?” (Lc 10,29). O apóstolo Paulo escreve na segunda carta aos Corintios: “A lei escreve da morte, enquanto que o Espírito dá vida” (2Cor 3,6). No Sermão da Montanha, Jesus critica aos que observam ao pé da letra a lei, porém, não acata o espírito da Lei (Mt 5,20). Para ser fiel ao que Deus pede de nós não basta observar só a lei ao pé da letra. Isto seria o mesmo que limpar o vaso ou o prato por fora e deixar o interior cheio de sujeira: roubo e maldade. Não basta não matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar. Só observa plenamente a lei de Deus aquele que, mais além do escrito, vai até a raiz e arranca a partir de dentro de si os desejos de “roubo e de maldade” que podem levar ao assassinato, ao roubo, ao adultério. A plenitude da lei se realiza na prática do amor (Mt 5,21-48).






PARA REFLEXÃO PESSOAL

Nossa Igreja merece hoje esta acusação de Jesus contra os escribas e os fariseus? E eu, as mereço?
• Respeitar a seriedade de vida dos demais que pensam de forma diferente de nós pode facilitar o diálogo tão necessário e tão difícil hoje em dia? Como pratico o diálogo em família, no trabalho e na comunidade?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 119,41-42)
• Hoje procurarei demonstrar claramente minha caridade a alguém desconhecido que a necessite, sem esquecer que a caridade com os meus não é opcional.





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Lectio Divina - 15/10/12


SEGUNDA-FEIRA -15/10/2012



PRIMEIRA LEITURA : Gálatas 4,22-24.26-27.31-5,1

No final desta explicação que Paulo faz sobre a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, nos instrui sobre a liberdade que Cristo ganhou para nós. Fomos libertados por Cristo de maneira que os preceitos da lei mudaram pela liberdade que dá o amor e o Espírito. Não é que acabaram as prescrições da lei, mas, agora no lugar de obrigar-nos, o amor nos IMPULSIONA. É muito triste que haja pessoas que não só digam, mas, inclusive se lamentam da NECESSIDADE de ir a Missa. Sentem-se obrigadas, forçadas a assistir. Quem deixa que o Espírito Santo trabalhe em sua vida, o liberta, dando-lhe amor, de maneira que a Eucaristia dominical deixa de ser um “peso”, um jugo que escraviza, para converter-se em uma verdadeira alegria, algo desejado e amado, o qual lhe permite vivê-la com toda sua intensidade. Esta é a ação libertadora de Cristo. Seu Espírito, que mora em nós pela fé, nos faz amar tudo o que o Senhor nos tem instruído. Não seja escravo da lei, peça ao Espírito que te ensine e que te mova para amá-la. Esta é a novidade do Novo Testamento.



ORAÇÃO INICIAL 

• Pedimos-te, Senhor, que tua graça continuamente nos preceda e acompanhe, de maneira que estejamos dispostos a trabalhar sempre bem. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 11,29-32

O evangelho de hoje nos apresenta uma acusação muito forte de Jesus contra os fariseus e os escribas. Eles queriam que Jesus desse um sinal, pois, não acreditavam nos sinais e nos milagres que estava fazendo. Esta acusação de Jesus continua nos evangelhos dos próximos dias. Ao meditar estes evangelhos, devemos tomar muito cuidado para não generalizar a acusação de Jesus como se fosse dirigida contra o povo judeu. No passado, a ausência desta atenção contribuiu, lamentavelmente, para aumentar nos cristãos o anti-semitismo que tantos males acarretou à humanidade ao longo dos séculos. Em vez levantar o dedo contra os fariseus do tempo de Jesus, é melhor olhar-mos no espelho dos textos, para perceber neles o fariseu que vive escondido em nossa Igreja e em cada um de nós, e que merece a mesma critica de parte de Jesus.
• Lucas 11,29-30: O SINAL DE JONAS. “Os nivitas se levantaram em Juízo com esta geração e a condenaram; porque eles se converteram pela pregação de Jonas, e aqui existe algo mais que Jonas”. Havendo reunido as pessoas, começou a dizer: Esta geração é uma geração malvada, pede um sinal, porém, não se dará outro sinal senão o de Jonas. O evangelho de Mateus informa que alguns escribas e fariseus: pediram um sinal (Mt 12,38). Queriam que Jesus realizasse para eles um sinal, um milagre, para que pudessem verificar se Ele era mesmo o enviado de Deus segundo imaginavam. Queriam que Jesus se submetesse aos critérios deles. Não havia neles abertura para uma possível conversão. Porém, Jesus não se submeteu à seus pedidos. O evangelho de Marcos disse que Jesus, diante do pedido dos fariseus, soltou um profundo suspiro (Mc 8,12), provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tanta cegueira. Porque de nada serve colocar um bonito quadro diante de alguém que não quer abrir os olhos. O único sinal é o sinal de Jonas. “Porque assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o será o Filho do Homem para esta geração”. Como será este sinal do Filho do Homem? O evangelho de Mateus responde: “Porque da mesma maneira que Jonas esteve no ventre do cetáceo três dias e três noites, assim também o Filho do Homem estará no seio da terra três dias e três noites” (Mt 12,40). O único sinal será a ressurreição de Jesus. Este é o sinal que, no futuro se dará aos escribas e aos fariseus. Jesus, condenado por eles a uma morte de cruz, será ressuscitado por Deus e continuará ressuscitando de muitas maneiras naqueles que acreditam Nele. O sinal que converte não são os milagres, mas sim, o testemunho de vida!
• Lucas 11,31: SALOMÃO E RAINHA DO MEIO DIA. A alusão à conversão das pessoas de Ninive associa e faz lembrar a conversão da Rainha do Meio Dia: “A rainha do Meio Dia se levantará no Juízo com os homens desta geração e os condenará; porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui existe algo maior que Salomão”. Esta evocação quase ocasional do episódio da Rainha do Meio Dia que reconheceu a sabedoria de Salomão mostra como se usa a Bíblia naquele tempo. Era por associação. A interpretação principal era esta: “A Bíblia se explica pela Bíblia”. Até hoje, esta é uma das normas mais importantes para a interpretação da Bíblia, sobretudo, para a Leitura Orante da Palavra de Deus. 
• Lucas 11,32: AQUI EXISTE ALGO MAIOR DE JONAS. Depois da divagação sobre Salomão e a Rainha do Meio Dia, Jesus volta a falar do sinal de Jonas: “Os ninivitas se levantaram em Juízo com esta geração e a condenaram, porque eles se converteram pela pregação de Jonas, e aqui existe algo maior que Jonas”. Jesus é maior que Jonas, maior que Salomão. Para os cristãos, é o principal segredo para a Escritura (2Cor 3,14-18).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus critica os escribas e os fariseus que chegavam a negar a evidência, tornando-se incapaz de reconhecer o chamado de Deus nos acontecimentos. E nós, os cristãos de hoje, e eu: merecemos esta mesma critica de Jesus?
• Ninive se converteu diante da pregação de Jonas. Os escribas e os fariseus não se converteram. Hoje, o que acontece provoca mutações e conversões nas pessoas do mundo inteiro: ameaça ecológica, a urbanização que desumaniza, o consumismo que massifica e aliena, as injustiças, a violência, etc. Muitos cristãos vivem alheios a estes clamores de Deus que vem da realidade.



ORAÇÃO FINAL 


• (SALMO 113,1-2)
• Hoje farei minhas práticas espirituais cotidianas, porém, cuidarei que minha atitude diante delas seja de alegria e prazer. 




quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lectio Divina - 11/10/12





QUINTA-FEIRA -11/10/2012

PRIMEIRA LEITURA: Gálatas 3,1-5

•    Os judeus, ancorados na Lei de Moisés, consideravam que o que os fazia santos era o cumprimento de todos os preceitos que nela se haviam escritos. Isto, como dirá mais adiante Paulo, tem um fundamento e uma verdade, todavia, Jesus nos tem revelado que é, precisamente pelo Espírito Santo, que Deus ora em nós como em um templo, isto faz com que o homem seja verdadeiramente Santo. Hoje acontece entre muitos de nós cristãos um pensamento parecido, já que muitos pensam que a santidade vem por fazer tal ou qual prática litúrgica ou devocional. A verdade é que estas são importantes (ir a missa aos domingos, rezar novenas, visitar santuários, etc), todavia, a santidade e a verdadeira vida cristã, vêm ao homem pela vivência do Evangelho e a ação de Deus em nós por meio do Espírito Santo. É por isso que a leitura diária do Evangelho, o aprofundar na Palavra de Deus e a oração assídua e prolongada, são os elementos que possibilitam que o Espírito de Deus se desenvolva e produza em nós a verdadeira santidade.



ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno, que com amor generoso inunda os valores e os desejos dos que te suplicam; derrama sobre nós tua misericórdia, para que livre nossa consciência toda inquietude e nos concedas ainda aquilo que não nos atrevemos a pedir. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 11,5-13

•    O evangelho de hoje é continuação do assunto da oração, iniciado ontem com o ensinamento do Pai Nosso. Hoje Jesus ensina que devemos rezar com fé e insistência, sem desfalecer. Para isto, usa uma parábola provocadora.
• Lucas 11,5-7: A PARÁBOLA QUE PROVOCA. Como de costume, quando tem algo importante para ensinar, Jesus recorre a uma comparação, a uma parábola. Hoje nos conta uma história curiosa que termina em pergunta, e dirige esta pergunta as pessoas que ouviam e também a nós que hoje lemos ou escutamos a história: “Se um de vós tem um amigo e, indo a ele a meia-noite, lhe diz: Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem em minha casa um amigo meu e não tenho o que oferecer-lhe, e aquele amigo de dentro da casa, lhe responde: Não me amole, a porta já está fechada, e meus filhos e eu estamos descansando, não posso levantar-me para te atender”. Antes que Jesus dê a resposta, Ele quer de nós nossa opinião. O que responderíamos: sim ou não?
• Lucas 11,8: O PRÓPRIO JESUS RESPONDE A PROVOCAÇÃO. Jesus dá sua resposta: “Os asseguro que se não se levantar para servir seu amigo, se levantará para que ele deixe de amolar e lhe dará o que necessita”. Se não fosse Jesus, teria coragem de inventar uma história na qual sugere que Deus atende nossas orações para se ver livre de ser molestado? A resposta de Jesus afiança a mensagem sobre a oração, a saber: Deus atende sempre nossa oração. Esta parábola lembra outra, também de Lucas, a da viúva que insiste em conseguir seus direitos diante do juiz a quem nem Deus nem a justiça o importa, e que atende a viúva não por ser justo, mas sim, porque quer se ver livre dela (Lc 18,3-5). Jesus tira logo algumas conclusões para aplicar a mensagem da parábola na vida.
• Lucas 11,9-10: A PRIMEIRA APLICAÇÃO DA PARÁBOLA. “Eu vos digo: Pedi e se os dará, buscai e achareis, chamai e se os abrirá. Porque todo o que pede recebe, o que busca, acha, e o que chama, lhe abrirá”. Pedir, buscar, chamar! Jesus não coloca condições. Se pedires, receberás. Se chamar à porta, abrir-te-á. Jesus não disse quanto tempo vai durar o pedido, a busca ou o chamamento, porém, é certo que obter resultado.
• Lucas 11,11-12: A SEGUNDA APLICAÇÃO DA PARÁBOLA. “Que pai entre vós que, se seu filho pedir um peixe, em lugar de um peixe lhe dá uma cobra, ou, se pede um ovo, lhe dá um escorpião?”. Esta segunda aplicação deixa ver o público que ouvia as palavras de Jesus e a maneira que Ele ensina em forma de diálogo. Ele pergunta: “Tu tens filhos, se te pede um peixe lhe dá em troca uma cobra?”. A pessoa responde: “Não!”. “E se pede um ovo, lhe dá um escorpião?. Não!”. Por meio do diálogo, Jesus envolve as pessoas na comparação e pela resposta que recebe, as compromete com a mensagem da parábola.
• Lucas 11,13: A MENSAGEM: RECEBER O DOM DO ESPÍRITO SANTO. “Se, pois, vós, ainda sendo maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo a quem pedir!”. O grande dom que Deus tem para nós é o Espírito Santo. Quando fomos criados, ele soprou seu espírito em nossos narizes e nos tornamos um ser vivo (Gn 2,7). Na segunda criação, através de fé em Jesus, ele nos dá de novo o Espírito, o mesmo Espírito que fez com que a Palavra se encarnasse em Maria (Lc 1,35). Com a ajuda do Espírito Santo, o processo de encarnação da Palavra continua até a hora de morte na Cruz. No final, na hora da morte, Jesus devolve o Espírito ao Pai: “Em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46). É este o Espírito que Jesus promete como fonte de verdade e de compreensão (Jo 14,14-17;16,13), e como ajuda no meio das perseguições (Mt 10,20; At 4,31). Este Espírito não se compra com dinheiro nos grandes mercados. A única maneira de obtê-lo é mediante a oração. Nove dias de oração obtiveram o dom abundante do Espírito no dia de Pentecostes (At 1,14;2,1-4).






PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Como reage diante da provocação desta parábola? Uma pessoa que vive em uma casa pequena em uma grande cidade, como responderia? Abriria a porta?
• Quando oras, oras com a convicção de que vai receber algo?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 111,1-2)
• Hoje durante o dia direi constantemente “Vem, Espírito Santo”, e me farei consciente de que o Espírito de Deus é quem consuma minha união perfeita com Ele.