sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lectio Divina - 30/08/13


SEXTA-FEIRA -30/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Tesalonicenses 4,1-8


• O convite de São Paulo não pode ser mais objetivo e claro: o que Deus quer é que sejamos santos. Se bem que esta passagem propõe à comunidade de tessalônica algumas idéias e áreas nas quais é preciso trabalhar continuamente como, por exemplo, a castidade, o controle de si mesmo, o trato aos demais e a caridade, lembremos que o ser “santo” não é outra coisa senão viver de acordo com o Evangelho. É certo que não é fácil, sobretudo, em algumas áreas de nossa vida, todavia, contamos com ajuda do Espírito que, agindo a partir de dentro, vai curando e fortalecendo nossa vontade para que a vida de Deus se torne uma realidade em nós. Se o apóstolo insiste na área da pureza sexual e da relação entre esposos é porque é uma área que continuamente se vê ameaçada pelo pecado (mais ainda em nossos dias). Procure agradar a Deus com toda tua vida, Ele te dará a graça e a força para viver longe do pecado e assim levar uma vida de paz e alegria interior.






ORAÇÃO INICIAL 


• Vem Senhor em ajuda a teus filhos, derrama tua bondade inesgotável sobre os que te suplicam, e renova e protege a obra de tuas mãos em favor dos que te louvam como criador e como guia. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 25,1-13

• Mateus 25,1. O INICIO: “ENTÃO”. A parábola começa com esta palavra: “Então”. Trata-se da vinda do Filho do Homem (cf. Mt 24,37). Ninguém sabe quando vai acontecer este dia, “nem os anjos, nem o próprio Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Não importa que os adivinhos queiram fazer cálculos. O Filho do Homem virá de surpresa, quando a gente menos esperar (Mt 24,44). Pode ser hoje, pode ser amanhã. Por isto, o recado final da parábola das dez virgens é “Vigiai!”. As dez moças devem estar preparadas para qualquer eventualidade. 
• Mateus 25.1-4: AS DEZ VIRGENS PREPARADAS PARA AGUARDAR O NOIVO. A parábola começa assim: ”O Reino do Céu é como dez virgens que prepararam suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo”. Trata-se das moças que deviam acompanhar o noivo para a festa de boda. Para isto, elas deviam levar consigo as lâmpadas, seja para iluminar o caminho, seja para iluminar a festa. Cinco delas eram prudentes e cinco eram imprudentes. Esta diferença aparece com clareza na maneira em que se preparam para a função que receberam. Junto com as lâmpadas acesas, as previdentes levaram também consigo uma vasilha de azeite de reserva. Prepararam-se para qualquer eventualidade. As virgens imprudentes levaram somente as lâmpadas, sem pensar em levar um pouco de azeite de reserva.
• Mateus 25,5-7: O ATRASO NÃO PREVISTO DA CHEGADA DO NOIVO. O noivo atrasou-se. Não havia uma hora determinada para a sua chegada. Na espera, o sono se apodera das moças, todavia, as lâmpadas continuaram gastando azeite e vão se apagando pouco a pouco. De repente, no meio da noite, se ouve um grito: “O noivo já está aqui! Saiam em seu encontro!”. Todas elas despertam e começam a preparar as lâmpadas que já estavam quase no final. Deviam colocar o azeite de reserva para evitar que as lâmpadas se apagassem.
• Mateus 25,8-9: AS DIVERSAS REAÇÕES DIANTE DA CHEGADA ATRASADA DO NOIVO. Somente agora as moças imprudentes se dão conta de que esqueceram de levar consigo o azeite de reserva. Foram pedir azeite as moças prudentes: “Dá-nos de vosso azeite, que nossas lâmpadas estão se apagando!”. As jovens prudentes não puderam atender este pedido, pois, naquele momento o que importava não era que elas compartilhassem seu azeite com as outras, mas sim, que estivessem prontas para acompanhar o noivo até o lugar da festa. Por isto, aconselha: “é melhor que vocês saiam para comprar o azeite!”.
• Mateus 25,10-12: O DESTINO DAS VIRGENS PRUDENTES DAS IMPRUDENTES. As jovens imprudentes aceitam o conselho das outras jovens e saem para comprar o azeite. Durante esta breve ausência da compra, o noivo chega e, as jovens prudentes podem acompanhá-lo à festa de bodas. E a porta se fecha atrás delas. Quando as outras chegam, chamam à porta e pedem: “Senhor, Senhor, abra a porta para nós!”. E recebem a resposta: “Em verdade vos digo que não as conheço!”.
• Mateus 25,13: A RECOMENDAÇÃO FINAL DE JESUS PARA TODOS NÓS. A história desta parábola é muito simples e a lição é evidente: “Vigiai, pois, não sabeis, nem o dia, nem a hora”. Moral da história: não sejas superficial, olhe mais além do momento presente, trate de descobrir o chamado de Deus até nas mínimas coisas da vida, até no azeite que falta para a lâmpada. 





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Já te ocorreu de pensar no azeite de reserva para tua lâmpada?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 34,2-3)
• Hoje farei uma revisão em meus pensamentos e aqueles que forem impuros os apresentarei ao Senhor, e lhe pedirei que me ajude a deixá-los, além disso, planejarei como tirá-los de minha mente. 




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Lectio Divina - 29/08/13


QUINTA-FEIRA -29/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Tesalonicenses 3,7-13



• É tanta a alegria do apóstolo ao saber que apesar do pouco tempo que esteve com eles, a fé na comunidade não só se manteve, mas cresceu, que inspira o apóstolo a fazer uma pequena, porém, belíssima oração. É que não existe premio e satisfação maior para quem anuncia a Boa Noticia de Cristo do que ver que está dando fruto. É como o semeador, que ao ver que todo esforço rende fruto, já não se lembra das longas horas que teve que passar sob o sol para semear e cultivar. Assim também quando um pai de família vê que todo seu esforço, seus desvelos e problemas para educar o filho, maduram em uma vida honrada e produtiva, com quanta alegria não se elevará uma oração para agradecer o que o bom Deus tem feito, com nossas humildes forças, florescer o campo. Todos, de uma maneira ou de outra, desfrutamos desta colheita, por isso te convido hoje a elevar uma oração de agradecimento por todos aqueles com os quais tem compartilhado o Evangelho e, sobretudo, por aqueles a quem o Senhor te deu o grande compromisso de educá-los e de formá-los como filhos de Deus para que, como disse o apóstolo: “Deus conserve seus corações inatacáveis na santidade”.



ORAÇÃO INICIAL 


• Oh Deus, que unes os corações de teus fiéis em um mesmo desejo, inspira teu povo o amor a teus preceitos e a esperança em tuas promessas, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria. Por Nosso Senhor...





REFLEXÃO

Marcos 6,17-29

• Hoje comemoramos o martírio de João Batista. O evangelho descreve como morreu João Batista, sem julgamento, durante um banquete, vítima da prepotência e da corrupção de Herodes e de sua corte.
• Marcos 6,17-20: A CAUSA DA PRISÃO E DO ASSASSINATO DE JOÃO. Herodes era um empregado do império romano. Quem comandava a Palestina, desde o ano 63 antes de Cristo, era César, o imperador de Roma. Herodes, para não ser deposto, tratava de agradar Roma em tudo. Herodes, para não ser deposto, agradava Roma em tudo. Insistia, sobretudo, em uma administração eficiente que dava lucro ao Império e a ele próprio. A preocupação de Herodes era sua própria promoção e, segurança. Por isto, reprimia qualquer tipo de subversão. Ele gostava de ser chamado “benfeitor do povo”, mas na realidade era um tirano (cf. Lc 22,25). Flavio Josefo, um escritor daquela época, informa que o motivo da prisão de João Batista era o medo que Herodes tinha de uma revolta popular. A denuncia de João Batista contra a moral depravada de Herodes (Mc 6,18), foi a gota d’água que fez transbordar o copo, e João foi levado para o cárcere.
• • Marcos 6,21-29: A TRAMA DO ASSASSINATO. Aniversário e banquete de festa, com danças e orgias. Era um ambiente em que os poderosos do reino se reuniam e no qual se faziam as alianças. A festa contava com a presença dos “grandes da corte e das pessoas importantes da Galiléia”. Neste ambiente é que se trama o assunto de João Batista. João, o profeta, era uma denuncia viva desse sistema corrompido. Por isso, foi eliminado sob pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a debilidade moral de Herodes. Tanto poder acumulado nas mãos de um homem sem controle de si mesmo. No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes fez um juramento leviano a uma jovem bailarina. Supersticioso, como era, pensava que tinha que manter o juramento. Para Herodes, a vida dos súditos não valia nada. Dispunha deles como se fossem as cadeiras em sua sala. Marcos conta o fato tal e qual e deixa às comunidades e a nós a tarefa de tirar as conclusões.
• • Porém, nas entrelinhas o evangelho de hoje trás muitas informações sobre o tempo em que Jesus viveu e sobre a maneira em que era exercido o poder pelos mandatários da época. Galiléia, a terra de Jesus, era governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, desde o ano 4 antes de Cristo até ano 39 depois de Cristo. Ao todo, 43 anos! Durante toda a vida de Jesus, não houve mudança no governo da Galiléia. Herodes era dono absoluto de tudo, não prestava conta a ninguém, fazia o lhe dava na cabeça. Prepotência, falta de ética, poder absoluto, sem controle por parte das pessoas.
• • Herodes construiu uma nova capital, chamada Tiberíades. Seforis, a antiga capital, havia sido destruída pelos romanos em represália por uma revolta popular. Isto aconteceu quando Jesus tinha, talvez, sete anos. Tiberíades, a nova capital, foi inaugurada treze anos mais tarde, quando Jesus tinha 20 anos. Era assim chamada para agradar Tibério, o imperador de Roma. Tiberíades era um lugar estranho na Galiléia. Ali vivia o rei, “os grandes, os generais e os magnatas da Galiléia” (Mc 6,21). Lá, residiam os donos das terras, os soldados, os policiais, os juizes muitas vezes insensíveis (Lc 18,1-4). Os impostos e a produção das pessoas eram levados para lá. Era ali que Herodes fazia suas orgias de morte (Mc 6,21-29). Não consta nos evangelhos que Jesus houvesse entrado na cidade. 
• Ao longo daqueles 43 anos de governo de Herodes, criou-se toda uma classe de funcionários fiéis ao projeto do rei: escribas, comerciantes, donos de terras, fiscais do mercado, publicanos e arrecadadores de impostos, promotores, chefes locais. A maior parte deste pessoal morava na capital, gozando dos privilégios que Herodes oferecia, por exemplo, isenção de impostos. A outra parte das pessoas vivia nas aldeias. Em cada aldeia ou cidade, havia um grupo de pessoas que apoiavam o governo. Vários escribas e fariseus estavam ligados ao sistema e a política do governo. Nos evangelhos, os fariseus aparecem junto com os herodianos (Mc 3,6;8,15;12,13), o que reflete a aliança que existia entre o poder religioso e o poder civil. A vida das pessoas nas aldeias da Galiléia era muito controlada, tanto pelo governo como pela religião. Era necessário ter muita coragem para começar algo novo, como fizeram João e Jesus. Era o mesmo que atrair sobre si a raiva dos privilegiados, tanto do poder religioso como do poder civil, tanto a nível local como estatal.





PARA REFLEXÃO PESSOAL



Conhece caso de pessoas que foram mortas vítimas da corrupção e do domínio dos poderosos? E aqui entre nós, em nossa comunidade e na Igreja, existem vítimas de desmando e de autoritarismo? Um exemplo.
• Superstição, covardia e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compare com o exercício do poder religioso e civil hoje nos vários níveis, tanto da sociedade como da Igreja.


ORAÇÃO FINAL 


• (SALMO 71,1-2)
• Hoje procurarei a pessoa que me falou de Deus pela primeira vez e depois de agradecê-lo, lhe direi o importante que tem sido o que ele fez.






quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lectio Divina - 28/08/13


QUARTA-FEIRA -28/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Tesalonicenses 2,9-13


• Paulo, consciente da responsabilidade que Deus lhe confiou como mensageiro do Evangelho, sabe que sua missão não termina com o primeiro anuncio, mas sim que a vida cristã, para que chegue a desenvolver-se, necessita como as plantas, de contínuo cuidado. Sabe quando agir com suavidade e quando com dureza, porém, sempre com amor, para que a mensagem do Evangelho não fique em uma bonita idéia, mas sim, que passe à vida de cada um dos cristãos. Todos os batizados, cada um segundo sua vocação e estado de vida particular, temos recebido do Senhor o encargo de ajudar para que o Evangelho se converta e um verdadeiro estilo de vida em nossa sociedade, de tal modo que todos nós vivamos “de uma maneira digna de Deus”. Por isso, seguindo o exemplo de Paulo, devemos exortar nossos irmãos, sempre com caridade, a perseverar no amor e na fé. O silêncio dos cristãos não é outra coisa que indiferença e apatia, falta de compromisso com Cristo e sua missão. Sejamos, pois, solidários uns com os outros em nosso caminho para a santidade.



ORAÇÃO INICIAL 


• Oh Deus, que unes os corações de teus fiéis em um mesmo desejo, inspira teu povo o amor a teus preceitos e a esperança em tuas promessas, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria. Por Nosso Senhor...





REFLEXÃO

Mateus 23,27-32


• Estes dois “ais” que Jesus pronuncia contra os doutores da lei e os fariseus de seu tempo retomam e reforçam o mesmo tema dos dois “ais” do evangelho de ontem. Jesus critica a falta de coerência entre palavra e prática, entre interior e exterior. 
• Mateus 23,27-28: O sétimo “ai” contra os que parecem sepulcros caiados. “Vocês por fora parecem justos diante dos homens, mas, por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade”. A imagem de “sepulcros caiados” fala por si só e não necessita comentário. Jesus condena aos que têm uma aparência fictícia de pessoa correta, porém, cujo interior é a negação total daquilo que querem aparecer por fora. 
• Mateus 23,29-32: O oitavo “ai” contra os que edificam os sepulcros dos profetas, mas, não os imitam. Os doutores e os fariseus diziam: “Se nós tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos tido parte com eles no sangue dos profetas!”. E Jesus conclui: pessoas que falam assim “confessam que são filhos dos que mataram os profetas”, pois eles dizem “nossos pais”. E Jesus termina dizendo: “Pois bem: completai, pois, a medida de vossos vais!”. De fato, a essa altura dos acontecimentos, eles já haviam decidido matar Jesus. E assim acabavam de completar a medida dos pais.





PARA REFLEXÃO PESSOAL


Mais dois “ais” para receber a critica por parte de Jesus. Qual dos dois cabe em mim?
• Qual é a imagem de mim mesmo que trato de apresentar aos outros? Corresponde ao que sou de fato diante de Deus?



ORAÇÃO FINAL 


• (SALMO 128,1-2)
• Hoje vou falar para cinco pessoas do maravilhoso que é sentir-se amado por Deus.






terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lectio Divina - 27/08/13


TERÇA-FEIRA -27/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Tesalonicenses 2,1-8


• Quando lemos a bíblia limitando-nos só ao autor humano concreto, mas, esquecendo o autor do conjunto de livros que é Deus, podemos correr o risco de perder de vista coisas valiosas e importantes. Chama a atenção que o autor da carta se dirige a seus destinatários com mostras de apreço e carinho; é certo, que as coisas de Deus são sérias e que requer entrega, coragem e convicção. Porém, isso não significa que a vida humana não possa expressar-se com toda sua riqueza nas coisas de Deus. Paulo não esquece o que tem suposto para ele levar o Evangelho às diferentes comunidades; em concreto, Tessalônica, por suposição uma carga difícil de levar, tanto pelos sofrimentos padecidos, como pela oposição a seu trabalho. Porém, quando se sofre por algo que se ama, a dor se impregna de coragem, tanto ao objeto do amor, como a pessoa que luta para levar à cabo aquilo que dá sentido à própria vida. Pregar Cristo é uma tarefa que Deus recomendou à Paulo, é sua responsabilidade, mas, isso não impede ao apóstolo dar rédea solta a seu coração. Ele não só quis dar aos tessalonicenses o evangelho de Jesus Cristo, gostou de dar sua própria vida para que aquela comunidade tenha a vida que vem de Deus. Certo que é uma pessoa com autoridade e que pode ensinar apoiado nela, mas para ele, é mais valiosa a humildade que vem do amor e da ternura, que a força que vem por representar a Deus. Afinal de contas, Deus também se manifestou doce e terno na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. A ternura de Deus saiu ao encontro do homem que sofre, através de Jesus Cristo. Todo discípulo é chamado a ser como seu mestre. Paulo imitou bem a Jesus ao amar aqueles a quem levava o Evangelho. Essa mesma vocação é a que você e eu somos também chamados.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, que unes os corações de teus fiéis em um mesmo desejo, inspira teu povo o amor a teus preceitos e a esperança em tuas promessas, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 23,23-26

• O evangelho de hoje apresenta dois outros “ais” que Jesus pronuncia contra os líderes religiosos de sua época. Os dois “ais” de hoje denunciam a falta de coerência entre a palavra e a atitude, entre o exterior e o interior. Repetimos hoje o que afirmamos antes. Ao meditar as palavras tão duras de Jesus, tenho que pensar não só nos doutores e nos fariseus da época de Jesus, mas, também e, sobretudo, na hipocrisia que existe em mim, em nós, em nossa família, na comunidade, na nossa igreja, na sociedade de hoje. Vamos olhar no espelho do texto, para descobrir o que existe de errado em nós.
• Mateus 23,23-24: O QUINTO “AI” CONTRA OS QUE INSISTEM NA OBSERVÂNCIA E ESQUECEM A MISERICÓRDIA. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do coentro e do cominho, e descuidais do mais importante da Lei; a justiça, a misericórdia e a fé!”. Este quinto “ai” de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetido contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos nos detalhes e esquecemos da misericórdia. Por exemplo, a “hanseníase” voltou a vivência da fé árida, fazendo questão de observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Teresa de Lisieux cresceu neste ambiente de “hanseníase”, que marcava a França do final do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus com a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.
• Mateus 23,25-26: O SEXTO “AI” CONTRA OS QUE LIMPAM AS COISAS POR FORA E AS SUJAM POR DENTRO. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que purificais por fora o copo e o prato, enquanto por dentro estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego purifique primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique puro!”. No Sermão da Montanha, Jesus critica aos que observam a letra da Lei e transgridem o espírito da Lei. Disse: “Haveis ouvido o que foi dito aos antepassados: Não matarás; e aquele que matar será réu diante do tribunal. Pois, Eu vos digo: Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu diante do tribunal; porém, o que chamar seu irmão de “imbecil”, será réu diante do Sinédrio, e o que chamar de “renegado” será réu da “gehena” de fogo”. “Haveis ouvido que foi dito: Não cometerás adultério. Pois Eu vos digo: Todo aquele que olhar uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5,21-22.27-28). Não basta observar a lei. Não basta não matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar, para ser fiel ao que Deus nos pede. Só observa plenamente a lei de Deus aquele que, além da letra, vai até a raiz e arranca de dentro de si “os desejos de roubo e cobiça” que podem levar ao assassinato, ao roubo, ao adultério. A plenitude da lei se realiza na prática do amor. 





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Mais dois “ais”, dois motivos mais para receber uma crítica severa por parte de Jesus. Qual dos dois cabe em mim?
• Observância e gratuidade: qual dos dois prevalece em mim? 



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 96,2-3)
• Dedicarei alguns minutos para experimentar o amor terno de Deus e para levar esta ternura aqueles quem estiverem necessitando.





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Lectio Divina - 26/08/13


SEGUNDA-FEIRA -26/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Tesalonicenses 1,1-5.8-10


• Umas das constantes que saltam à vista das cartas de Paulo, é recordar as maravilhas que Deus realizou nos membros da comunidade a qual dirige o apóstolo sua carta. Para dar ênfase lembra-lhes que toda comunidade é congregada por Deus Pai por meio de seu Filho Jesus Cristo. O evangelista já havia dito uma vez, quando comentava que Jesus chamou aos que Ele quis; por outro lado, nos lembra Jesus que foi Ele quem nos escolheu e não nós quem o escolheu. Por outro tanto, toda benção, nos diz Paulo, é iniciativa divina; Deus nos chama à comunidade de salvação por meio de seu Filho, quem nos congrega na unidade por meio de sua Palavra e por meio de seu Espírito Santo. Entretanto, não esquece Paulo que chamado, quando é respondido docilmente, produz frutos abundantes. Certo que se requer um trabalho árduo e intenso, porém, é Deus quem faz crescer a semente de seus dons, tanto da fé, como da esperança e, com maior razão, da caridade. A salvação é algo que nasce da iniciativa do Pai e se concretiza no agir salvífico de seu Filho, porém, todos estes dons se celebram em comunidade. A Igreja (composta de comunidades concretas e locais) é congregada pelo Pai para dar graças a Deus por todo bem e dom concedido. Nunca esqueçamos de ser agradecidos com Deus por todos seus bens, nem temamos congregar-nos para elevar junto a nossos irmãos a ação de graças por excelência na qual nos unimos por força do Espírito Santo a oblação de Jesus: a eucaristia. Nela, todo dom é agradecido pela comunidade de redimidos.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, que unes os corações de teus fiéis no mesmo desejo; inspira teu povo o amor a teus preceitos e na esperança em tuas promessas, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria. Por nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 23,13-22


• Nos próximos três dias vamos meditar o discurso que Jesus pronunciou criticando aos doutores da lei e aos fariseus, chamando-os de hipócritas. No evangelho de hoje Jesus pronuncia contra eles quatro “ais” ou pragas. No evangelho de amanhã se acrescentam outros dois, e no evangelho de depois de amanhã outros dois. Ao todo oito “ais” ou pragas contra os líderes religiosos da época. São palavras muito duras. Ao meditá-las, tenho que pensar nos doutores e nos fariseus do tempo de Jesus, mas, também e, sobretudo, no hipócrita que existe em mim, em nós, em nossa família, em nossa Igreja, na sociedade de hoje. Vamos olhar no espelho do texto para descobrir o que existe de errado em nós.
• Mateus 23,13: O primeiro “ai” contra os que fecham a porta do Reino. “Que fechais aos homens o Reino dos Céus! Vós certamente não entrais; e aos que estão entrando não lhes deixais entrar”. Como fecham o Reino? Apresentando Deus como um juiz severo, deixando pouco espaço à misericórdia. Impondo em nome de Deus leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificando a imagem do Reino e, matando nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino.
• Mateus 23,14: O segundo “ai” contra os que usam a religião para enriquecer-se. “Vocês exploram as viúvas, e roubam em suas casas e, para disfarçar, façam longas orações! Por isto, vocês vão receber uma condenação muito severa”. Jesus permite que os discípulos vivam do evangelho, pois, disse que o obreiro merece seu salário, porém, usar a oração e a religião como meio para enriquecer-se, isto é hipocrisia e não revela a Boa Nova de Deus. Transforma a religião em um mercado. Jesus expulsa os comerciantes do Templo citando os profetas Isaias e Jeremias: “Minha casa é casa de oração para todos os povos e vocês a transformaram em uma cova de ladrões”. Quando o mago Simeão quis comprar o dom do Espírito Santo, Pedro o maldisse. Simeão recebeu a “condenação mais severa” da qual Jesus fala no evangelho de hoje.
• Mateus 23,15: O terceiro “ai” contra os que fazem proselitismo. “Vocês que percorrem mar e terra para fazer um prosélito, mas, quando conseguis conquistá-lo, vós o tornais duas vezes mais digno da geena do que vós!”. Existem pessoas que se fazem missionárias e anunciam o evangelho não para irradiar a Boa Nova do amor de Deus, mas sim, para atrair outros a seu grupo ou sua igreja. Uma vez, João proibiu uma pessoa que usasse o nome de Jesus porque não fazia parte de seu grupo. Jesus respondeu: “Não o impeçais. Pois, quem não está contra nós, está a nosso favor”. O documento da Assembléia Plenária dos bispos da América Latina realizou-se no mês de maio de 2008, em Aparecida do Norte, no Brasil, sob o título: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida!”. Isto quer dizer que o objetivo da missão não é para que os povos se tornem católicos, nem para fazer proselitismo, mas sim, para que os povos tenham vida, e vida em abundância. 
• Mateus 23,16-22: O quarto “ai” contra os que vivem fazendo juramento. “Vocês dizem: Se alguém jura pelo Santuário, isso não é nada, mas se jura pelo ouro do Santuário, fica obrigado!”. Jesus faz um longo razoamento para mostrar a incoerência de tantos juramentos que a gente fazia ou que a religião oficial mandava fazer: juramento pelo ouro do templo ou pela oferenda que está sobre o altar. O ensinamento de Jesus, indicado no Sermão da Montanha, é o melhor comentário da mensagem do evangelho de hoje: “Pois e vos digo que não jureis de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus, nem ela Terra, porque é o trampolim de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei. Nem tampouco jures por tua cabeça, porque a nem um de teus cabelos pode fazê-lo branco ou negro. Seja vossa linguagem: Sim, sim, não, não, o que passa daqui vem do maligno” (Mt 5,34-37).





PARA REFLEXÃO PESSOAL


São quatro “ais” ou quatro “pragas”, quatro motivos para receber a crítica severa de parte de Jesus. Qual das quatro críticas cabe em mim?
• Nossa Igreja merece hoje estes “ais” de parte de Jesus?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 96,1-2)
• Anotarei aquelas coisas pelas quais quero dar graças a Deus e as usarei em minha oração do dia.





sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Lectio Divina - 23/08/13

SEXTA-FEIRA -23/08/2013



PRIMEIRA LEITURA: Juízes 11,29-39


• Nesta leitura, usada pela liturgia na celebração do sacramento do matrimônio, ilumina com muita claridade o que significa o verdadeiro amor, o amor que sabe ser “fiel” na prosperidade e na desventura, na saúde e na enfermidade. As duas garotas poderiam ter regressado à casa paterna e voltar a se casar com gente do seu próprio povo. Uma delas assim o faz, porém, Rute, que sabe que sua sogra está só, decide acompanhá-la e permanecer com ela em toda circunstância. Em nossos dias, o importante é que voltemos a valorizar a verdadeira fidelidade e a amizade. Acostumados em nosso mundo consumista, a trocar frequentemente de tudo, em uma cultura “use e jogue”, não é fácil ter amizades estáveis, verdadeiros amigos que o acompanhem, sobretudo, nos momentos difíceis da vida. Certamente não é fácil estabelecer laços duradouros e raízes profundas com nossos vizinhos, companheiros, etc. No entanto, este é o ensinamento da Escritura, é o que nos mostrou Jesus ao fazer-se um como nós e percorrer nosso caminho, inclusive até a morte. Aprendamos com Rute que o verdadeiro amor se mostra diante de tudo na fidelidade e no saber acompanhar-nos uns aos outros, em comprometer toda nossa existência com alguém mais. Faça isso, verás que nunca te arrependerás.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus que tens preparado bens inefáveis para os que te amam, infunde teu amor em nossos corações, para que, amando-te em tudo e sobre todas as coisas, consigamos alcançar tuas promessas, que superam todo desejo. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 22,34-40


• O TEXTO ILUMINA-SE. Jesus está em Jerusalém, precisamente no Templo, onde se inicia um debate entre Ele e seus adversários, sumos sacerdotes e escribas (20,28;21,15), entre os sumos sacerdotes e os anciãos do povo (21,23) e entre os sumos sacerdotes e os fariseus (21,45). O ponto de controvérsia do debate é: a identidade de Jesus ou do filho de Davi, a origem de sua identidade e, portanto, a questão sobre o reino de Deus. O evangelista apresenta esta trama de debates com uma seqüência de controvérsias de ritmo crescente: o tributo a pagar a César (22,15-22), a ressurreição dos mortos (22,23-33), o maior mandamento (22,34-40), o messias, filhos e Senhor de Davi (22,41-46). Os protagonistas das três primeiras discussões são expoentes do judaísmo oficial que pretendem colocar Jesus em dificuldade em questões cruciais. Estas disputas são apresentadas a Jesus na qualidade de “Mestre” (rabi), título que manifesta ao leitor a compreensão que os interlocutores têm de Jesus. Porém, Jesus aproveita a ocasião para levá-los a expor uma questão ainda mais crucial: tomar posição definitiva sobre sua identidade (22,41-46).
• O MAIOR MANDAMENTO. Seguindo os passos dos saduceus que os haviam precedido, os fariseus expuseram de novo a Jesus uma das questões mais ardorosas: o maior dos mandamentos. Visto que os rabinos sempre evidenciavam a multiplicidade das prescrições (248 mandamentos), apresentam a Jesus a questão de qual é o mandamento fundamental, ainda que os próprios rabinos haviam inventado uma verdadeira casuística para reduzir-los o mais possível: Davi conta onze (Sl 15,2-5), Isaias seis (Is 33,15), Miquéias três (Mi 6,8), Amós dois (Am 5,4) e Abacuc apenas um (Ab 2,4). Porém, na intenção dos fariseus, a questão vai mais além da pura casuística, pois, trata-se da mesma existência das prescrições. Jesus, ao contestar, soma juntos o amor de Deus e o amor do próximo, até fundi-los num só, porém, sem renunciar a prioridade ao primeiro, o qual subordina estreitamente o segundo. E mais, todas as prescrições da lei, chegavam a 613, estavam em relação com este único mandamento: toda lei encontra seu significado e fundamento no mandamento do amor. Jesus leva à cabo um processo de simplificação de todos os preceitos da lei: o que coloca em prática o único mandamento do amor não só esta em sintonia com a lei, mas também com os profetas (v40). Todavia, a novidade da resposta não está tanto no conteúdo material, mas, em sua realização: o amor à Deus e ao próximo acham seu próprio contexto e solidez definitiva em Jesus. É preciso dizer que o amor à Deus e ao próximo, mostrado e realizado de qualquer modo em sua pessoa, coloca o homem em uma situação de amor diante de Deus e diante dos demais. O duplo único mandamento, o amor à Deus e ao próximo, se converte em colunas de suporte, não só das Escrituras, mas também da vida do cristão.





PARA REFLEXÃO PESSOAL


O amor a Deus e ao próximo, é para você só um vago sentimento, uma emoção, um movimento passageiro, ou, é uma realidade que invade toda sua pessoa: coração, vontade, inteligência e trato humano?
• Você foi criado para amar. Está consciente de que tua realização consiste em amar a Deus com todo coração, com toda tua alma e com toda tua mente? Este amor tem que acontecer na caridade para os irmãos e em suas situações existenciais. Você vive isto na prática diária?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 17,8-9)
• Hoje chamarei meus amigos mais próximos e os agradecerei pela sua amizade.





quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Lectio Divina - 22/08/13

QUINTA-FEIRA -22/08/2013


PRIMEIRA LEITURA: Juizes 11,29-39


• Quantas vezes dizemos: “Realmente este projeto é maior que minhas forças”. Certamente é importante, como diz Jesus, ver se nossos recursos, nossos dons, são suficientes para enfrentar tal desafio. Entretanto, devemos distinguir a generalidade dos casos um em particular, e quando o próprio Deus nos pede. Na passagem que lemos, Deus diz a Gedeão para ir salvar seu povo, e se Deus é quem pede, Ele dará todos os recursos para que possamos fazer o que Ele mesmo nos está pedindo. Por isso, é que em nossos deveres não podemos dizer que já não podemos, pois o próprio Deus nos tem dado os dons e as graças que necessitamos para ir adiante e para sermos vitoriosos nos desafios. O mesmo podemos dizer da vida cristã, sobretudo, em relação a santidade. Não podemos dizer ao Senhor: Não posso ser santo, já que Deus, ao dar-nos a presença viva do Espírito Santo, nos deu tudo o que necessitamos para alcançar esta meta. Se Deus te chama responda-lhe com generosidade, como Maria, e abra-te a ação de seu Espírito; verás que com Ele TUDO É POSSÍVEL.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus que tens preparado bens inefáveis para os que te amam, infunde teu amor em nossos corações, para que, amando-te em tudo e sobre todas as coisas, consigamos alcançar tuas promessas, que superam todo desejo. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 1,26-38

• Hoje é a festa de Nossa Senhora Rainha. O texto que meditamos no evangelho descreve a visita do anjo à Maria (Lc 1,26-38). A Palavra de Deus chega à Maria não através de um texto bíblico, mas, através de uma experiência profunda de Deus, manifestada na visita do anjo. No AT, muitas vezes, o anjo de Deus é o próprio Deus. Foi graças a viver a Palavra de Deus na Bíblia, que Maria foi capaz de perceber a Palavra viva de Deus na visita do Anjo. Assim também acontece com a visita de Deus em nossas vidas. As visitas de Deus são freqüentes. Porém, porque não vivemos a Palavra escrita de Deus na Bíblia, não percebemos a visita de Deus em nossas vidas. A visita de Deus é tão presente e tão contínua que, muitas vezes, não a percebemos e por isso perdemos uma grande oportunidade de viver em paz e em alegria.
• Lucas 1,26-27: A PALAVRA ENTRA NA VIDA. Lucas apresenta as pessoas e os lugares: uma virgem chamada Maria, prometida a um homem, chamado José, da casa de Davi. Nazaré, uma pequena cidade na Galiléia. Galiléia era a periferia. O centro era a Judéia e Jerusalém. O anjo Gabriel é o enviado de Deus para esta virgem que morava na periferia. O nome Gabriel significa “Deus é Forte”. O nome Maria significa “amada por Yavhé”. A história da visita de Deus a Maria começa com uma expressão: “No sexto mês”. Trata-se do “sexto mês” de gravidez de Isabel, parenta de Maira, uma mulher de idade já avançada, precisando de ajuda. A necessidade concreta de Isabel é o “pano de fundo” de todo este episódio. Encontra-se no começo (Lc 1,26) e ao final (Lc 1,36.39).
• Lucas 1,28-29: A REAÇÃO DE MARIA. Foi no Templo que o anjo apareceu à Zacarias. À Maria ele aparece em sua casa. A Palavra de Deus alcança Maria no ambiente da vida cotidiana. O anjo diz: “Alegra-te! Cheia de Graças! O Senhor está contigo!”. Palavras semelhantes já haviam sido ditas a Moisés (Ex 3,12), a Jeremias (Jr 1,8), a Gedeão ((Jz 6,12) a Rute (Rt 2,4) e à muitos outros. Abrem o horizonte para a missão que estas pessoas do Antigo Testamento deviam realizar à serviço do povo de Deus. Intrigada com a saudação, Maria procura conhecer o significado. É realista, usa a cabeça. Quer entender. Não aceita qualquer aparição ou inspiração.
• Lucas 1,30-33: A EXPLICAÇÃO DO ANJO. “NÃO TEMAS, MARIA!”. Esta é sempre a primeira saudação de Deus ao ser humano: Não temas! Em seguida, o anjo lembra as grandes promessas do passado que se realizarão através do filho que vai nascer em Maria. Esse filho deve receber o nome de Jesus. Será chamado Filho do Altíssimo, e Nele, finalmente, se realizará o Reino de Deus prometido a Davi, que todos estavam ansiosamente esperando. Esta é a explicação que o anjo dá à Maria para que não fique assustada.
• Lucas 1,34: NOVA PERGUNTA DE MARIA. Maria tem consciência da importante missão que está recebendo, porém, permanece realista. Não se deixa levar pela grandeza da oferta e olha sua condição: “Como será isto, posto que, não conheço homem?”. Ela analisa a oferta a partir dos critérios que nós, seres humanos, temos a nossa disposição. Pois, humanamente falando, não era possível que aquela oferta da Palavra de Deus se realizasse naquele momento.
• Lucas 1,35-37: NOVA EXPLICAÇÃO DO ANJO. “O ESPÍRITO SANTO VIRÁ SOBRE TI E O PODER DO ALTÍSSIMO TE COBRIRÁ COM SUA SOMBRA, POR ISSO, O QUE HÁ DE NASCER SERÁ SANTO E SE CHAMARÁ FILHO DE DEUS”. O Espírito Santo, presente na Palavra de Deus desde o dia da Criação (Gn 1,2), consegue realizar coisas que parecem impossíveis. Por isto, o Santo que vai nascer de Maria, será chamado Filho de Deus. Quando hoje a Palavra de Deus é acolhida pelos pobres sem estudo, algo novo acontece pela força do Espírito Santo! Algo tão novo e tão surpreendente como ao nascimento de um filho de uma virgem, ou, como o nascimento do filho de Isabel, uma mulher de idade avançada, da qual o mundo dizia que não podia ter filhos. E o anjo acrescenta: “Olhe, Isabel também, tua parente, conceberá um filho em sua velhice e já esta está no sexto mês”. 
• Lucas 1,38: A ENTREGA DE MARIA. A resposta do anjo aclara tudo para Maria. Ela se entrega ao que Deus lhe está pedindo: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo Tua Palavra”. Maria usa para si o título de “Serva”, empregada do Senhor. O título vem de Isaias, quem apresenta a missão do povo não como um privilégio, mas sim, como um serviço aos outros povos (Is 42,1-9; 49,3-6). Mais tarde, Jesus, o filho que estava sendo gerado naquele momento, definirá sua missão: “Não vim para ser servido, mas sim, para servir!” (Mt 20,28). Aprendeu com sua Mãe!
• Lucas 1,39: A FORMA QUE MARIA ENCONTRA PARA SERVIR. A Palavra de Deus chega e faz com que Maria se esqueça de si mesma para servir aos demais. Ela deixa o lugar onde estava e vai para a Judéia, distante quatro dias de caminho, para ajudar sua prima Isabel. Maria começa a “servir” e a cumprir sua missão à favor do povo de Deus.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Com você percebe a visita de Deus em tua vida? Já foi visitado alguma vez?
• Você já foi uma visita de Deus na vida dos outros, sobretudo, dos pobres? Como este texto te ajuda a descobrir as visitas de Deus em tua vida?
• A Palavra de Deus se encarnou em Maria. Como a Palavra de Deus está se encarnando em minha vida pessoal e na vida da comunidade?




ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 107,8-9)
• Hoje refletirei o quanto cumpro com minha palavra, também com as pessoas que me comprometo.









quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lectio Divina - 21/08/13


QUARTA-FEIRA -21/08/2013

PRIMEIRA LEITURA: Juizes 9,6-15

• Esta passagem é uma das críticas mais fortes que se tem escrito contra os oportunistas, com àqueles que sem importar-lhes a vontade de Deus, procuram seu próprio proveito. Ao ler o livro dos Juizes nos encontramos com o povo fiel a Deus que não reconhecia nenhum outro rei que não fosse Yavhé, pois, lembrava bem da aliança que dizia: “Vocês serão meu povo e eu serei seu Deus”. Entretanto, outra parte do povo procurava ser como “os demais povos” e ter um rei humano. Com uma série de figuras, o autor nos mostra como o povo, querendo “ser como os demais povos” tinha escolhido o pior rei (que de fato levará Israel à secularização e a idolatria). Isto também pode acontecer em nossas vidas quando procuramos fazer nossa vida à margem de Deus, quando esquecemos que nós somos cristãos e que, portanto, não somos como o resto do mundo ainda que vivamos no mundo. Oportunidades não nos faltam, o mudo nos oferece fama e prestígio se aceitarmos “abrigar-nos sob sua sombra”. O resultado sempre será o mesmo: tristeza, solidão, angústia, medo. Deus quer reinar em nossas vidas, quer ser o centro de nossa existência, não porque necessite de nosso louvor ou de nosso serviço, mas, porque quando Ele é Rei pode dar-nos a verdadeira paz e a alegria do Reino no qual “Ele reina”. Não nos deixemos enganar… A verdadeira felicidade só está em Deus.






ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, que tens preparado bens inefáveis para os que te amam, infunde teu amor em nossos corações, para que, amando-te e tudo e sobre todas as coisas, consigamos alcançar tuas promessas, que superam todo desejo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 20,1-16ª


• O evangelho de hoje trás uma parábola que encontramos só em Mateus. Não existe nos outros três evangelhos. Como em todas as parábolas, Jesus conta uma história feita de elementos da vida diária das pessoas. Retrata a situação social de seu tempo, na qual os ouvintes se reconheciam. Porém, ao mesmo tempo, na história da parábola, acontecem coisas que nunca acontecem na realidade da vida das pessoas. Ao falar do dono, Jesus pensa em Deus, pensa em seu Pai. Por isto, na história da parábola, o dono, fez coisas surpreendentes que não acontecem no dia a dia da vida dos ouvintes. Nesta atitude estranha do dono é preciso procurar encontrar a chave para compreender a mensagem da parábola.
• Mateus 20,1-7: AS CINCO VEZES QUE O PROPRIETÁRIO SAI EM BUSCA DE TRABALHADORES. “O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário que saiu a primeira hora da manhã para contratar empregados para a sua vinha. Tendo contratado com os trabalhadores ao valor de uma denário por dia, os enviou a sua vinha”. Assim começa a história que fala por si e não precisaria de nenhum comentário. Em seguida, o proprietário sai outras quatro vezes para chamar os trabalhadores para que se dirijam a sua vinha. Jesus menciona o terrível desemprego daquela época. Alguns detalhes da história: (a)-o dono sai pessoalmente cinco vezes para encontrar os trabalhadores. (b)-Na hora de contratar os empregados, somente com o primeiro grupo decide o salário: um denário por dia. Com os da nona hora diz: Dar-lhe-eis o que é justo. Com os outros não “combinou” nada, só os contratou para que fossem trabalhar na vinha. (c)-No final do dia, na hora de fazer as contas com os trabalhadores, o proprietário manda que o administrador realize este serviço.
• Mateus 20,8-10: A ESTRANHA MANEIRA DE ACERTAR AS CONTAS NO FINAL DO DIA. Ao entardecer, diz o dono da vinha a seu administrador: “Chame os trabalhadores e pague-lhes a jornada, começando pelos últimos até os primeiros”. Vieram, pois, os da hora undécima e receberam um denário cada um. Começa pelos últimos e termina com os primeiros. Aqui, na hora de fazer as contas, acontece algo estranho que não acontece na vida comum. Parece que as coisas se inverteram. O pagamento começa com os que foram contratados por último e que trabalharam apenas uma hora. O pagamento é o mesmo para todos: um dinário, como havia sido combinado com os que foram contratados no começo do dia. Os primeiros pensaram que ganhariam mais, porém, eles também receberam um denário cada um. Por que é que o proprietário fez isto? Você faria o mesmo? A chave da parábola está escondida neste gesto surpreendente do proprietário.
• Mateus 20,11-12: A REAÇÃO NORMAL DOS TRABALHADORES DIANTE DA ESTRANHA ATITUDE DO PROPRIETÁRIO. Os últimos a receber o salário foram os que haviam sido contratados primeiro. Estes, assim diz a história, ao receber o mesmo valor, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: “Estes últimos não trabalharam mais que uma hora, e lhes paga como a nós, que agüentamos o peso do dia todo e o calor!”. É a reação normal de sentido comum. Creio que todos nós teríamos a mesma reação e diríamos a mesma coisa ao dono. Ou não?
• Mateus 20, 13-46: A EXPLICAÇÃO SURPREENDENTE DO PROPRIETÁRIO ESCLARECE A CHAVE DA PARÁBOLA. A resposta do proprietário é esta: “Amigo, não estou te fazendo nenhuma injustiça. Não combinamos o valor em um denário? Pois, tome o que é teu e vai-te. De minha parte, quero dar a este último o mesmo que dei a ti. Não posso fazer o que quero com aquilo que é meu? Ou seu olho vai ser mau porque eu sou bom? Estas palavras encerram o segredo que explica a atitude do proprietário e aponta para a mensagem que Jesus quer comunicar: (a)-O proprietário não foi injusto, pois, agiu de acordo com o que havia sido combinado com o primeiro grupo de trabalhadores: um denário ao dia. (b)-É decisão soberana do proprietário, dar aos últimos o mesmo que havia sido combinado com os da primeira hora. Estes não tinham o direito de reclamar. (c)-Agindo dentro da justiça, o proprietário tem direito de fazer o que quiser com as coisas que lhe pertencem. O trabalhador, por sua parte, tem este mesmo direito. (d)-A pergunta final toca o ponto central: “Ou seu olho vai ser mau porque eu sou bom?”. Deus é diferente. Seus pensamentos não são como nossos pensamentos (Is 55,8-9).
• A PROFUNDIDADE DA PARÁBOLA É A CONJUNTURA DAQUELA ÉPOCA, A DE JESUS COMO A DE MATEUS. Os trabalhadores da primeira hora são o povo judeu, chamado por Jesus à trabalhar em sua vinha. Eles sofreram o peso do dia, desde Abraão e Moisés, mais de mil anos. Agora, na undécima hora, Jesus chama os pagãos para que venham trabalhar em sua vinha e eles chegam a ter a preferência no coração de Deus: “Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos!”. 





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Os da undécima hora chegam, levam vantagem e recebem prioridade na fila de entrada no Reino de Deus. Quando você espera duas horas em uma fila e chega alguém que, sem mais nem menos, coloca-se na sua frente, você aceita? É possível comparar as duas situações? 
• A ação de Deus supera nossos cálculos e nossa maneira humana de agir. Surpreende e, às vezes, incomoda. Isto já ocorreu em tua vida? Que lição você tirou?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 23,6)
• Hoje orarei pelos governantes das nações, especialmente pelos governantes de meu país.





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Lectio Divina - 19/08/13

SEGUNDA-FEIRA -19/08/2013



PRIMEIRA LEITURA: Juizes 2,11-19


• Um santo sacerdote dizia em uma ocasião, referindo-se a nossa natureza caída: “Pobres seres humanos”. Como isso iluminava a miséria de nossa condição, que como diz Paulo, “está vendida ao pecado”. Nesta passagem vemos o povo de Deus, o povo que viu os prodígios e as maravilhas de Deus, cometer toda classe de maldades. A causa: abandonaram o verdadeiro Deus e se prostraram diante de deuses falsos, deuses que oferecem paraísos “artificiais”, deuses aos quais se pode servir com comodidade e sem compromisso, deuses que se acomodam aos nossos desejos, deuses que não exigem renuncia e que permitem a avareza, o lucro, a vingança; deuses que conduzem a vida para o abismo. Isto ocorreu com Israel, e continua acontecendo com todos aqueles que, em lugar de seguir o único e verdadeiro Deus, o Deus do amor, da salvação e do perdão, vão em busca dos deuses falsos, de ídolos inertes que só terminam por destruir a vida. Nós cristãos, não somos imunes à sedução dos “deuses modernos”; e de fato, se nossa sociedade, que dizemos “Cristã”, padece desta perversão é porque muitos dos cristãos tem voltado seus olhos, se não totalmente, com certa aceitação, para os falsos deuses. Tenhamos cuidado, os deuses falsos, os ídolos, oferecem um falso bem estar que, cedo ou tarde, se converterá em sofrimento e solidão. Centremos nossos olhos em Jesus e procuremos com todo nosso coração viver conforme seu evangelho.




ORAÇÃO INICIAL 

• Oh Deus, que tens preparado bens inefáveis para os que te amam, infunde teu amor em nossos corações, para que, amando-te e tudo e sobre todas as coisas, consigamos alcançar tuas promessas, que superam todo desejo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 19,16-22

• O evangelho de hoje nos narra a história do jovem que pergunta pelo caminho da vida eterna. Jesus lhe indica o caminho da pobreza. O jovem não aceita a proposta de Jesus, pois, era muito rico. Uma pessoa rica está protegida pela segurança que a riqueza lhe dá. Tem dificuldade em abrir a mão de sua segurança. Agarrada nas vantagens de seus bens vive preocupada em defender seus próprios interesses. Uma pessoa pobre não tem esta preocupação. Mas, existem pobres com mentalidade de ricos. Muitas vezes, o desejo de riqueza cria neles uma enorme dependência e faz com que o pobre seja escravo do consumismo, pois fica tendo dúvidas por todos os lados. E não tem mais tempo para dedicar-se ao serviço do próximo.
• Mateus 19,16-19: Os mandamentos e a vida eterna. Alguém chega próximo de Jesus e lhe pergunta: “Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna?”. Alguns manuscritos informam que se tratava de um jovem. Jesus responde bruscamente: “Por que me perguntas sobre o bom? Um só é Bom”. Em seguida responde à pergunta e diz: “Mas se queres entrar na vida, guarda os mandamentos”. O jovem reage e pergunta: “Quais mandamentos?”> Jesus tem a bondade de enumerar os mandamentos que o jovem tinha que conhecer: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, e amarás a teu próximo como a ti mesmo”. É muito significativa a resposta de Jesus. O jovem havia perguntando pela vida eterna. Queria a vida junto a Deus! Mas, Jesus só lembrou os mandamentos que falam a respeito da vida junto ao próximo! Não menciona os três primeiros mandamentos que definem nossa relação com Deus! Para Jesus, só conseguiremos estar bem com Deus, se sabermos estar bem com o próximo. De nada adianta enganar. A porta para chegar até Deus é o próximo. Em Marcos, a pergunta do jovem é diferente: “Bom Mestre, o que é que devo fazer para herdar a vida eterna?”. Jesus responde: “Por que é que me chamas de bom? Só Deus é bom e ninguém mais” (Mc 10,17-18). Jesus desvia a atenção de si mesmo para Deus, pois, o que importa é fazer a vontade de Deus, revelar o Projeto do Pai. 
• Mateus 19,20: Observar os mandamentos, para que é que serve? O jovem respondeu: “Tudo isso tenho feito. O que mais falta?”. O que segue é algo curioso. O jovem queria conhecer o caminho que lhe levaria a vida eterna. Agora, o caminho da vida eterna era e continua sendo: fazer a vontade de Deus, expressada nos mandamentos. Com outras palavras, o jovem observava sem saber para que é que serviam! Se soubesse, não haveria feito a pergunta. Acontece com muitos católicos que não sabem o porquê é que o são. “Nasci católico, por isto sou católico!”. Coisa de costume!
• Mateus 19,21-22: A proposta de Jesus e a resposta do jovem. Jesus responde: “Se queres ser perfeito, anda, vende o que tens e dê aos pobres, e terás um tesouro nos céus; e depois me segue! Ao ouvir estas palavras, o jovem saiu entristecido, porque tinha muitos bens”. Era muito rico. A observância dos mandamentos é apenas o primeiro degrau de uma escada que vai muito mais longe e mais alto. Jesus pede mais! A observância dos mandamentos prepara a pessoa para que possa chegar a entrega total de si a favor do próximo. Marcos diz que Jesus olhou o jovem com amor (Mc 10,21). Jesus pede muito, porém, o pede com muito amor. O jovem não aceita a proposta de Jesus e se vai, “porque tinha muitos bens”.
• Jesus e a opção pelos pobres. Um duplo cativeiro marcava a situação das pessoas naquela época de Jesus: o cativeiro da política de Herodes, apoiada pelo Império Romano e mantida por todo um sistema bem organizado de exploração e de repressão, e o cativeiro da religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época. Por causa disto, o clã, a família, a comunidade, estavam sendo desintegrados e uma grande parte do povo vivia excluída, marginalizada, sem lugar, nem na religião, nem na sociedade. Por isto, havia diversos movimentos que, como Jesus, procuravam refazer a vida na comunidade: essênios, fariseus e, mais tarde, os zelotes. Dentro da comunidade de Jesus, entretanto, havia algo novo que a diferenciava dos demais grupos. Era a atitude diante dos pobres e excluídos. As comunidades dos fariseus viviam separadas. A palavra “fariseu” queria dizer “separado”. Viviam separadas do povo impuro. Alguns fariseus consideravam o povo como ignorante e maldito (Jo 7,49), cheio de pecado (Jo 9,34). Não aprendiam nada das pessoas. Jesus e sua comunidade, ao contrário, viviam com as pessoas excluídas, consideradas impuras: publicanos, pecadores, prostitutas, leprosos (Mc 2,16). Jesus reconhece a riqueza e o valor que os pobres possuem (Mc 11,25-26). Os proclama “bem aventurados” porque deles é o Reino dos céus, dos pobres (Lc 6,20). Define sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ele mesmo vive como pobre. Não possui nada para si, nem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça (Lc 9,58). E a quem quer seguir-lhe para viver com Ele, manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). Manda fazer a opção pelos pobres, como propôs ao jovem rico! (Mc 10,21). Esta maneira diferente de acolher os pobres e de conviver com eles era uma prova do Reino dos Céus. 





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Uma pessoa que vive preocupada com sua riqueza ou com a aquisição dos bens que a propaganda do consumismo lhe oferece, pode libertar-se de tudo isto para seguir Jesus e viver em paz em uma comunidade cristã? É possível? O que você pensa?
• O que é que significa para nós hoje: “Vai, vende tudo e dá aos pobres?”. É possível tomar isto ao pé da letra? Conhece alguém que consegue deixar tudo por causa do Reino?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 23,1-3)
• Hoje refletirei quais são os ídolos atuais que separam minha visão de Deus.






sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lectio Divina - 16/08/13

SEXTA-FEIRA -16/08/2013

PRIMEIRA LEITURA: Josué 24, 1-13


• Toda nossa história é uma história de salvação na qual Deus está presente e a vai realizando seu projeto de amor para cada um de nós, nossas famílias e nossa comunidade. É importante de quando em quando lembrar as obras de amor e salvação que deus tem feito em nossa vida e em nossa família, já que isto faz com que a fé se mantenha viva. Esta também é a razão do por que devemos todos os dias ter tempo para a leitura da Palavra de Deus, nela encontraremos a história de nosso povo, a história do “Deus amor” que entregou seu Único Filho para que todo aquele que crê tenha vida Nele, é a história do Deus que tendo perdoado e nos enche com seu Espírito fazendo de nós um verdadeiro templo onde Ele habita. Do Deus que dia após dia, em cada oração e em cada sacramento nos salva, nos santifica e nos enche de paz, do Deus que caminha conosco dia após dia até a consumação dos tempos.


ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno, a quem podemos chamar Pai; aumenta em nossos corações o espírito filial, para que mereçamos alcançar a herança prometida. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Mateus 19,3-12

• CONTEXTO. Até o capítulo 18, Mateus tem mostrado como os discursos de Jesus têm marcado as várias fases da constituição e formação progressiva da comunidade dos discípulos em torno de seu Mestre. Agora, em 19,1, este pequeno grupo se afasta das terras da Galiléia e chega ao território da Judéia. O chamamento de Jesus, que tem atraído seus discípulos, continua avançando até a escolha definitiva: a acolhida ou a rejeição da pessoa de Jesus. Esta fase tem lugar no longo caminho que leva à Jerusalém (cap. 19-20), e ao templo, depois de finalmente chegar a cidade (cp. 21-23). Todos os encontros que Jesus efetua nestes capítulos têm lugar ao longo do caminho da Galiléia à Jerusalém.
• O ENCONTRO COM OS FARISEUS. Ao passar pela Transjordânia (19,1) Jesus tem o primeiro encontro com os fariseus, e o tema da discussão de Jesus com eles é motivo de reflexão para o grupo dos discípulos. A pergunta dos fariseus se refere ao divórcio e de maneira particular coloca Jesus em apuros sobre o amor dentro do matrimônio, que é na realidade mais sólido e estável para a comunidade judia. A intervenção dos fariseus pretende acusar como “um colocar à prova”, como “um tentar”. A pergunta é certamente crucial: “É lícito a um homem repudiar a própria mulher por qualquer motivo?” (19,3). Ao leitor não escapa a intenção distorcida dos fariseus ao interpretar o texto de Dt 24,1, para colocar Jesus em apuros: “Se um homem toma uma mulher e se casa com ela, e acontece que esta mulher não agrada seus olhos, porque descobre nela algo que o desagrada, lhe redigirá um libelo de repudio, colocará em sua mão e despedi-la-á de sua casa”. Ao longo dos séculos, este texto havia dado lugar a numerosas discussões: admitir o divórcio por qualquer motivo, exigir um mínimo de má conduta, ou um verdadeiro adultério. 
• É DEUS QUE UNE. Jesus responde aos fariseus citando Gn 17:2,24 e remetendo a questão a vontade de Deus. O amor que une o homem e a mulher vem de Deus, e por esta origem, une e não pode separar. Se Jesus cita Gn 2,24 “O homem abandonará seu pai e sua mãe e se unirá a sua esposa e serão os dois uma só carne”, (19,5) é porque quer sublinhar um princípio singular e absoluto: a vontade criadora de Deus é unir o homem e a mulher. Quando um homem e uma mulher se unem em matrimônio, é Deus que os une; o termo “cônjuges” vem do verbo “conjugar”, isto é, a união dos dois esposos que acarreta acordo sexual é efeito da palavra criadora de Deus. A resposta de Jesus aos fariseus alcança seu auge: o matrimônio é indissolúvel em sua constituição originária. Jesus prossegue cirando Ml 2,13-16: repudiar a própria mulher é romper a aliança com Deus, aliança que, segundo os profetas, os esposos a vivem, sobretudo, em sua união conjugal (Os 1-3; Is 1,21-26; Jr 2,2;3,1.6-12; Ez 16; 23; Is 54,6-10;60-62). A resposta de Jesus aparece em contradição com a lei de Moisés que concede a possibilidade de dar um certificado de divórcio. Dando razão a sua resposta, Jesus lembra aos fariseus: se Moisés decidiu esta possibilidade, é pela dureza de vosso coração (v.8), mas concretamente, por vossa desobediência a Palavra de Deus. A Lei de Gn 1,26;2,24 não se modificou jamais, porém, Moisés se viu obrigado a adaptá-la a uma atitude de desobediência. O primeiro matrimônio não é anulado pelo adultério. A palavra de Jesus diz claramente ao homem de hoje, e de modo particular a comunidade eclesial, que não deve haver divórcios, e, no entanto, observamos que existem; na vida pastoral, os divorciados são acolhidos e para eles sempre está aberta a possibilidade de entrar no reino. A reação dos discípulos é rápida: “Se esta é a condição do homem a respeito de sua mulher, não vale a pena casar-se” (v.10). A resposta de Jesus continua mantendo a indissolubilidade do matrimônio, impossível para a mentalidade humana, porém, possível para Deus. O eunuco do qual Jesus fala não é o que não pode “gerar”, ma sim, o que uma vez separado da própria mulher, continua vivendo na castidade e permanecendo fiel ao primeiro vinculo matrimonial: é eunuco com relação a todas as demais mulheres. 



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Sabemos acolher o ensinamento de Jesus no qual se refere ao matrimônio com a simples vontade de adaptá-lo a nossas legítimas escolhas e conveniência?
• A passagem evangélica não lembra que o desígnio do Pai sobre o homem e a mulher é uma maravilhoso projeto de amor. Você está consciente de que o amor tem uma lei imprescindível que comporta a doação total e plena da própria pessoa ao outro?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 51,12-13)
• Hoje me conscientizarei da presença de Deus e de seu amor, me darei tempo para orar e para ler mais a Escritura. Descobrirei em minha vida os rastros do amor de Deus, do amor que salva.





quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Lectio Divina - 15/08/13


QUINTA-FEIRA -15/08/2013

PRIMEIRA LEITURA: Apocalipse 11,19;12,1-6.10 

• Hoje ao celebrar a festa da Assunção da Santíssima Virgem ao céu, a Palavra de Deus nos convida a contemplá-la como um grande sinal colocado por Deus no céu. Este texto, ainda que referido originalmente à igreja, veio constituir uma das revelações mais belas de Deus para nós, pois, nos permite contemplar Maria Santíssima como o grande modelo a seguir para alcançar a santidade e a vida perfeita. É que os sinais são colocados para que as pessoas não se percam no caminho, como nas ruas que cada sinal é um instrumento para poder conduzir adequadamente e não ter acidentes. O mesmo ocorre com Maria. Ela nos mostra com sua vida a forma de relacionar-se com Deus, como deve ser nossa própria vida. Quando nós revisamos com cuidado as poucas passagens nas quais aparece citada ou referida nossa Mãe Santíssima, veremos que sua vida não foi fácil. Que passou por grandes tribulações, como as nossas ou talvez, em muitos casos, maiores que as nossas, e ainda, em todas foi adiante, pois, sua confiança estava colocada completamente em Deus. Sua oração era fervorosa e confiada, sua caridade era sem limites, pois, para ela eram mais importantes seus irmãos, seus semelhantes do que ela própria. Ela viveu o que Jesus nos ensina e isto desde antes que Jesus iniciasse seu caminho de pregação. Se não queremos perder-nos na vida, basta voltar e olhar para Maria Santíssima e ela, que nos leva em seu colo, nos conduzirá por esta vida até que cheguemos aos braços amorosos de Jesus.


ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno, a quem podemos chamar Pai; aumenta em nossos corações o espírito filial, para que mereçamos alcançar a herança prometida. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 1,39-56

• CHAVE DA LEITURA: BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES. Na primeira parte do evangelho de hoje ressoam as palavras de Isabel, “Bendita és tu entre as mulheres”, precedidas por um movimento espacial. Maria deixa Nazaré, situada ao norte da Palestina, para se dirigir ao sul, à quase cento e cinqüenta quilômetros, a uma localidade que a tradição identifica com a atual Ain Karen, pouco distante de Jerusalém. O mover-se físico mostra a sensibilidade interior de Maria, que não está fechada em si para contemplar de modo privado e intimista o mistério da divina maternidade que se encerra nela, mas sim, é lançada sobre o caminho da caridade. Ela se move para levar ajuda a sua prima anciã. O dirigir-se de Maria a Isabel é acentuado pelo acréscimo de “às pressas” que Santo Ambrósio interpreta assim: Maria se colocou “às pressas” à caminho para a montanha, não porque fosse incrédula à profecia, ou, incerta do anuncio, ou, duvidasse da prova, mas sim, porque estava contente da promessa e desejosa de cumprir devotamente um serviço, com o animo que lhe vinha da alegria intima…A graça do Espírito Santo não comporta lentidão”. O leitor, no entanto, sabe que o verdadeiro motivo da viagem não é indicado, porém, pode aparecer através das informações tiradas do contexto. O anjo havia comunicado a Maria a gravidez de Isabel, já no sexto mês (cf. v.37). Alem disso, o fato de que ela ficasse três meses (cf. v.56), era justamente o tempo que faltava para nascer o filho de Isabel, permite acreditar que Maria queria ajudar sua prima. Maria corre e vai onde a urgência clama uma ajuda, uma necessidade, demonstrando, assim, uma finíssima sensibilidade e concreta disponibilidade. Junto com Maria, e levado em seu seio, Jesus caminha com a Mãe. Daqui é fácil deduzir o valor cristológico do episódio da visita de Maria a prima: a atenção cai, sobretudo, em Jesus. A primeira vista pareceria uma cena concentrada nas duas mulheres, na realidade, o que importa para o evangelista é o prodígio presente nas duas respectivas concepções. A mobilização de Maria, tende, no fundo, à que as duas mulheres se encontrem. 
• Apenas Maria entra na casa e saúda Isabel, o pequeno João dá um salto. Segundo alguns o salto não é comparável com o acomodar-se do feto, experimentado pelas mulheres que estão grávidas. Lucas usa um verbo grego particular que significa propriamente “saltar”. Querendo interpretar o verbo, um pouco mais livremente, pode-se traduzir por “dançar”, excluindo assim a acepção de um fenômeno só físico. Alguns pensam que esta “dança”, pudesse ser considerada como uma espécie de “homenagem” que João rende à Jesus, iniciando, ainda que, não nascido, aquele comportamento de respeito e de subordinação que caracterizará toda sua vida: “Depois de mim virá um que é mais forte que eu e o qual não sou digno de amarrar as correias de suas sandálias” (Mc 1,7). Um dia o próprio João testemunhará: “Quem tem a esposa é o esposo, porém, o amigo do esposo que está presente e o escuta, salta de alegria à voz do esposo, pois, assim minha alegria é cumprida. Ele deve crescer e eu ao contrário diminuir” (Jo 3,29-30). Assim comenta Santo Ambrósio: “Isabel antes ouviu a voz, porém, João percebeu a graça antes”. Uma confirmação desta interpretação, encontramos nas mesmas palavras de Isabel que, tomando do versículo 44 o mesmo verbo já usado no versículo 41, diz: “Saltou de alegria em meu seio”. 
• Lucas, com estes detalhes particulares, quis evocar o prodígio verificado na intimidade de Nazaré. Só agora, graças ao diálogo com uma interlocutora, o mistério da divina maternidade deixa seu segredo e sua dimensão individual, para chegar a converter-se em um fato conhecido, objeto de apreço e de louvor. As palavras de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre! A que devo que a Mãe de meu Senhor venha até mim?” (vv.42-43). Com uma expressão semítica que equivale a um superlativo (“entre as mulheres”), o evangelista quer atrair a atenção do leitor sobre a função de Maria: ser a “Mãe do Senhor”. E, portanto, a ela é reservada uma benção (“bendita és tu”) e ditosa beatitude. Em que consiste esta última? Expressa a adesão de Maria à vontade divina. Maria não é só a destinatária de um desenho arcano que a faz bendita, mas sim, pessoa que sabe aceitar e aderir-se à vontade de Deus. Maria é uma criatura que acredita, porque se fiou na palavra desnuda e que ela revestiu com um “SIM” de amor. Isabel reconhece este serviço de amor, identificando-a como “bendita como mãe e ditosa como crente”. Enquanto isso, João percebe a presença de seu Senhor e salta, expressando com este movimento interior a alegria que brota daquele contato salvífico. Este encontro fará de Maria a interprete do canto do “Magnificat”. 
• UM CANTO DE AMOR:- Este canto de Maria é considerado “dos pobres de Deus”, daqueles que “temem a Deus”, colocando Nele toda sua confiança e esperança e que no plano humano não gozam de nenhum direito ou prestígio. A espiritualidade dos “pobres de Deus” pode ser sintetizada pelas palavras do Salmo 37,79: “Está diante de Deus em silêncio e espera Nele”, porque “aqueles que esperam no Senhor possuirão a terra”.
• No Salmo 86,6, o salmista, dirigindo-se a Deus, diz: “Dá a teu servo tua força”: aqui o termo “servo” expressa o estar submetido, como também o sentimento de pertença à Deus, de sentir-se seguro junto Dele. Os pobres, no sentido estritamente bíblico, são aqueles que colocam em Deus uma confiança incondicional, por isto, tem que ser considerados como a parte melhor, qualitativa, do povo de Israel. Os orgulhosos, pelo contrário, são os que colocam sua confiança em si mesmos. Segundo o Magnificat, os pobres têm muitíssimos motivos para alegrar-se, porque Deus glorifica aos “pobres de Deus” (Sl 149,4) e despreza aos orgulhosos. Uma imagem do N.T. que traduz muito bem o comportamento do pobre no A.T., é a do publicano que com humildade bate no peito, enquanto o fariseu comprazendo-se de seus méritos se consuma no orgulho (Lc 18,9-14). Em definitivo, Maria celebra tudo o que Deus fez nela e quanto faz no que acredita. Alegria e gratidão caracterizam este hino de salvação, que reconhece a grandeza de Deus, porém, também faz grande quem o canta.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Minha oração é diante de tudo expressão de um sentimento ou celebração e reconhecimento da ação de Deus?
• Maria é apresentada como a que acredita na Palavra do Senhor. Quanto tempo você dedica para ouvir a Palavra de Deus?
• Tua oração se alimenta da Bíblia, como tem feito Maria? Você se dedica ao devocionismo que produz orações incolores e insípidas? Você já se convenceu que voltar a oração bíblica é a segurança de encontrar um alimento sólido, escolhido pela própria Maria?
• Está na lógica do Magnificat que exalta a alegria de servir, de perder para encontrar, de acolher, da felicidade da gratuidade, da doação?



ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 44 (45) 10-11;12;15B-16)
• A Virgem Maria, templo do Espírito Santo acolheu com fé a Palavra do Senhor e entregou-se completamente ao poder do Amor. Por este motivo se converteu em imagem da interioridade, ou seja, toda recolhida sob os olhos de Deus e abandonada á força do Altíssimo. Maria não fala de si, para que tudo nela possa falar das maravilhas do Senhor em sua vida.





quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Lectio Divina - 14/08/13

QUARTA-FEIRA -14/08/2013



PRIMEIRA LEITURA: Deuteronômio 34,1-12


• Contrariamente ao que o mundo nos propõe a grandeza de um homem não consiste em ter ou em chegar inclusive a ser chefe de um grande povo, mas sim, ser considerado, como Moisés, Amigo de Deus. É por isso triste que muitos dedicam tanto tempo e esforço para conseguir bens temporais, poder que passa e honra que só empobrecem o coração, já que, se todo esse esforço fosse dedicado para ser bons amigos de Deus, tudo pelo que lutaram lhes seria concedido, junto com a paz e a alegria interior. Jesus, antes de partir para a casa do Pai disse a seus discípulos: “Já não os chamo servos, mas sim, lhes chamo de amigos”. Com isto confirma a continua vontade de Deus de ter-nos como amigos; somos agora os que temos que corresponder a este iniciativa de Deus e fazê-la crescer. É por isso vital o ter tempo para nossa oração, já que é precisamente aí onde a amizade com Deus cresce e se fortalece. Dê tempo para a oração, verás que a amizade com Deus dá a tua vida a plenitude no amor e na paz.



ORAÇÃO INICIAL 

• Deus todo poderoso e eterno, a quem podemos chamar Pai; aumenta em nossos corações o espírito filial, para que mereçamos alcançar a herança prometida. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Mateus 18,15-20

• No evangelho de hoje e de amanhã vamos ler e meditar a segunda parte do Sermão da Comunidade. O evangelho de hoje fala da correção fraterna e da oração em comum. O de amanhã fala do perdão e fala da parábola do perdão sem limites. A palavra chave desta segunda parte é “perdoar”. O acento cai na reconciliação. Para que possa haver reconciliação que permita o retorno dos pequenos, é importante saber dialogar e perdoar, pois, o fundamento da fraternidade é o amor gratuito de Deus. Só assim a comunidade será sinal do Reino. Não é fácil perdoar. Certas dores continuam machucando o coração. Existem pessoas que dizem: “Perdôo, porém não esqueço!”. Rancor, tensões, broncas, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação.
• A organização das palavras de Jesus, nos cinco grandes Sermões do evangelho de Mateus mostra que no final do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese. O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35), por exemplo, trás instruções atualizadas de como proceder no caso de algum conflito entre os membros da comunidade e de como encontrar critérios para solucionar os conflitos. Mateus reúne aquelas frases de Jesus que pode ajudar as comunidades de finais do século primeiro a superar os dois problemas agudos aos quais enfrentavam naquele momento, a saber, a saída dos pequenos por causa do escândalo de alguns e a necessidade de diálogo para superar o rigor de outros e acolher aos pequenos, os pobres, a comunidade. 
• Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de perdoar. Estes versículos trazem normas simples de como proceder no caso de conflito na comunidade. Se um irmão ou uma irmã pecam, isto é, se houver comportamento não de acordo com a vida da comunidade, não se deve imediatamente denunciá-lo. Primeiro, tratemos de saber os motivos do outro. Se não der resultado, levemos a duas ou três pessoas da comunidade para ver se consegue algum resultado. Só em caso extremo, deve-se levar o problema à toda comunidade. E se a pessoa não quiser ouvir a comunidade, que seja para ti “como um publicano ou um pagão”, isto é, como alguém que já não é parte da comunidade. Não é que você está excluindo, mas, é a própria pessoa, que se exclui. A comunidade reunida apenas constata e ratifica a exclusão. A graça de poder perdoar e reconciliar em nome de Deus foi dada à Pedro, aos apóstolos e, aqui no Sermão da Comunidade, à própria comunidade (Mt 18,18). Isto revela a importância das decisões que a comunidade toma com relação a seus membros.
• Mateus 18,19: A oração em comum. A exclusão não significa que a pessoa seja abandonada a sua própria sorte. Não! Pode estar separada da comunidade, porém, nunca estará separada de Deus. No caso de que a conversa na comunidade não chegue a bom termo, e a pessoa não quiser integrar-se na vida da comunidade, fica como último recurso o orar juntos ao Pai para conseguir a reconciliação. E Jesus garante que o Pai escutará: “Os asseguro também que se dois de vós se colocam de acordo na terra para pedir algo, seja o que for, o conseguirão de meu Pai que está nos céus”. 
• Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade. O motivo da certeza de ser ouvidos pelo Pai é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles!”. Jesus é o centro, o chefe da comunidade e, como tal, junto com a Comunidade, estará rezando ao Pai, para que conceda o dom do retorno ao irmão ou a irmã que se excluiu.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Por que será que é tão difícil perdoar? Em nossa comunidade, existe espaço para a reconciliação? De que maneira? Jesus disse: “ali onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. O que é que isso significa para nós hoje?


ORAÇÃO FINAL 

• (SALMO 113,1-2)
• Hoje revisarei que classe de amigos eu tenho e, verei se eu sou um verdadeiro amigo, que age com misericórdia para com os demais.