sexta-feira, 21 de junho de 2013

Lectio Divina - 21/06/13

SEXTA-FEIRA -21/06/2013

PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 11,18;21-30

• É muito comum que depois de haver participado em um retiro, em alguma experiência espiritual que nos leva a viver a vida cristã de uma maneira mais profunda, que procuremos mostrar esta mudança, mostrar aos demais que Jesus é agora uma experiência em nosso coração. É comum ver pessoas com sua cruz no peito, ou decalques em seus veículos, ou outros elementos que manifestem esta nova experiência do amor de Deus. Paulo, no lugar de todos esses elementos, coloca como prova de sua conversão, todas as perseguições e padecimentos que realizou por Cristo. É, pois, importante que usemos alguns elementos como as cruzes, os quadros e outros objetos para que os demais vejam que fomos tocados pelo amor de Deus, porém, é ainda mais importante que esta mudança se traduza em obras, em atitudes, em zelo pelo Evangelho; essas serão as verdadeiras marcas de que Jesus se instalou em nosso coração.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 6,19-23

• Hoje continuamos nossa reflexão sobre o Sermão do Monte. Antes de ontem e ontem refletimos sobre a prática das três obras de piedade: esmola, oração e jejum. O evangelho de hoje e de amanhã apresenta quatro recomendações sobre a relação com os bens materiais, explicitando assim como viver a pobreza da bem-aventurança: (a)-não acumular (Mt 6,19-21); (b)-ter a visão correta dos bens materiais (Mt6,22-23); (c)-não servir a dois senhores (Mt 6,24); (d)-abandonar a providência divina (Mt 6,25-34). O evangelho de hoje apresenta as duas primeiras recomendações: não acumular bens e não olhar o mundo com maus olhos.
• Mateus 6,19-21: NÃO ACUMULAR TESOUROS NA TERRA. Se, por exemplo, hoje na televisão é dada a noticia de que no próximo mês faltarão açúcar e café, todos nós vamos comprar o máximo de açúcar e café que nos é possível. Acumulamos, porque não confiamos. Nos quarenta anos de deserto, o povo foi colocado à prova para ver se era capaz de observar a lei de Deus (Ex 16,4). A prova consistia nisto: ver se eram capazes de recolher só o necessário de maná para um único dia e não acumular para o dia seguinte. Jesus disse: “Não amontoeis tesouros na terra, onde existe traça e ferrugem que corroem, e ladrões que socavam e roubam. Melhor é amontoá-los no céu, onde não existe traça nem ferrugem que corroem, nem ladrões que socavem e roubem”. O que é que significa acumular tesouros no céu? Trata-se de saber onde colocar os fundamentos de minha existência. Se os coloco nos bens materiais da terra, sempre corro o perigo de perder o que acumulei. Se eu coloco o fundamento em Deus, ninguém vai poder destruí-lo e terei a liberdade interior de compartilhar com os demais os bens que possuo. Para que isto seja possível e viável, é importante que se acredite numa convivência comunitária que favoreça o compartilhar e a ajuda mútua, e na qual a maior riqueza ou tesouro não é a riqueza material, mas, a riqueza e o tesouro da convivência fraterna nascida da certeza trazida por Jesus de que Deus é Pai/Mãe de todos. “Onde está teu tesouro (riqueza), ali está teu coração!”.
• Mateus 6,22-23: A LÂMPADA DO CORPO É O OLHO. Para entender o que Jesus pede é necessário ter os olhos novos. Jesus é exigente e pede muitas coisas: não acumular (6,19-21), não servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo (6,24), não preocupar-se com o que bebemos e comemos (6,25-34). Estas recomendações exigentes tratam daquela parte da vida humana, onde as pessoas têm mais angustias e preocupações. É também a parte do Sermão do Monte que é mais difícil de entender e praticar. Por isto Jesus disse: “Se teu olho está mau,...”. Alguns traduzem olho “mal” e o olho “são”. Outros traduzem olho “mesquinho” e olho “generoso”. É a mesma coisa. Na realidade, a pior enfermidade que se pode imaginar é uma pessoa fechada em si mesma e em seus bens, e a confiança que tem só em seus bens. É a enfermidade da mesquinhez! Quem olha ávida com este olhar viverá na tristeza e na escuridão. O remédio para curar esta enfermidade é a conversão, a mudança de mentalidade e de ideologia. Colocando o fundamento da vida em Deus, o olhar se torna generoso e a vida se torna luminosa, pois, faz nascer o compartilhar e a fraternidade.
• JESUS QUER UMA MUDANÇA RADICAL. Quer a observância da lei do ano sabático, onde se diz que na comunidade dos que acreditam, não pode haver pobres (Dt 15,4). A convivência humana deve organizar-se de tal maneira que já não é necessário preocupar-se com a comida, com a bebida, com a roupa e com a casa, com a saúde e com a educação (Mt 6,25-34). Porém, isto é possível só se todos buscarmos primeiro o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33). O Reino de Deus é permitir que Deus reine: é imitar Jesus (Mt 5,48). A imitação de Deus leva a compartilhar com justiça os bens e leva o amor criativo, que engendra a verdadeira fraternidade. A Providência Divina tem que ser mediada pela organização fraterna. Só assim é possível desfazer-nos de todas as preocupações para o amanhã (Mt 6,34).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus disse: “Onde está tua riqueza, ali estará teu coração”. Onde está minha riqueza: no dinheiro ou na fraternidade?
• Qual é a luz que tenho em meus olhos para olhar a vida, os acontecimentos?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 132,13-14)
• Encomendarei a Jesus os padecimentos que me venham pela fiel fé a seu evangelho e elevarei uma oração para que Ele me console e me ajude a permanecer fiel.





quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lectio Divina - 20/06/13

QUINTA-FEIRA -20/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 11,1-11

• Em meio a este mundo cheio de confusão onde se levantam profetas por toda parte, com novas e diferentes doutrinas, como saber qual é a verdade? A resposta é muito simples: a verdade está na Igreja. Jesus não unicamente nos deixou a Escritura, mas, colocou os pastores na figura de nossos bispos, e de maneira particular Pedro na figura do Papa para que, guiados pela luz do Espírito e em concordância com a Tradição, todos tenham discernimento e nos levem sempre à beber das águas que dão Vida. Por isso, quem se separa da Igreja, corre o risco de perder-se e de criar e aceitar doutrinas errôneas. Só na Igreja sabemos que estamos seguindo ao Bom Pastor, e que o Evangelho e sua interpretação é a que Jesus quis e quer para todos e cada um de seus discípulos. Fora da comunhão eclesial com o Bispo, quem pode discernir se o que leio na Escritura é verdade? Inclusive, quem pode esclarecer-me que a própria Bíblia é “Palavra de Deus”? Santo Agostinho dizia: “Eu acredito na Escritura, porque é minha Mãe Igreja quem me ensina e me afirma que é verdade”. Não é fácil aceitar alguns dos ensinamentos da Igreja (sobretudo, na questão de justiça e moral), no entanto, nossa Mãe está unicamente fazendo é ser fiel a mensagem que Jesus lhe encomendou.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 6,7-15

• O evangelho de hoje nos apresenta a oração do Pai Nosso, o Salmo que Jesus nos deixou. Existem duas redações do Pai Nosso: a de Lucas (Lc 11,1-4) e a de Mateus (Mt 6,7-13). A redação de Lucas é mais breve. Lucas escreve para as comunidades que vinham do paganismo. Procura ajudar as pessoas que estão iniciando o caminho da oração. No evangelho de Mateus, o Pai Nosso está naquela parte do Sermão do Monte, onde Jesus orienta aos discípulos e as discípulas na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O Pai Nosso é parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles já estavam acostumados a rezar, porém, tinham certos vícios que Mateus procura corrigir. No Pai Nosso Jesus resume todo seu ensinamento em sete preces dirigidas ao Pai. Nestes sete pedidos, retoma as promessas do Antigo Testamento e manda pedir ao Pai que Lhe ajude a realizá-las. Os três primeiros falam de nossa relação com Deus. Os outros quatro têm a ver com nossa relação com os demais.
• Mateus 6,7-8: A INTRODUÇÃO AO PAI NOSSO. Jesus critica as pessoas para quem a oração era uma repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a responder a seus pedidos e necessidades. Quem reza deve procurar em primeiro lugar o Reino, muito mais que os interesses pessoais. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição das palavras, mas sim, da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer nosso bem e conhece nossas necessidades, antes que recitemos nossas orações.
• Mateus 6,9ª: AS PRIMEIRAS PALAVRAS: “Pai Nosso, que estás no céu!”. Abba, Pai, é o nome que Jesus usa para dirigir-se a Deus. Expressa a intimidade que tinha com Deus e manifesta a nova relação com Deus que deve caracterizar ávida da pessoa nas comunidades cristãs (Gl 4,6;Rm 8,15). Mateus acrescenta ao nome do Pai o adjetivo “nosso” e a expressão “estás no Céu”. A oração verdadeira é uma relação que nos une ao Pai, aos irmãos e a s irmãs e a natureza. A familiaridade com Deus não é intimista, mas sim, expressa a consciência de pertencer à grande família humana, da qual participam todas as pessoas, de todas as raças e credos: Pai Nosso. Rezar ao Pai e entrar na intimidade com Ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como Pai é o fundamento da fraternidade universal. 
• Mateus 6,9b-10: AS TRÊS PETIÇÕES PELA CAUSA DE DEUS: o Nome, o Reino, a Vontade. Na primeira parte do Pai Nosso, pedimos para que se restaure nossa relação com Deus. Para restaurar a relação com Deus, Jesus pede (a)-a santificação do Nome revelado no Êxodo na ocasião da libertação do Egito; (b)-pede a vinda do Reino, esperado pelas pessoas depois do fracasso da monarquia; (c)-pede o cumprimento da Vontade de Deus, revelada na Lei que estava no centro da Aliança. O Nome, o Reino, a Lei: são três eixos tirados do Antigo Testamento que expressam como deve ser a nova relação com Deus. As três petições mostram que é preciso viver na intimidade com o Pai, fazendo com que seu Nome seja conhecido e amado, que seu Reino de amor e de comunhão se torne realidade, e que se faça sua Vontade assim na terra como no céu. No céu, o sol e a estrelas obedecem a lei de Deus e acreditam na ordem do universo. A observância da lei Deus “assim na terra como no céu” tem que ser a fonte e o espelho de harmonia e de bem estar em toda a criação. Esta relação renovada com Deus, se torna visível na relação renovada entre nós que, por sua vez, é objeto de quatro pedidos mais: o pão de cada dia, o perdão das dívidas, o não cair em tentação e a libertação do Mal.
• Mateus 6,11-13: OS QUATRO PEDIDOS PELA CAUSA DOS IRMÃOS: Pão, Perdão, Vitória, Liberdade. Na segunda parte do Pai Nosso, pedimos que seja restaurada e renovada a relação entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade para que todos os filhos e filhas de Deus vivam com igual dignidade. Pão de cada dia: O pedido do “Pão de cada dia” (Mt 6,11) lembra o maná de cada dia no deserto (Ex 16,1-36). O maná era uma “prova” para ver se a gente era capaz de caminhar segundo a Lei do Senhor (Ex 16,4), isto é, se era capaz de acumular comida só para um dia como sinal de fé que a providência divina passa pela organização fraterna. Jesus convida a realizar um novo êxodo, uma nova convivência fraterna que garanta o pão para todos. O pedido de “perdão das dívidas” (6,12) lembra o ano sabático que obrigava aos credores o perdão das dívidas aos irmãos (Dt 15,1-2). O objetivo do ano sabático e do ano jubilar (Lv 25,1-22) era de desfazer as desigualdades e começar de novo. Como rezar hoje: “Perdoa nossas ofensas assim como nós perdoamos a nossos devedores?”. Os países ricos, todos eles cristãos, se enriquecem graças à divida externa dos paises pobres. Não cair em Tentação: o pedido “não cair em tentação” (6,13) lembra os erros cometidos no deserto, onde o povo caiu em tentação (Ex 18,1-7; Nm 20,1-13; Dt 9,7-29). É para imitar Jesus que foi tentado e venceu (Mt 4,1-17). No deserto, a tentação levava a pessoa a seguir pelos caminhos, a voltar atrás, a não assumir o caminho da libertação e a reclamar de Moisés que o conduzia a liberdade. Libertação do Mal: o mal é o Maligno, Satanás, que procura desviar e que, de muitas maneiras, procura levar as pessoas a não seguir o rumo do Reino, indicado por Jesus. Tentou Jesus para abandonar o Projeto do Pai e que fosse o Messias conforme as idéias dos fariseus, dos escribas e de outros grupos. O Maligno afasta Deus e é motivo de escândalo. Entra em Pedro (Mt 16,23) e tenta Jesus no deserto. Jesus o vence (Mt 4,1-11).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus disse “perdoa nossas dívidas”, porém, hoje rezamos “perdoa nossas ofensas”. O que é mais fácil: perdoar as ofensas ou perdoar as dívidas?
• Como você costuma orar o Pai Nosso: mecanicamente ou colocando toda tua vida e teu compromisso nele?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 97,5-6)
• Revisarei os textos que leio, procurarei documentos de autores cristãos, para não separar-me dos ensinamentos de minha Mãe Igreja.


 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Lectio Divina - 19/06/13


QUARTA-FEIRA -19/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 9,6-11

• Um dos elementos que favorecem o crescimento da vida espiritual é a generosidade. É que esta tem uma condição: doar com alegria. Doar com alegria é uma das mostras mais claras de que nossa caridade é produzida pelo Espírito, já que nos faz ver, não só a necessidade de nosso irmão, mas, descobre nele Jesus, quem nos disse que quem ajuda a um de seus irmãos, é a Ele próprio que ajuda. Se é um sorriso, nosso tempo, ou, nossos bens, demo-los com alegria, sabendo que nosso Deus é um Deus de amor que nos deixa ganhar em generosidade e que seja o que tenhamos dado, ele se encarregará de restituir-nos o cem por um. Cada dia nos é apresentado muitas ocasiões de doar, de ajudar, de servir, não deixemos de aproveitar a oportunidade e façamos isso com alegria.






ORAÇÃO INICIAL 


• Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 6,1-6.16-18

• O evangelho de hoje da continuidade a meditação sobre o Sermão do Monte. Nos dias anteriores refletimos sobre a mensagem do capítulo 5 do evangelho de Mateus. No evangelho de hoje e dos dias seguintes vamos meditar a mensagem do capítulo 6 do mesmo evangelho. A seqüência dos capítulos 5 e 6 pode ajudar em sua compreensão. 
• Mateus 6,1: NÃO PRATICAR O BEM PARA SER VISTO PELOS OUTROS. Jesus critica os que praticam as boas obras só para ser vistos pelos homens (Mt 6,1). Jesus pede apoio a segurança interior naquilo que fazemos por Deus. Nos conselhos que Ele dá transparece um novo tipo de relação com Deus: “E teu Pai que vê em segredo te recompensará” (Mt 6,4). “Antes que peçam, o Pai sabe o que necessitam” (Mt 6,8). “Se perdoam as ofensas dos homens, também o Pai celestial os perdoará” (Mt 6,14). É um novo caminho de acesso que aqui se abre no coração de Deus Pai. Jesus não permite que a prática da justiça e da piedade se use como meio de auto promoção diante de Deus e da comunidade (Mt 6,2.5.16).
• Mateus 6,2-4: COMO PRATICAR A ESMOLA. Dar esmola é uma maneira de realizar o compartilhar tão recomendado pelos primeiros cristãos (At 2,44-45;4,32-35). A pessoa que pratica a esmola e o compartilhar para promover-se a si mesmo diante dos demais merece a sua exclusão da comunidade, como foi o caso de Ananias e Safira (At 5,1-11). Hoje, tanto na sociedade como na Igreja, existem pessoas que fazem grande publicidade do bem que fazem aos demais. Jesus pede o contrário: fazer o bem de forma tal que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita. É o total desapego e a entrega total na gratuidade do amor que crê em Deus Pai e o imita em tudo o que faz.
• Mateus 6,5-6: COMO PRATICAR A ORAÇÃO. A oração coloca a pessoa em relação direta com Deus. Alguns fariseus transformaram a oração em uma ocasião para aparecer e exibir-se diante dos demais. Naquele tempo, quando tocava a trombeta nos três momentos de oração: manhã, meio dia e a tarde, eles deviam parar no lugar onde estavam para fazer suas orações. Havia gente que procurava estar nas esquinas em lugares públicos, para que todos pudessem ver como rezavam. Uma atitude assim, perverte nossa relação com Deus. É falsa e sem sentido. Por isto, Jesus diz que é melhor fechar-se em um quarto e rezar em segredo, preservando a autenticidade da relação. Deus te vê também no secreto e Ele te ouve sempre. Trata-se da oração pessoal, não da oração comunitária.
• Mateus 6,16-18: COMO PRATICAR O JEJUM. Naquele tempo a prática do jejum era acompanhada de alguns gestos exteriores bem visíveis: não lavar o rosto nem se pentear, usar roupa de cor escura. Era sinal visível de jejum. Jesus critica esta maneira de agir e manda fazer o contrário, para que ninguém consiga perceber que está jejuando: lave-se, use perfume, penteie-se. E assim o Pai que vê em segredo o recompensará.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Quando reza, como vive tua relação com Deus?
• Como vive tua relação com os demais na família e na comunidade?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 31,20)
• Hoje revisarei quanto generoso tenho sido e aproveitarei as oportunidades que me forem apresentadas para doar com alegria aos demais.




terça-feira, 18 de junho de 2013

Lectio Divina - 18/06/13


TERÇA-FEIRA -18/06/2013

PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 8,1-9

• Novamente Paulo nos lembra que o amor não é uma coisa sutil, mas concreta e que se manifesta com ações concretas. Nesta ocasião refere-se a ajuda econômica em favor dos pobres e mais necessitados das comunidades cristãs. Dizia um sacerdote: “quando o evangelho chega a teu bolso, pode estar seguro que já passou por teu coração”. É que, enquanto o fica na cabeça e não desce até o coração tudo vai ficando em belos pensamentos, em grandes discursos, porém, com pouca vida. No meio deste mundo materialista e consumista, onde somos com freqüência presas do egoísmo que nos leva a ENTESOURAR, a vida do Espírito nos liberta para que os dons que Deus criou e dos quais nos tem feito administradores, possam chegar a todos os homens. Recordemos sempre que não existe ninguém tão pobre que não tenha algo que compartilhar com os demais. O dinheiro só tem valor quando produz bem estar, e quando este bem estar é recebido pelos mais necessitados, se converte em benção.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,43-48

• No evangelho de hoje chegamos no topo da Montanha das Bem-aventuranças, onde Jesus proclamou a Lei do Reino de Deus, cujo ideal se resume nesta frase lapidária: “Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48). Jesus estava corrigindo a Lei de Deus! Cinco vezes seguida havia afirmado: “Foi-lhes dito, mas Eu vos digo! (Mt 5,21.27,31.33.38). É um sinal de muita coragem de sua parte corrigir, publicamente, diante de toda as pessoas reunidas, o tesouro mais sagrado das pessoas, a raiz de sua identidade, que era a Lei de Deus. Jesus quer comunicar um novo modo de olhar para entender e praticar a Lei de Deus. O segredo para poder ter este novo olhar é a afirmação: Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito”. Nunca ninguém poderá chegar a dizer: “Hoje fui perfeito como o Pai celestial é perfeito!”. Estaremos sempre por baixo diante da medida que Jesus nos tem colocado. Por que é que Ele nos colocou diante de um ideal que para nós os mortais é impossível alcançar?
• Mateus 5,43-45: OUVISTES QUE LHES FOI DITO: AMARÁS TEU PRÓXIMO E ODIARÁS TEU INIMIGO. Nesta frase Jesus explicita a mentalidade com a qual os escribas explicavam a lei; mentalidade que nascia das divisões entre judeus e não judeus, entre próximo e não próximo, entre santo e pecador, entre puro e impuro, etc. Jesus manda terminar com esta pretensão nascida de divisões interessadas. Manda superar as divisões. “Pois Eu vos digo: Amai vossos inimigos e rogai pelos que os perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai celestial, que faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos. Porque se amais aos que os amam, que recompensa vai ter?”. Aqui encontramos a fonte, onde brota a novidade do Reino. Esta fonte é o próprio Deus, reconhecido como Pai, que faz nascer o sol sobre maus e bons. Jesus manda que imitemos a este Deus: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito” (5,48). É imitando este Deus que criaremos uma sociedade justa, radicalmente nova:
• Mateus 5,46-48: SER PERFEITO COMO O PAI CELESTIAL É PERFEITO. Tudo se resume em imitar a Deus: “Porque se amais aos que os amam, que recompensa vai ter? Não fazem isso também os publicanos? E se não cumprimentais mais que vossos irmãos, o que fazeis de particular? Não fazem isto também os gentis? Vós, pois, sede perfeitos como é perfeito vosso Pai celestial” (Mt 5,43-48). O amor é o principio e o fim de tudo. Não existe maior amor que o dar a vida pelos irmãos (Jo 15,13). Jesus imitou o Pai e revelou seu amor. Cada gesto, cada palavra de Jesus, desde o nascimento até a hora da morte na cruz, era uma expressão deste amor criador que não depende do presente que recebe, nem discrimina o outro por motivo de raça, sexo, religião ou classe social, mas, nasce de um querer ao outro, gratuitamente. Foi um crescendo continuo desde o nascimento até a morte na Cruz.
• A MANIFESTAÇÃO PLENA DO AMOR CRIADOR EM JESUS. Foi quando na Cruz ofereceu o perdão ao soldado que o torturava e o matava. O soldado, empregado do império, tomou o pulso de Jesus e o apoiou sobre o braço da cruz, em seguida colocou um cravo e começou a dar golpes. Várias marteladas. O sangue corria. O corpo de Jesus se contorcia pela dor. O soldado, mercenário ignorante, alheio ao que estava fazendo e ao que estava ocorrendo a seu redor, continuava dando golpes como se fosse um prego na parede da casa para colocar um quadro. Neste momento Jesus dirige ao Pai esta oração: “Pai, perdoa! Não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). Por mais que os homens quisessem a falta de humanidade não conseguiram apagar em Jesus a humanidade. Eles o prenderam, o insultaram, cuspiram no rosto, deram-lhe tapas, fizeram-lhe dele um rei palhaço com a coroa de espinhos na cabeça, flagelaram-lhe, torturaram-lhe, fizeram-lhe andar pelas ruas como um criminoso, teve que ouvir os insultos das autoridades religiosas, no calvário o deixaram totalmente nu à vista de todos e de todas.
• Porém o veneno da falta de humanidade não conseguiu alcançar a fonte da humanidade, que brotava de dentro de Jesus. A água que brotava de dentro era mais forte que o veneno que vinha de fora, querendo de novo contaminá-lo todo. Olhando aquele soldado ignorante e bruto, Jesus teve pena dele e rezou por ele e por todos: “Pai, perdoa!”. E até consegue uma desculpa: “São ignorantes. Não sabem o que estão fazendo!”. Diante do Pai, Jesus se fez solidário dos que o torturavam e o maltratavam. Era como o irmão que vai com seus irmãos assassinos diante do juiz e ele, vitima de seus próprios irmãos, diz ao juiz: “São meus irmãos, sabe. São ignorantes. Porém, melhorarão!”. Era como se Jesus estivesse com medo que a mínima raiva contra o soldado pudesse apagar Nele o pequeno resto de humanidade que ainda tinha dentro. Este gesto incrível de humanidade e de fé na possibilidade de recuperação daquele soldado foi a maior revelação de amor de Deus. Jesus pode morrer: “Está tudo consumado!”. E inclinando a cabeça, entrega o espírito (Jo 19,30). Realizou a profecia do Servo Sofredor (Is 53).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Qual é a motivação mais profunda do esforço que fazes para observar a Lei de Deus: merecer a salvação ou agradecer a bondade imensa de Deus que te criou, que te mantém vivo e te salva?
• Como entende esta frase: “ser perfeito como o Pai celestial é perfeito?”.



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 51,3-4)
• Hoje procurarei algum pobre na rua e lhe darei algo de comer.




segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lectio Divina - 17/06/13

SEGUNDA-FEIRA -17/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 6,1-10

• Uma das coisas que mais dano fazem à Igreja é o mal testemunho que seus filhos dão, pois, desgraçadamente não dizem: “Que mal que se porta essa pessoa”, mas sim, dizem: “Olhe, esse é um dos que se diz cristão, e olha como vive, igual aos que não conhecem Deus”. É triste saber que irmãos assistem a esses espetáculos a qual um cristão não pode assistir, participando em conversações impróprias para aqueles que se dizem seguidores do Senhor; bebendo de modo imoderado, que o fazem comportar-se em um modo que coloca em ridículo a sua família e, sobretudo, a Cristo, que vive nele. Por isso, Paulo procurava que toda sua vida se assemelhasse a de Cristo, e ainda sabendo-se fraco e pecador disse: “A ninguém demos motivo de escândalo, para que não se burlem de nosso ministério”. Nós também, em meio de nossas debilidades, busquemos que nossa vida de testemunho de nosso ser cristão, e evitemos a todo custo ser um elemento de escândalo para a Igreja e para o Evangelho.






ORAÇÃO INICIAL 


• Oh Deus força dos que em ti esperam, ouça nossas súplicas, pois, o homem é frágil e sem ti nada pode, concede-nos a ajuda de tua graça para guardar teus mandamentos e agradar-te com nossas ações e desejos. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,38-42


• O evangelho de hoje forma parte de uma pequena unidade literária que vai deste Mt 5,17 até Mt 5,48, na qual se descreve como passar da antiga justiça dos fariseus para a nova justiça do Reino de Deus. Descreve como subir a Montanha das Bem-aventuranças, de onde Jesus anunciou a nova Lei do Amor. O grande desejo dos fariseus era alcançar a justiça, ser justo diante de Deus. Este também é desejo de todos nós. Justo é aquele ou aquela que consegue viver ali onde Deus quer que o faça. Os fariseus se esforçavam para alcançar a justiça através da observância estrita da Lei. Pensavam que era pelo esforço que poderiam chegar até o lugar onde Deus os queria. Jesus toma postura diante desta prática e anuncia que a nova justiça tem que superar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). No evangelho de hoje estamos quase chegando ao topo da montanha. Falta pouco. Lá em cima está descrito com a frase: “Sede perfeito como vosso Pai celestial é perfeito” (Mt 5,48), que meditaremos no evangelho de amanhã. Vejamos de perto este último degrau que nos falta chegar ao topo da montanha, da qual São João da Cruz diz: “Aqui reinam o silêncio e o amor”.
• Mateus 5,38: OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE. Jesus cita um texto da Lei antiga dizendo: “Haveis ouvido o que se disse: Olho por olho, dente por dente!”. Ele abrevia o texto dizendo: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex 21,23-25). Como nos casos anteriores, aqui também Jesus faz uma releitura inteiramente nova. O principio: “olho por olho, dente por dente”, estava na raiz da interpretação que os escribas faziam da lei. Este princípio deve ser mudado, pois, perverte e prejudica a relação entre as pessoas e com Deus.
• Mateus 5,39ª: NÃO DEVOLVER MAL COM MAL. Jesus afirma exatamente o contrário: “Porém, eu os digo: não se vingar de quem lhes faz o mal”. Diante de uma violência recebida, nossa reação natural é pagar ao outro com a mesma moeda. A vingança pede: “olho por olho, dente por dente”. Jesus pede para retribuir o mal não com o mal, mas sim, com o bem. Pois, se não soubermos superar a violência recebida, a espiral da violência o invadirá todo e não haverá saída. Lamec dizia: “Prestem atenção em minhas palavras. Eu matei um homem pela ferida que me fez e a um rapaz por um golpe que recebi. Se Caim tem que ser vingado sete vezes, Lamec tem que sê-lo setenta e sete vezes” (Gn 4,24). Foi por causa desta vingança extrema que tudo terminou na confusão da Torre de Babel (Gn 11,1-9). Fiel no ensinamento de Jesus, Paulo escreve na carta aos Romanos: “antes, ao que te esbofetear na face direita oferece-lhe também a outra, a quem quiser brigar contigo para tirar-te a túnica, deixa-lhe também o manto; e ao que te obrigar a andar uma milha vá com ele duas. Não devolvam a ninguém mal pelo mal, procurem ganhar o apreço de todos os homens. Não te deixes vencer pelo mal, pois, o mal se vence com a força do bem” (Rm 12,17.21). Para poder ter esta atitude, é necessário ter muita fé na possibilidade que o ser humano tem de recuperar-se. Como fazer isto na prática? Jesus nos oferece 03 exemplos concretos.
• Mateus 5,39b-42: OS QUATRO EXEMPLOS PARA SUPERAR A ESPIRAL DA VIOLÊNCIA. Jesus disse: (a)- ao que te esbofetear na face direita oferece-lhe também a outra; (b)-o que quiser brigar contigo para tirar-te a túnica, deixa-lhe também o manto; (c)-e qo que te obrigar a andar uma milha, vá com ele duas; (d)-a que te pedir dê, e ao que desejar que lhe empreste algo, não lhe volte as costas (Mt 5,40-42). Como entender estas quatro afirmações? O próprio Jesus nos ofereceu uma ajuda de como devemos entendê-las. Quando o soldado lhe deu uma bofetada no rosto, Ele não ofereceu o outro lado. Ao contrário, reagiu com energia: “Se tenho falado mal, mostre-me em que, porém, se tenho falado bem, por que é que me bates?” (Jo 18,23). Jesus não ensina a passividade. Paulo pensa que, retribuindo o mal com o bem, “fazendo isto, amontoarás brasas sobre sua cabeça” (Rm 12,20). Esta fé na possibilidade de recuperação do ser humano só é possível a partir de uma raiz que nasce da total gratidão do amor criador que Deus mostrou para conosco na vida e nas atitudes de Jesus.





PARA REFLEXÃO PESSOA


Você já sentiu alguma vez uma raiva tão grande para querer aplicar a vingança “olho por olhos, dente por dente”? Como fazer para superar isto?
• Será que a convivência comunitária hoje na igreja favorece o ter em nós o amor criador que Jesus sugere no evangelho de hoje?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 5,2-3)
• Revisarei em minha vida as ocasiões nas quais, por temor de ser rejeitado, tenho feito coisas que sei que te desagradam, e de agora em diante direi: não, quando devo dizê-lo.




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Lectio Divina - 14/06/13


SEXTA-FEIRA -14/06/20



PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 4,6-15


• Uma das coisas mais surpreendentes do mundo é o fato de que Deus possa habitar-nos; o fato de que, neste corpo de barro tão frágil, possa estar contida toda força e a glória de Deus. É por isso que podemos enfrentar cada dia as dificuldades de nossa vida com um espírito alegre e tenaz; que podemos mostrar ao mundo um novo caminho de amor e de paz que eles não conheçam. A força de Deus sua glória e sua graça fazem do cristão uma pessoa diferente, que vai espalhando por onde caminha, “o grato aroma de Cristo” isto é, a paz, a alegria, a justiça. Não permitas que a fragilidade de teu barro obscureça esta força de Deus, mas, ao contrário, sinta-te orgulhoso apesar de tua debilidade, de ser portador do amor de Deus em tua vida e responda com generosidade à isso.






ORAÇÃO INICIAL 



• Oh Deus, fonte de todo bem, ouça sem cessar nossas súplicas; e conceda-nos, inspirados por ti, pensar o que é reto e cumpri-lo com tua ajuda. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,27-32


• No evangelho de ontem Jesus fez uma releitura do mandamento “não matarás” (Mt 5,20-26). No evangelho de hoje, faz uma releitura do mandamento “não cometerás adultério”. Jesus relê a lei a partir da intenção que Deus tinha ao proclamá-la, no Monte Sinai, séculos atrás. O que importa é o Espírito da Lei, não fechar-se no escrito. Retoma e defende os grandes valores da vida humana que estão por trás de cada um dos Dez Mandamentos. Insiste no amor, na fidelidade, na misericórdia, na justiça e na verdade, na humanidade. O resultado da plena observância da Lei de Deus é a humanização da vida. A observância da Lei humaniza a pessoa. Em Jesus aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa que Deus ocupe o centro de sua vida. Quanto mais se vive a fraternidade, tanto maior será a plenitude de vida e maior é a adoração de toda as criaturas à Deus, Criador e Salvador. 
• No evangelho de hoje, Jesus olha de perto a relação homem e mulher, o matrimônio, a base fundamental da convivência em família. Havia um mandamento que dizia: “Não cometer adultério, e outro que dizia: O que repudiar sua mulher, que lhe dê carta de divórcio”. Jesus retoma as duas leis e lhe dá um novo sentido.
• Mateus 5,27-28: Não cometer adultério. O que é que nos pede este mandamento? A resposta antiga era esta: o homem não pode dormir com a mulher de outro. É que exigia o escrito do mandamento. Porém, Jesus vai mais além do escrito e diz: “Todo aquele que repudiar sua mulher, exceto em caso de fornicação, a faz ser adúltera; e o que se casar com uma repudiada, comete adultério”. O objetivo do mandamento é a fidelidade mútua entre o homem e a mulher que assumiram viver juntos como casados. E esta fidelidade só será completa, se os dois sabem manter a fidelidade mútua até no pensamento e no desejo e se sabem chegar a uma total transparência entre si.
• Mateus 5,29-30: Arrancar o olho e cortar a mão. Para ilustrar o que acaba de dizer Jesus se serve de uma palavra forte que usou também em outra ocasião, quando falou de não escandalizar aos pequenos. Disse: “Se, pois, teu olho direito te é ocasião de pecado, tira-o e jogue fora, mais te convém que se perca um de teus membros, e não que todo o corpo seja jogado à gehenna”. Estas afirmações podem tomar-se ao pé da letra. Indicam a radicalidade e a seriedade com a qual Jesus insiste na observância deste mandamento.
• Mateus 85,31-32: A questão do divórcio. Ao homem era permitido dar uma carta de divórcio para a mulher. Jesus dirá no Sermão da Comunidade que o permitiu pela dureza de coração das pessoas (Mt 19,8). “Pois e vos digo: Todo o que repudia sua mulher, exceto em caso de fornicação, a faz ser adúltera, e o que casar com uma repudiada, comete adultério”. Já se havia discutido muito sobre este assunto. Baseando-se nesta afirmação de Jesus, a igreja oriental permite o divórcio em caso de “fornicação”, isto é, em caso de infidelidade. Outros dizem que aqui a palavra “fornicação” traduz um termo aramaico ou hebraico “zenuth” que indicava um casamento com um grau de parentesco proibido. Não seriam bodas válidas. 
• Qualquer que seja a interpretação correta desta parábola, o que importa é ver o objetivo e o sentido geral das afirmações de Jesus na nova leitura que faz dos Dez Mandamentos. Jesus aponta para um ideal que deve estar sempre diante de meus olhos. O ideal último é este: “Ser perfeito como o pai celestial é perfeito” (Mt 5,48). Este ideal vale para todos os mandamentos revisados por Jesus. Na releitura do mandamento: “não cometer adultério” este ideal se traduz em uma total transparência e honestidade entre marido e mulher. Ninguém nunca vai poder dizer: “Sou perfeito como o Pai é perfeito”. Estaremos sempre abaixo da medida. Nunca vamos poder merecer o prêmio por nossa observância porque estaremos sempre abaixo da medida. O que importa é manter-se no caminho, manter alto o ideal diante de nossos olhos, sempre! E ao mesmo tempo, como Jesus, devemos saber aceitar as pessoas com a mesma misericórdia com que Ele aceitava as pessoas e as orientava para o ideal. Por isto, certas exigências jurídicas da igreja de hoje, como por exemplo, não permitir a comunhão à pessoas que vivem em segundas núpcias, parecem mais a atitude dos fariseus que a atitude de Jesus. Ninguém aplica ao pé da letra a explicação do mandamento. “Não matar”, no qual Jesus disse que todo aquele que chama seu irmão de “idiota” merece o inferno (Mt 5,22). Pois, neste caso, todos estaríamos seguros de terminar ali e ninguém se salvaria. Por que é que nossa doutrina usa medidas diferentes no caso do quinto e do nono mandamento?





PARA REFLEXÃO PESSOAL


Consegue viver a total honestidade e transparência com as pessoas de outro sexo?
• Como entender a exigência “ser perfeito como o Pai celestial é perfeito”?



ORAÇÃO FINAL 


(SALMO 27,8-9)
• Hoje oferecerei um sacrifício de algum tipo, em sinal de que morro aos meus desejos e que quero que Jesus se manifeste em mim.




quinta-feira, 13 de junho de 2013

Lectio Divina - 13/06/13

QUINTA-FEIRA -13/06/2013

PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 3,15-4,1.3-6

• Se quiséssemos definir em poucas palavras o que significa ser autenticamente cristão, muito possivelmente o poderíamos fazer, dizendo que é e deve ser: SINAL, PRESENÇA E TRANSPARENCIA de Jesus. Paulo hoje nos diz como devemos refletir em nós e em nossa vida a glória de Deus. Um cristão que alimenta o Espírito mediante a oração diária e a comunhão freqüente, vai se convertendo, dia a dia, em um cristal transparente, através do qual, os que vivem próximo dele, pode ver Deus e conhecê-lo. Converte-se em um sinal que dirige, mediante suas ações, para Cristo; é, com suas atitudes e palavras, presença do amor de Deus e, com sua humildade, transparência Daquele que vive dentro dele como em um Templo. Se nosso mundo continua, como diz Paulo, ainda velado a esta luz, pode ser, em alguma medida, porque todos nós, os cristãos, não temos sido totalmente transparentes à presença de Jesus, talvez porque o pecado e nossa debilidade obscurecem nossa própria vida. Limpemos nosso coração, livremo-nos do pecado e busquemos com todas as nossas forças que o Evangelho seja transparente em nosso dia a dia. 






ORAÇÃO INICIAL 

• Que teu povo, Senhor, como preparação para as festas de Páscoa se entregue às penitências quaresmais, e que nossa austeridade comunitária sirva para a renovação espiritual de teus fiéis. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,20-26


• O texto do evangelho de hoje é parte de uma unidade maior de Mt 5,20 a Mt 5,48. Neste Mateus mostra como Jesus interpreta e explica a lei de Deus. Por cinco vezes repete a frase: “Haveis ouvido que se disse aos antepassados” (Mt 5,21.27.33.38.43). Um pouco antes havia dito: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os Profetas. Não vim para acabar, mas sim, dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). A atitude de Jesus diante da lei é, ao mesmo tempo, de ruptura e de continuidade. Rompe com as interpretações erradas, porém, mantém firme o objetivo que a lei quer alcançar: a prática de maior justiça é o Amor.
• Mateus 5,20: A JUSTIÇA MAIOR QUE A JUSTIÇA DOS FARISEUS. Este primeiro versículo da a chave geral de tudo o que segue no conjunto de Mt 5,20-48. A palavra Justiça não aparece nem uma vez em Marcos, e sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). Isto tem a ver com a situação das comunidades para as quais Mateus escreve. O ideal religioso dos judeus da época era “ser justo diante de Deus”. Os fariseus ensinavam: “A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos seus detalhes!”. Este ensinamento engendrava uma opressão legalista e trazia muita angustia para as pessoas, pois, era muito difícil que alguém observasse todas as normas (cf. Rm 7,21-24). Por isto, Mateus recorre as palavras de Jesus sobre a justiça, mostrando que tem que superar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). Para Jesus, a justiça não vem do que eu faço por Deus observando a lei, mas sim, do que Deus faz por mim, acolhendo-me como filho ou filha. O novo ideal que Jesus propõe é este: “Ser perfeito como o Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas como Deus me acolhe e me perdoa, apesar de meus defeitos e pecados.
• Por meio de cinco exemplos bem concretos, Jesus mostrará como fazer para alcançar esta justiça maior que supera a justiça dos escribas e dos fariseus. Como veremos, o evangelho de hoje trás o primeiro exemplo relacionado com a nova interpretação do quinto mandamento: Não matarás! Jesus vai revelar o que Deus queria quando entregou este mandamento a Moisés.
• Mateus 5,21-22: A LEI DIZ “NÃO MATARÁS!” (Ex 20,13). Para observar plenamente este quinto mandamento não basta evitar o assassinato. É preciso arrancar de dentro de si tudo aquilo que de uma maneira ou de outra pode levar ao assassinato, como por exemplo, a raiva, o ódio, o desejo de vingança, a exploração, o insulto, etc.
• Mateus 5,23-24: O CULTO PERFEITO QUE DEUS QUER. Para poder ser aceito por Deus e estar unido a Ele, é preciso estar reconciliado com o irmão, com a irmã. Antes da destruição do Templo, no ano 70, quando os judeus cristãos participavam nas romarias a Jerusalém para fazer suas oferendas ao altar e pagar suas promessas, eles se lembravam sempre desta frase de Jesus. Nos anos 80, no momento em que Mateus escreve, o Templo e o Altar já não existiam. Haviam sido destruídos pelos romanos. A comunidade e a celebração comunitária, passam a ser o Templo e o Altar de Deus. 
• Mateus 5,25-26: RECONCILIAR. Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação. Isto mostra que, nas comunidades daquela época, haviam muitas tensões entre grupos radicais com tendências diferentes e até opostas. Ninguém queria ceder diante do outro. Não havia diálogo. Mateus ilumina esta situação com palavras de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhida e compreensão. Pois, o único pecado que Deus não consegue perdoar é nossa falta de perdão para com os outros (Mt 6,14). Por isto, procure a reconciliação, antes que seja demasiado tarde.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Hoje são muitas as pessoas que gritam “Justiça”. Qual é o sentido que tem para mim a justiça evangélica?
• Como me comporto diante dos que não me aceitam como sou? Como se tem comportado Jesus diante dos que não o aceitam?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 130,1-2)
• Durante meu exame de consciência, dedicarei alguns minutos para descobrir aquele vício que tem estancado meu caminho à santidade e, a partir desse momento, trabalharei constantemente nele para eliminá-lo de minha vida.




quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lectio Divina - 12/06/13

QUARTA-FEIRA -12/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 3,4-11


• Em um contexto judaizante, no qual os fariseus continuavam pretendendo que a salvação vinha da observância da lei de Moisés, Paulo opõe a força vivificante do Espírito, que é que dá vida, inclusive a própria Lei. Isto, ainda que pareça longe de nós, é de grande atualidade, pois, ainda encontramos com irmãos que pensam que o cumprimento da “lei”, a margem do Espírito, lhes dará vida. E assim, por exemplo, temos irmãos que vão a missa, não para encontrar-se com o Senhor e para alimentar-se da palavra de Deus e do corpo e sangue do Senhor, mas, simplesmente porque a lei da igreja manda: “Assistir a missa aos domingos”. Isto faz que se busque o mínimo (pois, em tudo o que fazemos por amor ou sob a influência do Espírito, procuramos sempre fazer o mínimo), chega-se o mais tarde possível, ou que se procure lugar onde não existe, ou a homilia seja muito breve para poder “cumprir”, assim com o preceito. Por isso, Paulo diz: “A letra mata, porém o Espírito é que dá a vida”. Convido-te, portanto, a deixar que seja o Espírito, o próprio amor, que te inspire todas tuas ações, para que tuas obrigações sejam feitas com alegria, procurando dar sempre o máximo e o melhor de ti, sobretudo, com Deus e com tua família.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, fonte de todo o bem, ouça sem cessar nossas súplicas, e conceda-nos, inspirados por ti, pensar no que é reto e cumprir com sua ajuda. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,17-19

• O evangelho de hoje ensina como observar a lei de Deus de maneira que sua prática mostre em que consiste o pleno cumprimento da lei. Mateus escreve para ajudar as comunidades de judeus convertidos a superar as críticas dos irmãos de raça que os acusam dizendo: “Vocês são infiéis à Lei de Moisés”. O próprio Jesus havia sido acusado de infidelidade à Lei de Deus. Mateus trás a resposta esclarecedora de Jesus aos que o acusavam. Assim, nos dá uma luz para ajudar as comunidades a resolver seu problema.
• Mateus 5,17-19: NEM UMA VÍRGULA DA LEI CAIRÁ. Entre os judeus convertidos havia duas tendências. Uns pensavam que não era necessário observar as leis do AT, porque é pela fé em Jesus que somos salvos e não pela observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros pensavam que eles, sendo judeus, deviam continuar a observar as leis do AT (At 15,1-2). Em cada uma das duas tendências havia grupos mais radicais. Diante deste conflito, Mateus procura chegar a um equilíbrio entre o dois extremos. A comunidade deve ser o espaço onde este equilíbrio pode ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continua sendo bem atual: “Não vim para abolir a Lei, mas sim, para dar-lhe cumprimento!”. As comunidades não podem ir contra a Lei, nem podem fechar-se na observância da lei. Igualmente Jesus, devem dar um passo e mostrar, na prática, que o objetivo que lei quer alcançar na vida é a prática perfeita do amor.
• AS DIVERSAS TENDÊNCIAS NAS PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS. O plano de salvação tem três etapas unidas entre si pela terra da vida: (a)-O Antigo Testamento: a caminhada do povo hebreu, orientada pela lei de Deus. (b)-A vida de Jesus de Nazaré: renova a lei de Deus a partir de sua experiência de Deus como Pai/Mãe. (c)-A vida das comunidades: através do Espírito de Jesus, procuram viver a vida como Jesus a viveu. A unidade destas três etapas engendra a certeza de fé de que Deus está no meio de nós. Os intentos de quebrar ou enfraquecer a unidade deste plano de salvação engendram vários grupos e tendências nas comunidades: (01)-Os fariseus não reconheciam Jesus como Messias e aceitavam só o AT. Dentro das comunidades havia pessoas simpatizantes com a linha dos fariseus (At 15,5). (02)-Alguns judeus convertidos aceitavam Jesus como Messias, porém, não aceitavam a liberdade do Espírito com que as comunidades viviam na presença de Jesus ressuscitado (At 15,1). (03)-Outros, tanto judeus como pagãos convertidos, pensavam que com Jesus havia chegado o fim do AT. Daqui em diante, só Jesus e a vida no Espírito. (04)-Havia também cristãos que viviam tão plenamente a vida na liberdade do Espírito que não olhavam mais a vida de Jesus de Nazaré nem o Antigo Testamento (1Cor 12,3). (05)-Agora, a grande preocupação do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito não podem separar-se. As três formam parte do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Para você, em tua experiência de vida, para que serve o sal? Tua comunidade, está sendo sal? De que maneira tua comunidade está sendo luz?
• As pessoas do bairro, como vêm a tua comunidade? Tua comunidade tem atração? É sinal? De que? Para quem?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 25,10-11)
• Hoje procurarei ter um tempo de silêncio com Deus, só pelo fato de estar com Ele, desfrutando de sua presença.





terça-feira, 11 de junho de 2013

Lectio Divina - 11/06/13


TERÇA-FEIRA -11/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: Atos 11,21-26;13,1-3

• Quando os profetas cristãos anunciaram que estava para acontecer uma grande fome, a Igreja de Antioquia enviou ajuda às Igrejas da Judéia, demonstrando gratidão pelos missionários que lhes foram enviados. Quando Barnabé e Saulo foram “enviados pelo Espírito Santo”, não quer dizer que isso estava de acordo com suas inspirações particulares. O Espírito operou por intermédio dos chefes da comunidade que jejuaram e rezaram pedindo orientação. Por meio de uma profecia, o Espírito escolheu Barnabé e Saulo. Então, os chefes os enviaram, o que subentende uma prestação de contas da missão perante esses chefes, o que se confirma com o relatório à Igreja de Antioquia por ocasião de seu regresso.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, fonte de todo o bem, ouça sem cessar nossas súplicas, e conceda-nos, inspirados por ti, pensar no que é reto e cumprir com sua ajuda. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 10,7-13

• Hoje é dia de São Barnabé. O evangelho fala das instruções de Jesus aos discípulos sobre como anunciar a Boa Nova do Reino as “ovelhas perdidas de Israel”. Eles devem: (a)-cuidar dos enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios; (b)-anunciar gratuitamente aquilo que gratuitamente receberam; (c)-não levar nem ouro , nem sandálias, nem bastão, nem alforje, nem sapatos, nem duas túnicas; (d)-procurar uma casa onde possam ser hospedados até terminar a missão; (e)-ser portadores da paz.
• No tempo de Jesus havia diversos movimentos que, como Jesus, buscava uma nova maneira de viver e conviver, por exemplo, João Batista, os fariseus, os essênios e outros. Muitos deles formavam comunidades de discípulos (Jo 1,35: Lc 11,1; At 19,3) e tinham seus missionários (Mt 23,15). Porém, havia uma grande diferença! Por exemplo, os fariseus, quando iam para uma missão, iam prevenidos. Pensavam que não podiam confiar na comida das pessoas que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso eles levavam alforje e dinheiro para poder cuidar de sua própria comida. Assim, as observâncias da Lei de pureza, no lugar de ajudar a superar as divisões, enfraqueciam ainda mais a vivência dos valores comunitários. A proposta de Jesus é diferente. Seu método ultrapassa nos conselhos que dá aos apóstolos quando os envia em missão. Por meio das instruções, procura renovar e reorganizar as comunidades da Galiléa para que seja novamente uma expressão da Aliança, uma mostra do Reino de Deus.
• Mateus 10,7: O ANUNCIO DA PROXIMIDADE DO REINO. Jesus envia seus discípulos para anunciar a Boa Nova. Eles devem dizer: “O Reino dos céus está próximo!”. O que é que significa esta proximidade? Não significa a proximidade no tempo no sentido que basta esperar um pouco e em breve o Reino aparecerá. “O Reino está próximo” significa que já está a nosso alcance, já “está no meio de nós” (Lc 17,21). É preciso adquirir um novo olhar para poder perceber sua presença ou proximidade. A vinda do Reino não é fruto de nossa observância, como queriam os fariseus, mas sim, se faz presente, gratuitamente, nas ações que Jesus recomenda aos apóstolos: cuidar dos enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.
• Mateus 10,8: CURAR, RESSUSCITAR, PURIFICAR, EXPULSAR. Enfermos, mortos, leprosos, possuídos eram os excluídos da convivência, e eram excluídos em nome de Deus. Não podiam participar na vida comunitária. Jesus manda que estas pessoas excluídas sejam acolhidas, incluídas. E nestes gestos de acolhida e inclusão, o Reino se faz presente. Pois, nestes gestos de gratidão humana transparece o amor gratuito de Deus que reconstruiu a convivência humana e que rejeita as relações inter-pessoais. 
• Mateus 10,9-10: NÃO LEVAR NADA. Ao contrário dos outros missionários, os apóstolos não podem levar nada: “Não levais ouro, nem prata, nem cobre em vossas cintas, nem alforje pelo caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o trabalhador merece seu sustento”. A única coisa que podem levar é a Paz (Mt 10,13). Isto significa que devem confiar na hospitalidade e no compartilhar das pessoas. Pois, o discípulo que vai sem levar nada apenas a paz, mostra que confia nas pessoas. Acredita que vai ser recebido, e as pessoas se sentem provocadas, valorizadas, respeitadas e confirmadas. O trabalhador tem direito a seu alimento. Por meio da prática, o discípulo critica as leis da exclusão e resgata os valores do compartilhar e da convivência comunitária.
• Mateus 10,11-13: CONVIVER E INTEGRAR-SE NA COMUNIDADE. Ao chegar a algum lugar os discípulos devem escolher uma casa de paz e ali devem permanecer até o fim. Não devem andar de casa em casa, mas, conviver de forma estável. Devem fazer-se membro da comunidade e trabalhar pela paz, isto é, pela reconstrução das relações humanas que favorecem a paz. Por meio desta prática, resgatam uma antiga tradição do povo, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano e anunciam um novo modelo de convivência. 
• RESUMINDO: as ações recomendadas por Jesus para o anuncio do Reino são estas: acolher os excluídos, confiar na hospitalidade, provocar a partilha em comum, conviver de modo estável e de forma pacífica. Se isto acontece, então, podem e devem gritar aos quatro ventos: “O Reino já chegou!”. Anunciar o Reino não é em primeiro lugar ensinar verdades e doutrinas, catecismo ou direito canônico, mas, levar as pessoas a uma nova maneira de viver e conviver, a uma nova maneira de agir e de pensar a partir da Boa Nova, trazida por Jesus: que Deus é Pai/Mãe e que, portanto, todos somos irmãos e irmãs.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Por que é que todas estas atitudes recomendadas por Jesus são sinal da chegada do Reino de Deus?
• Como realizar hoje o que Jesus pede: “não levar alforje”, “não andar de casa em casa”?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 98,1)
• Permita que o amor de Deus encha hoje tua vida. Abra-lhe teu coração.



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Lectio Divina - 10/06/13

SEGUNDA-FEIRA -10/06/2013


PRIMEIRA LEITURA: 2Corintios 1,1-7

• Uma das características principais do Deus revelado por Cristo, é a misericórdia. Se, nosso Deus é um Deus misericordioso, sempre pronto para consolar-nos e brindar-nos com seu amor, para fortalecer-nos e animar-nos em nosso caminhar cotidiano. Não é um Deus distante, mas, alguém tão próximo como nós mesmos que, por meio do Espírito, produz em nós a fonte do amor. Por isso, quando nos encontramos com problemas, quando nossa vida se complica por uma enfermidade, uma perseguição, uma morte de algum ser querido, enfim, quando a dor e a tristeza nos ameaçam, podemos encontrar em nossa oração consolo, alívio e esperança. Por isso, o cristão que ora e que deixa que Deus o console, se converte, como nos diz hoje o apóstolo, em fonte de consolação e de amor para os que com ele sofrem. Deus se evidencia por ele e é assim que a misericórdia de Deus alcança a todos. Se estiver passando por momentos difíceis em tua vida, entra em ti mesmo, ora e aí, no silencio de tua oração, encontrarás a presença amorosa do Espírito Santo, sempre pronto para brindar-te com seu amor e sua ternura.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, fonte de todo bem, ouça sem cessar nossas súplicas; e conceda-nos, inspirados por ti, pensar no que é reto e cumpri-lo com tua ajuda. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 5,1-12

• A partir de hoje, 10ª Semana do Tempo Comum, até o final da 21ª Semana do Tempo Comum, os evangelhos serão tirados do evangelho de Mateus. A partir do início da 22ª Semana do Tempo Comum, até o fim do ano litúrgico, serão tirados do evangelho de Lucas.
• No evangelho de Mateus, escrito para as comunidades de judeus convertidos da Galiléia e Síria, Jesus é apresentado como o novo Moisés, o novo legislador. No AT a Lei de Moisés foi codificada em cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Imitando o modelo antigo, Mateus apresenta a Nova Lei em cinco grandes Sermões dispersos no evangelho: (a)-O Sermão do Monte (Mt 5,1 a 7,29); (b)-O Sermão da Missão (Mt 10,1-42); (c)-O Sermão das Parábolas (Mt 13,1-52); (d)-O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35); (e)-O Sermão do Futuro Reino (Mt 24,1 a 25,46). As partes narrativas, intercaladas entre os cinco Sermões, descrevem a prática de Jesus e mostram como Ele observava a nova Lei e a encarnava em sua vida. 
• Mateus 5,1-2: O solene anúncio da Nova Lei. De acordo com o contexto do evangelho de Mateus, no momento em que Jesus pronunciou o Sermão do Monte, havia apenas quatro discípulos com Ele (cf. Mt 4,18-22). Pouca gente. Porém, uma multidão imensa o seguia (Mt 4,25). No AT, Moisés subiu ao Monte Sinai para receber a Lei de Deus. Como Moisés, Jesus sobe ao Monte e, olhando à multidão, proclama a Nova Lei. É significativo: é significativa a maneira solene como Mateus introduz a proclamação da Nova Lei: “vendo a multidão, subiu ao monte, sentou-se, e seus discípulos se aproximaram. E, tomando a palavra, lhes ensinava dizendo: Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. As oito bem-aventuranças formam uma solene abertura do “Sermão da Montanha”. Nelas Jesus define quem pode ser considerado bem-aventurado, quem pode entrar no Reino. São oito categorias de pessoas, oito portas para entrar no Reino, para a Comunidade. Não existem outras entradas! Quem quer entrar no Reino terá que identificar-se pelo menos com uma destas categorias. 
• Mateus 5,3: Bem-aventurados os pobres de espírito. Jesus reconhece a riqueza e o valor dos pobres (Mt 11,25-26). Define sua própria missão como a de “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ele próprio vive como pobre. Não possui nada para si, nem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça (Mt 8,20). E a quem quer seguir-lhe manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). No evangelho de Lucas se diz: “Bem-aventurados os pobres!” (Lc 6,20). Então, quem é “pobre de espírito”? É o pobre que tem o mesmo espírito que animou Jesus. Não é o rico. Nem é o pobre com mentalidade de rico. É o pobre que, como Jesus, pensa nos pobres e reconhece seu valor. É o pobre que diz: “Penso que o mundo será melhor quando o menor que padece pensa no menor”.
1-Bem-Aventurados os pobres de espírito => deles é o Reino dos Céus
2-Bem-Aventurados os manso => herdarão a terra
3-Bem-Aventurados os que choram => serão consolados
4-Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça => serão saciados
5-Bem-Aventurados os misericordiosos => obterão misericórdia
6-Bem-Aventurados os limpos de coração => verão a Deus
7-Bem-Aventurados os que trabalham pela paz => serão filhos de Deus
8-Bem-Aventurados os perseguidos por causa da justiça => deles é o Reino dos Céus
• Mateus 5,4-9: O novo projeto de vida. Cada vez que na Bíblia se tenta renovar a Aliança, começa-se estabelecendo o direito dos pobres e dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Nas bem-aventuranças, anuncia ao povo o novo projeto de Deus que acolhe os pobres e os excluídos. Denuncia o sistema que tem excluído os pobres e que persegue os que lutam pela justiça. A primeira categoria dos “pobres de espírito” e a última categoria dos “perseguidos por causa da justiça” recebem a mesma promessa do Reino dos Céus. E a recebem desde agora, no presente, pois, Jesus disse “deles é o Reino!”. O Reino já está presente em sua vida. Entre a primeira e a última categoria, existem três outras categorias de pessoas que recebem a promessa do Reino. Nestes três duetos transparece o novo projeto de vida que quer reconstruir em sua totalidade através de um novo tipo de relações: com os bens materiais (1º dueto); com as pessoas entre si (2º dueto); com Deus (3º dueto). A comunidade cristã deve ser uma mostra deste Reino, um lugar onde o Reino começa a tomar forma a partir de agora.
• Os três: Primeiro dueto: os mansos e os que choram: Os mansos são os pobres dos quais fala o salmo 37. A terra lhes foi tirada e, vão ganhá-la de novo. Os aflitos são os que choram diante da injustiça no mundo e entre as pessoas. Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir a relação com os bens materiais: a posse da terra e o mundo reconciliado. Segundo dueto: os que têm fome e sede de justiça e os misericordiosos. Os que têm fome e sede de justiça são os que desejam renovar a convivência humana, para que esteja de novo de acordo com as exigências da justiça. Os misericordiosos são os que têm o coração na miséria dos outros porque querem eliminar as desigualdades entre os irmãos e as irmãs. Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir a relação entre as pessoas mediante a prática da justiça e da solidariedade. Terceiro dueto: os puros de coração e os pacíficos: Os puros de coração são os que têm um olhar contemplativo que lhes permite perceber a presença de Deus em tudo. Os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus, porque se esforçam para que a nova experiência de Deus possa penetrar em tudo e realize a integração de tudo. Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir a relação com Deus: ver a presença atuante de Deus em tudo e ser chamado filho e filha de Deus.
• Mateus 5,10-12: Os perseguidos por causa da justiça e do evangelho. As bem-aventuranças dizem exatamente o contrário do que diz a sociedade na qual vivemos. Nesta, o perseguido pela justiça é considerado como um infeliz. O pobre é um infeliz. Feliz é o que tem dinheiro e pode ir ao supermercado e gastar segundo sua vontade. Os infelizes são os pobres, os que choram. Na televisão, as novelas divulgam este mito da pessoa feliz e realizada. E sem percebermos, as telenovelas se tornam o patrão da vida para muitos de nós. Porventura, em nossa sociedade, todavia, exista lugar para estas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça e do evangelho! Felizes os pobres! Felizes os que choram?”. E para mim que sou cristão e cristã de fato quem é feliz?





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Todos nós queremos ser felizes. Todos e todas! Mas, somos realmente felizes? Por que é que sim? Por que é que não? Como entender que uma pessoa pode ser pobre e feliz ao mesmo tempo?
• Quais são os momentos em tua vida em que tem se sentido realmente feliz? Era uma felicidade como a que foi proclamada por Jesus nas bem-aventuranças, ou, era de outro tipo?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 121,1-2)
• Hoje deixarei que o Espírito Santo me console e eu, de minha parte, procurarei alguém que necessite consolo.





terça-feira, 4 de junho de 2013

Lectio Divina - 04/06/13


TERÇA-FEIRA -04/06/2013

PRIMEIRA LEITURA: Tobias 2,9-14

• Naquela noite, cansado depois do enterro, Tobit dorme no pátio de sua casa e o excremento de pardais que têm ninho acima dele deixa-o cego. Sua recompensa pela justiça parece ser sofrimento em vez de benção. A cegueira acabou sendo total. Tobit fica dependente de sua mulher Ana, que passa a trabalhar no tear. Como a justiça deve ser recompensada e Tobit está sendo castigado, Ana vitupera: “Onde é que estão a tuas esmolas? Onde é que estão as tuas boas obras?”. Tudo o que está acontecendo não deixa dúvida alguma. Cheio de tristeza, Tobit ora a Deus pedindo a morte.






ORAÇÃO INICIAL 

• Senhor amparamo-nos confiadamente a tua providência, que nunca se equivoca; e te suplicamos que apartes de nós todo o mal e nos conceda aqueles benefícios que podem ajudar-nos para a vida presente e a futura. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Marcos 12,13-17

• No evangelho de hoje continua o enfrentamento entre Jesus e as autoridades. Os sacerdotes, anciãos e escribas haviam sido criticados e denunciados por Jesus na parábola da vinha (Mc 12,1-12). Agora, os mesmos pedem aos fariseus e aos herodianos que preparem uma cilada contra Jesus, para podê-lo acusar e condenar. Perguntavam a Jesus sobre o imposto que havia de pagar aos romanos. Era um assunto polêmico que dividia a opinião pública. Os adversários de Jesus queriam a todo custo acusá-lo para minguar sua influência diante das pessoas. Grupos, que antes eram inimigos entre si, agora se unem para lutar contra Jesus que invadia, segundo eles, seu terreno. Isto continua ocorrendo hoje. Muitas vezes, pessoas ou grupos, inimigos entre si, se unem para defender seus privilégios contra aqueles que os incomodam com o anuncio da verdade e da justiça.
• Marcos 12,13-14: A pergunta dos fariseus e dos herodianos. Fariseus e herodianos eram as lideranças locais nos povoados da Galiléia. Muito antes, havia decidido matar Jesus (Mc 3,6). Agora, a mando dos Sacerdotes e dos Anciãos, querem saber de Jesus se está a favor ou contra o pagamento do imposto aos romanos, a César. Pergunta esperta, cheia de malícia! Sob a aparência de fidelidade a lei de Deus, procuram motivos para poder acusá-lo. Se Jesus dissesse: “Tem que pagar!”, poderiam acusá-lo diante do povo de ser amigo dos romanos. Se dissesse: “Não se deve pagar!”, poderiam acusá-lo diante das autoridades romanas de ser subversivo. Parecia um “beco sem saída!”.
• Marcos 12,15-17: A resposta de Jesus. Jesus percebe a hipocrisia. Em sua resposta, não perde tempo em inúteis discussões e vai direto ao núcleo da questão. Em vez de responder e de discutir o assunto do tributo a César, pede que lhe mostrem a moeda, e pergunta: “De quem é esta imagem inserida?”. Eles respondem: “De César!”. Resposta de Jesus: “A César, devolve-se o que é de César, e a Deus, o que é de Deus!”. Na prática já reconheciam a autoridade de César. Já estavam dando a César o que era de César, pois, usavam suas moedas para comprar e vender e até para pagar o imposto ao Templo! O que interessa a Jesus é que “dêem a Deus o que é de Deus”, isto é, que devolvam à Deus o povo, por eles desviado, pois, com seus ensinamentos bloqueavam das pessoas a vinda do Reino (Mt 23,13). Outros explicavam esta frase de Jesus de outro modo: “Dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, pratiquem a justiça e a honestidade segundo o que exige a Lei de Deus, pois, pela hipocrisia vocês estão negando à Deus o que lhe é devido. Os discípulos e as discípulas devem tomar consciência! Pois, era o fermento destes fariseus e herodianos que lhes estava cegando os olhos (Mc 8,15).
• Impostos, tributos e dízimos. No tempo de Jesus, o povo da Palestina pagava muitos impostos, taxas, tributos e dízimos aos romanos e ao Templo. O império romano invadiu a Palestina no ano 63 aC. e passou a exigir muitos impostos e tributos. Pelos cálculos feitos, estima-se a metade ou mais do saldo familiar ia para os impostos, os tributos, as taxas e os dízimos. Os impostos que os romanos exigiam eram de dois tipos: diretos e indiretos: (a)-O imposto Direto era sobre as propriedades e sobre as pessoas. O imposto sobre as propriedades (tributum soli): os fiscais do governo verificavam o tamanho da propriedade, a quantidade da produção, e o número de escravos e fixavam a quantia que devia ser paga. Periodicamente, havia uma fiscalização mediante censos. Imposto sobre as pessoas (tributum capitis): era para as classes pobres, sem terra. Incluía tanto os homens como as mulheres entre 12 e 65 anos. Era a força de trabalho. Vinte por cento (20%) da renda de cada pessoa era para o imposto. (b)-O imposto Indireto era sobre transações variadas. Coroa de Ouro: Originariamente era um deleite ao imperador, porém, se converteu em um imposto obrigatório. Cobrava-se em ocasiões especiais, como festas e visitas do imperador. Imposto sobre o sal: o sal era monopólio do imperador. Tributava-se só o sal para uso comercial. Por exemplo, o sal usado para secar o pescado. Daqui a palavra “salário”. Imposto sobre compra e venda: Em cada transação comercial pagava-se 1%. A cobrança corria a cargo dos fiscais na feira. Na compra de escravo exigia-se 4%. Em cada contrato comercial registrado, exigia-se 2%. Imposto para exercer a profissão: Para tudo precisa-se de uma licença. Por exemplo, um sapateiro na cidade da Palmira, pagava um denário ao mês. Um denário era o equivalente ao salário de um dia. Até as prostitutas tinham que pagar. Imposto sobre o uso de coisas de utilidade pública: O imperador Vespasiano introduziu o imposto para poder usar os “sanitários” públicos em Roma. Ele dizia: “O dinheiro não cheira!”. (c)-Outras taxas e obrigações: Pedágio ou aduana. Trabalho forçado. Gastos especiais para o exército (dar hospedagem aos soldados, pagar a comida para o sustento das tropas); Imposto para o Templo e o Culto.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Conhece algum caso de grupos ou de pessoas que eram inimigos entre si, porém, se juntaram para perseguir alguma pessoa honesta que os incomodava e denunciava? Já te aconteceu alguma vez?
• Qual é hoje o sentido da frase: “Devolva a César o que é de César, a Deus o que é de Deus?”.



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 90,14-16)




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lectio Divina - 03/06/13


SEGUNDA-FEIRA -03/06/2013

PRIMEIRA LEITURA: Tobias 1,3;2,1-8

• A exposição começa com Tobit falando na primeira pessoa: “Eu Tobit, segui os caminhos da verdade e pratiquei boas obras todos os dias da minha vida”. Três palavras chaves são repetidas para formar uma inclusão: “verdade”, “justiça” e “esmola”. A cena começa com Tobit, o doador de esmolas, dizendo a Tobias para encontrar um parente pobre com quem ele possa partilhar o jantar de Pentecostes. Em vez de um pobre, Tobias encontra um morto na praça. Imediatamente Tobit vai enterrar o morto, prática que antes já lhe trouxera a deportação e a pobreza. Os vizinhos zombam dele e o leitor imagina qual será sua recompensa por essa justiça altruísta. 






ORAÇÃO INICIAL 


• Senhor amparamo-nos confiadamente a tua providência, que nunca se equivoca; e te suplicamos que apartes de nós todo o mal e nos conceda aqueles benefícios que podem ajudar-nos para a vida presente e a futura. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Marcos 12,1-12

• Jesus está em Jerusalém. É a última semana de sua vida. Está de volta à praça do Templo, onde agora começa o enfrentamento direto com as autoridades. Os capítulos 11 e 12 descrevem os diversos aspectos deste enfrentamento: (a)-com os vendedores do Templo, (b)-com os sacerdotes, anciãos e escribas, (c)-com os fariseus e os herodianos, (d)-com os saduceus, (e)-novamente com os escribas. No final, depois da ruptura com todos eles, Jesus comenta o óbolo da viúva. O evangelho de hoje descreve uma do conflito com os sacerdotes, os anciãos e os escribas. Através de todos estes enfrentamentos, fica mais claro para os discípulos e para todos nós o projeto de Jesus e a intenção dos homens de poder.
• Marcos 12,1-9: A parábola da vinha: resposta indireta de Jesus aos homens de poder. A parábola da vinha é um resumo da história de Israel. Resumo bonito, tirado do profeta Isaias (Is 5,1-7). Por meio desta parábola Jesus da uma resposta indireta aos sacerdotes, escribas e anciãos que lhe haviam perguntado: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isto?”. Nesta parábola, Jesus (a)-revela qual é a origem de sua autoridade: Ele é o Filho, o herdeiro (Mc 12,6). (b)-Denuncia o abuso da autoridade dos vinhateiros, isto é, dos sacerdotes e anciãos que não cuidavam do povo de Deus (Mc 12,3-8). (c)-Defende a autoridade dos profetas, enviados por Deus, e massacrados pelos vinhateiros (Mc 12,2-5). (d)-Desmascara as autoridades por haver manipulado a religião e por matar o filho, porque não querem perder a fonte de renda que conseguiram acumular para si, ao longo dos séculos (Mc 12,7).
• Marcos 12,10-12: A decisão dos homens de poder confirma a denuncia feita por Jesus. Os sacerdotes, escribas e anciãos entenderam muito bem o significado da parábola, porém, não se converteram. Ao contrário! Mantiveram seu projeto de prender Jesus. Rejeitaram a “pedra fundamental” (Mc 12,10), mas, não tiveram coragem de fazê-lo abertamente porque tinham medo das pessoas. Assim os discípulos e as discípulas devem saber o que lhes espera se seguirem Jesus.
• Os homens de poder no tempo de Jesus: Nos capítulos 11 e 12 de Marcos aparecem alguns dos homens de poder no tempo de Jesus. No evangelho de hoje: os sacerdotes, os anciãos e os escribas; no de amanhã: os fariseus e os herodianos; no de depois de amanhã: os saduceus.
• Sacerdotes: Eram os encarregados do culto no Templo, onde se recolhiam os dízimos. O sumo sacerdote ocupava um lugar central na vida das pessoas, sobretudo, depois do exílio. Era escolhido dentre as famílias que detinham mais poder e riqueza.
• Anciãos ou Chefes do Povo: Eram lideres locais nas aldeias e cidades. Sua origem vinha dos chefes das antigas tribos.
• Escribas ou doutores da lei: Eram encarregados de ensinar. Dedicavam sua vida ao estudo da Lei de Deus e ensinavam as pessoas como observar em tudo a Lei de Deus. Nem todos os escribas eram da mesma linha. Uns estavam ligados aos fariseus, outros aos saduceus.
• Fariseus: Fariseu significa: separado. Eles lutavam para que, através da observância perfeita da lei de pureza, o povo chegasse a ser puro, separado e santo como exigia a Lei e a Tradição! Pelo testemunho exemplar de sua vida dentro das normas da época, tinham muita liderança nas aldeias da Galiléia.
• Herodianos: Era um grupo ligado ao rei Herodes Antipas da Galiléia que governou de 4 aC. até 39 dC. Os herodianos formavam uma elite que não esperava o Reino de Deus para o futuro, mas, o consideravam já presente no reino de Herodes.
• Saduceus: Eram uma elite laica aristocrática de ricos comerciantes ou latifundiários. Eram conservadores. Não aceitavam as mudanças defendidas pelos fariseus, como por exemplo, a fé na ressurreição e na existência dos anjos.
• Sinédrio: Era o Supremo Tribunal dos judeus com 71 membros entre sumo sacerdote, sacerdotes, anciãos, saduceus, fariseus e escribas. Tinha grande liderança junto as pessoas e representava a nação junto as autoridades romanas.





PARA REFLEXÃO PESSOAL


Alguma vez, como Jesus, você sentiu-se controlado indevidamente pelas autoridades de teu país, em casa, em tua família, em teu trabalho ou na Igreja? Qual foi sua reação?
• O que é que nos ensina esta parábola sobre a maneira de exercer a autoridade? E você, como exerce sua autoridade na família, na comunidade e no trabalho?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 25,8-9)