segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lectio Divina - 30/09/13



SEGUNDA-FEIRA -30/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: Zacarias 8,1-8


Marcado por um forte contexto messiânico, o profeta convida a retomar a confiança em Deus que salva, no Deus que faz prodígios insuperáveis e incríveis, no Deus que tem feito aliança com seu povo para levá-lo a felicidade e a paz perfeita. No meio de nosso tempo de incerteza econômica e às vezes política, onde podemos em ocasiões ver-nos presos na angústia, desconfiança e desespero, a palavra de Deus “sempre viva e eficaz” nos lembra, como fez com o povo do AT, que hoje mais do que nunca nosso Deus é um Deus próximo, que tem colocado sua “tenda” não unicamente entre nós, mas, em nós mesmos. Jesus está e estará conosco sempre para assistir-nos em nossas necessidades e para fazer de nossa vida uma experiência de amor vivida na paz e alegria do Espírito. A Palavra de Deus hoje nos lembra que por mais que isto nos pareça impossível Deus o realiza e o realizará sempre em nossa vida. A passagem termina com a frase preferida de Deus que nos lembra qual é nossa relação com Ele: “Eu sou teu Deus e tu és meu povo”. Oxalá, e que nunca esqueças isto, que você é não só parte de seu povo, mas sim, seu filho amado e que Ele é teu Deus a quem pode recorrer sempre com confiança.


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus que manifestas especialmente teu poder com o perdão e a misericórdia; derrama incessantemente sobre nós tua graça, para que, desejando o que nos promete, consigamos os bens do céu. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 9,46-50

O TEXTO ILUMINA. Se anteriormente Lucas nos apresentava como se reuniam os homens em torno de Jesus para reconhecê-lo pela fé, para ouvi-lo e presenciar suas curas, agora se abre uma nova etapa de seu itinerário público. A atenção a Jesus não monopoliza a atitude da multidão, mas, Jesus pouco a pouco vai ensinando e levando-os para ir ao Pai. Este itinerário presume a viagem à Jerusalém. Quando está a ponto de empreender esta viagem, Jesus lhes revela o final que o espera (9,22). Depois se transfigura diante deles como para indicar o ponto de partida de seu “êxodo” para Jerusalém. Porém, imediatamente depois da experiência da luz no acontecimento da transfiguração, Jesus volta a anunciar sua paixão deixando os discípulos na insegurança e perturbados. As palavras de Jesus sobre o fato de sua paixão, “o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”, encontram a incompreensão dos discípulos (9,45) e um temor silencioso (9,43).

JESUS PEGA UM MENINO. O enigma da entrega de Jesus desencadeia uma disputa entre os discípulos sobre a quem corresponderá o primeiro posto. Sem que seja pedido seu parecer, Jesus como o próprio Deus lê em seus corações, intervêm com um gesto simbólico. Em primeiro lugar pega um menino e o coloca junto Dele. Este gesto indica a escolha, o privilégio que se recebe no momento em que alguém passa a ser cristão (10,21-22). A fim de que este gesto não permaneça em significado, Jesus continua com uma palavra de explicação: não se enfatiza a “grandeza” do menino, mas sim a tendência da “acolhida”. O Senhor considera “grande” o que, como menino, sabe acolher Deus e seus mensageiros. A salvação apresenta dois aspectos: a escolha por parte de Deus simbolizado no gesto de Jesus acolhendo o menino, e a acolhida de Jesus (o Filho) e de todo homem por parte daquele que o enviou, o Pai. O menino representa Jesus, e os dois juntos, na pequenez e no sofrimento, realizam a presença de Deus. Porém, estes dois aspectos da salvação são também indicativos da fé: onde a eleição emerge do elemento passivo, do serviço, da ação; são dois pilares da existência cristã. Acolher Deus ou ao Cristo na fé tem como conseqüência acolher totalmente ao “pequeno” por parte do crente ou da comunidade. O “ser grande”, sobre o qual discutiam os discípulos, não é uma realidade mais além, mas, olha o momento presente e se expressa na diaconia do serviço. O amor e a fé vividos realizam duas funções: somos acolhidos por Cristo (pega o menino), e temos o dom singular de recebê-lo (“o que acolhe o menino, acolhe Ele e ao Pai”, v.48). Continuando segue um breve diálogo entre Jesus e João (vv.49-50). Este último discípulo é tido entre os íntimos de Jesus. Ao exorcista, que não é parte do círculo dos íntimos de Jesus, também lhe é confiado a mesma função dos discípulos. É um exorcista que, por uma parte, é estranho ao grupo, porém, por outra, está dentro porque entendeu a origem cristológica da força divina que o assiste (“em teu nome”). O ensinamento de Jesus é evidente: um grupo cristão não deve colocar obstáculos a ação missionária de outros grupos. Não existem cristãos “maiores” que outros, mas sim, só é “grande” pelo fato de ser cada vez mais cristão. Além disso, a atividade missionária deve estar a serviço de Deus e não para aumentar a própria notoriedade. É crucial a frase sobre o poder de Jesus: trata-se de uma alusão à liberdade do Espírito Santo cuja presença no seio da Igreja é segura, porém, pode estender-se mais além dos ministérios constituídos ou oficiais.


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Como crente, como batizado, como você vive suas vitórias e seu sofrimento?
Qual é o tipo de “grandeza” que vive ao servir a vida e as pessoas? É capaz de transformar a competitividade em cooperação?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 138,3-4)
Hoje começarei a viver como cidadão do povo de Deus, procurando cumprir os Dez Mandamentos. 





quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Lectio Divina - 26/09/13


QUINTA-FEIRA -26/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: Ageu 1,1-8


Nesta leitura podemos dar-nos conta da importância que tem para Deus o templo. Se bem que é certo que em qualquer lugar podemos encontrar e encontrar-nos com Deus, Ele mesmo nos diz precisamente que é no templo que Ele “manifesta sua glória”. Isto é, é no Templo onde de maneira especial podemos não só encontrar-nos com Ele, mas, onde sua presença se faz próxima, onde podemos, com serenidade e paz, dialogar com Ele. É doloroso ver como hoje em dia os templos estão geralmente vazios (até para o culto). Em alguns países inclusive, permanecem fechados todo o dia e só abrem para as celebrações litúrgicas. Se te sentes vazio, triste, faminto de paz, separe um tempo e passe alguns minutos em companhia de Deus em um de seus templos. Ai respirará a corrente vivificante do Espírito, e te asseguro que sairás fortalecido para continuar tua jornada e transmitir aos demais os que no silêncio recebeu.


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que tens colocado a plenitude da lei no amor a ti e ao próximo; concede-nos cumprir teus mandamentos para chegar assim a vida eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 9,7-9

O evangelho de hoje nos apresenta a reação de Herodes diante da pregação de Jesus. Herodes não sabe posicionar Jesus. Havia matado João Batista e agora quer ver Jesus de perto. No horizonte despontam ameaças. 

Lucas 9,7-8: QUEM É JESUS? O texto começa com um balanço das opiniões de pessoas e de Herodes sobre Jesus. Alguns associam Jesus com João Batista e Elias. Outros o identificam como Profeta, isto é, como alguém que fala em nome de Deus, que tem a coragem de denunciar as injustiças dos poderosos e que sabe animar a esperança dos pequenos. É o profeta anunciado no Antigo Testamento como um novo Moisés (Dt 18,15). São as mesmas opiniões que o próprio Jesus coleta dos discípulos ao perguntar-lhes: “O que dizem os demais que eu sou?” (Lc 9,18). As pessoas procuravam compreender Jesus a partir do que eles mesmos conheciam, pensavam e esperavam. Procuravam enquadrá-lo dentro dos critérios familiares do Antigo Testamento, com suas profecias e esperança, e da Tradição dos Antigos, com suas leis. Porém, eram critérios insuficientes. Jesus não cabia ali dentro, era maior!

Lucas 9,9: HERODES QUER VER JESUS. Então, Herodes disse: “João, eu decapitei. Quem é, pois, este de quem ouço tais coisas?”. E procurava encontrá-lo. Herodes, homem supersticioso e sem escrúpulos, reconhece ser o assassino de João Batista. Agora quer ver Jesus. Lucas sugere assim que existem ameaças que começam a despontar no horizonte. Herodes não teve medo de matar João Batista. Nem tampouco terá na hora de matar Jesus. Quando lhe disseram que Herodes procurava prendê-lo, mandou dizer-lhe: “Ide dizer a essa raposa: Eu expulso demônios e curo hoje e amanhã, e no terceiro dia terei consumado!” (Lc 13,32). Herodes não tem poder sobre Jesus. Na hora da paixão, Pilatos manda Jesus para Herodes, para que este investigue sobre Ele, Jesus não lhe dá nenhuma resposta (Lc 23,9). Herodes não merecia resposta.

DE PAI A FILHO. Algumas vezes, se confundem os três Herodes que viveram naquela época, pois, os três aparecem no Novo Testamento com o mesmo nome:-A)-Herodes, chamado o Grande, governou a Palestina do ano 37 a 04 antes de Cristo. Aparece no nascimento de Jesus (Mt 2,1). Matou as crianças de Belém (Mt 2,16). B)-Herodes, chamado Antipas, governou a Galiléia do ano 04 a 39 depois de Cristo. Aparece na morte de Jesus (Lc 23,7). Matou João Batista (Mc 6,14-29). C)-Herodes, chamado Agripa, governou toda a Palestina de 41 a 44 depois de Cristo. Aparece nos Atos dos Apóstolos (At 12,1-20). Matou o apóstolo Tiago (At 12,2).

Quando Jesus tinha mais ou menos quatro anos, o rei Herodes morreu. Aquele que matou as crianças de Belém (Mt 2,16). Seu território foi dividido entre os filhos. Aquelao, um de seus filhos, herdou o governo da Judéia. Eram menos inteligente que pai, porém, mais violento. Somente em sua ocupação de posse foram massacradas quase 3.000 pessoas, na praça do Templo! O evangelho de Mateus informa que Maria e José, quando souberam que Arquelao havia assumido o governo da Judéia, tiveram medo de voltar para lá e foram morar em Nazaré, na Galiléia (Mt 2,22), governada por outro filho de Herodes, chamado Herodes Antipas (Lc 3,1). Este Antipas ficou no poder por mais de 40 anos. Durante os trinta e três anos que Jesus viveu nunca houve mudança no governo da Galiléia.

Herodes o Grande, o pai de Herodes Antipas, havia construído a cidade de Cesaréia Marítima, inaugurada no ano 15 antes de Cristo. Era o novo porto de deságüe dos produtos da região. Devia competir com o grande porto de Tiro no Norte, e assim ajudar para o fomento do comércio na Samaria e na Galiléia. Por isto, desde os tempos de Herodes o Grande, a produção agrícola na Galiléia começava a orientar-se não mais a partir das necessidades das famílias, como era antes, mas sim, a partir das exigências de mercado. Este processo de câmbio na economia continuou durante todo o governo de Herodes Antipas, mais de quarenta anos, e encontrou nele um administrador eficiente. Todos estes governantes obedeciam a um dono. Quem mandava na Palestina, desde os anos 63 antes de Cristo, era Roma, o Império.


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Tenho que perguntar-me sempre: que é Jesus para mim?
Herodes que ver Jesus. Era curiosidade mórbida e supersticiosa. Outros querem ver Jesus, porque querem encontrar um sentido para a vida. Qual é a motivação que me empurra para ver e encontrar Jesus?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 90,14-15)
Hoje visitarei um Templo e deixarei uma oferenda espiritual.







quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lectio Divina - 25/09/13


QUARTA-FEIRA -25/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: Esdras 9,5-9

Quando lemos o AT nos encontramos com nossa própria história, com a história de um povo que, como nós, passa do pecado ao arrependimento, porém, sempre fica em perigo de voltar a retroceder e ser infiel a Deus. Nesta bela oração de Esdras podemos ver este continuo dilema do homem e a infinita misericórdia de Deus. É o convite permanente de Deus à permanecer fiel, a recordar todas suas bondades e seu amor por nós e a construir uma história de amor com Ele. Certamente, temos pecado, não merecíamos nada da parte de Deus, pois, são tantas as nossas falhas, entretanto, Deus é maior e mais misericordioso que todos os nossos pecados juntos. Procura em troca um coração generoso que se separe dos ídolos (imagem que substitui a Deus) e que o ame com todo o coração e por sobre todas as coisas. Não tenha medo de reconciliar-se com Deus, não existe pecado que seja maior que sua misericórdia. Uma vez perdoado procure amá-lo com todo seu coração. 


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que tens colocado a plenitude da lei no amor a ti e ao próximo; concede-nos cumprir teus mandamentos para chegar assim a vida eterna. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 9,1-6

O evangelho de hoje nos trás a descrição da missão que os Doze receberam de Jesus. Mais adiante, Lucas fala da missão dos setenta e dois discípulos. Os dois evangelhos completam e revelam a missão da igreja.

Lucas 9,1-2: Envio dos doze para a missão. “Deu-lhes autoridade e poder sobre todos os demônios, e para curar enfermidades; e os enviou a proclamar o Reino de Deus e a curar”. Chamando os doze, Jesus intensifica o anuncio da Boa Nova. O objetivo da missão é simples e claro: recebem o poder e a autoridade para expulsar os demônios, para curar as doenças e para anunciar o Reino de Deus. Assim como as pessoas ficavam admiradas diante da autoridade de Jesus sobre os espíritos impuros e diante de sua maneira de anunciar a Boa Nova, o mesmo deverá acontecer com a pregação dos doze apóstolos.

Lucas 9,3-5: As instruções para a Missão. Jesus os enviou com as seguintes recomendações: não podem levar nada “nem bastão, nem alforje, nem dinheiro, nem duas túnicas”. Não podem andar de casa em casa, mas sim “quando entrar em uma casa, ficar nela até que a hora de partir”. No caso de não o receberem “sacudi o pó de vossos pés em testemunho contra eles”. Como veremos estas recomendações estranhas para nós, têm um significado muito importante.

Lucas 9,5: A execução da missão. E eles se foram. É o começo de uma nova etapa. Agora já não é só Jesus, mas é todo o grupo que vai anunciar a Boa Nova de Deus às pessoas. Se a pregação de Jesus já causava conflitos, quanto mais agora, com a pregação de todo o grupo.

Os quatro pontos básicos da missão. No tempo de Jesus, havia diversos movimentos de renovação: essênios, fariseus, zelotes. Eles também procuravam uma nova maneira de conviver em comunidade e tinham seus missionários (cf. Mt 23,15). Mas estes, quando iam em missão, iam prevenidos. Levavam alforje e dinheiro para cuidar de sua própria comida. Pois não confiavam na comida das pessoas que nem sempre era ritualmente “pura”. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus receberam recomendações diferentes que nos ajudam a entender os pontos fundamentais da missão de anunciar a Boa Nova:

A)-Devem ir sem nada (Lc 9,3;10,4). Isto significa que Jesus obriga a confiar na hospitalidade. Pois, quem vai sem nada, vai porque confia na pessoa e acredita que vai ser recebido. Com esta atitude, criticam as leis da exclusão, ensinadas pela religião oficial, e pela nova prática, mostraram que tinham outros critérios de comunidade.

B)-Devem ficar hospedados na primeira casa até retirar-se do lugar (Lc 9,4;10,7). Isto é, devem conviver de forma estável e não andar de casa em casa. Devem trabalhar como todo mundo e viver do que recebem em troca, “pois o trabalhador merece seu salário” (Lc 10,7). Com outras palavras, têm que participar da vida e do trabalho das pessoas, e as pessoas os acolherão em sua comunidade e compartilharão com eles casa e comida. Isto significa que devem confiar no compartilhar. Isto explica também a severidade da critica contra os que não aceitam a mensagem: sacudir os pés, como pretexto contra eles (Lc 10,10-12), pois não rejeitam algo novo, mas o seu próprio passado.

C)-Têm que curar os enfermos e expulsar os demônios (Lc 9,1; 10,9; Mt 10,8). Isto é, devem exercer a função de “defensor” e acolher para dentro do clã, dentro da comunidade, dos excluídos. Com esta atitude criticam a situação de desintegração da vida comunitária do clã e apontam para saídas concretas. A expulsão de demônios é sinal de que o Reino de Deus chegou (Lc 11,20).. 

D)-Têm que comer o que o povo lhes dá (Lc 10,8). Não podem viver separados com sua própria comida, mas têm que aceitar a comunhão da mesa. Isto significa que, em contato com as pessoas, não devem ter medo de perder a pureza como era ensinado na época. Com esta atitude criticam as leis de pureza em vigor e mostram, por meio da nova prática, que possuem outro acesso à pureza, isto é, a intimidade com Deus. 

Estes eram os quatro pontos básicos da vida comunitária que deviam marcar a atitude dos missionários ou das missionárias que anunciavam a Boa Nova de Deus em nome de Jesus: hospitalidade, partilha, comunhão de mesa e acolhida aos excluídos (defensor). Se estas quatro exigências se cumprem, então, podem e devem gritar aos quatro ventos: “O Reino chegou!” (cf. Lc 10,1-12; 9,1-6; Mc 6,7-13; Mt 10,6-16). Pois o Reino de Deus que Jesus nos revelou não é uma doutrina, nem um catecismo, nem uma lei. O Reino de Deus acontece e se faz presente quando as pessoas, motivadas por sua fé em Jesus, decidem conviver em comunidade para assim testemunhar e revelar a todos que Deus é Pai e Mãe e que, por conseguinte, nós, os seres humanos, somos irmãos e irmãs uns dos outros. Jesus queria que a comunidade local fosse de novo uma expressão da Aliança, do Reino, do amor de Deus como Pai, que nos faz a todos irmãos e irmãs. 


PARA REFLEXÃO PESSOAL

A participação na comunidade tem te ajudado a acolher e a confiar mais nas pessoas, sobretudo, nos mais simples e nos mais pobres?

Qual é o ponto da missão dos apóstolos que tem mais importância para nós hoje? Por quê?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 119,57-58)
Hoje farei um profundo exame de consciência e se necessário, farei uma confissão.





terça-feira, 24 de setembro de 2013

Lectio Divina - 24/09/13


TERÇA-FEIRA -24/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: Esdras 6,7-8,12;14-20

A reconstrução do Templo de Jerusalém foi uma obra magnífica, não só pela grandeza da obra arquitetônica, mas, sobretudo, pelo que o Templo representava para os Israelitas: reconstruir a fé em Deus todo poderoso era voltar a unidade e a terra outorgada por Deus para que nela se fizesse o culto e de onde Deus pudesse reinar. A festa, como nos narra o livro de Esdras, foi magnífica, pois, de novo o templo havia sido restaurado e com ele o culto a Deus. Paulo nos diz que nós somos o templo de Deus. Não valeria a pena que déssemos uma olhada e ver como está este templo em seu interior? A vida moderna, com facilidade, vai se destruindo e vai se contaminando como aconteceu nos tempos do desterro. Se observarmos bem, poderemos notar que nosso templo interior vai sofrendo a destruição de um mundo pagão que muitas vezes nos afugenta da oração, a não ter vida interior e a não cultuar Deus em nosso coração. Por isso, como nos tempos de São Francisco, nos quais o Senhor lhe pedia que restaurasse seu templo, hoje em dia Jesus nos pede o mesmo, e não se refere aos templos materiais, mas, ao templo de nosso coração. Comecemos, pois, tirando tudo que não pertence ao templo e continuemos adornando-o com todas as virtudes, especialmente com o amor a Deus e a nossos irmãos.



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que tens colocado a plenitude da lei no amor a ti e ao próximo; concede-nos cumprir teus mandamentos para chegar assim a vida eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 8,19-21

O evangelho de hoje nos fala do episódio em que os pais de Jesus, inclusive sua mãe, quiseram conversam com Ele, porém, Jesus não lhes dá atenção. Jesus teve problemas com a família. Às vezes, a família ajuda a viver melhor e a participar na comunidade. Outras vezes, dificulta essa convivência. Assim foi para Jesus, e assim é para muitos outros.

Lucas 8,19-20: A FAMÍLIA PROCURA JESUS. Os parentes chegam à casa onde estava Jesus. Provavelmente haviam vindo de Nazaré. Dali a Cafarnaum existe uma distância de 40 Km. Sua mãe estava com eles. Não entram, pois, havia muita gente, porém, mandam um recado: “Tua mãe e teus irmãos estão ai fora, e querem ver-te!”. Segundo o evangelho de Marcos, os parentes não querem ver Jesus. Eles querem levá-lo de volta para casa (Mc 3,32). Pensavam que Jesus havia ficado louco (Mc 3,21). Provavelmente, tinham medo, pois, segundo informa a história, a vigilância por parte dos romanos com relação a todos os que de uma forma ou outra tinham uma liderança popular, era enorme (cf. At 5,36-39). Em Nazaré, na serra, estaria mais seguro que na cidade de Cafarnaum.

Lucas 8,21: A RESPOSTA DE JESUS. A reação de Jesus é firme: “Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus, e a colocam em prática”. Em Marcos, a reação de Jesus é mais concreta. Marcos diz: “Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas a seu redor e disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,34-35). Jesus amplia a família! Não permite que a família o afaste da missão: nem a família (Jo 7,3-6), nem Pedro (Mc 8,33), nem os discípulos (Mc 1,36-38), nem Herodes (Lc 13,32), nem ninguém (Jo 10,18).

É a palavra que cria a nova família ao redor de Jesus: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a colocam em prática”. Um bom comentário deste episódio é o que diz o evangelho de João no prólogo: “Ele estava no mundo e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu e seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,10-14). A família, os parentes, não entenderam Jesus (Jo 7,3-5; Mc 3,21), não fazem parte da nova família. Fazem parte da nova comunidade só aqueles e aquelas que recebem a Palavra, isto é, que acreditam em Jesus. Estes nascem de Deus e formam a Família de Deus. 

A SITUAÇÃO DA FAMÍLIA NO TEMPO DE JESUS. No tempo de Jesus, tanto na conjuntura política, social e econômica como na ideologia religiosa, tudo conspirava para o enfraquecimento dos valores centrais do clã, da comunidade. A preocupação com os problemas da própria família impedia que as pessoas se unissem em comunidade. Agora, para que o Reino de Deus pudesse manifestar-se, de novo, na convivência comunitária das pessoas, as pessoas tinham que superar os limites estreitos da pequena família e abrir-se a grande família, a Comunidade, Jesus deu o exemplo. Quando sua família quis de apoderar-se Dele, reagiu e ampliou a família (Mc 3,33-35). Criou a comunidade.

OS IRMÃOS E AS IRMÃS DE JESUS. A expressão “irmãos e irmãs de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus tinha mais irmãos e que Maria tinha mais filhos. Os católicos dizem que Maria não teve mais filhos. O que pensar disto? Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição de suas respectivas igrejas. Por isto, não convém polemizar nem discutir esta questão com argumentos só da cabeça. Pois, trata-se de convicções profundas, que tem a ver com a fé e com os sentimentos de ambos. O argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração. Apenas irrita e afasta! Ainda quando não concordo com a opinião do outro, tenho que respeita-la sempre. Em segundo lugar, em vez de discutir ao redor dos textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos para lutar na defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé. Deveríamos lembrar alguma outra frase de Jesus: “Vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). “A fim de que todos sejam um. Como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). “Não o impeçais. Porque quem não é contra nós é por nós!”. (Mc 9,39-40).


PARA REFLEXÃO PESSOAL

A família ajuda ou dificulta tua participação na comunidade cristã?
Como assumes teu compromisso na comunidade cristã sem prejudicar a família ou a comunidade?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 119,33-34) 






segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Lectio Divina - 23/09/13


SEGUNDA-FEIRA -23/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: Esdras 1,1-6

Um dos erros que se tem caído ao longo da história é o de pensar que Deus fala unicamente ao “povo escolhido”, sejam os judeus, ou em nosso caso, os cristãos. Umas das contribuições importantes do Concílio Vaticano II foi o reconhecer que Deus se comunica de muitas maneiras com todos os homens, sem importar seu credo. Ao reconhecer a existência de um só Deus, se afirma que este Deus é o mesmo das demais religiões, ainda que, eles mesmos não reconheçam ou não aceitem. É importante aceitar a todos, sem deixar por isso de orar por aqueles que não têm tido a oportunidade de conhecer com mais profundidade a verdade de nosso Deus, a qual tem sido revelada pelo seu Filho único, Jesus Cristo. Lembremos que somos chamados à formar um só povo e uma só família. Sejamos promotores do amor, aceitando inclusive àqueles que não pensam como nós.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor, tu que tens se dignado a redimir-nos e fazer-nos teus filhos, olha-nos sempre com amor de pai e faz que acreditemos em Cristo, teu Filho e, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 8,16-18


Depois de contar a parábola, Jesus chama a atenção para o significado mais profundo de sua pregação, algo que ele deve ter feito com freqüência para levar os ouvintes a ouvir mais atentamente. Quando os discípulos pedem-lhe para explicar o significado da parábola, ele lhes assegura que os “mistérios” (desígnios ocultos) do Reino de Deus são revelados a eles e então faz a espantosa declaração de que as parábolas destinam-se a impedir que os outros entendam.

Obviamente Jesus não que quer os ouvintes sejam eles quem forem, deixem de entender. Ele usa a citação de Is 6.9, para descrever que alguns olham sem ver e ouvem sem compreender por causa da dureza de seu coração. A expressão é uma forma de hipérbole hebraica, que dá uma tradução desajeitada. É ainda mais severa na versão de Marcos (Mc 4,12), que Lucas e Mateus atenuaram.

A parábola da lâmpada aplica-se aqui à revelação dos “mistérios do Reino de Deus”. Uma das ações mais importantes de nossa atividade comercial é a publicidade. As empresas gastam verdadeiras fortunas para fazer com que seu produto seja conhecido e para que conhecendo-o, o público se sinta não só convidado a adquiri-lo, mas, persuadido de que o necessita de maneira indispensável.

Isto é lógico, pois, através de nossos sentidos é que conhecemos e chegamos a desejar o que nos é oferecido. Este é o centro do evangelho de hoje: que a vida cristã seja conhecida por todos para que se sintam persuadidos de que só nela é possível a felicidade. Por isso, Jesus convida a todos seus seguidores a que esta vida, este estilo de pensar, de falar, de viver seja notório a todos os que nos rodeiam.

Em outras palavras, nossa vida, nossa própria pessoa, é o melhor meio de publicidade para o Evangelho. Uma boa publicidade atrairá a muitos a imitar e a desejar viver de acordo ao que estão vendo em nós. Uma má publicidade ou uma publicidade negativa afastará aqueles que estão procurando um caminho para a felicidade.

Permita que em tua vida Cristo seja transparente, procure com todas as tuas forças viver de acordo com o Evangelho. Lembra-te que as palavras convencem, porém, o testemunho arrasta.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Você ou sua comunidade tem dito palavras convincentes sobre Jesus?
Qual é o tipo de publicidade que você faz de sua Igreja?
O evangelho de Cristo tem sido o produto que você oferece a seus conhecidos?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 149,34)
Hoje pedirei em oração por meus amigos e familiares que professam outra religião, pra que Deus lhes dê sempre o dom de seu amor.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Lectio Divina - 20/09/13


SEXTA-FEIRA -20/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Timoteo 6,2-12

Quanta verdade tem a palavra do apóstolo dirigida à Timóteo: “O afã do dinheiro é a raiz de todos os males”. É por dinheiro que o homem chega não só a cometer os crimes mais terríveis, mas, inclusive é capaz de renunciar a sua própria identidade como pessoa. Alguém dizia: “Conheço gente tão pobre, tão pobre que a única coisa que tem é o dinheiro”. O afã de riqueza nos esvazia e nos isola em um mundo privado, rouba pouco a pouco a paz de coração e nos submerge na tristeza e na solidão. E não é que o dinheiro seja mau em si mesmo, mas, é que como bem disse o apóstolo, uma armadilha para que o homem se perca no sentido dos autênticos valores como são: a família, os amigos, o descanso, etc. Se não queremos perder o sentido da vida e com isto a felicidade, devemos aprender a compartilhar, a reconhecer, como disse Jesus, que existe mais felicidade em dar do que em receber. Não permitas que o dinheiro te possua… seja o senhor do dinheiro e faça bom uso do que Deus lhe tem dado.



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, criador e senhor de todas as coisas, olhe-nos; e para que sintamos o efeito de teu amor, conceda-nos servir-te de todo coração. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 8,1-3

O evangelho de hoje fala da atitude surpreendente de Jesus para com as mulheres, quando defende uma mulher, conhecida na cidade como pecadora, contra as críticas de um fariseu. Agora no começo do capitulo VIII, Lucas descreve como Jesus ia pelos povoados e pelas cidades da Galiléia, e a novidade é que ia acompanhado não só dos discípulos, mas também pelas discípulas. 

Lucas 8,1: OS DOZE QUE SEGUEM JESUS. Em uma única frase Lucas descreve a situação: Jesus anda por todas as partes, pelos povoados e cidades da Galiléia, anunciando a Boa Nova de Deus e os doze estão com Ele. A expressão “seguir Jesus” (cf. 1,18;15,41) indica a condição do discípulo que segue o Mestre, vinte e quatro horas por dia, procurando imitar seu exemplo e participar de seu destino.

Lucas 8,2-3: AS MULHERES SEGUEM JESUS. O surpreendente é que, ao lado dos homens, existem também mulheres “junto a Jesus”. Lucas coloca os discípulos e as discípulas em pé de igualdade, pois, ambos seguem Jesus. Lucas também conservou os nomes de algumas destas discípulas: MARIA MADALENA, nascida na cidade de Magdala. Havia sido curada de sete demônios. JOANA, mulher de Cuza, procurador de Herodes Antipas, que era governador da Galiléia. SUZANA, e várias outras. Delas se afirma que “servem Jesus com seus bens”. Jesus permitia que um grupo de mulheres seguisse (Lc 8,2-3;23-49; Mc 15,41). O evangelho de Marcos, falando das mulheres no momento da morte de Jesus, informa: “Algumas mulheres olhavam de longe. Entre elas, MARIA MADALENA, MARIA, mãe de Tiago, o menor, e de José, e SALOMÉ. Elas haviam seguido e servido Jesus, desde quando Ele esteve na Galiléia, Junto com elas havia outras mais, que havia subido com Jesus à Jerusalém” (Mc 15,40-41). Marcos define sua atitude com três palavras: seguir, servir, subir até Jerusalém. Os primeiros cristãos não chegaram a elaborar uma lista destas discípulas que seguiam Jesus como fizeram os doze discípulos. Porém, nas páginas do evangelho de Lucas aparecem os nomes de sete discípulas: MARIA MADADELA, JOANA mulher de Cuza, SUAZANA (Lc 8,3), MARTA E MARIA (Lc 10,38), MARIA, mãe de Tiago (Lc 24,10) e ANA, a profetisa (Lc 2,36), de oitenta e quatro anos de idade. O número oitenta e quatro é doze vezes sete. A idade perfeita! A tradição eclesiástica posterior não valorizou este dado do discipulado das mulheres com o mesmo peso que valorizou o seguimento de Jesus por parte dos homens. É uma lástima! 

O evangelho de Lucas sempre foi considerado o evangelho das mulheres. De fato, Lucas é o que trás o maior numero de episódios em que se destaca a relação de Jesus com as mulheres. E a novidade não está só na presença das mulheres ao redor de Jesus, mas, também e, sobretudo, na atitude de Jesus com relação as mulheres. Jesus as toca e se deixa tocar pelas mulheres, sem medo de contaminar-se (Lc 7,39;8,44-45.54). Diferente dos mestres da época, Jesus aceita as mulheres como seguidoras e discípulas (Lc 8,2-3; 10,39). A força libertadora de Deus, atuante em Jesus, faz que a mulher se levante e assuma sua dignidade (Lc 13,13). Jesus é sensível ao sofrimento da viúva e se solidariza com sua dor (Lc 7,13). O trabalho da mulher preparando alimento é considerado por Jesus como sinal do Reino (Lc 13,20-21). A viúva persistente que luta por seus direitos é colocada como modelo de oração (Lc 18,1-8), e a viúva pobre que compartilha seus bens com os demais como modelo de dom e entrega (Lc 21,1-4). Em uma época em que o testemunho das mulheres não era considerado válido, Jesus acolher as mulheres como testemunhas de sua morte (Lc 23,49), sepultura (Lc 23,55-56) e ressurreição (Lc 24,1-11.22-24).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Em sua comunidade, em seu país, em sua Igreja, como a mulher é valorizada?
Compare a atitude de nossa Igreja com a atitude de Jesus.



ORAÇÃO FINAL 


(SALMO 139,23-24)
Hoje procurarei uma pessoa com verdadeira carência e compartilharei algo de material que Deus me deu e, também compartilharei que é por Deus que o faço.




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Lectio Divina - 19/09/13


QUINTA-FEIRA -19/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: 1Timoteo 4,12-16

Que bom seria para nós cristãos – os que procuram com todo coração seguir o Senhor – tomar estas palavras de Paulo e Timóteo. Irmãos, o mundo hoje está cansado de tantos sermões, palavras ocas sobre Deus, de caridade, etc. O que quer é ver nós os cristãos vivendo o que Jesus nos mostrou com sua própria vida, o que Ele nos recomendou viver e testemunhar no meio da comunidade. É preciso, pois, que coloquemos mais atenção em nosso comportamento cotidiano de maneira que este reflita o que Deus está fazendo em nós, em nossa vida e em nossa família. Necessitamos ser, como pede Paulo a Timóteo: Modelos de vida cristã para que possamos mais adiante dizer, como o dirá em outras de suas cartas: “sejam imitadores meus, como eu sou de Cristo”. Que grande compromisso. O mais grave é que se não conseguimos isto, então como se decidirão mudar os que, apesar de haverem sito batizados, se deixam arrastar pelos costumes deste mundo? Se eles não nos vêem sermos diferentes, como acreditarão que efetivamente a vida cristã é outra coisa? Tenhamos, pois, atenção e mostremo-nos como homens e mulheres cheios de fé, de caridade, cuidado com o vocabulário e com o modo de tratar-nos entre nós. Do nosso testemunho depende também em grande medida a salvação dos demais.


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, criador e senhor de todas as coisas, olhe-nos; e para que sintamos o efeito de teu amor, conceda-nos servir-te de todo coração. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 7,36-50

O evangelho de hoje nos fala do episódio da mulher que foi acolhida por Jesus durante uma refeição na casa de Simão, o fariseu. Um dos aspectos da novidade que a Boa Nova de Deus trás é a atitude surpreendente de Jesus para com as mulheres. Na época do Novo Testamento, a mulher vivia marginalizada. Não participava na sinagoga, não podia ser testemunha na vida pública. Muitas mulheres, entretanto, resistiam contra essa exclusão. Desde o tempo de Esdras, crescia a marginalização das mulheres por parte das autoridades religiosas e também crescia a resistência das mulheres contra sua exclusão, como aparecem nas histórias de Judite, Ester, Rute, Noemi, Suzana, Zalamita e de tantas outras. Esta resistência encontra eco e acolhida em Jesus. No episódio da mulher do perfume emergem o inconformismo e a resistência das mulheres no dia a dia da vida e na acolhida que Jesus lhes dava. 

Lucas 7,36-38: A situação que provoca o debate. Três pessoas totalmente diferentes se encontram: Jesus, Simão, o fariseu, um judeu praticante, e a mulher da qual diziam ser pecadora. Jesus esta na casa de Simão que o convidou para cear. A mulher entra se coloca aos pés de Jesus, começa a chorar, molha os pés de Jesus com lágrimas, solta os cabelos para secar os pés de Jesus, beija e unge os pés com perfume. Soltar os cabelos em público era um gesto de independência. Jesus não se retrai, nem afasta a mulher, mas ainda, acolhe seu gesto.

Lucas 7,39-40: A reação do fariseu e a resposta de Jesus. Jesus estava acolhendo uma pessoa que, segundo os costumes da época, não podia ser acolhida, pois era pecadora. O fariseu, observando tudo, critica Jesus e condena a mulher: “Se este fosse profeta, saberia quem e que classe de mulher é a que lhe está tocando, pois, é uma pecadora”. Jesus lhe respondeu: “Simão, tenho algo para dizer-te!”. Jesus usa uma parábola para responder à provocação do fariseu.

Lucas 7,41-43: A parábola dos servidores. Um devia 500 denários, e o outro 50. Nenhum dos dois tinha como pagar. Ambos foram perdoados. Qual deles lhe amará mais? Resposta do fariseu: “Suponho que aquele que se perdoou mais!”. A parábola supõe que os dois, tanto o fariseu como a mulher, haviam recebido algum favor de Jesus. Na atitude que os dois tomam diante de Jesus, mostram como apreciavam o favor recebido. O fariseu mostra seu amor, sua gratidão, convidando Jesus para que faça a refeição com ele. A mulher mostra seu amor, sua gratidão, mediante das lágrimas, dos beijos e do perfume.

Lucas 7,44-47: A mensagem de Jesus ao fariseu. Depois de receber a resposta do fariseu, Jesus aplica a parábola. E estando na casa do fariseu, convidado por ele, Jesus não perde a oportunidade para tomar a liberdade de falar e agir. Defende a mulher, e critica o judeu praticante. A mensagem de Jesus para os fariseus de todos os tempos é: “Quem pouco perdoa, pouco amor mostra!”. Um fariseu pensa que não tem pecado, porque observa em tudo a Lei. A segurança pessoal que eu, fariseu, acredito em mim pela observância das leis de Deus e da Igreja, muitas vezes me impede experimentar a gratidão do amor de Deus. O que importa não é a observância da lei em si, mais sim, o amor com que observo a lei. E usando os símbolos do amor da mulher, Jesus da resposta ao fariseu que se considerava em paz com Deus: “Entrei em tua casa e não me destes a água para lavar os pés. Ela, em troca, molhou meus pés com lágrimas e os secou com seus cabelos. Não me destes o beijo. Ela, desde que entrou, não deixou de beijar os meus pés. Não ungiste minha cabeça com azeite. Ela ungiu meus pés com perfume! Simão apesar de tudo o que me ofereceste, tu tens pouco amor!”

Lucas 7,48-50: Palavra de Jesus para a mulher. Jesus declara a mulher perdoada e acrescenta: “Tua fé te salvou. Vá em paz!” Aqui acontece a novidade da atitude de Jesus. Ele não condena, mas sim, acolher. E foi a fé que ajudou a mulher a recompor-se e a encontrar-se consigo mesma e com Deus. Na relação com Jesus, uma força nova despertou dentro dela e a fez renascer.



PARA REFLEXÃO PESSOAL


Onde e quando as mulheres são desprezadas pelos fariseus de hoje?
A mulher, certamente, não haveria feito o que fez se não houvesse tido a certeza absoluta de ser acolhida por Jesus. Os marginalizados e os pecadores têm a mesma certeza a respeito de nós?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 100,5)
Hoje vigiarei minha maneira de falar e de dirigir-me aos demais e verei se existe algo que não seja digno da conduta do filho do Grande Rei, e tirarei de minha vida para sempre.






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Lectio Divina - 18/09/13


QUARTA-FEIRA -18/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Timoteo 3,14-16


Discute-se muito atualmente a importância e validade da Igreja não só como corpo de Cristo, mas sim como estrutura humana. Desde a antiguidade muitos fracassaram em sua vida espiritual e levaram muitos irmãos ao erro por separar-se da Igreja. Paulo sabe bem que a Igreja não é algo etéreo, de caráter unicamente espiritual, mas sim é esta precisamente “a coluna e fonte da verdade”. Santo Agostinho, que viveu no período em que ainda circulavam muitos textos relacionados com a Sagrada Escritura, porém, que não eram os textos aprovados como “Palavra de Deus”, declarou solenemente: “Eu creio na Sagrada Escritura porque é a Igreja que me assegura que é Palavra de Deus”. Deus quis confiar o depósito da fé e da revelação a Igreja, para que todo que aproxime dela beba sempre da fonte de água pura, não adulterada. Não nos deixemos levar pelo caminho fácil da dúvida e dos que nos propõem uma vida mais cômoda à margem da Escritura e da sã interpretação dada pelo magistério da Igreja. 


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, criador e senhor de todas as coisas, olhe-nos; e para que sintamos o efeito de teu amor, conceda-nos servir-te de todo coração. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Lucas 7,31-35


No evangelho de hoje vemos como a novidade da Boa Nova foi avançando de tal modo que as pessoas agarradas às formas antigas da fé ficavam como perdidas sem entender nada da ação de Deus. Para esconder sua falta de abertura e de compreensão elas se defendiam e buscavam pretextos infantis para justificar sua atitude de não aceitação, Jesus reage com uma parábola para denunciar a incoerência de seus adversários: “Vocês parecem com crianças que não sabem o que querem!”.

Lucas 7,31: Com quem compararei os homens desta geração? Para Jesus parece estranha a reação das pessoas e diz: “Com quem, compararei, pois, os homens desta geração? E a quem parecem?”. Quando uma coisa é evidente e as pessoas, ou por sua ignorância ou por má vontade não querem vêem ou não querem ver, é bom encontrar comparações que falam por si só.

Lucas 7,32: Como crianças, sem fundamentos. A comparação que Jesus encontra é esta: Vocês parecem a “criançinhas que estão sentadas na praça e gritam uns aos outros dizendo: no mundo inteiro existem crianças minadas e que têm a mesma reação. Reclamam quando os outros não fazem e não agem como eles querem. O motivo da queixa de Jesus é a maneira arbitrária com que, no passado, reagiram diante de João Batista e, agora no presente, diante do próprio Jesus.

Lucas 7,33-34: Sua opinião sobre João e Jesus. “Porque veio João Batista, que não comia pão e nem bebia vinho, e dizeis: Tem um demônio. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Aí tens um comilão e um beberrão, amigo de publicanos e pecadores”. Jesus foi discípulo de João Batista, acreditava nele e foi batizado por ele. Foi no batismo que Ele teve a revelação do Pai a respeito de sua missão como Messias Servo (Mc 1,10). Ao mesmo tempo, Jesus ressalta a diferença entre ele próprio e João. João era mais severo, mas ascético, nem comia, nem bebia. Ficava no deserto e ameaçava as pessoas com os castigos do Juízo Final (Lc 3,7-9). Por isto, diziam que tinha um demônio, que estava possuído. Jesus era mais acolhedor, comia e bebia com todo mundo. Andava pelos povoados e entrava na casa das pessoas, acolhia as prostitutas e aos arrecadadores de impostos. Por isto, diziam que era comilão e que se embriagava. Apesar de generalizar ao falar dos “homens desta geração” (Lc 7,31), provavelmente, Jesus tem em mente a opinião das autoridades religiosas que não acreditavam Nele (Mc 11,29-33). 

Lucas 7,35: A conclusão obvia que Jesus chega. E Jesus termina tirando a conclusão: “A sabedoria é justificada por todos os seus filhos”. A falta de seriedade e de coerência aparece claramente na opinião que emitem sobre Jesus e João. A má vontade é tão evidente que não necessitava de prova. Isto lembra a resposta de Jó a seus amigos que pretendiam ser sábios: “Quem poderia obrigá-los a guardar silêncio? Isto seria o único ato sábio de vocês!” (Jó 13,5).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Quando emito uma opinião sobre os outros, sou como os fariseus e os escribas que opinavam sobre João e Jesus? Eles apenas expressavam suas idéias preconcebidas e nada informavam sobre as pessoas que eram julgadas por eles.
Conhece grupos na igreja de hoje que mereciam a parábola de Jesus?



ORAÇÃO FINAL 


(SALMO 33,12-13)
Hoje orarei pelos sacerdotes de minha comunidade.






terça-feira, 17 de setembro de 2013

Lectio Divina - 17/09/13


TERÇA-FEIRA -17/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Timoteo 3,1-13


A lista de deveres domésticos é ampliada com uma lista de qualificações para “epíscopos” e diáconos. Embora aqui não haja nenhuma descrição clara de missão, ficamos sabendo quais são as qualificações para esta posição. O bom líder deve ser irrepreensível, casado com uma só mulher, sóbrio e notável pela hospitalidade. Esta passagem dá origem a muitas perguntas para as quais não existem respostas claras.


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, criador e dono de todas as coisas, olhe-nos, e, para que sintamos os efeitos de teu amor, concede-nos servir-te de todo coração. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 7,11-17

O evangelho de hoje narra o episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim. É esclarecedor o contexto literário deste episódio no capítulo VII do Evangelho de Lucas. O evangelista quer mostrar como Jesus vai abrindo caminho, revelando a novidade de Deus que avança por meio do anuncio da Boa Nova. Vão acontecendo as transformações e a abertura: Jesus acolhe o pedido de um estrangeiro não judeu (Lc 7,1-10) e ressuscita o filho de uma viúva (Lc 7,11-17). A maneira como Jesus revela o Reino surpreende os irmãos que não estavam acostumados a tão grande abertura. Até João Batista ficou perdido e mandou perguntar: “Tu és o Senhor ou devemos esperar outro?”(Lc 7,18-30). Jesus chegou a denunciar a incoerência de seus anfitriões: “Sois como crianças que não sabem o que querem” (Lc 7,31-35). E no final, a abertura de Jesus para com as mulheres (Lc 7.36-50).

Lucas 7,11-12: O ENCONTRO DAS DUAS PROCISSÕES. “Continuando foi a uma cidade chamada Naim. Iam com Ele seus discípulos e uma grande multidão. Quando se aproximava da porta da cidade, encontram com pessoas que dirigiam para enterrar um morto, filho único de sua mãe, que era viúva, muita gente acompanhava o enterro”. Lucas é como um pintor. Com poucas palavras consegue pintar o quadro tão bonito do encontro das duas procissões: a procissão da morte que sai da cidade e acompanha a viúva que leva seu único filho para o cemitério; e a procissão da vida que entra na cidade e acompanha Jesus. As duas se encontram na pequena cidade, junto da porta da cidade de Naim.

Lucas 7,13: A COMPAIXÃO ENTRA EM AÇÃO. “Ao ver, o Senhor teve compaixão da viúva e disse: Não chores!”. É a compaixão que leva Jesus a falar e a agir. Compaixão significa literalmente: “sofrer com”, assumir a dor da outra pessoa, identificar-se com ela, sentir com ela a sua dor. É a compaixão que aciona em Jesus o poder, o poder da vida sobre a morte, poder criador.

Lucas 7,14-15: “JOVEM, A TI TE DIGO, LEVANTA-TE!”. Jesus se aproxima, toca o féretro e diz: “Jovem, a ti te digo, levanta-te! O morto se ergueu e começou a falar. E Jesus devolveu-lhe à sua mãe”. Às vezes em momentos de grande sofrimento provocado pelo falecimento de uma pessoa querida, as pessoas dizem: “Naquele tempo, quando Jesus andava pela terra havia esperança de não perder uma pessoa querida, pois, Jesus podia ressuscitá-la!”. Elas olhavam o episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim como um evento do passado que apenas suscita saudade e um certo ressentimento. A intenção do evangelho, todavia, não é suscitar saudade e nem ressentimento, mas sim, ajudar a experimentar melhor a presença viva no meio de no meio de nós. Ele está hoje conosco, e diante dos problemas e sofrimentos que os assolam nos diz: “Te ordeno: levanta-te!”. 

Lucas 7,16-17: “A REPERCURSSÃO”. “Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus veio visitar seu povo. E o que se dizia Dele se propagou por toda a Judéia e por toda a região circunvizinha”. É o profeta que foi anunciado por Moisés (Dt 18,15). O Deus que nos veio visitar é o “Pai dos órfãos e das viúvas” (Sl 68,6; cf. Jt 9,11).


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Foi a compaixão que levou Jesus a ressuscitar o filho da viúva. O sofrimento dos demais produz em nós a mesma compaixão? O que é que faço para ajudar o outro a vencer a dor e criar vida nova?
Deus visitou seu povo. Percebo as muitas visitas de Deus em minha vida e na vida das pessoas?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 100,2-3)



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lectio Divina - 16/09/13


SEGUNDA-FEIRA -16/09/2013
 

PRIMEIRA LEITURA:1Timóteo 2,1-8


 Aqui começa uma longa exortação não só a marido e mulher, pais e filhos, mas, para toda a Igreja, e é dirigida a todo tipo de conduta que beneficia a “Igreja de Deus”. É prefigurada uma assembléia típica, onde se fazem “pedidos, orações, súplicas, ações de graças”. Paulo sempre recomendava a suas igrejas que rezassem pelos governantes civis; aqui o propósito da oração é a tolerância para com os novos grupos religiosos. Neste conselho está implícito o chamado para ser cidadãos exemplares, e também cristãos perfeitos. Indica que a Igreja também reza para que os governantes compartilhem sua fé. Esses poucos versos sugerem uma visão dessa Igreja que claramente não é sectária nem nega o mundo, mas está ecumenicamente aberta a todos e vê a vida cristã como plenamente compatível com a boa cidadania no Império.


ORAÇÃO INICIAL 

Pai Santo, por Jesus, teu Filho, o Verbo feito carne que dá vida pelos outros, envie teu Espírito Santo para abrir meus ouvidos para ouvir a “carta de amor” que escreveu para mim e ilumine minha mente para que eu a possa compreender com profundidade. Domestique meu coração com a alegria, já que aceitar sua vontade me ajudará nos teus testemunhos. Amém!


REFLEXÃO

Lucas 7,1-10

No capítulo 7, Lucas no ajuda a aceitar o chamado dirigido aos gentios para unirem-se na fé no Senhor Jesus na figura do centurião que está liderando o caminho para aqueles que desejam aceitar a fé de Israel e logo encontrar e conhecer o rosto de Deus em Jesus. Nesta meditação do Evangelho, nós também aceitaremos a proposta de abrir-nos a fé, ou, para tornar mais forte nossa confiança plena na Palavra de Deus. Vamos, pois, seguir com o coração, os passos do centurião romano, já que estamos presentes nele também.

Talvez o primeiro aspecto que se desprende de uma leitura do texto, é o sofrimento que o centurião está. É preciso ouvir mais cuidadosamente todas as palavras que esta realidade deseja colocar em relevo. Cafarnaum, um povoado fronteiriço, fora do alcance, em suas margens, a cidade onde a benção de Deus parece ser difícil de alcançar. A grave enfermidade, a morte iminente de um ser querido.

Mas, agora vejo que o Senhor entra nesta situação, compartilha o viver com sua presença amorosa. Sublinhamos todos os verbos que confirmam esta verdade: “Por favor, venha”, “foi com eles”, não “era muito longe”. É fantástico ver este movimento em Jesus, que vai à pessoa que chama e pede que procure a salvação. Faz isso muito bem, com todos. 

É um contato muito útil com a figura do centurião, que aqui é um pouco como o mestre, guia para o caminho da fé. “Depois de haver ouvido sobre Jesus”. Recebeu o anuncio, a boa noticia o interceptou e lhe rompeu o coração, sem escapar este fato, seus ouvidos não se fecharam para a vida. Acordou em Jesus e agora o deseja.

“AUTORIZAÇÃO/DELEGAÇÃO”. Duas vezes faz esta ação, primeiro ao enviar Jesus aos anciãos do povo, às figuras de autoridade, continuando, envia-o a seus amigos. Lucas utiliza dois verbos diferentes, e isto ajuda a entender ainda mais que este homem tenha feito algo há pouco: foi se abrindo gradualmente mais e mais para o encontro com Jesus e seus amigos. “Para pedir-lhe que venha salvar-nos. Dois belos verbos que expressam a intensidade de sua solicitação a Jesus, ele quer, o mais breve, salvar sua pobre vida, isto é, livrar-se de sua dor”. É uma declaração de amor, fé, muito grande, porque é como se dissesse: “Eu sem você não posso viver. Vem…”. E ninguém pede nenhuma salvação, a cura do corpo, tal como entendemos o verbo particular, que Lucas quer. De fato estamos falando de uma salvação cruz, capaz de atravessar toda sua vida, toda a pessoa e capaz de levar a pessoa mais, mais além de todos os obstáculos a qualquer esforço ou provas, inclusive mais além da morte. 

“NÃO SOU DIGNO”. Duas vezes Lucas coloca palavras na boca do centurião, que ajuda a compreender o grande progresso que fez para si próprio. Ele sente-se indigno, incompetente. Inadequado, como a expressão das duas palavras gregas diferentes usadas aqui. Talvez o primeiro grande avanço no caminho da fé com Jesus é o seguinte: o descobrimento de nossa grande necessidade Dele, sua presença e a consciência cada vez mais segura de que por si só não posso fazer nada, porque sou pobre, sou pecador. Porém, para isto, somos infinitamente amados!

“A PALAVRA”. Aqui está o grande salto, o grande passo da fé. O centurião agora acredita de forma clara, confiança serena. Enquanto caminha para Ele, ele também esta fazendo seu caminho em seu interior, estava mudando, esta se convertendo em um novo homem. Primeiro aceitou a pessoa de Jesus e logo também sua palavra. Porque Ele é o Senhor, como tal, sua palavra é eficaz, real, de grande alcance, capar de operar o que diz. Todas as dúvidas foram derrubadas, tudo que fica é a fé e a certeza da confiança na salvação em Jesus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus ouve meu pedido ao centurião para que venha salvar-nos?
Uma fé como a que o centurião carregava… e eu, que sou cristão, tenho essa mesma fé?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 27, 2.7-9)





sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Lectio Divina -13/09/13


SEXTA-FEIRA -13/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1Timoteo 1,1-2.12-14

Neste inicio da carta de Paulo a seu querido amigo e companheiro de evangelização, Paulo reconhece que não é por seus méritos que Deus o tenha escolhido, mas sim, pela grande misericórdia de Deus. Este aspecto da vida apostólica é muito importante, já que alguns irmãos não tomam parte ativa na evangelização ou no trabalho pastoral de suas paróquias pelo fato de não sentirem-se dignos ou capacitados para fazê-lo. Devemos lembrar que isto é uma graça e que a Deus não importa o que tenhamos sido antes de nosso encontro com Jesus. Deus sabe que se não o conhecemos, dificilmente poderemos amá-lo e servi-lo. Porém, uma vez que o tenhamos conhecido, e que estejamos buscando com todo nosso coração amá-lo, Deus nos dá todas suas graças e seu amor para poder ajudar-nos na construção do Reino. Sejamos disponíveis e abramo-nos a infinita misericórdia de Deus.



ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tens se dignado a redimir-nos e nos feito filhos seus, olhe-nos sempre com amor de pai e faça com que aqueles que crêem em Cristo, teu Filho, alcancem a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 6,39-42

O evangelho de hoje nos apresenta algumas passagens do discurso que Jesus pronunciou na planície depois de uma noite passada em oração (Lc 6,12) e de haver chamado os doze para que fossem seus apóstolos (Lc 6,13-14). Grande parte das frases reunidas neste discurso foi pronunciada em outras ocasiões, porém, Lucas, imitando Mateus, as reúne aqui neste Sermão da Planície. 
Lucas 6,36: A PARÁBOLA DO CEGO QUE GUIA OUTRO CEGO. Jesus conta uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego! Não cairão os dois no buraco?”. Parábola de uma só linha, porém, que tem muita semelhança com as advertências que, no evangelho de Mateus, são dirigidas aos fariseus: “Ai de vós os cegos!” (Mt 23,16.17.19.24.26). Aqui, no contexto do evangelho de Lucas, esta parábola é dirigida aos animadores de comunidades que se consideravam donos da verdade, superiores aos outros. Por isto, são guias cegos.
Lucas 6,40: DISCIPULO-MESTRE. “Nenhum discípulo é maior que o mestre: será como o mestre quando estiver perfeitamente instruído”. Jesus é Mestre. Não é professor. O professor da classe ensina diversas matérias, porém, na convive com elas. O mestre convive. Sua matéria é Ele próprio, seu testemunho de vida, sua maneira de viver aquilo que ensina. A convivência com o mestre tem três aspectos: (1)-O mestre é o modelo ou o exemplo que devemos imitar (cf. Jo 13,13-15). (2)-O discípulo não só contempla e imita, mas, além disso, compromete-se com o destino do mestre, com suas tentações (Lc 22,28), perseguições (Mt 10,24-25), e morte (Jo 11,16). (3)-Não só imita o modelo, não só assume o compromisso, mas, chega a identificar-se: “Vivo, porém, não sou eu, é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20). Este terceiro aspecto é a dimensão mística do seguimento de Jesus, fruto da ação do Espírito.
Lucas 6,41-42: O CISCO NO OLHO DO IRMÃO. “Como é que olha o cisco que existe no olho de teu irmão e não reparas a viga que existe em teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão deixe que te tire o cisco que existe em teu olho, se não vês a viga que existe no teu? Hipócrita, primeiro tire a viga de teu olho e, então, poderás ver para tirar o cisco que existe no olho de teu irmão”. No Sermão da Montanha, Mateus trata o mesmo assunto e explica um pouco melhor a parábola do cisco no olho. Jesus pede uma atitude criativa que nos faça capazes de ir ao encontro do outro sem julgá-lo, sem idéias pré-concebidas e sem racionalizações, acolhendo o outro como irmão (Mt 7,1-5). Esta total abertura para com o outro como irmão nascerá em nós só se soubermos relacionar-nos com Deus com total confiança, como filhos com seu pai (Mt 7,7-11).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Cisco ou viga no olho. Como me relaciono com os demais em casa e na família, no trabalho com os colegas, na comunidade com os irmãos e irmãs?
Mestre ou discípulo. Como é que sou discípulo/a de Jesus? 



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 84,5-6)
Hoje repetirei constantemente durante o dia: “Envia-me, Senhor!”.





quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Lectio Divina - 12/09/13


QUINTA-FEIRA -12/09/2013

PRIMEIRA LEITURA: Colossenses 3,12-17

Nesta passagem encontramos uma série de conselhos que Paulo da à comunidade com o fim de que seu cristianismo seja verdadeiramente uma vida de amor, não só com Deus, mas sim, com cada um dos irmãos.
Centremos hoje nossa atenção no saber suportar-nos. Paulo, um homem enraizado profundamente no Espírito, é um grande conhecedor da natureza humana e sabe que nosso caráter, nossos gostos, etc., podem não só ser diferentes aos dos demais irmãos, mas inclusive contrários. Nos damos conta que em nossas comunidades, seja na escola, no trabalho ou em nossos próprios bairros, nos relacionamos com pessoas as quais, por sua maneira de ser ou de pensar, apesar de ser bons cristãos, é difícil conviver com eles. Por isso, Paulo convida à comunidade à saber “suportá-los” ou tolerá-los, sabendo que nisto se desenvolve o verdadeiro amor de Deus, que nos ama a todos da maneira como somos. Não é uma virtude fácil de adquirir, todavia, nosso esforço cotidiano e a graça de Deus sempre rendem frutos. Façamos de nossas comunidades verdadeiras extensões do Reino dos céus colocando nosso grãozinho de areia.






ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tens se dignado a redimir-nos e nos feito filhos seus, olhe-nos sempre com amor de pai e faça com que aqueles que crêem em Cristo, teu Filho, alcancem a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 6,27-38

O evangelho de hoje nos apresenta a segunda parte do Sermão da Planície. Na primeira parte, Jesus se dirigia aos discípulos. Na segunda parte, se dirige “aos que me ouvis”, isto é, àquela multidão imensa de pobres e enfermos, chegada de todos os lados.
Lucas 6,27-30: Amar aos inimigos! As palavras que Jesus dirige a este povo são exigentes e difíceis: amar os inimigos, não maldizer, oferecer a outra face à quem te ferir em uma, não reclamar quando alguém tirar o que é seu. Tomadas ao pé da letra, estas frases parecem favorecer aos ricos que roubam. Porém, Jesus nem sequer as observou ao pé da letra. Quando o soldado lhe feriu na face, não ofereceu a outra, mas sim, reagiu com firmeza: “Se falei mal, prova-o! E se não, por que é que me bates?” (Jo 18,22-23). Então, como entender estas palavras? Os versículos seguintes nos ajudam a entender o que Jesus quer ensinar-nos.
Lucas 6,31-36: A Regra de Ouro! Imitar a Deus. Duas frases de Jesus ajudam a entender o que Ele quer ensinar. A primeira frase é a chamada “Regra de Ouro”: “Trate os homens como quereis que eles os tratem!” (Lc 6,31). A segunda frase é: “Sede compassivo como vosso Pai celestial é compassivo!” (Lc 6,36). Estas duas frases mostram que Jesus não quer simplesmente inverter a situação, pois nada mudaria. Quer mudar o sistema. O Novo que Ele quer construir nasce da nova experiência de Deus como Pai cheio de ternura que acolhe a todos! As palavras de ameaça contra os ricos não podem ser ocasião para que os pobres se vinguem. Jesus manda ter uma atitude contrária: “Amar vossos inimigos!”. O amor não pode depender do que recebemos do outro. O verdadeiro amor tem que querer também o bem do outro, independentemente de que ele ou ela façam por mim. O amor tem que ser criativo, pois, assim é o amor der Deus para nós: ”Sede compassivos como o Pai celestial é compassivo!”. Mateus diz o mesmo com outras palavras: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito” (Mt 5,48). Nunca ninguém poderá chegar a dizer: hoje fui perfeito como o Pai celestial é perfeito. Tenho sido compassivo como o Pai celestial é compassivo. Estaremos sempre abaixo da lista que Jesus colocou diante de nós. No evangelho de Lucas, a Regra de Ouro diz: “E tudo o que vocês desejarem dos demais, faça-o para eles” e acrescenta: “Pois nisto consistem a Lei e os Profetas” (Mt 7,12). Praticamente todas as religiões do mundo têm a mesma Regra de Ouro com formulações diversas. Sinal de que aqui se expressa uma intuição ou um desejo universal que nasce do fundo do coração humano.
Lucas 6,37-38: Porque com a medida com que medirem, sereis medidos. “Não julgueis e não sereis julgados, não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dê e lhes será dado; uma medida boa, calcada, sacudida, transbordante lhes será derramada no vosso regaço. Porque com a medida que medires sereis medido”. São quatro conselhos: dois de forma negativa: não julgar, não condenar; e dois de forma positiva: perdoar e dar com medida abundante. Quando disse “e lhes será dado”, Jesus refere-se ao tratamento que Deus quer ter conosco. Mas, quando nossa maneira de tratar aos outros é mesquinha, Deus não pode usar a medida abundante e exuberante que Ele gostaria de usar. 
Celebrar a visita de Deus. O Sermão da Planície ou Sermão do Monte, desde seu começo, leva os ouvintes a optar, para uma opção à favor dos pobres. No Antigo Testamento, várias vezes, Deus colocou as pessoas diante da mesma opção de benção ou de maldição. “Escolhe, portanto, a vida, para que viva você e tua descendência” (Dt 30,19). Não é Deus quem condena, mas sim, a própria pessoa segundo a opção que fará entre a vida e a morte, entre o bem e o mal. Estes momentos de opção são os momentos da visita de Deus a sua gente (Gn 21,1; 50,24-25; Ex 3,16; 32,34; Jer 29,10; Sal 59,6; Sl 65,10; Sl 80,15, Sl 106,4). Lucas é o único evangelista que emprega esta imagem da visita de Deus (Lc 1,68. 78; 7,16; 19,44; At 15,16). Para Lucas Jesus é a visita de Deus que coloca as pessoas diante da possibilidade de escolher a benção ou a maldição: “Bem aventurados vós os pobres!” e “Ai de vós, os ricos!”. Porém, as pessoas não reconhecem a visita de Deus (Lc 19,44). 









PARA REFLEXÃO PESSOAL

Será que olhamos a vida e as pessoas com o mesmo olhar de Jesus?
O que hoje quer dizer: “ser misericordioso como o Pai celestial é misericordioso?”.



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 139,1-3)
A partir de hoje procurarei que em meu lugar de trabalho ou na escola se forme uma verdadeira comunidade, sendo agradecido com os demais.






quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Lectio Divina - 11/09/13


QUARTA-FEIRA -11/09/2013


PRIMEIRA LEITURA: Colossenses 3,1-11

Um dos fatores que atrasam completamente nossa vida espiritual e que nos impedem chegar e desfrutar a vida do Reino, a autêntica vida no Espírito, é a falta de decisão, que chamamos de: RADICAL. Gostamos demasiadamente do pecado e não queremos toma a decisão terminante de deixar para trás nossos velhos hábitos, lugares, palavras, companhias, etc. Quão exata é a expressão de Jesus no Evangelho: “O que quiser seguir-me, renuncie a si mesmo e tome sua cruz”. Ser cristão não é coisa fácil… é para gente decidida, para gente que quer tomar a maneira correta de ser do Senhor e para isto, como nos diz hoje Paulo, devemos matar o homem velho. Isto não é outra coisa que deixar para trás tudo aquilo que possa ser ocasião de pecado. Jesus com clareza nos diz no Evangelho quando afirma: “Se teu olho, tua mão ou teu pé é ocasião de pecado, arranca-o e atira-o para longe de ti”. Com isto nos fala de radicalidade… de radicalidade que pode ser tremendamente dolorosa, todavia, se não arrancarmos e erradicarmos tudo aquilo que nos leva ao pecado… se não tomamos a decisão de ser totalmente de Jesus e nos lançamos ao vazio para depositar-nos em seus braços, será muito difícil que nossa vida alcance a plenitude. Nossa oração é o bastão de apoio, porém, necessita de tua decisão. Decida hoje… Jesus tem uma vida maravilhosa para ti.



ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tens se dignado a redimir-nos e nos feito filhos seus, olhe-nos sempre com amor de pai e faça com que aqueles que crêem em Cristo, teu Filho, alcancem a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

Lucas 6,20-26

O evangelho de hoje nos apresenta as quatro bem-aventuranças e as quatro maldições do Evangelho de Lucas. Existe uma maneira progressiva na forma que Lucas tem de apresentar o ensinamento de Jesus. Até 6,16, diz muitas vezes que Jesus ensina as pessoas, porém, não chega a relatar o conteúdo do ensinamento (Lc 4,15.31-32.44; 5,1.3.15.17; 6,6). Agora, depois de informar que Jesus viu a multidão desejosa de ouvir a palavra de Deus, Lucas trás o primeiro grande discurso que começa com a exclamação: “Bem aventurados os pobres!” e “Ai de vós os ricos!”, e ocupa todo o resto do capítulo (Lc 6,12-49). Alguns chamam este discurso de “Sermão da Planície”, pois, segundo Lucas, Jesus desceu da montanha e parou em um lugar plano onde fez seu discurso. No evangelho de Mateus, este mesmo discurso é feito no monte (Mt 5,1) e é chamado de “Sermão da Montanha”. Em Mateus, o sermão tem oito bem-aventuranças, que tem um programa de vida para as comunidades cristãs de origem judaica. Em Lucas, o sermão é mais breve e mais radical. Contém quatro bem-aventuranças e quatro maldições, dirigidas para as comunidades, constituídas de ricos e de pobres. Este discurso de Jesus vai ser meditado no evangelho diário dos próximos dias. 
Lucas 6,20: BEM-AVENTURADOS OS POBRES!”. Olhando para os discípulos, Jesus declara: “Bem-aventurados os pobres, porque vosso é o Reino dos Céus!”. Esta declaração identifica a categoria social dos discípulos. Eles são pobres! E para eles Jesus promete: “Vosso é o Reino dos Céus!”. Não é uma promessa para o futuro. O verbo está no presente. O Reino já lhes pertence. No evangelho de Mateus, Jesus explicita o sentido e diz: “Bem-aventurados o pobres de Espírito!” (Mt 5,3). São os pobres que tem o “Espírito” de Jesus. Pois, existem pobres com “cabeça” e espírito de rico. Os discípulos de Jesus são pobres e com “cabeça” de pobre. Como Jesus não querem acumular, mas, assumem sua pobreza e, como Ele, lutam por uma convivência mais justa, onde possa haver fraternidade e partilha comum dos bens, sem discriminação. 
Lucas 6,21-22: “BEM-AVENTURADOS OS QUE AGORA TEM FOME E CHORAM!”. Na 2ª e 3ª bem-aventurança Jesus diz: “Bem-aventurados os que agora tem fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados os que agora choram, porque rireis!”. Uma parte das frases esta no presente e outra no futuro. Aquilo que agora vivemos e sofremos não é definitivo. O definitivo é o Reino que estamos construindo hoje com a força do Espírito de Jesus. Construir o Reino trás sofrimento e perseguição, porém, uma coisa é certa: o Reino vai chegar e “sereis saciados e rireis!”. 
Lucas 6,23: “BEM-AVENTURADOS SEREIS QUANDO OS HOMENS OS ODIAREM…!”. A bem-aventurança se refere ao futuro: “Bem-aventurados sereis quando os homens os odiarem, os expulsarem, condenarem vosso nome por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos neste dia porque grande será vossa recompensa, porque assim foram tratados os profetas!”. Com estas palavras de Jesus, Lucas anima as comunidades de seu tempo, que estavam sendo perseguidas. O sofrimento não é agonia da morte, mas sim dor de parto. Fonte de esperança! A perseguição era um sinal de que o futuro anunciado por Jesus estava chegando para elas. Iam pelo caminho justo. 
Lucas 6,24-25: “AI DE VÓS OS RICOS! AI DE VÓS OS QUE ESTAIS FARTOS E ALEGRES!”. Depois das quatro bem-aventuranças à favor dos pobres e excluídos, sequem quatro ameaças ou maldições contra os ricos e os que passam bem e são elogiados por todos. As quatro ameaças têm a mesma forma literária que as quatro bem-aventuranças. A 1ª está no presente. A 2ª e a 3ª têm uma grande parte no presente e a outra no futuro. E a 4ª se refere inteiramente ao futuro. Estas ameaças só se encontram no Evangelho de Lucas e não no de Mateus. Lucas é mais radical na denuncia da injustiça. Diante de Jesus, naquela planície não havia ricos. Só havia gente pobre, vinda de todos os lados (Lc 6,17-19). Mesmo assim, Jesus diz: “Ai de vós os ricos!”. É que Lucas, ao transmitir estas palavras de Jesus, estava pensando mais nas comunidades de seu tempo. Nela havia ricos e pobres, e havia discriminação dos pobres por parte dos ricos, a mesma que marcava a estrutura do Império Romano (Ap 3,17-19). Jesus faz uma crítica dura e direta aos ricos: “Vós os ricos, já tiveram consolação! Vós já estais fartos, porém, passareis fome! Vós já estais rindo, porém, ficareis aflitos e chorareis!”. Sinal de que para Jesus, a pobreza não é uma fatalidade, nem é fruto de prejuízos, mas é fruto do enriquecimento injusto dos outros. 
Lucas 6,26: “AI DE VÓS QUANDO TODOS FALAREM BEM DE VOCÊS, PORQUE ASSIM VOSSOS PAIS TRATARAM OS FALSOS PROFETAS!”. Esta quarta ameaça se refere aos filhos dos que no passado elogiavam os falsos profetas. É que algumas autoridades dos judeus usavam seu prestígio e sua autoridade, para criticar Jesus. 









PARA REFLEXÃO PESSOAL

Olhamos para a vida das pessoas com os mesmos olhos de Jesus? Dentro de seu coração, o que é que pensas de verdade: uma pessoa pobre e faminta pode ser realmente feliz? As telenovelas e a propaganda do comércio, qual é o ideal que nos apresentam?
Dizendo “Felizes os pobres”, Jesus estava querendo dizer que os pobres têm que continuar na pobreza?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 145,17-18)
Escolherei uma área de minha vida que quero trabalhar para ser mais fiel ao chamado de Jesus.