segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 31/12/12



SEGUNDA-FEIRA -31/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: 1João 2,18-21


• O fim “última hora” só aparece nesta passagem e é referido, sem sombra de dúvidas, ao que em outras passagens, sobretudo, na teologia de Paulo, é chamado de: “o final dos tempos”, ou, “os tempos finais”, os quais se referem à última etapa da História, que é, precisamente, a que estamos vivendo, já que depois desta aparecerá o Filho do Homem rodeado de majestade para realizar o juízo final e desta maneira concluir com tudo isto que agora conhecemos e dar um passo para a eternidade, ou seja, “para o novo céu e para nova terra”. Enquanto isto ocorre, o apóstolo coloca em guarda a comunidade próxima dos “falsos profetas”, dos anti-cristos, isto é, de todos àqueles que negam Jesus e que se afastam da santa doutrina arrastando, com eles, outros irmãos. Isto que se passava naqueles tempos continua hoje, já que ainda hoje, estamos na “última hora” e por isso, não é estranho ver como os próprios grupos cristãos vão se desprendendo em novas seitas e confissões, muitas delas, não só diferentes, mas, contrárias ao próprio cristianismo católico. Nós também devemos ficar em guarda, pois, no meio de toda confusão deste mundo e dado que nem todos nossos irmãos têm a suficiente formação doutrinal e evangélica, é fácil que estes se vejam arrastados à seitas e confissões estranhas ao cristianismo. Lembre que a fonte de água limpa surge das Escrituras discernidas e explicadas zelosamente, por nossa Igreja. Não nos deixemos arrastar, permaneçamos fiéis ao Senhor. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno, que estabelecestes o princípio e a plenitude de toda religião no nascimento de teu Filho Jesus Cristo: te suplicamos nos concedas a graça de ser contados entre os membros vivos de seu Corpo, porque só Nele está radicada a salvação do mundo. Por Nosso Senhor…mais Jesus Cristo, nosso redentor, que vive e reina...




REFLEXÃO

João 1,1-18

O Prólogo é a primeira coisa que se vê ao abrir o evangelho de João. Porém foi a última coisa a ser escrita. É o resumo final, colocado no começo. Nele, João descreve a caminhada da Palavra de Deus. Ela estava junto de Deus, desde antes da criação e por meio dela tudo foi criado. Tudo o que existe é expressão da Palavra de Deus. Como a Sabedoria de Deus (Pr 8,22-31), a Palavra quis chegar mais próximo de nós e se fez carne em Jesus. Veio para o meio de nós, realizou sua missão e voltou para Deus. Jesus é esta Palavra de Deus. Tudo o que disse e fez é comunicação que nos revela o Pai.
• Dizendo “No princípio era a Palavra”, João evoca a primeira frase da Bíblia que diz: “No princípio Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). Deus criou tudo por meio de sua Palavra. “Ele falou e as coisas começaram a existir” (Sl 33,9;148,5). Todas as criaturas são uma expressão da Palavra de Deus. Esta Palavra viva de Deus, presente em todas as coisas, brilha nas trevas. As trevas tentam apagá-la, porém, não conseguem. A busca de Deus, sempre nova, renasce no coração humano. Ninguém consegue ofuscá-la. Não conseguimos viver sem Deus por muito tempo!
• João Batista veio para ajudar o povo a descobrir e saborear esta presença luminosa e consoladora da Palavra de Deus na vida. O testemunho de João Batista foi tão importante, que muita gente pensava que ele era o Cristo (Messias) (At 19,3). Por isso, o Prólogo esclarece dizendo: “João não era a luz! Veio dar testemunho da luz!”. 
• Assim como a Palavra de Deus se manifesta na natureza, na criação, assim também se manifesta no “mundo”, isto é, na história da humanidade e, em particular, na história do povo de Deus. Porém, o “mundo” não reconheceu nem recebeu a Palavra. Ele “veio para os seus, mas os seus não o receberam”. Aqui, quando diz mundo, João quer indicar o sistema tanto do império como da religião da época, ambos encerrados em si mesmos e, por isto mesmo, incapazes de reconhecerem e receberem a Boa Nova (Evangelho), a presença luminosa da Palavra de Deus.
• Porém, as pessoas que se abem aceitando a Palavra, se tornam filhos e filhas de Deus. A pessoa se torna filho ou filha de Deus não por méritos próprios, nem por ser da raça de Israel, ma sim, pelo simples fato de confiar e crer que Deus, em sua bondade, nos aceita e nos acolhe. A Palavra de Deus entra na pessoa e faz com que ela se sinta acolhida por Deus como filha, como filho. É o poder da graça de Deus.
• Deus não quer ficar longe de nós. Por isto, sua Palavra chegou mais próximo, por isso, Ele se fez presente no meio de nós na pessoa de Jesus. O Prólogo diz literalmente: “A Palavra se fez carne e fez sua morada entre nós”. Antigamente, no tempo do êxodo, ali no deserto Deus vivia em sua tenda no meio do povo (Ex 25,8). Agora, a tenda onde Deus mora conosco é Jesus, “cheio de graça e de verdade” Jesus veio revelar quem é este nosso Deus, que está presente em tudo, desde o princípio da criação.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Tudo o que existe é uma expressão da Palavra de Deus, uma revelação de sua presença. Será que sou suficientemente contemplativo para poder perceber e experimentar esta presença universal da Palavra de Deus?
• O que é que significa para mim poder ser chamado de filho de Deus?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 96,12-13)
• Hoje recordarei todas aquelas pessoas que conheço que se separaram da Igreja por alguma confusão em suas mentes, ou, por alguma má experiência, orarei por elas e me assegurarei que adiante recebam de minha parte, um testemunho inatacável da conduta e do amor de Deus.





sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 28/12/12





SEXTA-FEIRA -28/12/2012


PRIMEIRA LEITURA: 1João 1,5-2,2

• Uma das grandes escolhas da vida espiritual é reconhecer que somos pecadores. É comum em muitos irmãos o dizer: “Não mato, não roubo, não sei do que mais poderia me arrepender!”. A verdade é que, a falta de luz em sua consciência, lhes faz passar por alto, sobretudo, os pecados contra a caridade, nem o que dizer dos pecados de omissão tanto para Deus, como para os irmãos. É, pois, necessário que a luz de Deus ilumine nosso coração para que, como diz a própria Escritura, seja o Espírito Santo quem nos revele que somos pecadores e que, portanto, necessitamos da graça e da salvação de Jesus. Cristo nos oferece seu perdão, sua paz e seu amor, aceitemo-los com humildade, reconhecendo que somos pecadores. Auxiliemos o sacramento da Reconciliação.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus nosso, que concedeste aos Santos Inocentes dar testemunho de Cristo, não de palavras, mas sim com seu sangue, ajuda-nos a colocar nossa fé, não só em nossos lábios, mas sim, também, em nossa conduta diária. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.




REFLEXÃO

Mateus 12,13-18

•    O evangelho de Mateus, redigido em torno dos anos 80 e 90, tem a preocupação de mostrar que em Jesus se realizam as profecias. Muitas vezes se diz: “Isto aconteceu para que se realizasse o que disse a escritura…” (cf. Mt 1,22;2,17.23;4,14;5,17, etc.). É porque os destinatários do Evangelho de Mateus são as comunidades de judeus convertidos que vivia uma profunda crise de fé e de identidade. Depois da destruição de Jerusalém no ano 70, os fariseus era o único grupo sobrevivente do judaísmo. Nos anos 80, quando começaram a reorganizar-se, cresceu a oposição entre judeus fariseus e judeus cristãos. Estes últimos acabaram sendo excomungados da sinagoga e separados do povo das promessas. A excomunhão voltou a agravar o problema de identidade. Não podiam mais freqüentar suas sinagogas. E chegou a dúvida: Será que nos equivocamos? Quem é o verdadeiro povo de Deus? Jesus, é realmente o Messias?
• É para este grupo sofrido que Mateus escreve seu evangelho como Evangelho da “consolação” para ajudá-los a superar o trauma da ruptura, como o Evangelho da “revelação” para mostrar que Jesus é o verdadeiro Messias, o novo Moisés, em que se realizam as promessas; como Evangelho da “nova prática” para ensinar o caminho de como alcançar a nova justiça, maior que a justiça dos fariseus (Mt 5,20).
• No evangelho de hoje aparece esta preocupação de Mateus. O “consolo” as comunidades perseguidas mostrando que Jesus também foi perseguido. E revela que Jesus é o Messias, pois, por duas vezes insiste em dizer que as profecias se realizaram Nele; e sugere, além disso, que Jesus é o novo Moisés, pois, como Moisés foi perseguido e teve que fugir. E indica um novo “caminho”, sugerindo que devem fazer como os reis magos que souberam evitar a vigilância de Herodes e voltaram por outro caminho a sua terra.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Herodes mandou matar os meninos de Belém. O Herodes de hoje continua matando milhões de meninos. Morrem de fome, de enfermidades, de desnutrição, pelo aborto. Quem é Herodes, hoje?
• Mateus ajuda a superar a crise de fé e de identidade. Hoje, muitos vivem uma profunda crise de fé e de identidade. O evangelho, como pode ajudar a superar esta crise de fé?




ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 124,8)
• Desejo que a luz de Deus vá penetrando cada rincão em minha vida para reconhecer os pecados recorrentes que não posso vencer, e em confissão pedirei ao sacerdote que me aconselhe.






quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 27/12/12



QUINTA-FEIRA -27/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: 1João 1,1-4

• Se alguém te pergunta: O que foi para você a festa do Natal? O que responderia? Desafortunadamente para alguns irmãos, esta celebração não deixará de ser simplesmente uma festa com bolos, ponche e uma ceia especial. No entanto, o objetivo desta celebração foi para que cada um de nós nos encontrasse com Jesus que, em sua humildade, nos convida a construir a partir da simplicidade um mundo cheio de paz e de amor. Já que Deus nos tem reconciliado por meio de seu Filho e o tem convidado com uma mensagem de paz e perdão, deveria ser então, par cada ser irmão, uma profunda experiência de perdão e reconciliação. Você poderia então, ser testemunho deste encontro, deste perdão, deste amor derramado em teu coração? Poderia hoje falar a todos teus amigos e conhecidos sobre o infinito amor de Deus que tem vivido nestes dias? Lembre sempre que acreditar significa viver, que tu fé se expresse em tua forma de viver. Seja testemunho do amor de Deus. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Deus nosso, que por meio do apóstolo João, quis mostrar-nos a profundidade da vida e do amor de teu Filho, faça que sejamos capazes de conhecer e de amar cada dia mais Jesus Cristo, nosso redentor, que vive e reina...




REFLEXÃO

João 20,2-8

Hoje o evangelho traz a passagem do evangelho de João, que fala do Discípulo Amado. Provavelmente, escolheu-se este texto para que se leia e medite no dia de hoje, festa de São João Evangelista, pela identificação espontânea que todos fazemos do discípulo amado com o apóstolo João. O curioso é que em nenhuma parte do evangelho de João se diz que o discípulo amado é João. Porém, desde o mais remoto início da Igreja, sempre se insistiu na identificação dos dois. Por isso, insistindo na semelhança entre os dois, corremos o risco de perder um aspecto muito importante da mensagem do Evangelho a respeito do discípulo amado. 
• No evangelho de João o discípulo amado representa a nova comunidade que nasce ao redor de Jesus. O Discípulo Amado está aos pés da Cruz, junto a Maria, a mãe de Jesus (Jo 19,26). Maria representa o Povo da antiga aliança. No final do século primeiro, época em que se fez a redação final do Evangelho de João, havia um conflito crescente entre a sinagoga e a igreja. Alguns cristãos queriam abandonar o Antigo Testamento e ficar só com o Novo Testamento. Aos pés da Cruz, Jesus diz: “Mulher, eis aqui teu filho!” e ao discípulo amado: “Filho, eis aqui tua mãe!”. E os dois tem que permanecer unidos, como mãe e filho. Separar o Antigo Testamento do Novo Testamento, naquele tempo era o mesmo que hoje chamamos de separação entre a fé (NT) e a vida (AT).
• No evangelho de hoje, Pedro e o Discípulo Amado, alertados pelo testemunho de Maria Madalena, correm juntos para o Santo Sepulcro. O jovem é mais veloz que o velho e chega primeiro. Olha dentro do sepulcro, observa tudo, porém, não entra. Permite que Pedro entre. Pedro entra. É sugestiva a maneira que o evangelho descreve a reação dos dois homens diante do que ambos vêm: “Entrou na sepultura e viu os lençóis pelo chão. O sudário que passava sobre a cabeça não estava no chão com os lençóis, mas sim, enrolado no mesmo lugar. Então, o outro discípulo, que havia chegado primeiro, entrou, viu e acreditou”. Ambos viram a mesma coisa, porém, só se diz do Discípulo Amado que acreditou: “Então o outro discípulo, que havia chegado primeiro, entrou, viu e acreditou”. Por quê? Será que Pedro não acreditou?
• O discípulo amado tem um olhar diferente que percebe mais que os demais. Tem o olhar amoroso que percebe a presença da novidade de Jesus. De madrugada, depois daquela noite de busca e depois da pesca milagrosa, é ele, o discípulo amado, que percebe a presença de Jesus e diz “È o Senhor!” (Jo 21,7). Naquela ocasião, Pedro alertado pela afirmação do discípulo amado também reconhece e começa a entender. Pedro aprende com discípulo amado. Em seguida, Jesus pergunta três vezes: “Pedro, tu me amas?”. Por três vezes, Pedro respondeu: “Tu sabes que eu te amo!”. Depois da terceira vez, Jesus confia as ovelhas aos cuidados de Pedro, pois, nesse momento Pedro também se torna “Discípulo Amado”.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Todos os que crêem em Jesus são hoje Discípulo Amado? Será que tenho o mesmo olhar amoroso para perceber a presença de Deus e acreditar em sua ressurreição?
• Separar o Antigo do Novo Testamento é o mesmo que separa Vida e Fé. Como faço e vivo isto?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 97,5-6)
• Hoje reunirei minha família e compartilharemos, sobretudo, o grande amor que Deus nos tem dado e como compartilhá-lo com nossos semelhantes.




quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 26/12/12



QUARTA-FEIRA -26/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Atos 6,8-10;7,54-59


• A Igreja quis colocar imediatamente depois do nascimento do Salvador, duas festa que nos lembram o que o nascimento de Jesus traria para seus seguidores: a festa do primeiro testemunho (do grego marthyr) e a festa dos Santos Inocentes. O evangelho de João, já desde o inicio, nos diz que Jesus veio e os seus não o receberam, que as trevas rejeitaram a Luz; Jesus, em repetidas ocasiões, disse: “Os perseguirão... os levarão aos tribunais... aí darão testemunho de mim”. A festa de Santo Estevão nos lembra que a vida cristã é chamada, com a chegada do Salvador, a ir acompanhada de um testemunho que pode terminar com o derramamento de sangue. Estevão declara diante dos judeus sua pertença a Cristo e com grande coragem, afronta o ser propriedade de Cristo. Hoje em nossa Igreja falta que os batizados levem a sério seu papel diante da sociedade e se decidam a dar testemunho, a falar daquilo que se opõe ao evangelho, que assumam completamente o compromisso de ser testemunhos do Evangelho de luz em um mundo cheio de escuridão. Se nossa Igreja não avança e continua sendo uma Igreja tíbia e vulnerável é porque temos medo de apresentar-nos, como Santo Estevão, descarada e radicalmente cristão. Já é tempo de despertar e plantar-nos diante de tudo aquilo que não é evangélico e sem importar com as pessoas, lugar, posição, representar, como Santo Estevão, dignamente a nosso Senhor Jesus Cristo. Não tenhamos medo de ser e apresentar-nos como cristãos, a recompensa vale a pena. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Deus nosso, que concedeste a Santo Estevão, protomártir, fortaleza para orar por seus verdugos, faz que, como ele, saibamos perdoar de coração a quantos nos tenham ofendido ou causado algum mal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!




REFLEXÃO

Mateus 10,17-22

O contraste é grande. Ontem, dia de Natal, tivemos o presépio do recém nascido com o canto dos anjos e a visita dos pastores. Hoje é o sangue derramado de Estevão, apedrejado até a morte, porque teve a coragem de acreditar na promessa expressa na simplicidade do presépio. Estevão criticou a interpretação fundamentalista da Lei de Deus e o monopólio do Templo. Por isso o mataram (At 6,13-14). 
• Hoje, dia de Santo Estevão, primeiro mártir, a liturgia nos apresenta uma passagem do evangelho de Mateus (Mt 10,17-22), tirado do assim chamado “Sermão da Missão”. Nele Jesus adverte a seus discípulos dizendo que a fidelidade ao evangelho levaria a dificuldade e perseguições: “vocês serão arrastados diante das autoridades, e os açoitarão nas sinagogas”. Mas para Jesus o que importa na perseguição não é o lado doloroso do sofrimento, mas, o lado positivo do testemunho: “Por minha causa, vocês serão levados diante dos governantes e dos reis, tendo assim a oportunidade para dar testemunho da Boa Nova que Deus nos trás”. 
• Foi o que aconteceu com Estevão. Ele deu testemunho de sua fé em Jesus até o último momento de sua vida. Na hora de sua morte disse: “Vejo o céu aberto; e o Filho do Homem de pé à direita de Deus” (At 7,56). E ao cair morto sob as pedras imitou Jesus gritando: “Senhor, não lhes tenha em conta este pecado!” (At 7,60; Lc 23,34).
• Jesus havia dito: “Quando os julgarem, não se preocupem pelo que vão dizer nem como terão que fazê-lo, nessa mesma hora lhes será dado o que vão dizer; pois, não vão ser vocês que falarão, mas sim, o Espírito de seu Pai, o que falará por vocês!”. Esta profecia se realizou também com Estevão. Seus adversários “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que falava” (At 6,10). “Os membros do sinédrio tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo” (At 6,15). Estevão falava “repleto do Espírito Santo” (At 7,55). Por isto, a raiva dos demais era tão grande e o lincharam.
• Hoje também acontece o mesmo. Em muitos lugares muita gente é arrastada diante dos tribunais e sabe dar respostas que superam em sabedoria aos sábios e entendidos (Lc 10,21).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Coloque-se na posição de Estevão: sofreu alguma vez por causa de tua fidelidade ao Evangelho?
• A simplicidade do presépio e a dureza do martírio vão à par na vida dos Santos e Santas e na vida de tantas pessoas que hoje são perseguidas até a morte por causa de sua fidelidade ao Evangelho. Você conhece de perto pessoas assim?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 31,2-3)
• Hoje aproveitarei a oportunidade que se apresente e com cada pessoa que fale, lhe mencionarei o nome de Deus.




terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 25/12/12



TERÇA-FEIRA -25/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 1,1-6

• Um dos principais problemas da primeira comunidade foi o definir quem é que era Jesus: Um simples ser humano, revestido de poder divino? Um Deus com “aparência de homem”? Um anjo? Questões que só ficará totalmente definida no Concílio de Éfeso (431 d.C.) onde se afirma categoricamente que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O início desta carta nos introduz neste mistério de Cristo e nos apresenta como o “grande revelador do Pai”. Ao iniciar este novo período dentro de nossa liturgia, a Palavra de Deus nos convida a que também nós clarifiquemos quem é Jesus: Será para mim, como expressa esta passagem, verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai? Se é assim, impõem-se algumas resoluções que devem ser parte de nossa vida: obedecendo sua Palavra, amando sua Igreja, adorando em espírito e verdade e servindo seus irmãos, sobretudo, os mais pobres. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Na escuridão de uma noite sem estrelas, noite vazia de sentido tu, Verbo da Vida, como relâmpago na tempestade do esquecimento, entrou no limite da dúvida, no abrigo dos confins da precariedade, para esconder a luz. Palavras feitas de silencio e de cotidianidade tuas palavras humanas, precursoras dos segredos do Altíssimo: como anzóis lançados nas águas da morte para encontrar o homem, submerso em sua ansiosa loucura, e mantê-lo preso, pelo atraente resplendor do perdão. A Ti Oceano de Paz e sombra da eterna Glória, te dou graças: Mar em calma para a margem que espera a onda, que busquei! E a amizade dos irmãos me proteja quando a tarde descer sobre meu desejo de ti. Amém.



REFLEXÃO

João 1,1-18

João, um homem que teve oportunidade de ver resplandecer a luz, viu, ouviu, tocou, a luz. No principio o Verbo existia: constantemente dirigido pelo amor do Pai, se converteu na explicação verdadeira, na exegese única (Jo 1,18), a revelação de seu amor. No “logos” era a vida e a vida era luz, porém, as trevas não o acolheram. No Antigo Testamento a revelação do Verbo de Deus é revelação da luz: a ela corresponde a plenitude da graça, a graça da graça, que nos é dada em Jesus, revelação do amor sem limites de Deus (Jo 1,4-5,16). Também todo o testemunho do Antigo Testamento é testemunho da luz; desde Abraão até João Batista o último deles: anuncia a luz que está por vir ao mundo e reconhece em Jesus a luz esperada (Jo 1,6-8;45).
• E o lugar da revelação é sua carne. E é aqui que João dirá: “Nós temos visto sua glória”, onde na “hora da glorificação” não se vê outra coisa senão trevas. A luz está escondida em seu dar a vida por amor aos homens, e ao amor até o final, sem voltar atrás, respeitando a liberdade do homem de crucificar o Autor da vida: Deus é glorificado no momento da paixão: um amor consumado, definitivo, sem limites, um amor demonstrado até as ultimas conseqüências: É o mistério da luz que se faz caminho nas trevas, sim, porque o amor ama a escuridão da noite: quando a vida se faz mais íntima e as próprias palavras morrem para viver no respiro da pessoa amada, a luz está no amor que ilumina àquela hora de privacidade, hora na qual se perde o próprio “eu”, para encontrar-se restituído no abraço da vida.
• Pai da luz, venho a ti com toda a força de meu existir. Depois de dar passos bons e de resvalar no mal, começo a entender porque o experimento, por mim, só existo na escuridão das trevas. Sem tua luz, não vejo nada. És Tu, com efeito, a fonte da vida, Tu, Sol de justiça, e que abre meus olhos, Tu o caminho que conduz ao Pai. Hoje veio a nós, Palavra eterna, como luz que continua atravessando as páginas da história para oferecer aos homens os dons da graça e da alegria no deserto da pobreza e da ausência: o pão e o vinho de teu Nome santo, que na hora da Cruz se converteram no sinal visível do amor consumado, nos fazem nascer contigo no seio fecundo que é a Igreja, a origem de tua vida para nós. Como Maria, queremos estar próximo de ti para aprender a ser como ela, cheia da graça do Altíssimo. E quando nossas tendas recolherem a nuvem do Espírito no fulgor de uma palavra pronunciada, então, entenderemos a glória de teu Rosto e bendiremos num silêncio de adoração sem nenhuma indiferença, a Beleza de ser um só contigo, Verbo do Deus vivo.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Deus, que é luz, escolheu expulsar as trevas do homem, fazendo-se Ele próprio trevas. O homem nasceu cego (cf Jo 9,1-41): a cegueira é para ela a condição da criatura. O gesto simbólico de Jesus de pegar lama e derramá-la sobre os olhos do cego de nascimento, nos quer indicar a novidade da encarnação: é um gesto da nova criação. Aquele cego, quando ainda seus olhos estavam cobertos pela lama da criação, pede não num gesto de fé, mas sim de obediência: ir à piscina de Siloé que significa “enviado”. E o enviado é Jesus. Sabemos obedecer a Palavra que cada dia chega a nós?
• O homem cego no evangelho de João é um pobre: não quer nada, não pede nada. Nós também, vivemos na cegueira cotidiana com a resignação de quem não merece horizontes diversos. Vamos nos reconhecer privados de tudo, para que seja também destinado a nós o dom de Deus, dom da redenção da carne, porém, sobre tudo, dom da luz e da fé? 
• A lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Deus ninguém jamais viu: só o Filho unigênito, que está no abrigo do Pai, Ele o tem revelado (Jo 1,17-18). O entendimento do que ocorre na história de nossa vida nos leva a sair da cegueira da presunção e a contemplar a luz que brilha sobre o rosto do Filho de Deus. E nossos olhos, inundados de luz, se abrem aos acontecimentos. Quando conseguiremos ver Deus entre nós?




ORAÇÃO FINAL 

• (Baruc 5,1-9)
• Hoje estarei ouvindo Jesus em cada momento e situação do dia, sabendo que Ele me fala em cada coisa que ocorre em minha vida.





segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 24/12/12





SEGUNDA-FEIRA -24/12/2012


PRIMEIRA LEITURA: 2Samuel 7,1-5.8-12.14.16

• Na véspera de Natal, caminhavam juntos Maria e José em sua viagem para Belém, onde deviam morar. Hoje, a Noite Feliz, é dia da família. A situação de Maria não era a melhor para fazer uma viagem tão longa e pesada a partir do norte da palestina, porém, ele havia compreendido o quão importante é a família, e aquelas palavras da escritura: “Onde tu vais eu irei, onde tu estás eu estarei, teu povo será meu povo e teu Deus será meu Deus”. No lugar onde tiveram que passar a noite e onde Jesus vem ao mundo, não foi pelo desejo de José nem de sua esposa e nem de Jesus, no entanto, o importante é que estavam juntos e se amavam. Que nossa celebração desta noite, tenha estas mesmas características, a margem do que cearemos ou dos presentes que compartilharemos. O fundamental é que estaremos em família, que nos diremos quanto nos amamos e que juntos continuaremos construindo a felicidade de nossa família. Noite Feliz, noite para valorizar e fortalecer o amor de nossa família.




ORAÇÃO INICIAL

• Senhor Nosso Deus, a cujo desígnio se submeteu a Virgem Imaculada aceitando, ao anúncio do anjo, encarnar em seu seio teu Filho; tu que se transformastes, por obra do Espírito Santo, em templo de tua divindade, concede-nos, seguindo seu exemplo, a graça de aceitar teus desígnios com humildade de coração. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 1,67-79

• O Cântico de Zacarias é um dos muitos cânticos das comunidades dos primeiros cristãos, que até hoje estão espalhados pelos escritos do Novo Testamento: nos evangelhos, nas cartas paulinas e no Apocalipse. Estes cânticos nos dão uma idéia de como era a vivência da fé e da liturgia semanal naqueles primeiros tempos. Deixam vislumbrar uma liturgia que era, ao mesmo tempo, celebração do mistério, profissão de fé, animação da esperança e catequese.
• Aqui no cântico de Zacarias, os membros daquelas primeiras comunidades, quase todos judeus, cantam a alegria de haver sido visitados pela bondade de Deus que, em Jesus, veio realizar as promessas. O cântico tem uma bonita estrutura, bem elaborada. Parece uma lenta subida que leva os fiéis até o alto da montanha, de onde observam o caminho percorrido desde Abraão (Lc 1,68-73), experimentam o começo da realização das promessas (Lc 1,74-75) e dali olham para diante prevendo o caminho que têm que percorrer o menino João até o nascimento de Jesus; o sol de justiça que vem preparar para todos o caminho da Paz (Lc 76-79).
• Zacarias começa louvando a Deus porque foi visitado e redimido seu povo (Lc 1,68) e suscitou um poderoso salvador da casa de Davi seu servo (Lc 1,69) como havia prometido pela boca dos profetas (Lc 1,70). E descreve em que consiste esta salvação poderosa: salvar-nos de todos os nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam (Lc 1,71). Esta salvação é o resultado, não de nosso esforço, mas sim da bondade misericordiosa do próprio Deus que combinou sua aliança sagrada e do juramento feito a Abraão, nosso pai (Lc 1,72). Deus é fiel. Este é o fundamento de nossa segurança.
• Seguidamente Zacarias descreve em que consiste o juramento de Deus a Abraão: é a esperança de “que, livres de nossos inimigos, possamos viver sem temor, em santidade e justiça, na presença de Deus, todos os dias de nossa vida”. Este era o grande desejo das pessoas daquele tempo e continua sendo o grande desejo de todos os povos de todos os tempos: viver em paz, sem medo, servindo a Deus e ao próximo, em santidade e justiça, todos os dias de nossa vida. Este é o alto da montanha, o ponto de chegada, que apareceu no horizonte com o nascimento de João (Lc 1,73-75).
• Agora a atenção do cântico se dirige à João, ao menino que acaba de nascer. Ele será o profeta do Altíssimo, porque ira adiante do Senhor preparando-lhe o caminho, capacitando seu povo para entender a salvação e o perdão dos pecados (Lc 1,76-77). Aqui temos uma alusão clara da profecia messiânica de Jeremias que dizia: “Já não precisarão ensinar-se mutuamente, dizendo um ao outro: Conheçam a Javé. Porque todos, grandes e pequenos, me conhecerão, oráculo de Javé, porque eu perdoarei sua culpa e não me recordarei mais de seu pecado” (Jr 31,34). Na Bíblia, “conhecer” é sinônimo de “experimentar”. O perdão e a reconciliação nos fazem experimentar a presença de Deus.
• Tudo isto será fruto da ação misericordiosa do coração de nosso Deus e se realizará plenamente com a vinda de Jesus, e o sol que vem do alto para iluminar todos os que estão nas trevas e sombras da morte e para guiar nossos passos pelos caminhos da Paz (Lc 1,78-79).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Algumas vezes é bom ler o cântico como se fosse a primeira vez para poder descobrir nele toda a novidade da Boa Nova de Deus.
• Experimentou alguma vez a bondade de Deus? Experimentou alguma vez o perdão de Deus?




ORAÇÃO FINAL

•    (Salmo 89,2-3)
• Hoje na ceia de Natal falarei com Jesus e de Jesus.






sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 21/12/12





SEXTA-FEIRA -21/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Sofonías 13,14-18

• O povo de Israel, zeloso da transcendência de Deus (essa categoria pela qual Deus está mais além dos conceitos humanos de tal maneira que não podemos descobrir, nem entender, nem conhecer tal como Ele é), procurou sempre o equilíbrio entre esta transcendência divina e seu trabalho no meio do povo e na história humana. Deus é tão santo (o que está mais além de toda compreensão e explicação) que só intervêm na história do povo e na história humana através de mediadores e intermediários, daí a tendência de recorrer aos anjos, as revelações, aos sonhos, as sortes, aos profetas e aos sacerdotes. No entanto, Deus, não teme intervir na vida de Israel e na história humana, se aproxima, chama, toma Abraão, lhe dá lei por meio de Moisés, anuncia a palavra e a salvação por meio dos profetas e caminha entre seu povo através da arca da aliança e posteriormente, quando haviam construído o templo, habitou no meio de Israel, mostrando sua glória ao povo eleito. A glória de Deus é o rosto visível do Deus invisível, sãos as faces de Deus, aquelas que Moisés pode ver como uma concessão divina. Porém, em Jesus, Deus realmente manifesta sua glória, já não só suas faces, mas, todo o seu ser, sua essência e seu poder. Em Jesus, Deus se faz visível e se converte em nosso companheiro de caminho, não só no caminho seguro e do bem estar, mas, na dor, no sofrimento e na cruz, para manifestar que a solidariedade de Deus para com o homem é tal que nada pode impedir que Deus experimente em si, os estragos da vida diária. Deus não é alguém alheio a dor e o sofrimento humano, pois, Ele quis experimentá-los na pessoa de seu amado Filho Jesus Cristo.




ORAÇÃO INICIAL

• Ouça Senhor, a oração de teu povo, alegre pela vinda de teu Filho em carne mortal, e faz que quando volta em sua glória, no final dos tempos, possamos alegrar-nos de ouvir de seus lábios o convite para possuir o reino eterno. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 1,39-45

• Lucas acentua a prontidão de Maria em servir, em ser “serva”. O anjo fala da gravidez de Isabel e, imediatamente Maria se dirige depressa à sua casa para ajudá-la. De Nazaré até a casa de Isabel existe uma distância de mais de 100 km, quatro dias de viagem, no mínimo! Não havia ônibus, nem trem. Maria começa a servir e a cumprir sua missão à favor do povo de Deus.
• Isabel representa o Antigo Testamento que estava terminando. Maria representa o Novo que está começando. O Antigo Testamento acolhe o Novo com gratidão e confiança, reconhecendo nele o dom gratuito de Deus que vem realizar e completar a expectativa das pessoas. No encontro das duas mulheres se manifesta o dom do Espírito. A criança salta de alegria no seio de Isabel. Esta é leitura de fé que Isabel faz das coisas da vida.
• A Boa Nova de Deus revela sua presença nas coisas mais comuns da vida humana: duas mulheres se visitam para ajudarem-se mutuamente. Visita, alegria, gravidez, criança, ajuda mutua, casa, família: nisto Lucas quer que as comunidades e todos nós percebamos e descubramos a presença de Deus.
• Isabel disse a Maria: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito és o fruto de teu ventre!”. Até hoje, estas palavras formam parte do salmo mais conhecido e mais rezado no mundo inteiro, que é o Deus te salve Maria.
• “Ditosa por haver acreditado que de qualquer maneira se cumpriram as promessas do Senhor!”. É o elogio de Isabel a Maria e o que lembra Lucas às comunidades: crer na Palavra de Deus, pois a Palavra de Deus tem a força para realizar tudo aquilo que nos diz. É Palavra criadora. Gera vida no seio da virgem, no seio das pessoas pobres que a acolhe com fé.
• Maria e Isabel já se conheciam. Entretanto, neste encontro, descobrem uma a outra, um mistério que ainda não conheciam e que as encheu de muita alegria. Hoje também encontramos pessoas que nos surpreendem com a sabedoria que possuem e com o testemunho de fé que nos dão. Já lhe ocorreu algo parecido? Tem encontrado pessoas que te surpreendem? O que é que te impede de descobrir e viver a alegria da presença de Deus em tua vida?
• A atitude de Maria diante da Palavra expressa o ideal que Lucas quer comunicar às Comunidades: não fechar-se em si mesma, mas sim, sair de casa, estar atenta as necessidades concretas das pessoas, e tratar de ajudar aos demais na medida das necessidades.




PARA REFLEXÃO PESSOAL


•    Colocando-me na posição de Maria e Isabel: sou capaz de perceber e experimentar a presença de Deus nas coisas simples e costumes da vida de cada dia?
• O elogio de Isabel a Maria: “Acreditastes!”. Seu marido teve problema em acreditar no que o anjo dizia. E eu?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 33,20-21)
• Hoje levarei a presença amorosa de Deus meus irmãos que sofrem através de meu apoio, minha compreensão e meu serviço.





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 20/12/12





QUINTA-FEIRA -20/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaías 7,10-14

• Esta profecia messiânica surge no contexto no qual o povo de Israel, temeroso diante da proximidade de uma invasão, sente-se tentado a recorrer a Assíria para que o salve. É aqui que Deus lhes lembra que seu único salvador é Ele e que, como prova de sua presença e seu poder, lhes dará um sinal para que já não duvidem e confiem plenamente Nele. Este sinal virá a converter-se precisamente na chegada do Messias, que é Deus Conosco. O povo, talvez, não imaginou a profundidade destas palavras, as quais ficaram ainda longe de iluminar a realidade que Deus tinha pensado para a salvação do povo, pois, a Encarnação do Verbo realizou o cumprimento da profecia, o envio do Espírito Santo, produto deste projeto salvífico, fez que Deus seja agora Deus Conosco. Seja, pois, consciente de que Deus está em ti, e que desde teu coração procura iluminar e salvar toda a humanidade, particularmente aqueles que convivem cotidianamente contigo.




ORAÇÃO INICIAL

• Senhor Nosso Deus, a cujo desígnio se submeteu a Virgem Imaculada aceitando, ao anúncio do anjo, encarnar em seu seio teu Filho; tu que se transformastes, por obra do Espírito Santo, em templo de tua divindade, concede-nos, seguindo seu exemplo, a graça de aceitar teus desígnios com humildade de coração. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 1,26-38

•    A visita do anjo a Maria evoca as visitas de Deus a várias mulheres do Antigo testamento: Sara, mãe de Isaac (Gn 18,9-15), Ana, mãe de Samuel (1Sm 1,9-18), a mão de Sansão (Jz 13,2-5). A todas elas foi anunciado o nascimento de um filho com uma missão importante na realização do plano de Deus.
• A narração começa com uma expressão “no sexto mês”. É o sexto mês da gravidez de Isabel, uma mulher de idade já avançada que vai ter seu primeiro filho, com um parto de risco, é a tela de fundo de todo esse episódio. E ela o menciona no começo (Lc 1,26) e no final da visita do anjo (Lc 1,36.39).
• O anjo lhe diz: "alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”. Palavras similares foram ditas a Moisés (Ex 3,12), Jeremias (Jr 1,8), a Gedeão (Jz 6,12) e a outras pessoas com uma missão importante no plano de Deus. Maria, estranha esta saudação e procura saber o significado daquelas palavras. É realista. Quer entender. Não aceita qualquer inspiração.
• O anjo responde: “não temas, Maria!”. Como na visita do anjo a Zacarias, o anjo lembra aqui que a primeira saudação de Deus sempre é: “não temas!”. Logo em seguida o anjo lembra as promessas do passado que se cumprirá mediante o filho que vai nascer e que deve receber o nome de Jesus. Será chamado Filho do Altíssimo e Nele se realizará o Reino de Deus. Esta é a explicação do anjo para que Maria não tenha medo.
• Maria tem consciência da missão que está recebendo, porém, continua realista. Não se deixa embalar pela grandeza da oferta e olha sua condição. Analisa a oferta a partir dos critérios que tem a sua disposição. Humanamente falando, não é possível: “como poderei ser mãe se não tenho relação com nenhum homem?”.
• O anjo explica que o Espírito Santo, presente na Palavra de Deus desde o dia da Criação (Gn 1,2), consegue realizar coisas que parecem impossíveis. Por isto, o Santo que vai nascer de Maria será chamado Filho de Deus. O milagre se repete hoje. Quando a Palavra de Deus é acolhida pelos pobres, algo novo acontece pelo poder do Espírito Santo. Algo tão novo e surpreendente como um filho que vai nascer de uma virgem ou um filho que vai nascer de uma mulher já de idade avançada como Isabel, da qual todos diziam que não podia ter filhos! E o anjo acrescenta: “Eis que tem tua parenta Isabel, que se encontra no sexto mês de gravidez!”.
• A resposta do anjo esclarece tudo para Maria, e ela se entrega: “Eis aqui, a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo sua Palavra”. Maria usa para si o título de Serva, servidora do Senhor. Este título vem de Isaias, que apresenta a missão do povo não como um privilégio, mas sim, como um serviço aos outros povos (Is 42,1-9;49,3-6). Mais tarde, Jesus também definirá sua missão como um serviço: “não vim para ser servido, mas, para servir” (Mt 20,28). Aprendeu com sua Mãe!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O que é que mais te chama a atenção na visita do anjo Gabriel à Maria?
• Jesus elogiou sua mãe quando disse: “Ditosos aqueles que ouvem a Palavra e a colocam em prática” (Lc 11,28). Como Maria se relacionou com a Palavra de Deus durante a visita do anjo?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 24,1-2)
• Este dia serei muito consciente de que meu ser é o ser de Cristo, e farei todas as coisas como Ele as faria.




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 19/12/12





QUARTA-FEIRA -19/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Juízes 13,2-7.24-25


• Ao aproximar-se o Natal, a liturgia vai-nos propondo as diferentes imagens que sempre mantiveram viva a esperança do Messias. Nesta leitura Deus promete livrar seu povo, por meio de Sansão, da tirania que exerciam seus inimigos sobre eles. O advento deve, por isso, ser um tempo em que se alimenta a esperança de ver-nos libertados definitivamente da tirania do pecado sobre todos nós. É certo que por méritos gloriosos de Jesus temos sido libertos do pecado, este exerce sobre todos nós sua tirania, procurando por meio da tentação, seduzir-nos e manter-nos a sua mercê. A oração, própria deste tempo, deve fazer crescer o poder de Deus em nós, que vai colocando de lado a sedução do demônio vai-nos levando a uma liberdade mais perfeita. Jesus, é nosso Messias libertador, porém, para que exerça essa ação salvífica, nós devemos dar-lhe mais espaço em nossa vida. Aproveite, pois, esse tempo, para aumentar teu diálogo amoroso com Ele, abra-lhe teu coração e deixe entrar o Evangelho na tua vida.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus e Senhor nosso, que no parto da Virgem Maria quis revelar ao mundo inteiro o esplendor de tua glória: proteja-nos com tua graça, para que proclamemos com fé integra e celebremos com piedade sincera o mistério admirável da encarnação de teu Filho. Que vive e Reina...




REFLEXÃO

Lucas 1,5-25

•    O evangelho de hoje nos fala da visita do anjo Gabriel a Zacarias. O evangelho de amanhã nos fala da visita do mesmo anjo Gabriel a Maria. Lucas coloca as duas visitas uma ao lado da outra, para que nós, lendo os dois textos com atenção, percebamos as pequenas e significativas diferenças entre as visitas, entre o Antigo e o Novo Testamento. Procure descobrir as diferenças entre as visitas do anjo Gabriel a Zacarias e a Maria por meio das seguintes perguntas: Onde aparece o anjo? A quem aparece? Qual é o anuncio? Qual é a resposta? Qual é a reação da pessoa visitada depois da visita? Etc.
• A primeira mensagem do anjo de Deus a Zacarias é: “Não temas!”. Até hoje, Deus continua causando medo a muita gente e até hoje a mensagem continua válida: “Não temas!”. Imediatamente depois, o anjo disse: “Tua oração foi ouvida!”. Na vida, tudo é fruto da oração!
• Zacarias representa o Antigo Testamento. Ele acredita, porém, sua fé é débil. Depois da visita, fica mudo e incapaz de se comunicar com os demais. A economia anterior, revelada em Zacarias, estava no final de suas capacidades, havia esgotado seus recursos. A nova economia de Deus estava por chegar em Maria.
• No anuncio do anjo aparece a importância da missão do menino que vai nascer e cujo nome será João: “Não beberá vinho nem licor, e estará cheio do Espírito Santo desde o seio de sua mãe”, isto é, João será uma pessoa inteiramente consagrada a Deus em sua missão. “Por ele muitos filhos de Israel voltarão ao Senhor seu Deus, pois, ele abrirá o caminho do Senhor com o espírito e o poder do profeta Elias para reconciliar os pais com os filhos. Fará com que os rebeldes voltem à sabedoria dos bons, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto”, isto é, no menino João acontecerá o esperado retorno do profeta Elias que virá realizar a reconstrução da vida comunitária: reconciliar os pais com os filhos e fazer com que os rebeldes voltem à sabedoria dos bons.
• De fato, a missão de João foi muito importante. Para as pessoas ele era um profeta (Mc 11,32). Muitos anos depois, em Efeso, Paulo encontrou pessoas que haviam sido batizadas no batismo de João (At 19,3).
• Quando Izabel, sendo já velha, concebe e fica grávida, escondeu-se por cinco meses. Ao contrário, Maria em vez de esconder-se saiu de sua casa, para servir.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O que chama tua atenção nesta visita do anjo Gabriel a Zacarias?
• Converter o coração dos pais para os filhos e dos filhos para os pais, isto é, reconstruir o tecido de relações humanas na base e refazer a vida em comunidade. Esta é a missão de João. Foi também a missão de Jesus e continua sendo hoje a missão mais importante. Como contribuo nesta missão?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 71,5-6)
• Hoje farei uma lista dos hábitos negativos que estão afetando minha vida espiritual, procurarei alguma atividade que os substitua e trabalharei arduamente para superá-los.





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 18/12/12





TERÇA-FEIRA -18/12/2012


PRIMEIRA LEITURA: Jeremias 23,5-8

• Esta palavra de Deus nos ajuda a terminar nossa reflexão sobre o “Já, porém, todavia não”, pois, nos propõe dois elementos chaves do Reino messiânico: A Lei e a Justiça. Seria importante que cada um de nós revisasse se nossa vida é verdadeiramente uma vida que se apega ao cumprimento da lei de Deus, já que é fácil ver-se envolvido pelos critérios deste mundo que em muitas áreas de nossa vida tem diluído o conteúdo, inclusive dos próprios Dez Mandamentos básicos da lei. Por outro lado, revisar se nossa vida também vai sendo uma vida que sabe dar, não somente a cada um que lhe toca, mas, ir mais além, imitando com isso a Deus, quem, em lugar de dar-nos o que merecemos por nossas faltas, nos ama, nos perdoa e nos dá sua graça. Com a chegada de Cristo se inaugurou a vida no amor e na justiça, cooperemos com a graça para que esta seja uma realidade crescente em nossa vida, em nossa família e em nossa comunidade.




ORAÇÃO INICIAL

• Conceda Senhor, aos que vivem oprimidos pela antiga escravidão do pecado, serem libertados pelo novo e esperado nascimento de teu Filho. Que vive e Reina...




REFLEXÃO

Mateus 1,18-24

•    No evangelho de Lucas, a história da infância de Jesus ( caps. 1 e 2) está centrada em torno da pessoa de Maria. Aqui no evangelho de Mateus, a infância de Jesus ( caps. 1 e 2) está centrada ao redor da pessoa de José, o prometido esposo de Maria. José era da descendência de Davi. Através dele Jesus pertence a raça de Davi. Assim, em Jerusalém, se realizam as promessas feitas por Deus a Davi e a sua descendência.
• Como vimos no evangelho de ontem, nas quatro mulheres companheiras de Maria, na genealogia de Jesus, havia algo anormal que não estava de acordo com as normas da lei: Tamar, Raab, Rute e Betsabé. O evangelho de hoje nos mostra que também em Maria havia algo anormal, contrário às leis da época. Aos olhos do povo de Nazaré, ela se apresentou grávida antes de conviver com José. Nem as pessoas, nem José, seu futuro esposo, sabiam a origem de sua gravidez. Se José houvesse sido justo segundo a justiça dos escribas e dos fariseus, deveria denunciar Maria, e a pena para ela teria sido a morte por apedrejamento.
• José era justo, sim! Porém, sua justiça era diferente. Já praticava aquilo que Jesus ensinaria mais tarde: “Se sua justiça não supera a justiça dos escribas e dos fariseus, não entrarás no Reino dos Céus” (Mt 5,20). Por isso José, sem compreender os fatos, decide despedir Maria em segredo.
• Na Bíblia, o descobrimento do chamado de Deus nos fatos acontece de formas distintas. Por exemplo, examinando os fatos (Lc 2,19.51), através da meditação da Bíblia (At 15,15-19;17,2-3), através dos anjos (a palavra anjo significa mensageiro), que ajudam descobrir o significado dos fatos (Mt 28,5-7). José percebeu o significado do que estava ocorrendo com Maria através de um sonho. No sonho um anjo se serviu da Bíblia para clarear a origem da gravidez de Maria. Vinha da ação do Espírito de Deus.
• Quando para Maria tudo ficou claro, ela exclamou: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo tua Palavra”. Quando para José tudo foi clareado, tomou Maria como sua esposa, e foram viver juntos. Graças a justiça de José, Maria não foi apedrejada e Jesus continuou vivendo em seu seio.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Aos olhos dos escribas, a justiça de José seria uma desobediência. Existe nisto alguma mensagem para nós?
• Como você descobre o chamado da Palavra de Deus nos fatos de tua vida?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 72,12-13)
• Hoje orarei por todas as vítimas de injustiça em meu país, olharei as notícias e pedirei especificamente pelas notas de injustiça que apareçam aí.




segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 17/12/12





SEGUNDA-FEIRA -17/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Gênesis 49,2.8-10

• Toda história do povo de Israel estava centrada na promessa do Messias, o qual reinaria eternamente e a quem todos os povos renderiam honra e obediência. Esta promessa se realizou de maneira definitiva em Cristo pela qual Ele deve reinar, não só sobre as nações, mas, em cada um dos corações. Ao iniciar a etapa final de nossa preparação para a festa do Natal, a liturgia nos convida a revisar se verdadeiramente Jesus já é uma realidade em nossa vida. Se isto é assim, conviria perguntar-nos se efetivamente Ele reina em todas as áreas de nossa vida e se sua palavra é sempre considerada como a palavra de um Rei. Só se Deus reina em tua vida e em teu coração, a paz e a salvação oferecida por Deus para seu povo será uma realidade em teu coração. Dê a Jesus o “cetro” de tua vida e será verdadeiramente feliz.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus, criador e restaurador do homem, que desejou que teu Filho, Palavra eterna, se encarnasse no seio da sempre Virgem Maria, ouça nossas súplicas e que Cristo, teu Unigênito, feito homem por nós, se digne fazer-nos partícipes de sua condição divina. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 1,1-17

•    A genealogia define a identidade de Jesus. Ele é o “filho de Davi e o filho de Abraão” (Mt 1,1; cf. 1,17). Como filho de Davi, é a resposta de Deus as expectativas do povo judeu (2Sm 7,12-16). Como filho de Abraão, é uma fonte de benção para todas as nações (Gn 12,13). Judeus e pagãos vêm realizadas suas esperanças em Jesus.
• Na sociedade patriarcal dos judeus, as genealogias traziam amiúde nomes de homens. Surpreende que Mateus coloque as cinco mulheres entre os antepassados de Jesus: Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias e Maria. Por que é que Mateus escolhe precisamente estas quatro mulheres como companheiras de Maria? Nenhuma é rainha, nenhuma é matriarca, nenhuma é mulher lutadora do Êxodo: Por quê? É esta a pergunta que o Evangelho de Mateus nos deixa na cabeça.
• Na vida das quatro mulheres companheiras de Maria existe algo anormal. As quatro são estrangeiras, conceberam seus filhos fora dos padrões normais e não cumpriram com as exigências das leis de pureza do tempo de Jesus. Tamar, uma Cananéia, viúva, se veste de prostituta para obrigar o patriarca de Judá que seja fiel à lei e que lhe dê um filho (Gn 38,1-30). Raab, uma Cananéia de Jericó, era uma prostituta que ajudou aos Israelitas a entrar na Terra Prometida (Js 2,1-21). Rute, uma Moabita, viúva e pobre, optou por ficar ao lado de Noemi e aderir ao Povo de Deus (Rt 1,16-18). Tomou a iniciativa de imitar Tamar e de passar a noite junto com Booz, obrigando-o a observar a lei e dar-lhe um filho. Dá relação entre os dois nasceu Obed, o avô do rei Davi (Rt 3,1-15;4,13-17). Betsabé, uma Hitita, mulher de Urias, foi seduzida, violentada e ficou grávida do rei Davi, quem, além disso, mandou matar seu marido (2Sm 11,1-27). A forma de agir destas quatro mulheres estava em desacordo com as normas tradicionais. E , no entanto, foram iniciativas pouco convencionais as que deram continuidade a linhagem de Jesus e trouxeram a salvação de Deus a todo o povo. Tudo isto, nos faz pensar e nos questiona quando damos demasiado valor à rigidez das normas.
• O cálculo de 3 x 14 gerações (Mt 1,17) tem um significado simbólico. Três é o número da divindade. Quatorze é o dobro de Sete. Sete é o número da perfeição. Por meio deste simbolismo, Mateus expressa a convicção dos primeiros cristãos segundo a qual Jesus aparece no tempo estabelecido por Deus. Com sua chegada a história chega a sua plenitude.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Qual é a mensagem que você descobre na genealogia de Jesus? Encontrou alguma resposta à pergunta que Mateus nos deixa na cabeça?
• As companheiras de Maria, a mãe de Jesus, são distintas como nós imaginávamos? Qual é a conclusão que tira para tua devoção a Nossa Senhora?



ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 72,17)
• Revisarei em que ponto da lei não obedeço ao Senhor, e em oração pedirei a assistência do Espírito Santo para poder crescer nessa área.





sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 14/12/12


SEXTA-FEIRA -14/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 48,17-19

• No tom em que o profeta fala ao povo de parte de Deus, nos deixa vê o que acontece quando o homem decide caminhar a margem do amor de seu Senhor: perde-se a paz e a justiça. O tempo do Advento é um tempo, como João Batista nos dizia no principio deste tempo, para corrigir nossos erros e para agregar a nossa vida aos elementos que fazem com que toda nossa existência se junte mais a Deus. É tempo, pois, de ver se nossa relação com Jesus é estreita, se nossa oração é continua e se verdadeiramente estamos procurando viver de acordo com o Evangelho. Endereçamos nossos caminhos para que nunca falte em nossa família e em nossa comunidade a paz e a justiça. Aproveite esse tempo para fazer uma revisão em tua vida e poder assim, responder com generosidade ao Senhor. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Senhor, que teu povo permaneça em vigília aguardando a vinda de teu Filho, para que, seguindo os ensinamentos de nosso Salvador, saiamos a seu encontro, quando Ele chegar, com as lâmpadas acesas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!




REFLEXÃO

Mateus 11,16-19

Os líderes, os sábios, não gostam quando alguém lhes critica ou desafia. Isto ocorria nos tempos de Jesus e ocorre ainda hoje, na sociedade civil e na Igreja. João Batista viu, criticou e não foi aceito. Diziam: “Está possuído pelo demônio!”. Jesus viu, criticou e não foi aceito. Diziam: “Está fora de si!”. – “Ficou louco!” (Mc 3,21). –“Está possuído pelo demônio!” (Mc 3,22). – “É um samaritano!” (Jo 8,48). – “Não é de Deus!” (Jo 9,16). Hoje ocorre o mesmo. Existem pessoas que se apegam ao que tem sido ensinado e não aceitam outro modo de explicar e viver a fé. Logo inventam motivos e pretensões para não aderir: -“É marxismo!”. – “Vai contra a Lei de Deus!”- “É desobediência à tradição e ao Magistério!”.
• Jesus se queixa pela falta de coerência por parte de sua gente. Inventam sempre algum pretexto para não aceitar a mensagem de Deus anunciada por Jesus. De fato, é relativamente fácil encontrar argumentos e pretextos para rejeitar aos que pensam de forma diferente da nossa.
• Eles se consideravam sábios, porém, Jesus reage e demonstra sua incoerência. Eles se consideravam sábios, mas, eram como meninos que querem divertir-se na praça e que se rebelam quando as pessoas não se movem segundo a música que tocam. Ou, como os que se consideram sábios, sem ter nada de sabedoria. Aceitam somente aqueles que têm as mesmas idéias. E assim eles próprios se condenavam, por sua atitude incoerente.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Até que ponto eu sou coerente com minha fé?
• Tenho consciência crítica para o sistema social e eclesiástico que, muitas vezes, inventa motivos e pretensões para legitimar a situação a qualquer mudança?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 1,1-2)
• Revisarei quais são as montanhas que me faltas aplanar e os vales que devo encher em minha vida.





quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 13/12/12


QUINTA-FEIRA -13/12/2012

PRIMEIRA LEITURA:  Isaias 41,13-20


• De novo a Palavra de Deus nos lembra que temos um Deu que está pendente até nos menores detalhes de nossa vida. Ele é quem faz com que nossa vida, ainda que pareça que é como um deserto chegue a florescer com um jardim. O tempo do Advento procura que tenhamos presente que Deus nunca está longe, que sua presença se aproxima continuamente de nós para fazer de nossa vida uma experiência profunda de amor. Devemos de todas as formas, lembrar que esta presença e encontro com Deus muitas vezes se realiza por meio de seus “instrumentos”, isto é, através de nossos irmãos, o que implica que nós também muitas vezes somos o meio para que este encontro com Deus se realize. Esforce-te e abra tua vida à ação de Deus para que por meio Dele seu amor e sua paz sejam uma realidade na vida de todos os que te rodeiam. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Despertai Senhor, nossos corações e mova-o para preparar os caminhos de teu Filho, para que pelo mistério de sua vinda possamos servir-te com pureza de espírito. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!




REFLEXÃO

Mateus 11,11-15

No evangelho de hoje, Jesus opina sobre João Batista. Comparado com personagens do Antigo Testamento, não existe ninguém maior que João. João é o maior: maior que Jeremias, maior que Abraão, maior que Isaias! Mas, se comparado com o Novo Testamento, João é inferior a todos. O menor no Reino é maior que João. Como entender estas palavras aparentemente contraditórias que Jesus pronuncia sobre João? 
• Pouco antes, João havia enviado seus discípulos para perguntar-lhe: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,3). João parecia ter dúvidas a respeito de Jesus, já que Jesus não correspondia à idéia que ele, João, havia feito do messias: um juiz severo que tinha que vir para cumprir o juízo de condenação e de ira (Mt 3,7).Tinha que cortar as árvores desde a raiz (Mt 3,10), limpar o campo e atirar os paus secos ao fogo (Mt 3,12). Mas, Jesus, em lugar de ser um juiz severo, é amigo de todos, “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), acolhe os pecadores e come com eles (Mc 2,16).
• Jesus contesta João citando o profeta Isaias: “Vão e conte a João o que têm visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e uma boa nova chega aos pobres. E, além disso, feliz o que me encontra e não se confunde comigo!” (Mt 11,5-6;cf. Is 33,5-6;29,18). Resposta dura. Jesus diz à João que analise melhor as Escrituras para poder mudar a visão equivocada que tem do messias. 
• João foi grande! O maior de todos! E o menor no Reino dos céus é maior que João. João é o maior, porque era o último do Antigo Testamento. Foi João quem, por sua fidelidade, pode por fim indicar ao povo o messias: “Este é o cordeiro de Deus” (Jo, 1,36), e a longa história iniciada com Abraão alcançou, por fim, seu objetivo. Mas, João não foi capaz de compreender o alcance da presença do Reino de Deus em Jesus. Ele tinha dúvidas: “É o Senhor ou temos que esperar outro?”. A história antiga, só ela, não comunica a pessoa luz suficiente para compreender toda a novidade da Boa Notícia de Deus que Jesus traz consigo. O Novo não entra no Antigo. Santo Agostinho dizia: “O Novo está escondido no Antigo. Porém o Antigo revela somente seu pleno significado no Novo”. Quem está com Jesus e vive com Ele, recebe Dele uma luz que novos olhos para descobrir um significado mais profundo no Velho. E qual é esta novidade?
• Jesus oferece uma chave de leitura: “Com João Batista finalizaram os tempos da Lei e dos profetas, tempos da profecia e da espera. Entendam isto se puderem: Elias tinha de voltar, não é certo? Os que têm ouvidos que entenda!”. Jesus não explica, mas diz: “O que tem ouvido que entenda!”. Elias tinha que vir par preparar a chegada do Messias e reconstruir a comunidade: “Ele reconciliará os pais com os filhos e estes com suas mães” (Ml 3,24). João anunciou o Messias e procurou reconstruir a comunidade (Lc 1,17). Porém, não captava o mistério mais profundo da vida em comunidade. Somente Jesus a comunicou, anunciando que Deus é Pai e, por conseguinte, todos somos irmãos e irmãs. Este anúncio comporta uma nova força que nos faz capazes de superar divergências e de criar comunidade. 
• Estes são os fortes que conseguem conquistar o Reino. O Reino não é uma doutrina, mas sim, um novo modo de viver como irmãos e irmãs, a partir do anúncio que Jesus faz: DEUS É PAI DE TODOS.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

O Reino pertence aos fortes, isto é, pertence aos que como Jesus, tem a coragem de criar comunidade. Você também?
• Jesus ajudou João a compreender melhor os fatos por meio da Bíblia. A Bíblia me ajuda a compreender melhor os fatos de minha vida?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 145,1-2)
• Hoje refletirei em meus momentos de aridez e frieza espiritual e, os apresentarei a Deus em oração pedindo-lhe sua ajuda para ver o que de bom pode ser tirado desses momentos.





quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 12/12/12





QUARTA-FEIRA -12/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 7,10-14

• Esta profecia messiânica surge no contexto no qual o povo de Israel, temeroso diante da proximidade de uma invasão, sente-se tentado a recorrer a Assíria para que o salve. É aqui que Deus lhes lembra que seu único salvador é Ele e que, como prova de sua presença e seu poder, lhes dará um sinal para que já não duvidem e confiem plenamente Nele. Este sinal virá a converter-se precisamente na chegada do Messias, que é Deus Conosco. O povo, talvez, não imaginou a profundidade destas palavras, as quais ficaram ainda longe de iluminar a realidade que Deus tinha pensado para a salvação do povo, pois, a Encarnação do Verbo realizou o cumprimento da profecia, o envio do Espírito Santo, produto deste projeto salvífico, fez que Deus seja agora Deus Conosco. Seja, pois, consciente de que Deus está em ti, e que desde teu coração procura iluminar e salvar toda a humanidade, particularmente aqueles que convivem cotidianamente contigo.




ORAÇÃO INICIAL

• Senhor Deus todo poderoso, que nos manda abrir caminho à Cristo, o Senhor, não permita que desfaleçamos em nossa debilidade e que esperemos a chegada saudável daquele que vem curar-nos de todos os nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!



REFLEXÃO

Mateus 11,28-30

•    Alguns textos dos evangelhos nos revelam todo o significado quando lhes colocamos como pano de fundo o Antigo Testamento. Assim, é este texto tão breve e tão belo do evangelho de hoje. Esta passagem reproduz dois temas do Antigo Testamento muito querido e mencionado, uma passagem de Isaias e outra dos livros sapienciais.
• Isaias fala do Messias servo e o representa como um discípulo que sempre vai em busca de uma palavra de consolo para poder animar os desalentados: “O Senhor Yahweh me concedeu o poder de falar como seu discípulo, e colocou em minha boca as palavras para aconselhar o que está aborrecido. Cada manhã, Ele me desperta e o ouço como fazem os discípulos” (Is 50,4). E o Messias servo lança um convite: “Vocês que andam com sede venham tomar água! Não importa que esteja sem dinheiro, vinde! Peçam trigo para o consumo, e também vinho e leite, sem pagar” (Is 55,1). Estes textos estavam presentes na memória das pessoas. Eram como os cantos de nossa infância. Quando a gente os ouve, acontecem lembranças, saudades. Mesmo assim, a palavra de Jesus: “Venham a mim! Desperta algo na memória e traz consigo a saudade daqueles preciosos textos de Isaias”.
• Os livros sapienciais representam a sabedoria divina na figura de uma mulher, uma mãe que transmite aos filhos sua sabedoria e lhes diz: “Adquiram sem dinheiro, submetam a cerviz a seu jugo, que suas almas recebam a instrução, pois, está muito próximo ao alcance de vocês. Vejam com seus próprios olhos que têm sofrido pouco e conseguiram muito descanso” (Eclo 51,5-27). Jesus repete esta frase: “Encontrarão descanso!”.
• Justamente, por esta sua maneira de falar as pessoas, Jesus aviva sua memória e assim o coração se alegra e diz: “Chegou o Messias tão esperado!”. Jesus transformava a saudade em esperança. Para dar as pessoas uma um passo a mais. Em lugar de agarrar-se a imagens de um messias glorioso, rei e dominador, imagens que os escribas ensinavam, as pessoas mudavam sua visão e aceitavam Jesus, messias servo. Messias humilde e manso, acolhedor e cheio de ternura, que deixava os pobres “à vontade” em sua presença.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    A lei de Deus é para mim jugo suave que me anima ou um peso que me cansa?
• Senti alguma vez a rapidez e a alegria do jugo da lei de Deus que Jesus nos tem revelado?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 103, 1-2)
• Hoje serei muito consciente de que meu ser é o ser de Cristo, e farei todas as coisas como Ele as faria.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 11/12/12





TERÇA-FEIRA -11/12/2012

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 40,1-11


• O profeta alega haver uma causa mais fundamental: um decreto do Senhor no concílio celeste. A idéia de um concílio celeste de deuses era difundida no mundo antigo e baseava-se na suposição de que, como todo grande rei, Deus tinha uma corte real. O versículo 2 pressupõe a costumeira visão de que o exílio era castigo pelos pecados de Israel, mas acrescenta que Israel recebeu “duas vezes a paga de todas as suas faltas”. A dedução é que o sofrimento não está totalmente explicado como castigo. Mais adiante veremos que Isaias encontra um modo mais positivo de entender a experiência do exílio. A voz no capítulo 3 é a de um anjo que cumpre o decreto divino. O “caminho” é análogo às grandes procissões rituais dos deuses babilônicos, mas também a procissão triunfal do Senhor que partiu da montanha do Sinai na época do Êxodo. Esta passagem é mais conhecida dos leitores cristãos pelas citações de Mt 3,3 e Jo 1,23, em que o significado de Is 40,3 é tido como a “voz daquele que clama no deserto” e aplicado a João Batista. A citação não é muito exata e não dá o sentido original da passagem. Entretanto, a aplicação a João foi bastante apropriada, pois ele também estava proclamando um novo ato de salvação como o Êxodo e se dispôs a preparar-se para ele.




ORAÇÃO INICIAL

• Senhor Nosso Deus, que tens manifestado tua salvação até os confins da terra, concede-nos esperar com alegria a glória do nascimento de teu Filho. Que vive e reina contigo. Amém!



REFLEXÃO

Mateus 18,12-14

•    Uma parábola não é um ensinamento que recebe de forma passiva o que rejeitar na memória, mas sim, é um convite para participar no descobrimento da verdade. Jesus começa dizendo: “O que lhes parece?”. Uma parábola é uma pergunta com uma resposta não definida. A resposta depende de nossa reação e da participação dos ouvintes. Tratemos de procurar a resposta a esta parábola da ovelha perdida.
• Jesus conta uma história muito breve e muito simples: um pastor tem 100 ovelhas, perde uma, deixa as outras 99 e vai a procura da ovelha perdida. E Jesus pergunta: “O que lhes parece?”. Isto é: “Vocês fariam o mesmo?”. Qual será a resposta dos pastores e das demais pessoas que ouvem Jesus que conta esta história? Fariam o mesmo? Qual é minha resposta à pergunta de Jesus? Pensemos bem antes de contestar.
• Se você tivesse 100 ovelhas e perdesse uma delas, o que faria? Não podemos esquecer que os montes são lugares de difícil acesso, com vales profundos, habitados por animais perigosos e onde os ladrões se escondem. E não podemos esquecer que tinha perdido uma ovelha, apenas uma, por conseguinte, ainda lhe restava outras noventa e nove ovelhas! Havia perdido pouco! Abandonaria as demais 99 pelo monte? Talvez, somente uma pessoa com pouco sentido comum faria o que faz o pastor da parábola de Jesus. Pense bem!
• Os pastores que ouviram a história de Jesus teriam pensado e comentado: “Somente um pastor sem fundamento agiria deste modo!”. Seguramente teriam perguntado a Jesus: “Perdão, porém, quem é esse pastor de quem está falando? Fazer o que ele fez é pura loucura”.
• Jesus contesta: “Este pastor é Deus, nosso Pai, e a ovelha perdida é você”. Dito em outras palavras, aquele que age assim é Deus movido por seu grande amor para com os pequenos, os pobres, os excluídos. Somente um amor tão grande assim é capaz de fazer uma loucura deste tipo. O amor com que Deus nos ama supera a prudência e o sentido comum. O amor de Deus faz loucuras. Graças a Deus! Se assim não fosse, estaríamos perdidos!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Coloque-se na pele da ovelha perdida e anime tua fé e tua esperança. Você é aquela ovelha!
• Coloque-se na pele do pastor e procure ver se teu amor pelos pequenos é verdadeiro amor!



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 96,1-2)




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 10/12/12





SEGUNDA-FEIRA -10/12/2012


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 35,1-10

• Este capítulo de Isaias nos fornece o equivalente positivo do capítulo 34, focalizando a libertação de Israel. A imagem relaciona-se estreitamente à do Segundo Isaias: haverá uma estrada no deserto (cf. Is 40,3), o deserto florescerá e nele brotarão muitas fontes. O versículo 10 está repetido diretamente em Is 51,11. A libertação envolve abrir os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. O tema da procissão, também fundamental para o Segundo Isaias, deriva, provavelmente, do culto do Templo. A mensagem é de consolo e esperança. Sem dúvida, o autor destes capítulos considerava a destruição de inimigos como Edom condição prévia necessária para a transformação. Em ambos os casos, precisamos reconhecer o papel da fantasia, mas as imagens do capítulo 35 têm o poder duradouro de consolar e encorajar os que necessitam de libertação.




ORAÇÃO INICIAL

•    Senhor suba a tua presença nossas súplicas e encha teus servos dos desejos de chegar a conhecer em plenitude o mistério admirável da encarnação de teu Filho. Que vive e reina. Amém



REFLEXÃO

Lucas 5,17-26

• Sentado Jesus ensina. As pessoas gostam de ouvi-lo. Qual é o tema do ensinamento de Jesus? Falava sempre de Deus, de seu Pai, porém, falava Dele de forma nova, atrativa, não como faziam os escribas e os fariseus. Jesus representava Deus como a grande Boa Noticia para a vida humana, um Deus Pai/Mãe que ama e acolhe as pessoas, e um Deus que não ameaça, nem condena.
• Um paralítico é transportado por quatro homens. Jesus é para eles a única esperança. “Vendo sua fé, disse ao paralítico: teus pecados te são perdoados!”. Naquele tempo, as pessoas acreditavam que os defeitos físicos (paralisia, etc.) fosse um castigo de Deus pelos pecados cometidos. Por isso, os paralíticos e muitos outros incapacitados físicos sentiam-se rejeitados e excluídos por Deus. Jesus ensinava o contrário. A fé tão grande do paralítico era um sinal evidente de que aqueles que o ajudavam eram acolhidos por Deus. Por isso Jesus exclama: “Teus pecados te são perdoados!”. Isto é: “Deus não te rejeita!”.
• A afirmação de Jesus não sintoniza com a idéia que os doutores tinham de Deus. Por isso reagem: “Esse homem fala de forma muito escandalosa!”. Segundo seus ensinamentos, somente Deus podia perdoar os pecados. E somente o sacerdote podia declarar que uma pessoa é perdoada e purificada. Como é que Jesus sem estudos, um leigo, podia declarar ao paralítico que era perdoado e purificado de seus pecados? E então, se um simples leigo podia perdoar os pecados, os doutores e os sacerdotes iam perder seu poder em, além disso, a fonte de suas rendas! Por isto reagem e se defendem.
• Jesus justifica sua ação dizendo: “O que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados, ou, levanta-te e anda?”. Evidentemente, é muito mais fácil dizer: “Teus pecados te são perdoados”. Já que ninguém pode comprovar, de fato, se o pecado tinha sido perdoado ou não. Porém se eu digo: “Levanta-te e anda!”, nesse caso, todos podem ver se alguém tem o poder ou não de curar. Por isso, para demonstrar que, em nome de Deus, Ele tinha poder de perdoar os pecados, Jesus diz ao paralítico: “Levanta-te e anda!”. Cura o homem! E assim faz ver que a paralisia não é um castigo de Deus pelo pecado, e faz ver que a fé dos pobres é uma mostra de que Deus os acolhe em seu amor.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Se me coloco no lugar dos que ajudam o paralítico: seria capaz de ajudar um enfermo, subi-lo no teto, e fazer o que fizeram os quatro homens? Tenho tanta fé?
• Qual é a imagem de Deus que levo dentro e que se irradia para os demais? A dos doutores ou a de Jesus? Deus de compaixão ou de ameaça?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 106,4-5)




sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Lectio Divina - 07/12/12





SEXTA-FEIRA -07/12/2012


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 29,17-24


• Quando tudo ao nosso redor parece perder sentido, quando os problemas da vida parecem escurecer nossa existência, O Senhor nos faz ver que Ele é nossa salvação. Este oráculo de Isaias, pronunciado quando a aliança com o Egito tinha fracassado, quando os líderes religiosos se corromperam e o poder público não dava nenhuma mostra de alívio, o profeta lembra ao povo que Deus é sua vitória. Nossa preparação para o Natal, a festa na qual Deus que salva se faz homem, deve forçosamente incluir uma revitalização de nossa fé em Deus que não nos abandona, para que não existam trevas nem escuridão, para Àquele que não existe a palavra “impossível”. Confie tua vida ao Senhor, Ele – e somente Ele – é tua salvação, tua rocha, teu refúgio e tua fortaleza.




ORAÇÃO INICIAL

• Desperta teu poder e vem, Senhor, que teu braço libertador nos salve dos perigos que nos ameaçam a causa de nossos pecados. Tu que vives e reinas.



REFLEXÃO

Mateus 9,27-31


•    Outra vez, o evangelho de hoje nos coloca diante do encontro de Jesus com a miséria humana. Jesus não se deixa para trás, não se esconde. Acolhe as pessoas e em sua acolhida íntima revela o amor de Deus.
• Dois cegos seguem Jesus e gritam: “Filho de Davi, tem compaixão de nós!”. Jesus não gostava muito do título “Filho de Davi”. Critica o ensinamento dos escribas que diziam que o Messias tinha que ser filho de Davi: “O próprio Davi o chama de seu Senhor: como, então, pode ser seu filho?” (Mc 12,37).
• Quando Jesus chega à casa, pergunta aos cegos: “Acreditam que eu posso curá-los?”. E eles respondem: “Sim, Senhor!”. Uma coisa é ter uma correta doutrina na cabeça, outra coisa é ter fé no coração. A doutrina dos dois cegos não era muito correta, já que chamavam Jesus de Filho de Davi. Porém, Jesus não importa que o chamem assim, para Ele o importante é que tenham fé.
• Então lhes toca nos olhos e diz: “Vocês recebam o têm acreditado”. Imediatamente os olhos se abriram. Apesar de não acertar na doutrina, os dois cegos têm fé. Hoje em dia muitas pessoas estão mais preocupadas em ter uma doutrina do que a fé.
• É bom que não nos esqueçamos um pequeno detalhe de hospitalidade. Jesus chega à casa e os dois cegos entram em sua casa, como a coisa mais normal do mundo. Sentem-se “em casa” na casa de Jesus. E hoje? Uma religiosa dizia: “Hoje em dia a situação do mundo é tal que me sinto desconfiada até com os pobres!”. A situação mudou muito.
• Jesus pede que não divulguem o milagre. Mas, a proibição não é respeitada. Os dois cegos saem e difundem a Boa Notícia. Anunciar o evangelho, isto é, a Boa Notícia, quer dizer compartilhar com os demais o bem que Deus nos faz na vida.




PARA REFLEXÃO PESSOAL


•    Tenho em minha vida alguma Boa Notícia que compartilhar com os demais?
• Sobre que ponto, mais insisto: em uma boa doutrina ou na fé?



ORAÇÃO FINAL

• (SALMO 89,1)
• Hoje observarei no que é que tanto estou permitindo experimentar Deus com todos meus sentidos, especialmente, se cuido do que ouço, do que vejo e do que penso.