quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 31/01/13





QUINTA-FEIRA -31/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 10,19-25


• Já desde o tempo da primeira comunidade, seguramente que alguns cristãos pensavam, como o fazem hoje em dia, que não é necessário o assistir a missa dominical, que basta acreditar em Cristo (hoje inclusive só dizem em Deus), por isso o autor da Carta convida com veemência a não deixar de assistir a assembléia dominical. Certamente é fundamental a crença em Cristo, todavia, é na assembléia dominical, na Missa, onde se dá o culto perfeito a Deus, e ao ouvir a Palavra e receber a Eucaristia se fortalece a fé, a esperança e a caridade. Além disso, é a oportunidade de conviver com os irmãos que acreditam como nós e que estão procurando viver o Evangelho, é a oportunidade para crescer no amor e na alegria fraterna. Não deixemos nossa Celebração Eucarística cada domingo, lembremos das palavras de Jesus: “Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,54).




ORAÇÃO INICIAL


• Deus todo poderoso e eterno: ajuda-nos a levar uma vida segundo tua vontade, para que possamos dar em abundância frutos de boas obras em nome de teu Filho predileto. Que vive e reina contigo. Amém!




REFLEXÃO

Marcos 4,21-25

•    A LÂMPADA QUE ILUMINA. Naquele tempo não havia energia elétrica. Imaginemos o que segue. A família está em casa. Começa a escurecer. O pai se levanta, acende uma lamparina e a coloca debaixo de uma caixa ou de uma cama. Que dirão os demais? Gritaram: “Pai! Coloque em cima da mesa!”. Esta é a história que Jesus conta. Não explica. Apenas diz: Quem tiver ouvido para ouvir, que ouça. A Palavra de Deus é a lâmpada que deve ser acesa na escuridão da noite. Se ficar apenas escrita na Bíblia, fechada, é como uma lâmpada colocada debaixo de uma caixa ou de uma cama. Quando se junta com a vida e é vivida em comunidade, então, está colocada em cima da mesa e ilumina!
• PRESTAR ATENÇÃO AOS PRECEITOS. Jesus pede aos discípulos que tomem consciência dos preceitos com que escutam o ensinamento que Ele oferece. Devem prestar atenção às idéias com que olham para Jesus. Se a cor dos olhos é verde, tudo parece verde. Se for azul, tudo parecerá azul. Se a idéia com a qual olhou Jesus está equivocada, tudo o que pensar sobre Jesus estará ameaçado de erro. Sem penso que o Messias, vai ser um rei glorioso, não vou entender nada do que Jesus ensina e vou entender tudo de maneira equivocada.
• PARÁBOLAS: uma nova maneira de ensinar e de falar sobre Deus. A forma que Jesus tinha de ensinar era, sobretudo, por meio de parábolas. Tinha uma capacidade muito grande de encontrar imagens bem simples para comparar as coisas de Deus com as coisas da vida que as pessoas conheciam e experimentavam em sua luta diária para a sobrevivência. Isto supõe duas coisas: estar dentro das coisas da vida, e estar dentro das coisas do Reino de Deus.
• O ENSINAMENTO DE JESUS ERA DIFERENTE DO ENSINAMENTO DOS ESCRIBAS. Era uma Boa Nova para os pobres, porque, Jesus revelava um novo rosto de Deus, no qual o povo se reconhecia e se alegrava: “Pai eu te louvo porque escondestes estas coisas dos sábios e entendidos e as revelastes aos pequenos. Sim, Pai, assim te pareceu melhor! (Mt 11,25-28)”.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Palavra de Deus, lâmpada que ilumina. Que lugar a Bíblia ocupa em minha vida? Que luz recebo dela?
• Qual é a imagem de Jesus que está em mim? Quem é Jesus para mim e quem sou eu para Jesus?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 34,9)
• Hoje farei os ajustes necessários para não faltar nenhum domingo a missa.




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 30/01/13



QUARTA-FEIRA -30/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 10,11-18

• A maior novidade do Novo Testamento é que a lei de Deus não é uma lei escrita, mas, uma lei gravada no mais íntimo do nosso coração. É a habitação do Espírito Santo que nos leva com doçura e convicção a fazer o que agrada a Deus. Por isso, o cristão não se deixa levar por suas paixões, pois, é o Espírito quem conduz sua vida, de maneira que a lei do amor se manifeste em todo momento. Os mandamentos escritos por Moisés na rocha: Não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, etc., ficam superados por uma lei interior, que nos faz reconhecer em cada pessoa um irmão, o qual é sujeito de nosso amor, pelo que não só não faço o que a lei proíbe, mas impulsionado pelo amor de Deus, me sinto movido inclusive a perdoá-lo e a buscar seu bem em todo momento. Dê mais tempo a sua oração pessoal, que é como o “alimento” do Espírito, e verás como a lei do amor, impressa em teu coração, começa a desenvolver-se e se manifesta com ímpeto. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno: ajuda-nos a levar uma vida segundo tua vontade, para que possamos dar em abundância frutos de boas obras em nome de teu Filho predileto. Que vive e reina contigo. Amém!




REFLEXÃO

Marcos 4,1-20

Sentado em um barco, Jesus ensina à multidão. Nestes versos, Marcos descreve de que forma Jesus ensinava as pessoas: na praia, sentado em um barco, muita gente ao redor para ouvir. Jesus não era uma pessoa culta (Jo 7,15). Não havia cursado uma escola superior em Jerusalém. Vinha do interior, do campo, de Nazaré. Era um desconhecido, meio campesino, meio artesão. Sem pedir permissão às autoridades, começou a ensinar as pessoas. Falava de forma muito distinta. O povo gostava de ouvi-lo. 
• Por meio de parábolas, Jesus ajudava o povo a perceber a presença misteriosa do Reino nas coisas da vida. Uma parábola é uma comparação. Usam-se coisas conhecidas e visíveis da vida para explicar as coisas invisíveis e desconhecidas do Reino de Deus. Por exemplo, o povo da Galiléia entendia de semeadura, terreno, chuva, sol, sal, flores, colheita, pesca, etc. E são exatamente estas coisas conhecidas as quais Jesus usa nas parábolas para explicar o mistério do Reino.
• A parábola da semente retrata a vida dos camponeses. Naquele tempo, não era fácil viver da agricultura. O terreno era muito pedregoso. Havia muito mato. Pouca chuva, muito sol. Além disto, muitas vezes as pessoas cortavam o caminho passando pelos campos, pisavam as plantas (Mc 2,23). Mesmo assim, apesar de tudo isto, cada ano, o agricultor semeava e plantava, confiando na força da semente, na generosidade da natureza.
• “O que tem ouvido para ouvir que ouça!” (Mc 4,3). O caminho para chegar a compreender a parábola é a busca: “Procurem entender!”. A parábola não diz tudo imediatamente, mas, leva a pensar e faz descobrir a partir da experiência que os ouvintes têm da semeadura. Suscita criatividade e participação. Não é uma doutrina que já chega pronta para ser ensinada e decorada. A parábola não dá água engarrafada, entrega a fonte. O agricultor que ouve diz: “A semente no terreno, seu sei o que é!. Mas, Jesus diz que isto tem a ver com o Reino de Deus. Que será?”. E alguém pode imaginar as longas conversas das pessoas! A parábola se mescla com as pessoas e leva a ouvir a natureza e a pensar na vida.
• Jesus explica a parábola aos discípulos. Em casa, a sós com Jesus, os discípulos querem saber o significado da parábola. Não entendiam. Jesus percebeu sua ignorância (M 4,13) e respondeu por meio de uma frase difícil e misteriosa. Disse aos discípulos: “Vocês estão no segredo do Reino de Deus, porém, aos de fora são feita as parábolas, de modo que por muito que olhem, não verão, e por mais que ouçam, não entenderão, não se converterão nem serão perdoados”. Esta frase faz com que as pessoas se perguntem: “Afinal, para que serve a parábola?”. Para esclarecer, ou, para esconder? Será que Jesus usa parábolas para que as pessoas continuem em sua ignorância e não cheguem a converter-se? É claro que não! Pois, em outra passagem Marcos diz que Jesus usava parábolas “segundo a capacidade dos ouvintes” (Mc 4,33). 
• A parábola revela e esconde ao mesmo tempo! Revela para “os de dentro”, que aceitam Jesus como Messias, Rei grandioso. Eles entendem as imagens da parábola, porém, não conseguem entender seu significado.
• A explicação da parábola, parte por parte. Uma por uma, Jesus explica as partes da parábola, a partir da semeadura e do terreno, até a colheita. Alguns estudiosos pensam que esta explicação se ampliou depois. Seria uma explicação feita por alguma comunidade. É bem possível! Pois, naquele casulo da parábola está a flor da explicação. Casulo e flor, ambos, têm a mesma origem de Jesus. Por isto, podemos seguir a reflexão e descobrir outras coisas bonitas dentro da parábola. Uma vez, alguém perguntou em uma comunidade: “Jesus disse que devemos ser sal. Para que serve o sal”. Discutiram e ao final encontraram mais de dez finalidades para o sal. Aplicaram tudo isto na vida da comunidade e descobriram que ser sal é difícil e exigente. A parábola funcionou! O mesmo vale para a semeadura. Todos têm alguma experiência de semear.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Qual experiência tem de semear? Como te ajuda a melhor entender a Boa Nova?
• Que tipo de terreno é você?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 34,5-6)
• Hoje durante todo o dia direi, de todo coração e constantemente ao Espírito Santo: “Espírito Santo, habita-me, e santifica-me!”.






terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 29/01/13






TERÇA-FEIRA -29/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 10,1-10

• O autor conclui o argumento da parte principal do sermão com uma breve comparação do sacrifício de Cristo com os do ritual israelita a ser seguida por outra exortação. A imagem que fazem dos sacerdotes levíticos e de seus sacrifícios é triste, mas precisamos nos lembrar que Hebreus não está fazendo uma declaração antijudaica. A superioridade do sacrifício de Cristo e, consequentemente, do próprio cristianismo não está sendo estabelecida à custa de contemporâneos judeus do autor. Ele não fala das práticas judaicas atuais nem recentes, mas só do antigo ritual da tenda israelita descrito no Pentateuco. É a palavra de Deus na Bíblia que indica as limitações deste ritual e, ao mesmo tempo, aponta em direção ao significado de sua palavra falada no Filho. Ali é afirmado que Deus rejeita os sacrifícios de animais. Portanto, o autor interpreta o salmo como substituição a lei, a antiga aliança, pelo sacrifício do corpo de Cristo, que foi a vontade de Deus para seu Filho.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno: ajuda-nos a levar uma vida segundo tua vontade, para que possamos dar em abundância frutos de boas obras em nome de teu Filho predileto. Que vive e reina contigo. Amém!




REFLEXÃO

Marcos 3,31-35


•    A família de Jesus. Os parentes chegam à casa onde se encontra Jesus. Provavelmente vinham de Nazaré. Dali até Cafarmaum são uns 40 km. Sua mãe estava com eles. Não entram, porém, enviam um recado: “Tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs, estão ai fora e perguntam por ti!”. A reação de Jesus é firme: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E Ele mesmo responde apontando para a multidão que estava a seu redor: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Porque todo o que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe! Para entender bem o significado desta resposta convém olhar a situação da família no tempo de Jesus.
• No antigo Israel, o clã, isto é, a grande família (a comunidade) era a base da convivência social. Era a proteção das famílias e das pessoas, a garantia da posse da terra, a via principal da tradição, a defesa da identidade. Era a maneira concreta que a pessoa tinha de encarnar o amor de Deus no amor ao próximo. Defender o clã era o mesmo que defender a Aliança.
• Na Galiléia, no tempo de Jesus, por causa do sistema implantado durante os longos governos de Herodes Magno (37 aC a 4 aC) e de seu filho Herodes Antipas (4 aC a 39 dC), o clã (a comunidade) estava debilitado. Tinha que pagar impostos tanto ao governo como ao Templo, a divida pública crescia, dominava a mentalidade individualista da ideologia helênica, havia freqüentes ameaças de repressão violenta por parte dos romanos, a obrigação de acolher os soldados e hospedá-los, os problemas cada vez maiores de sobrevivência, tudo isto levava as famílias a fechar-se em suas próprias necessidades. Este fechamento era reforçado pela religião da época. Por exemplo, aqueles que dedicavam sua herança ao Templo, podiam deixar seus pais sem ajuda. Isto debilitava o quarto mandamento que era a segurança do clã (Mc 7,8-13). Além disto, a observância das normas de pureza era fator de marginalização para muita gente: mulheres, crianças, samaritanos, estrangeiros, leprosos, endemoninhados, publicanos, enfermos, mutilados, paralíticos.
• E assim, a preocupação pelos problemas da própria família impedia que as pessoas se unissem em comunidade. Agora, para que o Reino de Deus pudesse manifestar-se na convivência comunitária das pessoas, as pessoas tinham que superar os limites estreitos da pequena família e abrir-se, novamente, para a grande família, para a Comunidade. Jesus nos dá o exemplo. Quando sua família procurou apoderar-se Dele, reagiu e ampliou a família: “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos?”. Ele próprio da a resposta apontando para a multidão ao redor: Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Porque todo o que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe! (Mc 3,33-35). Criou a comunidade.
• Jesus pedia o mesmo a todos os que queriam segui-lo. A família não podia fechar-se em si mesmas. Os excluídos e os marginalizados deviam ser acolhidos dentro da convivência e, assim, sentir-se acolhidos por Deus (cf. Lc 14,12-14). Este era o caminho para alcançar o objetivo da Lei que dizia: “Não deve haver pobres no meio de vocês” (Dt 15,4). Como os grandes profetas do passado, Jesus procura reforçar a vida comunitária nas aldeias da Galiléia. Ele retoma o sentido profundo do clã, da família, da comunidade, como expressão da encarnação do amor de Deus no amor para com o próximo.




PARA REFLEXÃO PESSOAL


•    Viver a fé em comunidade. Qual é o lugar e a influência das comunidades em minha maneira de viver a fé?
• Hoje, nas grandes cidades, a massificação promove o individualismo que é o contrário da vida em comunidade. O que é que estou fazendo para combater este mal?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 40,2.4)




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 28/01/13






SEGUNDA-FEIRA -28/01/2013

PRIMEIRA LEITURA:  Hebreus 9,15.24-28

• O autor da carta aos hebreus é um homem que conhece a história do povo judeu, conhece as escrituras de Israel e reflete profundamente no sentido e significado da história antiga, porém, também aprofunda o mistério de Cristo e chega a conclusões que conduziram a reflexão da igreja para novos horizontes. Paulo olha para a igreja e para sua Cabeça, Cristo o Salvador e Redentor, o Primeiro dentre os mortos e o Primeiro em tudo; porém, o autor da epístola aos Hebreus, volta seu olhar ao passado e lembra os motivos litúrgicos, sacros e sacerdotais do ministério de Moisés e de Araão. Moisés se apresenta como mediador entre Deus e os homens e por seu intermédio Deus entrega as Tábuas da Lei a Israel e se estabelece o código da Aliança; lembra-nos que Cristo é pré-figurado na pessoa de Moisés, de Araão, do cordeiro degolado, e do sumo sacerdote que ano a ano oferecia sacrifícios para simbolizar o perdão outorgado por Deus a seu povo. Porém em Cristo, temos um perfeito mediador porque é homem como nós, mas, também é Deus que reconcilia, perdoa e salva; a aliança que se estabelece por meio de Moisés esta impressa nas pedras, a aliança que Jesus estabelece se faz nos corações dos fiéis por meio do Espírito Santo que nos tem dado e que nos faz reconhecer Jesus como Senhor e a Deus como “Abba”. O sacrifício de Jesus é um e único porque o sangue do homem-Deus é superior a de todos os animais que se possam sacrificar e com ele lava os homens e mulheres de todos os tempos e lugares, incluídos os que morrerão antes de sua Encarnação. Jesus é assim (e assim o celebramos em cada missa) o sacerdote, o sacrifício, o templo, o altar e a oferenda. Jesus renova sua entrega generosa e total em cada sacerdote e comunidade que celebram e compartilham o Pão da Eucaristia.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso e eterno: ajuda-nos a levar uma vida segundo tua vontade, para que possamos dar em abundância frutos de boas obras em nome de teu Filho predileto. Que vive e reina contigo. Amém!




REFLEXÃO

Marcos 3,22-30

•    O conflito cresce. Existe uma seqüência progressiva no evangelho de Marcos. Na medida em que a Boa Nova se afiança entre as pessoas e é aceita, nesta mesma medida cresce a resistência por parte das autoridades religiosas. O conflito começa a crescer e arrasta e envolve grupos de pessoas. Por exemplo, os parentes de Jesus pensam que Ele estava louco (Mc 3,20-21) e os escribas, que haviam vindo de Jerusalém, pensam que é um endemoninhado (Mc 3,22).
• Conflito com as autoridades. Os escribas caluniam Jesus. Dizem que está possuído e que expulsa demônios com a ajuda de Belzebu, o príncipe dos demônios. Eles haviam vindo de Jerusalém, distante mais de 120 km para observar bem o comportamento de Jesus. Queriam defender a Tradição contra as novidades que Jesus ensinava as pessoas (Mc 7,1). Pensavam que seu ensinamento ia contra a boa doutrina. A resposta de Jesus tem três partes.
• Primeira parte: a comparação da família dividida. Jesus usa a comparação da família dividida e de reino dividido para denunciar o absurdo da calunia. Dizer que Jesus expulsa os demônios com a ajuda do príncipe dos demônios significa negar a evidencia. É o mesmo que dizer que a água está seca e que o sol é escuro. Os doutores de Jerusalém caluniavam porque não sabiam quais os benefícios que Jesus realizava para o povo. Estavam com medo de perder a liderança.
• Segunda parte: a comparação do homem forte. Jesus compara o demônio com um homem forte. Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. Jesus é o mais forte. Por isto consegue entrar na casa e sujeitar o homem forte. Consegue expulsar os demônios. Jesus sujeita o homem forte e agora rouba em sua casa, isso é, liberta as pessoas que estavam sob o poder do mal. O profeta Isaias havia usado a mesma comparação para descrever a vinda do messias (Is 49,24-25). Lucas acrescenta que a expulsão do demônio é um sinal evidente de que o Reino de Deus tenha chegado (Lc 11,20).
• Terceira parte: o pecado contra o Espírito Santo. Todos os pecados são perdoados, menos o pecado contra o Espírito Santo. O que é o pecado contra o Espírito Santo? É dizer: “O espírito que leva Jesus a expulsar o demônio, vem do próprio demônio!”. Quem fala assim se torna incapaz de receber o perdão. Por quê? Aquele que tapa os olhos, pode ver? Não pode! Aquele que tem a boca fechada pode comer? Não pode! Aquele que não fecha o guarda-chuva da calúnia pode receber a chuva do perdão? Não pode! O perdão passaria de lado e não o alcançaria. Não é que Deus não queira perdoar. Deus quer perdoar sempre! Porém, é o pecador que rejeita o perdão.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    As autoridades religiosas se fecham em si mesmas e negam a evidência. Já te ocorreu de fechar-se em si mesmo contra a evidencia dos fatos?
• A calunia é a arma dos fracos. Teve alguma experiência neste ponto?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 98,2.4)
• Hoje viverei entregando a Deus cada um dos momentos de minha vida como uma oferenda agradável a Ele.






sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 25/01/13


SEXTA-FEIRA -25/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: Atos 22,3-16

• É comum ouvir: Eu não sou mal, não roubo, respeito meus irmãos, vou a missa aos domingos, etc. Entretanto, isto não é suficiente, pois, fomos chamados não para ser bons, mas sim, para ser “SANTOS”. A santidade se fundamenta não em nossas boas obras, mas no encontro transformante com Deus. Paulo, como ele próprio disse em seu testemunho, era um homem bom, observante da lei, todavia, até que em Damasco encontrou-se PESSOALMENTE com o Senhor, só então que sua vida se transformou RADICALMENTE. Por isso, é necessário que todos e cada um de nós, tenha em sua vida um “Damasco”, isto é, um momento em nossa vida que sirva como separador de águas, a partir de onde poderemos dizer: antes eu era do mundo, mas, agora pertenço a Cristo. É fácil saber se houve esse encontro, pois, de comum existe a data e se pode dizer antes e depois de. Se ainda não te aconteceu esse encontro transformante com Jesus, peça ao Espírito Santo para poder tê-lo, pois, só Ele pode te conceder. Só depois de “Damasco” a vida é verdadeiramente vida. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso, que governa o céu e a terra, ouça paternalmente a oração de teu povo, e faz que os dias de nossa vida se fundamentem em tua paz. Por Nosso Senhor. Amem.




REFLEXÃO

Marcos 16,15-18

Os sinais que acompanham o anúncio da Boa Nova. No final Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não haver acreditado nas pessoas que diziam tê-lo visto ressuscitado. De novo, Marcos se refere à resistência dos discípulos em acreditar no testemunho de quem experimentou a ressurreição de Jesus. Por que será? Provavelmente, para ensinar duas coisas. Primeiro que a fé em Jesus, passa pela fé nas pessoas que dão testemunho Dele. Segundo que ninguém deve desanimar, quando a falta de fé nasce no coração. Até os onze discípulos tiveram dúvidas! 
• Em seguida, Jesus lhes dá a missão de anunciar a Boa Nova à toda criatura. A exigência que apresenta é esta: crer e ser batizado. Aos que têm o valor de crer na Boa Nova e que são batizados, Jesus promete os seguintes sinais: expulsarão demônios, falarão em novas línguas, pegarão com suas mãos em serpentes e se beberem algum veneno este não lhes fará mal. Isto acontece até os dias de hoje:-
• Expulsar demônios: é combater o poder do mal que prejudica a vida. A vida de muita gente melhora pelo fato de haver entrado na comunidade e por haver começado a viver a Boa Nova da presença de Deus em sua vida;
• Falar em novas línguas: é começar a comunicar-se com os demais de uma forma nova. Às vezes encontramos uma pessoa que nunca vimos antes e que nos parece familiar. É porque falamos a mesma língua, a língua do amor;
• O veneno que não faz mal: existe muita gente que envenena a convivência. Muita murmuração que afeta a relação entre as pessoas. Quem vive na presença de Deus sai na frente e consegue não ser molestado por este terrível veneno;
• Curar os enfermos: em qualquer lugar do mundo, onde aparece uma consciência mais clara e mais viva da presença de Deus, aparece também um cuidado especial para as pessoas excluídas e marginalizadas, sobretudo, para os enfermos. Aquilo que mais favorece a cura é que as pessoas se sentem acolhidas e amadas;
• Através da comunidade, Jesus continua sua missão: Jesus que viveu na Palestina e que ali acolheu os pobres de seu tempo, revelando o amor do Pai, é o mesmo Jesus que continua vivo no meio de nós, em nossas comunidades. Através de nós, continua sua missão para revelar a Boa Nova do Amor de Deus aos pobres. Até hoje, acontece a ressurreição, que nos leva a cantar: Quem nos separará, quem nos separará do amor de Cristo, quem nos separará? (cf. Rm 8,38-39). Nenhum poder deste mundo é capaz de neutralizar a força que vem da fé na ressurreição (Rm 8,35-39). Uma comunidade que quer ser testemunho da Ressurreição tem que ser sinal de vida, tem que lutar contra as forças da morte, para que o mundo seja um lugar favorável à vida, tem que acreditar que outro mundo é possível. Sobretudo, aqui na América Latina, onde a vida da gente corre perigo por causa do sistema de morte que nos foi imposto, as comunidades devem ser uma prova viva da esperança que vence o mundo, sem medo de ser feliz!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Expulsar demônios, falar em línguas novas, vencer o veneno das serpentes, colocar as mãos nos enfermos: você tem feito alguns destes sinais?
• Através de nós e de nossa comunidade Jesus continua sua missão. E nossa comunidade consegue realizar esta missão? Como? De que maneira?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 117,1-2)
• Trabalharei de tal modo, que seja consciente que cada ação que realizo me aproxime da vida eterna que Jesus me dá.





quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 24/01/13





QUINTA-FEIRA -24/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 7,23-8,6

• O autor da carta procura criar no povo cristão uma infinita confiança no amor de Deus que, por Jesus Cristo, nos tem dado a salvação e a vida eterna. Sobretudo, porque Ele mesmo prometeu, antes de subir ao céu, que não nos abandonaria, mas, que permaneceria entre nós, e no céu continua sua função de “intercessor”, de mediador entre o Pai e nós, e, além disso, é o realizador de uma aliança que não está baseada em oferendas materiais, mas sim no oferecimento de si mesmo, por isso, como diz o autor, esta aliança contém melhores promessas. Deus não só promete uma relação íntima e pessoal conosco, mas prometeu levar-nos ao céu, a viver com Ele, a ser parte de sua família e a compartilhar conosco a alegria celestial. É nisto que o cristão crê, esta é sua esperança, por isso, podemos dizer com Paulo: Graças sejam dadas a Deus porque em Cristo nos chamou para participar de sua herança. Você tinha consciência de tudo o que contém nossa vida e relação com Cristo?




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso, que governa o céu e a terra, ouça paternalmente a oração de teu povo, e faz que os dias de nossa vida se fundamentem em tua paz. Por Nosso Senhor. Amem.




REFLEXÃO

Marcos 3,7-12

•    A conclusão que se chega, ao final destes cinco conflitos (Mc 2,1 a 3,6), é que a Boa Nova de Deus tal como era anunciada por Jesus, dizia exatamente o contrário do ensinamento das autoridades religiosas da época. Por isto, no final do último conflito, se prevê que Jesus não vai ter uma vida fácil e será combatido. A morte aparece no horizonte. Decidiram matá-lo (Mc 3,6). Sem uma conversão sincera não é possível compreender a Boa Nova.
• Um resumo da ação evangelizadora de Jesus. Os versos do evangelho de hoje (Mc 3,7-12) são um resumo da atividade de Jesus e acentuam um enorme contraste. Um pouco antes, em Marcos 2,1 até 3,6, se fala só de conflitos, inclusive do conflito de vida e morte entre Jesus e as autoridades civis e religiosas da Galiléia (Mc 3,1-6). E aqui no resumo, parece o contrário: um movimento popular imenso, maior que o movimento de João Batista, porque chegava gente não só da Galiléia, mas também da Judéia, de Jerusalém, da Induméia, do outro lado do Jordão, de Tiro e de Sidon para encontrar-se com Jesus (Mc 3,7-12). Todos querem vê-lo e tocá-lo. É tanta gente que até Jesus fica preocupado. Corre o perigo de ser arrastado pelas pessoas. Por isso, pede aos discípulos que tenham a disposição uma barca para que a multidão não o arraste. E a da barca falava a multidão. Eram, sobretudo, excluídos e marginalizados que vinham a Ele para que os curasse de seus males: os enfermos e os possuídos. Estes que não eram acolhidos na convivência social da sociedade da época, são agora acolhidos por Jesus. E aqui o contraste: por um lado a liderança religiosa e civil que decide matar Jesus (Mc 3,6); por outro um movimento popular imenso, que procura em Jesus a salvação. Quem ganhará?
• Os espíritos impuros e Jesus. A insistência de Marcos na expulsão dos demônios é muito grande. O primeiro milagre de Jesus é a expulsão de um demônio (Mc 1,25). O primeiro impacto que Jesus causa nas pessoas é por causa da expulsão dos demônios (Mc 1,27). Uma das principais causas do enfrentamento de Jesus com os escribas é a expulsão de demônios (Mc 3,22). O primeiro poder que os apóstolos vão receber quando são enviados em missão, é o poder de expulsar os demônios (Mc 6,7). O primeiro sinal que acompanha o anuncio da ressurreição é a expulsão dos demônios (Mc 16,17). O que significa expulsar os demônios no evangelho de Marcos?
• No tempo de Marcos, o medo dos demônios era grande. Algumas religiões, ao invés de libertar as pessoas, alimentavam o medo e a angustia. Um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar as pessoas a se libertarem deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder mais forte. Jesus é “o homem mais forte” que chegou para submeter Satanás, o poder do mal, e retirar de suas garras a humanidade presa ao medo (Mc 3,27). Por isto, Marcos insiste tanto, na vitória de Jesus sobre o poder do mal, do demônio, de Satanás, do pecado e da morte. Desde o princípio até o fim, com palavras quase iguais, repete a mesma mensagem: “Jesus expulsava os demônios!” (Mc 1,26.27.34.39; 3,11-12.15.22.30; 5,1-20; 6,7.13; 7,25-29; 9,25-27.38; 16,9.17). Parece um refrão! Hoje, ao invés de usa sempre as mesmas palavras preferimos usar palavras diferentes. Diríamos: “O poder do mal, Satanás, que infundiu medo entre as pessoas. Jesus o venceu, o dominou, o submeteu, o destruiu, o derrubou, o confinou, o eliminou, o exterminou, o aniquilou, o abateu, o destruiu e o matou!”. O que Marcos quer dizer-nos é o seguinte: “Aos cristãos é proibido ter medo de Satanás!”. Depois que Jesus ressuscitou, é uma mania e falta de fé fazer referência todas as horas a Satanás, como se ele tivesse algum poder sobre nós. Insistir no perigo dos demônios para chamar as pessoas para que vá a igreja, é desconhecer a Boa Nova do Reino. É falta de fé na ressurreição de Jesus!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Como você vive tua fé na ressurreição de Jesus? Ela te ajuda a vencer o medo?
• Expulsão dos demônios. Como você faz para neutralizar esse poder em tua vida?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 40,17)
• Hoje assegurarei de que cada ação que faça, traga um benefício aos que me rodeiam. Farei isso desinteressadamente e pedirei a Jesus que me ensine a fazê-lo melhor.





quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 23/01/13






QUARTA-FEIRA -23/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 7,1-3.15-17

• Jesus Cristo, nesta figura do AT nos ilustra nosso ser sacerdotal, no qual não pertencemos à um ordem (ou a uma tribo como neste caso), mas sim, pela graça conferida no batismo. Neste texto nos mostra como, na força de seu batismo, um das ações sacerdotais do cristão consiste em estabelecer a paz. Por isso, nossa ação sacerdotal, diferente das ações sacerdotais do sacerdote “ministerial”, é sermos construtores da paz, principalmente em nossas famílias e comunidades. Dizemos que é uma ação sacerdotal porque para podê-la construir é necessário sacrificar algo. O sacrifício de nosso egoísmo, de nosso “EU”. É necessário morrer para nós mesmos e para nossos gostos e prazeres para que nossa ação sacerdotal seja eficaz e traga paz e alegria a nosso mundo. Exerça teu sacerdócio batismal e converta-te em um autêntico construtor da paz.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso, que governa o céu e a terra, ouça paternalmente a oração de teu povo, e faz que os dias de nossa vida se fundamentem em tua paz. Por Nosso Senhor. Amem.




REFLEXÃO

Marcos 3,1-6

•    No evangelho de hoje vamos meditar o último dos cinco conflitos que Marcos coloca no começo de seu evangelho (Mc 2,1 a 3,6). Os quatro conflitos anteriores foram provocados pelos adversários de Jesus. Este último é provocado por próprio Jesus e revela a gravidade do conflito entre Ele e as autoridades religiosas de seu tempo. È um conflito de vida e morte. É importante notar a categoria dos adversários que aparece neste último conflito. Trata-se de fariseus e herodianos, isto é, autoridades religiosas e civis. Quando Marcos escreve seu evangelho nos anos 70, muitos lembraram a terrível perseguição dos anos 60, na qual Nero arrasou muitas comunidades cristãs. Agora ao ouvir como o próprio Jesus havia sido ameaçado de morte e como se comportava no meio destes conflitos perigosos, os cristãos encontravam valor e orientação para não se desanimar ao longo do caminho.
• Jesus na sinagoga em dia de sábado. Jesus entra na sinagoga. Tinha costume de participar nas celebrações da multidão. Havia ali um homem com uma mão atrofiada. Uma pessoa com incapacidade física não podia participar plenamente, já que era considerada impura. Ainda que estivesse presente na comunidade, era marginalizada. Devia manter-se afastada do resto.
• A preocupação dos adversários de Jesus. Os adversários observavam para ver se Jesus curava no dia de sábado. Querem acusá-lo. O segundo mandamento da Lei de Deus mandava “santificar o sábado”. Era proibido trabalhar nesse dia (Ex 20,8-11). Os fariseus diziam que curar um enfermo era o mesmo que trabalhar. Por isto, ensinavam: “É proibido curar em dia de sábado!”. Colocavam a lei acima do bem estar das pessoas. Jesus os incomodava, porque colocava o bem estar das pessoas acima das normas da lei. A preocupação dos fariseus e dos herodianos não era o ardor pela lei, mas sim, a vontade de acusar e de eliminar Jesus.
• Levanta-te e venha aqui para o meio! Jesus pede duas coisas ao incapacitado físico: Levanta-te e venha aqui para o meio! A palavra “levanta-te” é a mesma que as comunidades do tempo de Marcos usavam para dizer “ressuscitar”. O incapacitado deve “ressuscitar”, levantar-se, colocar-se no meio e ocupar seu lugar no centro da comunidade! Os marginalizados, os excluídos, devem colocar-se no meio! Não podem ser excluídos. Devem ser incluídos e acolhidos. Devem estar junto com todos os demais! Jesus chamou o excluído para que se pusesse no meio.
• A pergunta de Jesus deixa os demais sem reposta. Jesus pergunta: Em dia de sábado é permitido fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matá-la? Podia ter perguntado: “Em dia de sábado é permitido curar: sim ou não?”. E todos teriam respondido: “Não é permitido!”. Porém, Jesus muda a pergunta. Para Ele, naquele caso concreto, “curar” era o mesmo que “fazer o bem” ou “salvar uma vida”, e “não curar” era o mesmo que “fazer o mal” ou “matar uma vida”!. Com sua pergunta Jesus coloca o dedo na ferida. Denuncia a proibição de curar em dia de sábado como um sistema de morte. Pergunta “sabia”!. Os adversários ficaram sem respostas.
• Jesus fica indignado diante da obstinação dos adversários. Jesus reage com indignação e com tristeza diante da atitude dos fariseus e dos herodianos. Manda o homem que estenda a mão, e ficasse curado. Ao curar o incapacitado, Jesus mostra que Ele não estava de acordo com o sistema que colocava a lei acima da vida. Em resposta a ação de Jesus, os fariseus e os herodianos decidem matá-lo. Com esta decisão confirmam que são, de fato, defensores de um sistema de morte. Não tem medo de matar para defender o sistema contra Jesus, que os ataca e critica em nome da vida.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O incapacitado foi chamado para colocar-se no centro da comunidade. Em nossa comunidade, os pobres e excluídos tem um lugar privilegiado?
• Você alguma vez já encontrou com pessoas que, como os herodianos e os fariseus, colocam a lei acima do bem estar das pessoas? O que sentiu naquele momento? Você deu razão a estas pessoas, ou, as criticou?




ORAÇÃO FINAL

•    (Sb 11,23-26)
• Hoje me aproximarei de modo simples e com humildade daquelas pessoas com as quais por algum motivo não tenho uma relação de paz e começarei a dar passos para conquistá-la.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 22/01/13






TERÇA-FEIRA -22/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 4,1-5.11

• É importante em nossos momentos de dificuldade, quando a confiança e a esperança correm perigos de debilitar-se, o lembrar que acreditamos e amamos a um Deus que fez aliança conosco e que, como nos diz hoje esta leitura, suas promessas e juramentos são irrevogáveis. Exige-nos unicamente a fidelidade. Diante Dele estão sempre nossas lutas, nossas debilidades, nossas dores e padecimentos, e lembrando sua aliança, está sempre pronto para socorrer-nos e mostrar-nos o caminho. Não deixemos que o desânimo nos vença. Deus fez morada entre nós, e Ele lutará com e por nós todas as nossas batalhas e lutas, até que um dia, junto com Maria Santíssima, possamos desfrutar de sua paz e sua alegria perpétua.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso, que governa o céu e a terra, ouça paternalmente a oração de teu povo, e faz que os dias de nossa vida se fundamentem em tua paz. Por Nosso Senhor. Amem.




REFLEXÃO

Marcos 2,23-28

•    A lei existe para o bem das pessoas. No dia de sábado, os discípulos passam pelas plantações e abrem caminho arrancando espigas. Em Mateus 12,1 se diz que tinham fome. Invocando a Bíblia, os fariseus criticam a atitude dos discípulos. Seria uma transgressão da lei do Sábado (cf. Ex 20,8-11). Jesus responde invocando a própria Bíblia para mostrar que os argumentos dos demais não têm fundamento. Lembra que o próprio Davi fez algo proibido, já que tirou os pães consagrados do templo e os deu de comer aos soldados que tinham fome (1Samuel 21,2-7). E Jesus termina com duas frases importantes: a) O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado, b) O Filho do Homem é senhor do sábado!
• O sábado é pra o ser humano, e não o ser humano para o sábado. Durante mais de quinhentos anos, desde o tempo do cativeiro na Babilônia até a época de Jesus, os judeus haviam observado a lei do sábado. Esta observância secular se tornou para eles em um forte sinal de identidade. O sábado era rigorosamente observado. Na época dos Macabeus, até a metade do século II antes de Cristo, esta rígida observância chegou a um ponto crítico. Atacados pelos gregos em dia de sábado, os rebeldes Macabeus preferiram deixar-se matar e não transgredir o sábado usando as armas para defender sua vida. Por isto, morreram mil pessoas (1Mc 2,32-38). Refletindo sobre o massacre, os lideres macabeus concluíram que deviam resistir e defender sua vida, ainda que fosse sábado (1Mc 2,39-41). Jesus teve a mesma atitude: relacionar a lei do sábado a favor da vida, pois, a lei existe para o bem da vida humana, e não ao contrário!
• O Filho do Homem é senhor do sábado. A nova experiência de Deus como Pai/Mãe faz com que Jesus, o Filho do Homem, desse a chave para descobrir a intenção de Deus que está na origem das leis do Antigo Testamento. Por isto, o Filho do Homem, é senhor até do Sábado. Ao conviver com o povo da Galiléia, durante trinta anos e sentindo em sua pele a opressão e a exclusão a que tantos irmãos e irmãs estavam condenados em nome da lei de Deus, Jesus percebeu que isto não podia ser o sentido daquelas leis. Se Deus é Pai, então acolhe a todos como filhos e filhas. Se Deus é Pai, então temos que ser irmãos e irmãs uns dos outros. Foi o que Jesus viveu e rezou, desde o começo até o fim. A Lei do Sábado deve estar a serviço da vida e da fraternidade. Foi por sua fidelidade a esta mensagem que Jesus foi preso e condenado a morte. Ele incomodou o sistema, e o sistema se defendeu, usando a força contra Jesus, pois Ele queria a lei a serviço da vida, e não o contrário.
• Jesus e a Bíblia. Os fariseus criticavam Jesus em nome da Bíblia. Jesus responde e critica os fariseus usando a Bíblia. Ele conhecia a Bíblia de memória. Naquele tempo, não havia Bíblias impressas como temos hoje em dia. Em cada comunidade havia só uma Bíblia, escrita a mão, que ficava na sinagoga. Se Jesus conhecia tão bem a Bíblia, era sinal de que, durante aqueles 30 anos de sua vida em Nazaré, havia participado intensamente na vida da comunidade, onde no sábado se liam as Escrituras. Ainda nos falta muito para que tenhamos a mesma familiaridade com a Bíblia e a mesma participação na comunidade.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    O sábado é para o ser humano, e não vice-versa. Quais são os pontos de minha vida que devo mudar?
• Ainda sem ter a Bíblia em casa, Jesus a conhecia de memória. E eu?




ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 111,1-2)
• Hoje estarei consciente de que Jesus está comigo todo o tempo e, portanto, praticarei com Ele todo o dia, nas tarefas cotidianas, na hora da refeição, lhe pedirei opinião das notícias que receba. Estarei todo o dia com Ele e Ele comigo.





segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 21/01/13






SEGUNDA-FEIRA -21/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 5,1-10


• Um dos elementos que ressalta esta carta como iremos ver durante nossa reflexão, é o fato da OBEDIÊNCIA de Cristo. Este é um valor que nossa sociedade individualista tende a relativizar. Hoje se fala da “obediência dialogada”, isto é: se me convenceres, então obedeço. Certamente devemos reconhecer que algumas das ordens de nossos superiores podem se equivocadas e inclusive injustas. Entretanto, enquanto esta ordem não nos leve ao pecado ou nos impeça relacionarmos com Deus, devemos obedecer. É válido dizer: Não estou de acordo contigo ou com a ordem que me está dando, pois, penso que está equivocado, todavia: Obedeço-te. Obedecer nos ajuda a crescer com humildade, virtude sem a qual a santidade não se desenvolve. Jesus nos mostrou isso. NÃO é fácil obedecer, porém, é o caminho que nos leva à perfeição no amor.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso, que governa o céu e a terra, ouça paternalmente a oração de teu povo, e faz que os dias de nossa vida se fundamentem em tua paz. Por Nosso Senhor. Amem.



REFLEXÃO

Marcos 2,18-22

• Os cinco conflitos entre Jesus e as autoridades religiosas. Em Mc 2,1-12 vimos o primeiro conflito. Era em torno do perdão dos pecados. Em Mc 2,13-17, o segundo conflito tratava da comunhão de mesa com os pecadores. O evangelho de hoje fala do terceiro conflito sobre o jejum. Amanhã teremos o quarto conflito ao redor da observância do sábado (Mc 2,13-28). Depois de amanhã teremos o último dos cinco conflitos que será sobre a cura em dia de sábado (Mc 3,1-6). O conflito sobre o jejum ocupa um lugar central. Por isto, as palavras meio soltas sobre a remendo de pano novo em roupa velha e sobre o vinho novo em odre novo (Mc 2,21-22), devemos entendê-las como uma luz que projeta sua claridade também sobre os outros quatro conflitos, dois antes e dois depois.
• Jesus não insiste na prática do jejum. O jejum é um costume muito antigo, praticado em quase todas as religiões. O próprio Jesus o praticou durante quarenta dias (Mc 4,2). Porém, Ele não insiste com os discípulos para que façam o mesmo. Os deixa livres. Por isso, os discípulos de João Batista e dos fariseus, que eram obrigados a jejuar, querem saber por que Jesus não insiste no jejum.
• O noivo, esta com eles, assim não precisam jejuar. Jesus responde com uma comparação. Quando o noivo está com seus amigos, isto é, durante a festa da boda, os amigos não precisam jejuar. Jesus se considera o noivo. Os discípulos são amigos do noivo. Durante o tempo em que Ele, Jesus, esteve com os discípulos, era festa. Chegará o dia em que o noivo deixará de estar, e nesse momento, se eles quiserem, poderão jejuar. Jesus fala de sua morte. Sabe e sente que, se continuar por esse caminho de liberdade, as autoridades religiosas vão querer matá-lo.
• Remendo novo sobre roupa velha, vinho novo em odre novo. Estas duas afirmações de Jesus, que Marcos coloca aqui, aclaram a atitude crítica de Jesus diante das autoridades religiosas. Não se coloca um remendo novo sobre uma roupa velha, porque na hora que lavar a roupa, o remendo novo encolhe, puxa o pano velho e estraga mais ainda. Ninguém coloca vinho novo em odre velho, porque a fermentação do vinho novo estoura o odre velho. Vinho novo em odre novo! A religião defendida pelas autoridades religiosas era como uma roupa velha, como um odre velho. Não se deve querer combinar o novo que Jesus trás com costumes antigos. Não se pode querer reduzir a novidade de Jesus, à medida do judaísmo. Ou um, ou outro! O vinho novo que Jesus trás faz explodir o odre velho. Devemos saber separar as coisas. Jesus não está contra o que é “velho”. O que quer evitar é que o velho se imponha ao novo e, assim, lhe impedisse de se manifestar. Seria o mesmo que reduzir a mensagem do Concílio Vaticano II como alguns estão querendo fazer.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• A partir da experiência profunda de Deus que o animava por dentro, Jesus teve muita liberdade em relação com as normas e práticas religiosas. E hoje temos essa mesma liberdade, ou, nos falta a liberdade dos místicos?
• Remendo novo sobre roupa velha, vinho novo em odre velho. Existe isto em minha vida?




ORAÇÃO FINAL

• (1Jo 4,16)
• Hoje começarei a exercitar a obediência, e nas ordens que me dêem mais trabalho dizer sim, as levarei a cabo oferecendo-as pelo sacrifício que Jesus fez por mim na cruz.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 18/01/13





SEXTA-FEIRA -18/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 4,1-5.11

• Um dos principais problemas com os quais o homem tem-se encontrado em toda sua história é a “infidelidade”. Em geral, não é fácil comprometer-nos, porém, logo, com o passar do tempo, sobretudo, quando o cansaço nos acomete, é fácil retratar-nos e esquecer nossas promessas e compromissos. O texto nos lembra que isto foi o que aconteceu aos israelitas, isto continua sendo um risco latente para a comunidade cristã. Por isso, nos convida e exorta a fidelidade, de maneira que possamos participar do descanso de Deus, que no final de nossa vida, não é outra coisa senão o Céu, porém, que desde já esta terra experimenta como uma profunda paz e alegria interior. O preço da fidelidade é alto, porém, vale a pena pagá-lo.




ORAÇÃO INICIAL


• Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.



REFLEXÃO

Marcos 2,1-12

•    Em Marcos 1,1-15, Marcos nos faz ver como devemos preparar e divulgar a Boa Nova de Deus. Em Marcos 1,16-45, nos faz ver qual é o objetivo da Boa Nova, e qual é a missão da comunidade. Agora, em Mc 2.1 até 3,6, aparece o efeito do anuncio da Boa Nova. Uma comunidade fiel ao evangelho vive valores que contrastam com os interesses da sociedade que a rodeia. Por isso, um dos efeitos do anuncio da Boa Nova, é o conflito com aqueles que defendem os interesses da sociedade. Marcos fala de cinco conflitos que o anuncio da Boa Nova causa a Jesus.
• Nos anos 70, época na que se escreve seu evangelho, havia muitos conflitos na vida das comunidades, porém, nem sempre sabiam como comportar-se diante das acusações que vinham de parte das autoridades romanas e dos lideres judeus. Este conjunto de cinco conflitos de Mc 2,1 a 3,6, servia como uma espécie de abecedário para orientar as comunidades, tanto de ontem como as de hoje.Porque o conflito não é um incidente de percurso, mas, parte integrante do caminho.
• A solidariedade dos amigos faz que o paralítico obtenha o perdão dos pecados. Jesus está de volta a Cafarnaum. Havia muita gente diante da porta da casa. Acolhe a todos e começa a ensinar. Ensinar, falar de Deus era o que Jesus mais fazia. Chega um paralítico, carregado por quatro pessoas. Jesus é sua única esperança. Eles não duvidam, sobem no telhado e abrem um buraco no teto. Devia ser uma casa pobre, um barraco coberto de folhas. Descem o homem e o colocam diante de Jesus. Jesus, vendo a fé daquelas pessoas, diz ao paralítico: Teus pecados estão perdoados! Naquele tempo, o povo pensava que os defeitos físicos (paralítico) fosse um castigo de Deus por algum pecado. Os doutores ensinavam que essa pessoa impura se tornara incapaz de aproximar-se de Deus. Por isto, os enfermos, os pobres se sentiam rejeitados por Deus. Porém, Jesus não pensava assim! Aquela fé tão grande era um sinal evidente de que o paralítico estava sendo acolhido por Deus. Por isso, declarou: Teus pecados estão perdoados! Isto é, “Deus não se afasta de ti!”. Com esta afirmação Jesus nega que a paralisia fosse um castigo devido ao pecado do homem.
• Jesus é acusado de blasfêmia pelos donos do poder. A afirmação de Jesus era contrária ao catecismo da época. Não combinava com a idéia que tinham de Deus. Por isso, se revoltam e acusam Jesus dizendo: Ele está zombando de Deus! Para eles, só Deus podia perdoar pecados. E só o sacerdote podia declarar que alguém havia sido perdoado e purificado. Como é que Jesus, homem sem estudos, leigo, um simples carpinteiro, podia declarar as pessoas perdoadas e purificadas dos pecados? E havia, além disso, outro motivo que os levava a criticar Jesus. Eles provavelmente estariam pensando: “Se fosse verdade o que Jesus estava dizendo, iriam perder todo seu poder! E iriam perder a fonte de sua renda”.
• Curando, Jesus demonstra que tem poder de perdoar os pecados. Jesus percebe a crítica. Por isso pergunta: O que é mais fácil dizer ao paralítico: Teus pecados estão perdoados, ou, levanta-te toma tua cama e anda? É muito mais fácil dizer: “Teus pecados estão perdoados”. Porém, se digo: “Levanta-te e anda!”, aí todos podem comprovar se tenho ou não esse poder de curar. Por isto, para mostrar que tinha o poder de perdoar os pecados em nome de Deus, Jesus diz ao paralítico: Levanta-te, toma tua cama e vai para casa! O homem se curou. Assim, mediante um milagre demonstrou que a paralisia do homem não era um castigo de Deus, e mostrou que a fé dos pobres é uma prova de que Deus os acolhe em seu amor.
• A mensagem do milagre e a reação das pessoas. O paralítico se levanta, toma a cama, começa a andar e todos dizem: Nunca vimos coisa igual! Este milagre revelou três coisas muito importantes: 1)- As enfermidades das pessoas não são um castigo por seus pecados. 2)- Jesus abre um novo caminho para chegar até Deus. Aquilo que o sistema chamava impureza não era impedimento para que as pessoas se aproximassem de Deus. 3)- O rosto de Deus revelado através da atitude de Jesus não é o rosto severo do Deus revelado pela atitude dos doutores.
• Isto lembra o que disse um “dependente de drogas” que se recuperou e que agora é membro de uma comunidade em Curitiba, disse: “Me criei na religião católica. Deixei de participar. Meus pais eram muito praticantes e queriam que os filhos fossem com eles. A gente era obrigada a ir à igreja sempre, todos os domingos e festas. E quando não ia, diziam: “Deus castiga!”. Eu não com gosto, e quando cresci, pouco a pouco fui deixando. O Deus de meus pais não gostava de mim. Não conseguia entender como Deus, criador do mundo, se convertera em um juiz para mim, menino do campo, ameaçando-me com o castigo e com o inferno. Eu gostava mais do Deus de meu tio, que não pisava na igreja, porém, todos os dias, sem faltar, comprava o dobro do pão que necessitava para dar aos pobres!”.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

•    Você gosta do Deus do tio, ou, do Deus dos pais do ex-drogado?
• Qual é o rosto de Deus que revelo aos demais através do meu comportamento?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 78, 3-4)
• Hoje oferecerei algum sacrifício por cada coisa pequena ou grande, na qual reconheça que durante o dia fui infiel a Deus.




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 17/01/13





QUINTA-FEIRA -17/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 3,7-14


• Um dos perigos latentes de nossa comunidade cristã é o que poderia chamar: O risco da normalidade. Isto é, o pensar que nossa vida “não é tão má”, que não somos grandes pecadores, pois, não matamos, não roubamos bancos, vamos a missa aos domingos, etc. Tudo isto é claramente uma forma de endurecer o coração. Deus nos chamou para ser SANTOS, a mediocridade na vida espiritual, sobretudo, em nossa relação com Deus, esfria o coração e o endurece. Por isso, o autor desta carta convida a comunidade a animar-se mutuamente para que nenhum pecado chegue a endurecer seu coração. Esta ajuda deve ser diária, já que é o único tempo que temos: o ontem já não existe e o amanhã ainda não chegou. Tire um tempo para compartilhar tua fé com os demais e não permitas jamais que chegue a tua vida o “risco da normalidade!”.




ORAÇÃO INICIAL

• Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.



REFLEXÃO

Marcos 1,40-45

•    Acolhendo e curando o leproso Jesus revela um novo rosto de Deus. Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído, um impuro. Devia viver afastado. Porém, aquele leproso tinha muito valor. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. E grita: “Se queres, podes me limpar!”. Isto é, “não precisa tocar-me! Basta querer para que eu seja curado!”. A frase revela duas enfermidades: a)- a enfermidade da lepra que o tornava impuro; b)- a enfermidade da solidão a qual era condenado pela sociedade e pela religião. Revela ao mesmo tempo a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas enfermidades. Primeiro, para curar a solidão, toca o leproso. E é como se dissesse: “Para mim, tu não és um excluído. Eu te acolho como irmão!”. Em seguida, cura a lepra dizendo: “Quero, fique limpo!”. O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, havia transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e assim revelar um novo rosto de Deus, transgride as normas de sua religião e toca o leproso. Naquele tempo, quem tocasse num leproso, se tornava impuro diante das autoridades religiosas e diante da lei da época.
• Reintegrar os excluídos na convivência fraterna. Jesus não somente cura, mas, além disso, quer que a pessoa curada possa conviver de novo com os demais. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para que um leproso fosse de novo acolhido na comunidade, tinha que ter um atestado firmado por um sacerdote. É como hoje. O enfermo sai do hospital só se tiver um atestado médico firmado por um doutor. Jesus obriga o leproso a buscar o documento, para que possa conviver com normalidade. Obriga as autoridades a reconhecer que o homem havia sido curado.
• O leproso anuncia o bem feito por Jesus, e Jesus se torna um excluído. Jesus havia proibido o leproso de falar da cura. Porém, não conseguiu. O leproso, quando se foi, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente no povoado, tinha que andar pelos arredores, em lugares separados. Por quê? É que Jesus havia tocado num leproso. Por isso, na opinião pública daquele tempo, Jesus, agora também era impuro e tinha que viver afastado de todos. Não podia entrar nas cidades. Porém, Marcos mostra que o povo pouco importou com essas normas oficiais, pois, de todos os lados chegavam pessoas para ver Jesus. Subversão total!
• Resumindo. Tanto nos anos 70, época na qual Marcos escreve, como hoje, época na qual vivemos, era e continua sendo importante ter diante de nós alguns modelos de como viver e anunciar a Boa Nova de Deus e de como avaliar nossa missão. Nos versos de 16 as 45 do primeiro capítulo de seu evangelho, Marcos descreve a missão da comunidade e apresenta oito critérios para que as comunidades de seu tempo pudessem avaliar sua missão. Objetivo da missão: 1)- Mc 1,16-20: Formar Comunidades; 2)- Mc 1,21-22: Criar consciência crítica; 3)- Mc 1,23-28: Lutar contra o poder do mal; 4)- Mc 1,29-31: Restaurar a vida para o serviço; 5)- Mc 1,32-34: Acolher os marginalizados; 6)- Mc 1,35: Permanecer unido ao Pai; 7)- Mc 1,36-39: Não parar apenas nos resultados e 8)- Mc 1,40-45: Reintegrar os excluídos.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Anunciar a Boa Nova consiste em dar testemunho da experiência concreta que temos de Jesus. O leproso, o que é que anuncia? Conta aos demais o bem feito por Jesus. Só isto! Tudo isto! E é o este testemunho que leva os demais a aceitar a Boa Nova que Jesus nos trás? Qual testemunho que eu estou dando?
• Para levar a Boa Nova de Deus, as pessoas, não se permite ter medo de transgredir as normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Ainda que isto trouxesse dificuldades para a pessoa, como as conduziu Jesus? Teve este valor?


ORAÇÃO FINAL

• (Salmo 95,6-7)
• Hoje falarei de minha fé a pessoa que esteja de meu lado, e a farei saber que somos membros de uma pequena comunidade, também parte do corpo de Cristo.





quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 16/01/13





QUARTA-FEIRA -16/01/2013

PRIMEIRA LEITURA:Hebreus 2,5-12

• A liturgia nos propõe este belo texto que nos convida a refletir o quão importante somo diante de Deus. Distintamente ao que muitos puderam pensar, nós não somos uma criação qualquer, mas, única e exclusiva de Deus, criatura a qual, por meio de Jesus, nos incorporou a sua família e, por isso, podemos chamar verdadeiramente Deus de Pai. Porém, mais ainda, somos tão importantes e nossa vida é tão apreciada por Deus que enviou seu único Filho para que, dando sua vida em resgate, nos desse a vida. Imagine, pagou nossa vida eterna com a própria vida. Já não é mais escravo, mas, agora é filho de Deus. Como não responder com generosidade a um Deus que te ama tanto? Como não dar-lhe o melhor de ti Àquele que entregou seu sangue para que tivesse vida e a tivesse em abundância?




ORAÇÃO INICIAL

• Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.



REFLEXÃO

Marcos 1,29-39

•    Jesus restaura a vida para o serviço. Depois de participar na celebração do sábado na sinagoga, Jesus entra na casa de Pedro e cura a sogra deste. A cura faz com que a mulher se coloque de pé e atenda aos demais. Uma vez recuperadas a saúde e a dignidade, começa a servir as pessoas. Jesus não somente cura a pessoa, mas, cura para que a pessoa se coloque a serviço da vida.
• Jesus acolhe os marginalizados. Ao cair da tarde, terminado o sábado na hora em que aparece a primeira estrela no céu, Jesus acolhe e cura os enfermos e os possuídos que as pessoas lhe trazem. Os enfermos e os possuídos eram as pessoas mais marginalizadas naquela época. Não sabiam a quem recorrer. Estavam a mercê da caridade pública. Além disso, a religião os considerava impuros. Não podiam participar da comunidade. Era como se Deus os rejeitasse e excluísse. Jesus os acolhe. Assim, aparece em que consiste a Boa Nova de Deus e o que quer alcançar na vida da pessoa: acolher os marginalizados e aos excluídos, e reintegrá-los na convivência da comunidade.
• Permanecer unido ao Pai pela oração. Jesus aparece rezando. Faz um esforço muito grande para ter o tempo e o ambiente apropriado para rezar. Levanta-se antes que os outros, para poder estar a sós com Deus. Muitas vezes, os evangelhos, nos falam da oração de Jesus em silêncio (Mt 14,22-23; Mc 1,35; Lc 5,15-16; 3,21-22). Através da oração, Ele mantém viva em si a consciência de sua missão.
• Manter viva a consciência da missão e não fechar-se no resultado obtido. Jesus se tornou conhecido. Todos iam atrás Dele. Esta publicidade agradou aos discípulos. Foram buscar Jesus para levá-lo de novo junto as pessoas que o procuravam, e dizem: Todos te procuram. Pensavam que Jesus ia participar no banquete. Enganaram-se! Jesus não foi e disse: Vamos para outros lugares!. Ele precisamente para isto. Estranharam seguramente. Jesus não era como imaginavam. Tinha uma consciência muito mais clara de sua missão e queria transmiti-la aos discípulos. Não quer que se fechem no resultado já obtido. Não devem olhar atrás. Como Jesus, devem manter bem viva a consciência de sua missão. É a missão recebida do Pai que deve orientá-los na tomada de decisões.
• Foi precisamente para isto, que ele veio. Este foi o primeiro mal entendido entre Jesus e os discípulos. De momento, não é uma pequena divergência. Mais adiante, no evangelho de Marcos, este mal entendido, apesar das muitas advertências de Jesus, cresce e chega quase a uma ruptura entre Jesus e os discípulos (cf. Mc 8,14-21.32-33;9,32;14,27). Hoje também existem mal entendidos no anuncio da Boa Nova. Marcos ajuda-nos a prestar atenção nas divergências, para não permitir que cresçam até chegar a uma ruptura.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Jesus não veio para ser servido, mas, para servir. A sogra de Pedro começa a servir. Eu faço de minha vida um serviço a Deus e aos irmãos e irmãs?
• Jesus mantinha viva a consciência de sua missão mediante a oração. E minha oração?



ORAÇÃO FINAL

•    (Salmo 96,2-3)
• Hoje, em cada decisão que tomar me perguntarei: Jesus faria assim? Consciente de que Jesus é quem está vivendo em mim.






terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 15/01/13





TERÇA-FEIRA -15/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 2,5-12

• Lendo esta passagem cabe pensar, que Deus jamais quis “compartilhar” sua glória e fazer o ser humano semelhante a Ele? Esta verdadeiramente é a loucura de Deus. Com quanta razão diz salmo 8 citado neste texto “Quem é o homem para combinar com Ele, o ser humano para dar-lhe poder?”. O fantástico é que isto já é uma realidade em todos os batizados, pois, por meio do batismo, Deus nos tem feito renascer e nos converte em irmãos de Cristo, co-herdeiros de sua glória, e sente-se honrado em chamar-nos de irmãos. Às vezes estamos tão acostumados a ouvir que Jesus é nosso irmão e que Deus é nosso Pai, que não percebemos o que isto significa. Pensemos por um momento que, somos irmãos de Steve Jobs, ou que nosso pai fosse o inventor da medicina que cura a enfermidade mais terrível. Não é certo que o proclamaríamos ao mundo inteiro, sentindo-nos muito, mas muito, orgulhosos de ser da família deles? Pois, isto é uma fantasia, o outro é uma verdade que supera qualquer outro parentesco: somos irmãos de Cristo chamados a compartilhar sua glória. Não valeria a pena começar a nos fazer conscientes deste parentesco e a sentir-nos muito, mas muito orgulhosos de sermos chamados “cristãos”, irmãos de Cristo e filhos de Deus?




ORAÇÃO INICIAL

• Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.



REFLEXÃO

Marcos 1,21b-28

•    O evangelho de ontem nos informava sobre uma primeira atividade de Jesus: chamou quatro pessoas para formar comunidade com Ele (Mc 1,16-20). O evangelho de hoje descreve a admiração das pessoas diante do ensinamento de Jesus (Mc 1,21-22) e o primeiro milagre expulsando um demônio (Mc 1,23-28). O evangelho de amanhã narra a cura da sogra de Pedro (Mc 1,29-31), a cura de muitos enfermos (Mc 1,32-34) e a oração de Jesus em um lugar solitário (Mc 1,35-39). Marcos recorre a estes episódios, que se transmitiam oralmente nas comunidades, e os uniu entre si como os ladrilhos em uma parede. Nos anos 70, época na qual ele escreve, as Comunidades necessitavam orientação. Ao descrever como foi o inicio da atividade de Jesus, Marcos indicava que deviam fazer para anunciar a Boa Nova. Marcos faz catequese contanto às comunidades os acontecimentos da vida de Jesus.
• Jesus ensinava com autoridade, diferentemente dos escribas. A primeira coisa que as pessoas percebem é que Jesus ensinava de forma diferente. Não é tanto referente ao conteúdo, mas sim, a forma de ensinar que impressiona. Por meio desta forma diferente, Jesus cria uma consciência crítica nas pessoas com relação as autoridades religiosas da época. As pessoas percebem, comparam e dizem: Ensina com autoridade, diferente dos escribas. Os escribas da época ensinavam, citando autoridades. Jesus não cita nenhuma autoridade, mas, fala a partir de sua experiência de Deus e da vida. Sua palavra tem raiz no coração.
• Veio para destronar-nos? Em Marcos, o primeiro milagre é a expulsão de um demônio. Jesus combate e expulsa o poder do mal que se apoderava das pessoas e as alienava de si mesmas. O individuo possuído gritava: “Eu te reconheço, tu és o Santo de Deus!”. O homem repetia o ensinamento oficial que representava o Messias como “Santo de Deus”, isto é, como um Sumo Sacerdote, ou como rei, juiz, doutor ou general. Hoje também, muita gente vive alienada de si, enganada pelo poder dos meios de comunicação, da propaganda do comércio. Repete o que ouve dizer. Vive escrava do consumismo, oprimida pelos empréstimos de dinheiro, ameaçada pelos credores. Muitos pensam que sua vida não é como deveria ser se não podem comprar aquilo que a propaganda anuncia e recomenda.
• Jesus ameaça o espírito do mal: “Cala-te e sai desse homem!”. O espírito derruba o homem, lança um tremendo grito e sai dele. Jesus devolve as pessoas a eles mesmas. Faz com que a pessoa recupere seu perfeito juízo (cf Mc 5,15). Não era fácil, nem o foi ontem, nem é hoje, fazer com que uma pessoa comece a pensar e a agir de forma diversa da ideologia oficial.
• Ensinamento novo! Os espíritos impuros inclusive o obedecem. Os primeiros sinais da Boa Nova que o povo percebe em Jesus, são estes: sua forma diferente de ensinar as coisas de Deus, e seu poder sobre os espíritos impuros. Jesus abre um novo caminho para que a pessoa chegue a ser pura. Naquele tempo, uma pessoa declarada impura não podia comparecer diante de Deus para rezar e receber a benção prometida por Deus a Abraão. Antes, tinha que purificar-se. Esta e muitas outras leis e normas dificultavam ávida da pessoa e marginalizavam muita gente como impura, longe de Deus. Agora, purificadas pelo contato com Jesus, as pessoas impuras podiam comparecer de novo diante de Deus. Era uma grande Boa Nova para eles!



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Posso dizer: “Sou totalmente livre, senhor de mim mesmo? Se não posso dizer a mim mesmo, então, algo em mim, está possuído por outros poderes. Como faço para expulsar este poder estranho?”.
• Hoje muita gente não vive, mas, é vivida. Não pensa, mas é pensada pelos meios de comunicação. Não tem pensamento crítico. Não é dona de si mesma. Como expulsar este “demônio”?



ORAÇÃO FINAL

•    (Salmo 8,2.5)
• Hoje em minha oração e durante todo o dia chamarei Deus como chamo normalmente meu pai terreno e a Jesus como a meus irmãos de sangue.





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 14/01/13






SEGUNDA-FEIRA -14/01/2013

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 1,1-6

• Um dos principais problemas da primeira comunidade foi o definir quem e o que era Jesus: Um simples ser humano, revestido de poder divino? Um deus com “aparência humana”? Um anjo? Questão que só ficará totalmente definida até o Concílio de Éfeso (431 d.C.) onde se afirma categoricamente que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O inicio desta carta, nos introduz neste mistério de Cristo e nos apresenta como o “grande revelador do Pai”. Ao iniciar este novo período dentro de nossa liturgia, a Palavra de Deus nos convida a que também nós clarifiquemos quem é Jesus: Será para mim, como expressa esta passagem, verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai? Se, é assim, impõem-se algumas resoluções que devem ser parte de nossa vida: obedecer a sua Palavra amar sua Igreja, adorar em espírito e verdade e servi-lo em seus irmãos, sobretudo, os mais pobres.




ORAÇÃO INICIAL

• Mostra-te favorável, Senhor, aos desejos e orações de teu povo; dá-nos luz para conhecer tua vontade e a força necessária para cumpri-la. Por Nosso Senhor. Amém.



REFLEXÃO

Lucas 4,14-22ª

•    Depois que prenderam João, Jesus foi à província da Galiléia e começou a proclamar a Boa Nova de Deus. João levado preso a pedido do rei Herodes porque denunciou o comportamento imoral do rei (Lc 3,18-20). A prisão de João Batista não assustou Jesus! Viu nela um sinal da chegada do Reino. E hoje, sabemos ler os fatos da política e da violência urbana para anunciar a Boa Nova de Deus?
• Jesus proclamava a Boa Nova de Deus não somente porque vem de Deus, mas sim, porque também e, sobretudo, porque Deus é seu conteúdo. Deus, Ele próprio, é a maior Boa Nova para a vida humana. Responde à aspiração mais profunda de nosso coração. Em Jesus aparece o que acontece quando um ser humano deixa que Deus entre e reine. Esta Boa Nova do Reino de Deus anunciada por Jesus tem quatro aspectos:
• A)- O prazo está vencido! Para os demais judeus o prazo não estava vencido, todavia. Faltava muito para a chegada do Reino. Para os fariseus, por exemplo, o Reino podia chegar só quando fosse perfeita a observância da Lei. Jesus tem outro modo de ler os fatos. Diz que o prazo está vencido.
• B)- O Reino de Deus está próximo! Para os fariseus a chegada do Reino dependia de seus esforços. Só chegaria depois que eles houvessem observado toda a Lei. Jesus diz o contrário: O Reino está próximo! Já estava ali, independentemente do esforço feito. Quando Jesus diz: “O Reino está próximo!”, não quer dizer que o Reino estava chegando nesse momento, mas, que já estava ali. Aquele que todos esperavam, já estava presente em suas vidas, e eles não sabiam, não percebiam (cf. Lc 17,21). Jesus percebeu! Pois, Ele lia a realidade com um olhar diferente. Jesus revelará aos pobres de sua terra esta presença oculta do Reino no meio das pessoas. É esta a semente do Reino que receberá a chuva de sua palavra e o calor de seu amor.
• C)- Convertam-se! O sentido exato é mudar a forma de pensar e de viver. Para poder perceber a presença do Reino na vida, a pessoa terá que começar a pensar e a viver de forma distinta. Terá que mudar de vida e encontrar outra forma de convivência. Terá que deixar de lado o legalismo do ensinamento dos fariseus e permitir que a nova experiência de Deus invada sua vida e lhe dê olhos novos para ler e entender os fatos.
• D)- Acreditem na Boa Nova! Não era fácil aceitar esta mensagem. Não é fácil começar a pensar de forma distinta a tudo o que se aprendeu, desde pequeno. Isto só é possível mediante um ato de fé. Quando alguém vem trazer uma notícia diferente, difícil de ser aceita, você a aceitará só se a pessoa que trás a notícia é de confiança. E você dirá aos demais: “Pode acreditar. Eu conheço a pessoa. Não engana. É de confiança”. Jesus é de confiança!
• O primeiro objetivo do anuncio da Boa Nova é formar comunidade. Jesus passa, olha e chama. Os quatro primeiros a ser chamados: Simão, André, João e Tiago, ouvem, deixam tudo e seguem Jesus para formar a comunidade com Ele. Parece amor a primeira vista! Segundo o relato de Marcos, tudo aconteceu durante o primeiro encontro com Jesus. Comparando com outros evangelhos, a pessoa percebe que os quatro já conheciam Jesus (Jo 1,39; Lc 5,1-11). Já tiveram a oportunidade de conviver com Ele, de ver quando Ele ajudava as pessoas e de ouvi-lo na sinagoga. Sabiam como viva e como pensava. O chamado não foi coisa de um momento, mas, de repetidos chamados e convites, de avanços e retrocessos. O chamado começa e volta a começar sempre de novo! Na prática, coincide com a convivência dos três anos com Jesus, desde o batismo até o momento em que Jesus foi levado ao céu. Então, por que Marcos nos apresenta isso como um fato repentino de amor a primeira vista? Marcos pensa no ideal: o encontro com Jesus tem que produzir uma mudança radical em nossa vida.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Um fato Político, a prisão de João, levou Jesus a iniciar o anuncio da Boa Nova de Deus. Hoje, os fatos políticos e sociais influem no anúncio que fazemos da Boa Nova às pessoas?
• Convertam-se! Acreditem na Boa Nova! Como está acontecendo isto na minha vida?



ORAÇÃO FINAL

•    (Salmo 97,9)
• Hoje estarei pendente de ouvir Jesus em cada momento e situação do dia, sabendo que Ele me fala em cada coisa que ocorre em minha vida.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 11/01/13






SEXTA-FEIRA -11/01/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1João 5,5-13

• Aqui vencer o mundo não significa derrotá-lo como inimigo, mas sim, ganhá-lo como amigo, porque Deus quer que todos os homens se salvem e enviou seu Filho para que o mundo se salve através Dele, portanto, devemos entender que vencer o mundo significa ganhá-lo para Deus, assim como Jesus se apresenta como salvador de todos. Vence o mundo aquele que acredita que Jesus nos mostra plenamente Deus e não uma parte Dele como os antigos profetas. O testemunho de Jesus a igreja o vê apresentado nos sacramentos do batismo e da eucaristia, por isso, João fala da manifestação de Jesus mediante a água e o sangue, porque são os momentos de seu batismo e, de sua morte os constitutivos da realidade da igreja. Todavia, o Espírito Santo é quem dá testemunho da filiação divina de Jesus, por isso, nos dizia Paulo que o Espírito é quem nos impulsiona a chamar Deus de “Abba” e a Jesus “Senhor”, porque é o Espírito quem em nós dá origem à fé e a pregação de Jesus e ao chamado do Pai. É o Espírito Santo, o batismo e a eucaristia os portadores e os prosseguidores da vida cristã, porém, também são a antecipação da vida eterna a qual todos os homens são chamados e que podemos fazer nossa, mediante a docilidade do Espírito Santo e a fidelidade ao evangelho de Jesus.




ORAÇÃO INICIAL

• Deus todo poderoso: tu que tens anunciado ao mundo, por meio da estrela, o nascimento do Salvador, manifesta-nos sempre este mistério e faz que a cada dia avancemos em sua contemplação. Por Nosso Senhor. Amém!



REFLEXÃO

Lucas 5,12-16

•    Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Devia viver afastado dos demais. Quem o tocasse ficaria impuro! Porém, aquele leproso tinha muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Diz: “Senhor se queres, pode limpar-me. Ou seja: Não necessitas tocar-me! Basta que o Senhor queira para que eu me torne são!”. A frase revela duas enfermidades: (01)-a enfermidade da lepra que torna alguém impuro; (02)-a enfermidade da solidão em que estava condenado pela sociedade e pela religião. Revela também uma grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas enfermidades. Primeiro, para curar a solidão, toca o leproso. É como se dissesse: “Para mim, tu não é um excluído. Eu te acolho como irmão!”. Logo, cura a lepra dizendo: “Eu quero! Fique limpo!”.
• Para poder entrar em contato com Jesus, o leproso havia transgredido as normas da lei. Mesmo assim, para poder ajudar aquele excluído e revelar-lhe assim um novo rosto de Deus, Jesus não segue as normas de sua religião e toca o leproso. Naquele tempo, quem tocava em um leproso era considerado impuro pelas autoridades religiosas e pela lei da época.
• Jesus não só cura, mas, além disso, quer que a pessoa curada possa conviver. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para que um leproso fosse acolhido de novo na comunidade, necessitava de um certificado de cura por parte de um sacerdote. É como hoje. O enfermo sai do hospital só com um documento firmado pelo médico de plantão. Jesus obriga o leproso curado para que procure o documento, para que possa conviver com normalidade. Obriga as autoridades a que reconheçam que o homem foi curado.
• Jesus proibiu o leproso que falasse da cura. O evangelho de Marcos informa que esta proibição não foi respeitada. O leproso, assim que saiu, começou a falar e a contar detalhadamente todo o assunto. Por isso Jesus já não podia entrar publicamente nos povoados, tinha que andar pelos arrabaldes, em lugares afastados (Mc 1,45). Por quê? Porque Jesus havia tocado no leproso. Por isto, segundo a opinião da religião daquele tempo, agora Ele próprio era um impuro e tinha que viver afastado de todos. Não podia entrar nas cidades. E Marcos informa que o povo pouco se importava com as normas oficiais, pois, de todas as partes chegavam onde Ele estava (Mc 1,45). Subversão total!
• A dupla mensagem que Lucas e Marcos dão às comunidades de seu tempo e a todos nós hoje: (01)-anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que é que anuncia? Conta aos demais o bem que Jesus lhe havia feito. Só isto! Tudo isto! E este testemunho leva aos demais a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. (02)-Para levar a Boa Nova de Deus às pessoas não temos que ter medo de transgredir as normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Ainda que isto ocasione dificuldades para a gente, como foi para Jesus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Para ajudar ao próximo, Jesus transgrediu a lei da pureza. Existem hoje leis na igreja que dificultam ou impedem a prática do amor para com o próximo?
• Para poder ser curado o leproso tem coragem diante da opinião pública de seu tempo. E eu?



ORAÇÃO FINAL

•    (SALMO 147,12-13)
• Hoje serei fiel a Deus servindo a meus irmãos, sobretudo, aos mais próximos de mim.




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lectio Divina - 10/01/13



QUINTA-FEIRA -10/01/2013



PRIMEIRA LEITURA: 1João 4,19-5,4

• Muita gente tem a idéia de que o cristianismo é uma doutrina da “negação”, da restrição e isto os desanima a participar ativamente dela. No entanto, isto é falso, ao contrário, é a religião do amor, do “sim” total, da abertura à liberdade. Os mandamentos como nos diz hoje João, “não são pesados” porque neles descobrimos não uma medida restritiva, mas sim, uma proteção para nossa felicidade. Cada um dos mandamentos assegura nossa felicidade e a paz na alma. Entretanto, para o mundano, para o que, sem importar as conseqüências, deseja fazer sempre o que lhe aprouver, ou que suas paixões lhe inspiram, ai então encontrará no cristianismo uma religião que o restringe, que não lhe permite fazer o que suas paixões queriam. É necessário entrar no mistério de Deus e a partir daí compreender que cada um dos mandamentos da Lei expressa o amor de um Pai que ama seu filho e procura por todas as formas protege-lo contra o maior destruidor que nele existe: suas paixões. Quem inicia uma vida em Cristo, pouco a pouco, o Espírito Santo lhe irá dando a liberdade que lhe fará ver o pecado como realmente é, uma armadilha mortal para nossa vida na terra e na futura, a partir daí descobrirá o amor que Deus tem tido ao prevenir-nos, sobretudo, naquilo que nos prejudica. Realmente para o homem novo, nascido do Espírito, a lei não é pesada, é uma bela ferramenta que nos ajuda a discernir as áreas de perigo para afastar-nos delas. 




ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus que por meio de teu Filho clareou para todos os povos a aurora de tua eternidade, concede a teu povo reconhecer a glória de seu Redentor e chegar um dia a luz eterna! Por Nosso Senhor. Amém!



REFLEXÃO

Lucas 4,14-22ª

Animados pelo Espírito Santo, Jesus volta a Galiléia e começa anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus. Indo pelas comunidades e ensinando nas sinagogas chega a Nazaré, onde havia se criado. Voltava a comunidade na qual, desde pequeno, havia participado nas celebrações durante trinta anos. No sábado seguinte, segundo o costume, vai a sinagoga para estar com as pessoas e participar na celebração.
• Jesus se levanta para fazer a leitura. Escolhe o texto de Isaias que fala dos pobres, dos presos, dos cegos e dos oprimidos. O texto reflete a situação das pessoas da Galiléia no tempo de Jesus. Em nome de Deus, Jesus toma postura em defesa de seu povo e, usando as palavras de Isaias, define sua missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a liberdade aos cativos e aos cegos que de imediato vão ver, despedir livres os oprimidos. Retomando a antiga tradição dos profetas, proclama “um ano da graça do Senhor”. Proclama um ano de jubileu. Jesus quer reconstruir a comunidade, o clã, para que fosse novamente expressão de sua fé em Deus. Se Deus é Pai/Mãe, todos devemos ser irmãos e irmãs uns dos outros.
• No Israel antigo, a grande família ou o clã ou a “comunidade”, era a base da convivência social. Era a proteção das famílias e das pessoas, a garantia da possessão da terra, a principal via da tradição e da defesa da identidade do povo. Era a forma concreta em que o amor de Deus se encarnava no amor ao próximo. Defender o clã, a comunidade, era o mesmo que defender a Aliança com Deus. Na Galiléia do tempo de Jesus, um duplo cativeiro marcava a vida das pessoas e estava contribuindo para a desintegração do clã, da “comunidade”: o cativeiro da política do governo de Herodes Antipas (4 aC a 39 dC) e o cativeiro da religião oficial. Por causa do sistema de exploração e de repressão da política de Herodes Antipas, apoiada pelo império Romano, muitas pessoas eram excluídas, ficavam sem lar e sem emprego (Lc 14,21;Mt 20,3.5-6). O clã, a “comunidade” ficou debilitada. As famílias e as pessoas ficaram sem ajuda, sem defesa. E a religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época, em vez de fortalecer a comunidade, para que pudesse acolher aos excluídos, reforçou ainda mais esse cativeiro. A Lei de Deus era usada para legitimar a exclusão de muita gente: mulheres, crianças, samaritanos, estrangeiros, leprosos, possuídos, publicanos, mutilados, paraplégicos. Era o contrário da fraternidade que Deus sonhou para todos! Assim, tanto a conjuntura política e econômica como a ideologia religiosa, tudo conspirava para debilitar a comunidade local e impedir a manifestação do Reino de Deus. O programa de Jesus, baseado no profeta Isaias, oferecia uma alternativa.
• Terminada a leitura, Jesus atualiza o texto e o liga com a vida do povo dizendo: “Hoje se cumpre estas profecias que acabam de ouvir!”. Sua maneira de ligar a Bíblia com a vida das pessoas, produz uma dupla reação. Alguns acreditam e ficam admirados. Outros têm uma reação de descrédito. Ficam escandalizados e não querem saber nada Dele. Dizem: “Este não é o filho de José?” (Lc 4,22). Por que é que se escandalizaram? Porque Jesus fala de acolher os pobres, os cegos, os oprimidos. Porém, eles não aceitam sua proposta. E assim, quando Jesus apresenta seu projeto de acolher os excluídos, Ele próprio é excluído!



PARA REFLEXÃO PESSOAL

• Jesus liga a fé em Deus com a situação social de seu povo. E eu, como vivo minha fé em Deus?
• No lugar onde vivo existem cegos, presos, oprimidos? O que eu faço?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 72,17)
• Hoje repassarei os mandamentos e passarei um tempo com as pessoas que convivo, especialmente com aquelas que normalmente rejeito.