terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 31/12/13

TERÇA-FEIRA -31/12/2013

PRIMEIRA LEITURA: 1João 2,18-21


O fim “última hora” só aparece nesta passagem e é referido, sem sombra de dúvidas, ao que em outras passagens, sobretudo, na teologia de Paulo, é chamado de: “o final dos tempos”, ou, “os tempos finais”, os quais se referem à última etapa da História, que é, precisamente, a que estamos vivendo, já que depois desta aparecerá o Filho do Homem rodeado de majestade para realizar o juízo final e desta maneira concluir com tudo isto que agora conhecemos e dar um passo para a eternidade, ou seja, “para o novo céu e para nova terra”. Enquanto isto ocorre, o apóstolo coloca em guarda a comunidade próxima dos “falsos profetas”, dos anti-cristos, isto é, de todos àqueles que negam Jesus e que se afastam da santa doutrina arrastando, com eles, outros irmãos. Isto que se passava naqueles tempos continua hoje, já que ainda hoje, estamos na “última hora” e por isso, não é estranho ver como os próprios grupos cristãos vão se desprendendo em novas seitas e confissões, muitas delas, não só diferentes, mas, contrárias ao próprio cristianismo católico. Nós também devemos ficar em guarda, pois, no meio de toda confusão deste mundo e dado que nem todos nossos irmãos têm a suficiente formação doutrinal e evangélica, é fácil que estes se vejam arrastados à seitas e confissões estranhas ao cristianismo. Lembre que a fonte de água limpa surge das Escrituras discernidas e explicadas zelosamente, por nossa Igreja. Não nos deixemos arrastar, permaneçamos fiéis ao Senhor.



ORAÇÃO INICIAL

Deus todo poderoso e eterno, que estabelecestes o princípio e a plenitude de toda religião no nascimento de teu Filho Jesus Cristo: te suplicamos nos concedas a graça de ser contados entre os membros vivos de seu Corpo, porque só Nele está radicada a salvação do mundo. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

João 1,1-18

O Prólogo é a primeira coisa que se vê ao abrir o evangelho de João. Porém foi a última coisa a ser escrita. É o resumo final, colocado no começo. Nele, João descreve a caminhada da Palavra de Deus. Ela estava junto de Deus, desde antes da criação e por meio dela tudo foi criado. Tudo o que existe é expressão da Palavra de Deus. Como a Sabedoria de Deus (Pr 8,22-31), a Palavra quis chegar mais próximo de nós e se fez carne em Jesus. Veio para o meio de nós, realizou sua missão e voltou para Deus. Jesus é esta Palavra de Deus. Tudo o que disse e fez é comunicação que nos revela o Pai.

Dizendo “No princípio era a Palavra”, João evoca a primeira frase da Bíblia que diz: “No princípio Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). Deus criou tudo por meio de sua Palavra. “Ele falou e as coisas começaram a existir” (Sl 33,9;148,5). Todas as criaturas são uma expressão da Palavra de Deus. Esta Palavra viva de Deus, presente em todas as coisas, brilha nas trevas. As trevas tentam apagá-la, porém, não conseguem. A busca de Deus, sempre nova, renasce no coração humano. Ninguém consegue ofuscá-la. Não conseguimos viver sem Deus por muito tempo!

João Batista veio para ajudar o povo a descobrir e saborear esta presença luminosa e consoladora da Palavra de Deus na vida. O testemunho de João Batista foi tão importante, que muita gente pensava que ele era o Cristo (Messias) (At 19,3). Por isso, o Prólogo esclarece dizendo: “João não era a luz! Veio dar testemunho da luz!”.

Assim como a Palavra de Deus se manifesta na natureza, na criação, assim também se manifesta no “mundo”, isto é, na história da humanidade e, em particular, na história do povo de Deus. Porém, o “mundo” não reconheceu nem recebeu a Palavra. Ele “veio para os seus, mas os seus não o receberam”. Aqui, quando diz mundo, João quer indicar o sistema tanto do império como da religião da época, ambos encerrados em si mesmos e, por isto mesmo, incapazes de reconhecerem e receberem a Boa Nova (Evangelho), a presença luminosa da Palavra de Deus.

Porém, as pessoas que se abem aceitando a Palavra, se tornam filhos e filhas de Deus. A pessoa se torna filho ou filha de Deus não por méritos próprios, nem por ser da raça de Israel, ma sim, pelo simples fato de confiar e crer que Deus, em sua bondade, nos aceita e nos acolhe. A Palavra de Deus entra na pessoa e faz com que ela se sinta acolhida por Deus como filha, como filho. É o poder da graça de Deus.

Deus não quer ficar longe de nós. Por isto, sua Palavra chegou mais próximo, por isso, Ele se fez presente no meio de nós na pessoa de Jesus. O Prólogo diz literalmente: “A Palavra se fez carne e fez sua morada entre nós”. Antigamente, no tempo do êxodo, ali no deserto Deus vivia em sua tenda no meio do povo (Ex 25,8). Agora, a tenda onde Deus mora conosco é Jesus, “cheio de graça e de verdade” Jesus veio revelar quem é este nosso Deus, que está presente em tudo, desde o princípio da criação.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Tudo o que existe é uma expressão da Palavra de Deus, uma revelação de sua presença. Será que sou suficientemente contemplativo para poder perceber e experimentar esta presença universal da Palavra de Deus?
O que é que significa para mim poder ser chamado de filho de Deus?



ORAÇÃO FINAL

(SALMO 96,12-13)
Hoje recordarei todas aquelas pessoas que conheço que se separaram da Igreja por alguma confusão em suas mentes, ou, por alguma má experiência, orarei por elas e me assegurarei que adiante recebam de minha parte, um testemunho inatacável da conduta e do amor de Deus.






segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 30/12/13

SEGUNDA-FEIRA -30/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1João 2,12-17


Num mundo que se apresenta cheio de atrativos de toda classe, é fácil cair na tentação de amá-lo e de elegê-lo acima do valor único e definitivo que é Deus. É por isso que o Apóstolo nos previne: “Não amem o mundo nem o que nele existe”. Isto nos diz porque não que o mundo seja mal, pois, como nos diz o Gênesis, Deus “fez tudo muito bom”, e por isso tudo é bom. O problema se apresenta quando deslumbrados pela “falsa aparência” do mundo deixamos Deus, ou o relegamos dentro de nossa vida fazendo que seus mandamentos percam validade e importância em nossa vida. Paulo dizia: “Tudo me é permitido, porém, nem tudo me convém”. Dê o primeiro lugar à Deus em tua vida e tenha o Evangelho no centro de todas tuas atividades; isto fará que seja o Espírito quem dirija tua vida, quem te levará a desfrutar de tudo o que Deus criou para nosso bem estar e nossa felicidade.


ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso, a quem ninguém nunca viu, tu que dissipou as trevas do mundo com a vinda de Cristo, a Luz verdadeira, olha-nos com complacência, para que possamos cantar dignamente a glória do nascimento de teu Filho. Que vive e reina...


REFLEXÃO

Lucas 2,36-40

Nos dois primeiros capítulos de Lucas, tudo gira ao redor do nascimento de duas criaturas: João e Jesus. Os dois capítulos nos fazem sentir o perfume do Evangelho de Lucas. Neles, o ambiente é de ternura e de louvor. Desde o começo até o fim, se louva e se canta a misericórdia de Deus: os cânticos de Maria (Lc 1,46-55), de Zacarias (Lc 1,68-79), dos anjos (Lc 2,14), de Simeão (Lc 2,29-32). Finalmente, Deus chega para cumprir suas promessas e as cumpre a favor dos pobres, dos “anawim”, dos que souberam perseverar e esperar sua vinda: Isabel, Zacarias, Maria, José, Simeão, Ana e os pastores. 

Os capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas são muito conhecidos, porém se aprofunda pouco neles. Lucas escreve imitando os escritos do AT. É como se os dois primeiros capítulos de seu evangelho fossem o último capítulo que abre a porta para a chegada do Novo. Estes dois capítulos são a “dobradiça” entre o AT e o NT. Lucas quer mostrar como está se realizando as profecias. João e Jesus cumprem o Antigo e iniciam o Novo.

Lucas 2,36-37: A vida da Profetiza Ana. “Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, de idade avançada. Casada em sua juventude, havia vivido sete anos com seu marido, e logo ficou viúva até os oitenta e quatro anos; não se afastava do Templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações”. Como Judite (Jt 8,1-6), Ana é viúva. Como Débora (Jz 4,4), ela é profetisa. Isto é, uma pessoa que comunica algo de Deus e que tem uma abertura especial para as coisas da fé até o ponto de podê-las comunicar aos demais. Ana se casou jovem, viveu casada sete anos, ficou viúva e continuou dedicando-se a Deus até os 84 anos. Hoje, em quase todas as nossas comunidades, no mundo inteiro, é possível encontrar gente de certa idade, mulheres, muitas delas viúvas, cuja vida se resume em rezar, assistir as celebrações e servir ao próximo. 

Lucas 2,38: Ana e o menino Jesus. “Apresentando-se naquela mesma hora, louvava a Deus e falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. Chegou ao templo no momento em que Simeão abraçava o menino e conversava com Maria sobre o futuro do menino (Lc 2,25-35). Lucas sugere que Ana participou nesse gesto. O olhar de Ana é um olhar de fé. Vê um menino nos braços de sua mãe e descobre nele o Salvador do mundo.

Lucas 2,39-40: A vida de Jesus em Nazaré. “Assim que cumpriram todas as coisas segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à cidade de Nazaré. O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele”. Nestas poucas palavras, Lucas comunica algo do mistério da encarnação. “O Verbo se fez carne e fez sua morada entre nós” (Jo 1,14). O Filho de Deus participou de tudo igual a nós, e assumiu a condição de servo (Fl 2,7). Foi obediente até a morte e a morte de cruz (Fl 2,8). Dos trinta e três anos que viveu entre nós, trinta viveu em Nazaré, você precisa conhecer a vida de qualquer nazareno daquela época, mudar o nome, colocar-se o nome de Jesus e conhecerá a vida do Filho de Deus durante os trinta e três anos de sua vida, como a nós em tudo, exceto no pecado (Hb 4,15). Nestes trinta anos de sua vida, “O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele”. Em outro lugar Lucas afirma a mesma coisa com outras palavras. Diz que o menino “crescia em sabedoria, em idade e em graça, tanto para Deus como para os homens” (Lc 2,52). Crescer em sabedoria significa assimilar os conhecimentos, a experiência humana acumulada ao longo dos séculos: dos tempos, das festas, dos remédios, das plantas, das orações, dos costumes, etc. Isto se aprende vivendo e convivendo na comunidade natural das pessoas. Crescer em idade significa nascer pequeno, crescer e se tornar adulto. É o processo de cada ser humano, com suas alegrias e tristezas, seus descobrimentos e frustrações, suas raivas e seus amores. Isto se aprende vivendo e convivendo na família com os pais, os irmãos e as irmãs, os tios e os parentes. Crescer na graça significa: descrever a presença de Deus na vida, sua ação em tudo o que acontece, a vocação, sua chamada. A carta aos Hebreus diz que: “Ainda sendo Filho, aprendeu em sua paixão o que é obedecer” (Hb 4,8).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Conhece pessoas como Ana, que tem um olhar de fé sobre as coisas da vida?
Crescer em sabedoria, em idade e em graça: Como acontece isto em minha vida?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 96,2-3)
Hoje meditarei nas coisas deste mundo as que me apego mais, estas podem ser pessoas, coisas, atividades; irei uma por uma dizendo a Deus que lhe pertencem e que as entrego, farei isso de coração e confiando na bondade de Deus.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 27/12/13


SEXTA-FEIRA -27/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: 1João 1,1-4


Se alguém te perguntar, o que foi para você a festa da Natividade, o que é que responderá? Desafortunadamente para alguns irmãos esta celebração não deixará de ser simplesmente uma festa com bolos, bebidas e uma ceia especial. Todavia, o objetivo desta celebração foi que cada um de nós nos encontrássemos com Jesus, que em sua humildade nos convida à construir a partir da simplicidade um mundo cheio de paz e de amor. Já que Deus nos reconciliou por meio de seu Filho e o enviou com uma mensagem de paz e perdão, deveria ser então para cada ser humano uma profunda experiência de perdão e reconciliação. Então, você poderia ser testemunho deste encontro, deste perdão, deste amor derramado em teu coração? Hoje poderia falar a todos teus amigos e conhecidos sobre o infinito amor de Deus que viveu nestes dias? Lembre sempre que acreditar significa viver, que tua fé se expresse em tua forma de viver. Seja testemunho do amor de Deus.


ORAÇÃO INICIAL 

Deus nosso, que por meio do apóstolo João, quis mostrar-nos a profundidade da vida e do amor de teu Filho, faz que sejamos capazes de conhecer e de amar cada dia mais a Jesus Cristo, nosso redentor, que vive e reina...



REFLEXÃO

João 20,2-8


O evangelho de hoje traz a passagem do Evangelho de João, que fala do Discípulo Amado. Provavelmente, escolheu-se este texto para que se leia e medite no dia de hoje, festa de São João Evangelista, pela identificação espontânea que todos fazemos do discípulo amado com o apóstolo João. O curioso é que em nenhuma parte do evangelho de João se diz que o discípulo amado seja João. Porém, desde o mais remoto inicio da Igreja, sempre se insistiu na identificação dos dois. Por isso, insistindo na semelhança e entre os dois, corremos o risco de perder um aspecto muito importante da mensagem do Evangelho a respeito do discípulo amado.

No evangelho de João o discípulo amado representa a nova comunidade que nasce ao redor de Jesus. O Discípulo Amado está aos pés da Cruz, junto de Maria, a mãe de Jesus (Jo 19,26). Maria representa o Povo da antiga aliança. No final do primeiro século, época em que se fez a redação final do Evangelho de João havia um conflito crescente entre a sinagoga e a igreja. Alguns cristãos queriam abandonar o Antigo Testamento e ficar só com o Novo Testamento. Aos pés da Cruz, Jesus disse: “Mulher, eis aí teu filho!”. E ao discípulo amado: “Filho, eis aí tua mãe!”. E, os dois devem permanecer unidos, como mãe e filho. Separar o Antigo Testamento do Novo Testamento, naquele tempo era o mesmo o que hoje chamamos de separação entre fé (NT) e vida (AT).

No evangelho de hoje, Pedro e o Discípulo Amado, alertados pelo testemunho de Maria Madalena, correm juntos para o Santo Sepulcro. O jovem é mais veloz que o velho e chega primeiro. Olha dentro do sepulcro, observa tudo, porém não entra. Deixa que Pedro entre. Pedro entra. É sugestiva a maneira em que o evangelho descreve a reação dos dois homens diante do que ambos vêem: “Entrou na sepultura e viu os lençóis pelo chão. O sudário que passava sobre a cabeça não estava no chão com os lençóis, mas sim, enrolado no mesmo lugar. Então o outro discípulo, que havia chegado primeiro, entrou, viu e acreditou”. Ambos viram a mesma coisa, porém, só de diz que o Discípulo Amado que acreditou: “Então o outro discípulo, que havia chegado primeiro, entrou, viu e acreditou”. Por quê? Será que Pedro não acreditou? 

O Discípulo Amado tem um olhar diferente que percebe mais que os demais. Tem um olhar amoroso que percebe a presença da novidade de Jesus. De madrugada, depois daquela noite de busca e depois da pesca milagrosa, é ele, o discípulo amado, que percebe a presença de Jesus e diz: “É o Senhor!” (Jo 21,7). Naquela ocasião, Pedro, alertado pela afirmação do discípulo amado também reconhece e começa a entender. Pedro aprende com o discípulo amado. Em seguida, Jesus pergunta três vezes: “Pedro, você me ama? (Jo 21,15.16.17). Por três vezes, Pedro respondeu: “Tu sabes que eu Te amo!”. Depois da terceira vez, Jesus confia as ovelhas aos cuidados de Pedro, pois, nesse momento Pedro também se torna “Discípulo Amado”. 





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Todos os que hoje acreditam em Jesus são “Discípulo Amado”. Será que tenho o mesmo olhar amoroso para perceber a presença de Deus e crer em sua ressurreição? 
Separar o Antigo do Novo Testamento é o mesmo que separar a Vida e a Fé. Como faço e vivo isto?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 97,5-6)
Hoje reunirei minha família e compartilharemos todo o grande amor que Deus nos tem dado, com os nossos semelhantes.




quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 26/12/13

QUINTA-FEIRA -26/12/2013

PRIMEIRA LEITURA: Atos 6,8-10;7,54-59


A Igreja quis colocar imediatamente depois do nascimento do Salvador duas festas que nos lembra o que o nascimento de Jesus traria para seus seguidores: a festa do primeiro depoimento e a festa dos Santos Inocentes. O evangelho de João já desde o início nos diz que Jesus veio e os seus não o receberam, que as trevas rejeitaram a Luz; Jesus em repetidas ocasiões disse: “Os perseguirão... os levarão aos tribunais... aí darão testemunho de mim”. A festa de Santo Estevão no lembra que a vida cristã é começa com a chegada do Salvador e acompanhada de um depoimento que pode terminar com derramamento de sangue. Estevão declara diante dos judeus sua pertença a Cristo e com grande coragem afronta o ser propriedade de Cristo. Hoje em nossa Igreja falta que os batizados levem a sério seu papel diante da sociedade e se decidam a dar testemunho, a falar daquilo que se opõe ao evangelho, que assumam completamente o compromisso de ser testemunhos do Evangelho de luz num mundo cheio de escuridão. Se nossa Igreja não avança e continua sendo uma Igreja morna e vulnerável é porque temos medo de nos apresentarmos como Santo Estevão, descarada e radicalmente cristãos. Já é tempo de despertar e irromper-nos diante de tudo aquilo que não é evangélico e sem importar com pessoas, lugar, posição, representar como Santo Estevão, dignamente nosso senhor Jesus Cristo. Não tenhamos medo de ser e apresentar-nos como cristãos, a recompensa vale a pena.


ORAÇÃO INICIAL 

Deus nosso, que concedestes a Santo Estevão, mártir, fortaleza para orar por seus verdugos, faz que, a sua imitação, saibamos perdoar de coração a quantos nos tenham ofendido ou causado algum mal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem!


REFLEXÃO

Mateus 10,17-22

O CONTRASTE É GRANDE. Ontem, dia da Natividade, tivemos o presépio do recém nascido com o canto dos anjos e a visita dos pastores. Hoje é o sangue derramado de Estevão, apedrejado até a morte, porque teve a coragem de acreditar na promessa expressada na simplicidade do presépio. Estevão criticou a interpretação fundamentalista da Lei de Deus e o monopólio do Templo. Por isso o mataram (At 6,13-14).

Hoje, na festa de Estevão, primeiro mártir, a liturgia nos apresenta uma passagem do evangelho de Mateus, tirado do assim chamado “Sermão da Missão”. Nele Jesus adverte a seus discípulos dizendo que a fidelidade ao evangelho levaria a dificuldade e a perseguição: “arrastarão vocês diante das autoridades, e os açoitarão nas sinagogas”. Mas para Jesus o que importa na perseguição não é o lado doloroso do sofrimento, mas, o lado positivo do testemunho: “Por minha causa, vocês serão levados diante dos governantes e dos reis, tendo assim a oportunidade para dar testemunho da Boa Nova que Deus nos traz”. 

FOI O QUE ACONTECEU COM ESTEVÃO. Ele deu testemunho de sua fé em Jesus até o último momento de sua vida. Na hora de sua morte disse: “Vejo o céu aberto; e o Filho do Homem de pé a direita de Deus” (At 7,56). E ao cair morto sob as pedras imitou Jesus gritando: “Senhor, não lhes tenha em conta este pecado!” (At 7,60; Lc 23,34).

JESUS HAVIA DITO: “Quando os julgarem, não se preocupem pelo que vão dizer nem como terão que fazê-lo, nessa mesma hora se lhes dará o que devem dizer, pois, não serão vocês que falarão, mas sim, o Espírito de seu Pai, Ele que falará por vocês”. Esta profecia se também se realizou em Estevão. Seus adversários “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6,10). “Os membros do sinédrio tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo” (At 6,15). Estevão falava “cheio do Espírito Santo” (At 7,55). Por isto, a raiva dos demais era tão grande que o lincharam.

HOJE TAMBÉM ACONTECE O MESMO. Em muitos lugares muita gente é arrastada diante dos tribunais e sabe dar respostas que superam em sabedoria aos sábios e entendidos (Lc 10,21).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Colocando-se no lugar de Estevão: sofreu alguma vez por causa de tua fidelidade ao Evangelho?
A simplicidade do presépio e a dureza do martírio estão simultaneamente na vida dos Santos e Santas e na vida de tantas pessoas que hoje são perseguidas até a morte por causa de sua fidelidade ao evangelho. Você conhece de perto pessoas assim?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 31,2-3)
Hoje aproveitarei a oportunidade que se apresentar e, com cada pessoa que falar, falar-lhe-ei de Deus.






quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 25/12/13


QUARTA-FEIRA -25/12/2013




PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 1,1-6


Um dos principais problemas da primeira comunidade foi o definir quem é que era Jesus: Um simples ser humano, revestido de poder divino? Um Deus com “aparência de homem”? Um anjo? Questões que só ficará totalmente definida no Concílio de Éfeso (431 d.C.) onde se afirma categoricamente que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O início desta carta nos introduz neste mistério de Cristo e nos apresenta como o “grande revelador do Pai”. Ao iniciar este novo período dentro de nossa liturgia, a Palavra de Deus nos convida a que também nós clarifiquemos quem é Jesus: Será para mim, como expressa esta passagem, verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai? Se é assim, impõem-se algumas resoluções que devem ser parte de nossa vida: obedecendo sua Palavra, amando sua Igreja, adorando em espírito e verdade e servindo seus irmãos, sobretudo, os mais pobres.






ORAÇÃO INICIAL 

Na escuridão de uma noite sem estrelas, noite vazia de sentido, Tu Verbo da Vida, como relâmpago na tempestade do esquecimento, entrou no limite da dúvida, no abrigo dos confins da precariedade, para esconder a luz. Palavras feitas de silencio e de cotidianidade tuas palavras humanas, precursoras dos segredos do Altíssimo: como anzóis lançados nas águas da morte para encontrar o homem, submerso em sua ansiosa loucura, e mantê-lo preso, pelo atraente resplendor do perdão. A Ti Oceano de Paz e sombra da eterna Glória, te dou graças: Mar em calma para a margem que espera a onda, que busquei! E a amizade dos irmãos me proteja quando a tarde descer sobre meu desejo de ti. Amém.


REFLEXÃO

João 1,1-18

João, um homem que teve oportunidade de ver resplandecer a luz, viu, ouviu, tocou, a luz. No principio o Verbo existia: constantemente dirigido pelo amor do Pai, se converteu na explicação verdadeira, na exegese única (Jo 1,18), a revelação de seu amor. No “logos” era a vida e a vida era luz, porém, as trevas não o acolheram. No Antigo Testamento a revelação do Verbo de Deus é revelação da luz: a ela corresponde a plenitude da graça, a graça da graça, que nos é dada em Jesus, revelação do amor sem limites de Deus (Jo 1,4-5,16). Também todo o testemunho do Antigo Testamento é testemunho da luz; desde Abraão até João Batista o último deles: anuncia a luz que está por vir ao mundo e reconhece em Jesus a luz esperada (Jo 1,6-8;45).

E o lugar da revelação é sua carne. E é aqui que João dirá: “Nós temos visto sua glória”, onde na “hora da glorificação” não se vê outra coisa senão trevas. A luz está escondida em seu dar a vida por amor aos homens, e ao amor até o final, sem voltar atrás, respeitando a liberdade do homem de crucificar o Autor da vida: Deus é glorificado no momento da paixão: um amor consumado, definitivo, sem limites, um amor demonstrado até as ultimas conseqüências: É o mistério da luz que se faz caminho nas trevas, sim, porque o amor ama a escuridão da noite: quando a vida se faz mais íntima e as próprias palavras morrem para viver no respiro da pessoa amada, a luz está no amor que ilumina àquela hora de privacidade, hora na qual se perde o próprio “eu”, para encontrar-se restituído no abraço da vida.

Pai da luz, venho a ti com toda a força de meu existir. Depois de dar passos bons e de resvalar no mal, começo a entender porque o experimento, por mim, só existo na escuridão das trevas. Sem tua luz, não vejo nada. És Tu, com efeito, a fonte da vida, Tu, Sol de justiça, e que abre meus olhos, Tu o caminho que conduz ao Pai. Hoje veio a nós, Palavra eterna, como luz que continua atravessando as páginas da história para oferecer aos homens os dons da graça e da alegria no deserto da pobreza e da ausência: o pão e o vinho de teu Nome santo, que na hora da Cruz se converteram no sinal visível do amor consumado, nos fazem nascer contigo no seio fecundo que é a Igreja, a origem de tua vida para nós. Como Maria, queremos estar próximo de ti para aprender a ser como ela, cheia da graça do Altíssimo. E quando nossas tendas recolherem a nuvem do Espírito no fulgor de uma palavra pronunciada, então, entenderemos a glória de teu Rosto e bendiremos num silêncio de adoração sem nenhuma indiferença, a Beleza de ser um só contigo, Verbo do Deus vivo. 


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Deus, que é luz, escolheu expulsar as trevas do homem, fazendo-se Ele próprio trevas. O homem nasceu cego (cf Jo 9,1-41): a cegueira é para ela a condição da criatura. O gesto simbólico de Jesus de pegar lama e derramá-la sobre os olhos do cego de nascimento, nos quer indicar a novidade da encarnação: é um gesto da nova criação. Aquele cego, quando ainda seus olhos estavam cobertos pela lama da criação, pede não num gesto de fé, mas sim de obediência: ir à piscina de Siloé que significa “enviado”. E o enviado é Jesus. Sabemos obedecer a Palavra que cada dia chega a nós?

O homem cego no evangelho de João é um pobre: não quer nada, não pede nada. Nós também, vivemos na cegueira cotidiana com a resignação de quem não merece horizontes diversos. Vamos nos reconhecer privados de tudo, para que seja também destinado a nós o dom de Deus, dom da redenção da carne, porém, sobre tudo, dom da luz e da fé? 

A lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Deus ninguém jamais viu: só o Filho unigênito, que está no abrigo do Pai, Ele o tem revelado (Jo 1,17-18). O entendimento do que ocorre na história de nossa vida nos leva a sair da cegueira da presunção e a contemplar a luz que brilha sobre o rosto do Filho de Deus. E nossos olhos, inundados de luz, se abrem aos acontecimentos. Quando conseguiremos ver Deus entre nós?



ORAÇÃO FINAL 

(Baruc 5,1-9)
Hoje estarei ouvindo Jesus em cada momento e situação do dia, sabendo que Ele me fala em cada coisa que ocorre em minha vida.






terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 24/12/13



TERÇA-FEIRA -24/12/2013

PRIMEIRA LEITURA: 2Samuel 7,1-5.8-12.14.16

Na véspera de Natal, caminhavam juntos Maria e José em sua viagem para Belém, onde deviam morar. Hoje, a Noite Feliz, é dia da família. A situação de Maria não era a melhor para fazer uma viagem tão longa e pesada a partir do norte da palestina, porém, ele havia compreendido o quão importante é a família, e aquelas palavras da escritura: “Onde tu vais eu irei, onde tu estás eu estarei, teu povo será meu povo e teu Deus será meu Deus”. No lugar onde tiveram que passar a noite e onde Jesus vem ao mundo, não foi pelo desejo de José nem de sua esposa e nem de Jesus, no entanto, o importante é que estavam juntos e se amavam. Que nossa celebração desta noite, tenha estas mesmas características, a margem do que cearemos ou dos presentes que compartilharemos. O fundamental é que estaremos em família, que nos diremos quanto nos amamos e que juntos continuaremos construindo a felicidade de nossa família. Noite Feliz, noite para valorizar e fortalecer o amor de nossa família.


ORAÇÃO INICIAL 

Apresse-se Senhor, não tardes, para que tua vinda console e fortaleça aos que esperam todo teu amor. Tu que vives e reinas...


REFLEXÃO

Lucas 1,67-79


O Cântico de Zacarias é um dos muitos cânticos das comunidades dos primeiros cristãos, que até hoje estão espalhados pelos escritos do Novo Testamento: nos evangelhos, nas cartas paulinas e no Apocalipse. Estes cânticos nos dão uma idéia de como era a vivência da fé e da liturgia semanal naqueles primeiros tempos. Deixam vislumbrar uma liturgia que era, ao mesmo tempo, celebração do mistério, profissão de fé, animação da esperança e catequese.

Aqui no cântico de Zacarias, os membros daquelas primeiras comunidades, quase todos judeus, cantam a alegria de haver sido visitados pela bondade de Deus que, em Jesus, veio realizar as promessas. O cântico tem uma bonita estrutura, bem elaborada. Parece uma lenta subida que leva os fiéis até o alto da montanha, de onde observam o caminho percorrido desde Abraão (Lc 1,68-73), experimentam o começo da realização das promessas (Lc 1,74-75) e dali olham para diante prevendo o caminho que têm que percorrer o menino João até o nascimento de Jesus; o sol de justiça que vem preparar para todos o caminho da Paz (Lc 76-79).

Zacarias começa louvando a Deus porque foi visitado e redimido seu povo (Lc 1,68) e suscitou um poderoso salvador da casa de Davi seu servo (Lc 1,69) como havia prometido pela boca dos profetas (Lc 1,70). E descreve em que consiste esta salvação poderosa: salvar-nos de todos os nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam (Lc 1,71). Esta salvação é o resultado, não de nosso esforço, mas sim da bondade misericordiosa do próprio Deus que combinou sua aliança sagrada e do juramento feito a Abraão, nosso pai (Lc 1,72). Deus é fiel. Este é o fundamento de nossa segurança.

Seguidamente Zacarias descreve em que consiste o juramento de Deus a Abraão: é a esperança de “que, livres de nossos inimigos, possamos viver sem temor, em santidade e justiça, na presença de Deus, todos os dias de nossa vida”. Este era o grande desejo das pessoas daquele tempo e continua sendo o grande desejo de todos os povos de todos os tempos: viver em paz, sem medo, servindo a Deus e ao próximo, em santidade e justiça, todos os dias de nossa vida. Este é o alto da montanha, o ponto de chegada, que apareceu no horizonte com o nascimento de João (Lc 1,73-75).

Agora a atenção do cântico se dirige à João, ao menino que acaba de nascer. Ele será o profeta do Altíssimo, porque ira adiante do Senhor preparando-lhe o caminho, capacitando seu povo para entender a salvação e o perdão dos pecados (Lc 1,76-77). Aqui temos uma alusão clara da profecia messiânica de Jeremias que dizia: “Já não precisarão ensinar-se mutuamente, dizendo um ao outro: Conheçam a Javé. Porque todos, grandes e pequenos, me conhecerão, oráculo de Javé, porque eu perdoarei sua culpa e não me recordarei mais de seu pecado” (Jr 31,34). Na Bíblia, “conhecer” é sinônimo de “experimentar”. O perdão e a reconciliação nos fazem experimentar a presença de Deus.

Tudo isto será fruto da ação misericordiosa do coração de nosso Deus e se realizará plenamente com a vinda de Jesus, e o sol que vem do alto para iluminar todos os que estão nas trevas e sombras da morte e para guiar nossos passos pelos caminhos da Paz (Lc 1,78-79).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Algumas vezes é bom ler o cântico como se fosse a primeira vez para poder descobrir nele toda a novidade da Boa Nova de Deus.
Experimentou alguma vez a bondade de Deus? Experimentou alguma vez o perdão de Deus?



ORAÇÃO FINAL 

(Salmo 89,2-3)
Hoje na ceia de Natal falarei com Jesus e de Jesus.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 23/12/13


SEGUNDA-FEIRA -23/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: Malaquias 3,1-4.23-24


Este texto avisa o povo sobre a iminência da chegada do salvador, o qual seria precedido por um mensageiro que prepararia o coração de seus filhos. Sabemos que este texto refere-se de maneira eminente a João Batista, todavia, a Liturgia nos propõe ao aproximar-se da celebração da Natividade com o fim de que caímos em conta da importância de nossa participação na construção do Reino e no anuncio da Salvação. Cada um de nós deve converter-se nesse emissário de Deus que prepara os corações para que a mensagem do Evangelho chegue ao coração. Façamos nossa tradicional visita aos nossos seres queridos, a nossos amigos e vizinhos, própria do tempo da Natividade, o espaço afetivo que dispõe o coração para que esta Festa do Nascimento de nosso Salvador não seja só exterioridade, ma sim, uma ardente acolhida do Evangelho. Seja como João Batista ou Elias, o instrumento para preparar o coração de todos teus seres queridos ao amor de Deus.



ORAÇÃO INICIAL 

Apresse-se Senhor, não tardes, para que tua vinda console e fortaleça aos que esperam todo teu amor. Tu que vives e reinas...


REFLEXÃO

Lucas 1,57-66

Nos capítulos 1 e 2 de seu evangelho, Lucas descreve o anuncio e o nascimento de dois meninos, João e Jesus, que vão desempenhar um papel importante na realização do projeto de Deus. O que Deus iniciou no AT começa a realizar-se por meio deles. Por isto, nestes dois capítulos, Lucas evoca muitos fatos e pessoas do AT e chega a imitar o estilo do AT. É para sugerir que com o nascimento destes dois meninos, traça-se uma curva na história e se inicia a realização das promessas de Deus por meio de João e de Jesus e com a colaboração dos pais, Isabel e Zacarias e Maria e José.

Existe um certo paralelismo entre o anuncio e o nascimento dos dois meninos: A)-O anuncio do nascimento de João (Lc 1,5-25) e de Jesus (Lc 1,26-38). B)-As duas mães grávidas encontram-se e experimentam a presença de Deus (Lc 1,27-56). C)-O nascimento de João (Lc 1,57-58) e de Jesus (Lc 2,1-20). D)-A circuncisão na comunidade de João (Lc 1,59-66) e de Jesus (Lc 2,21-28). E)-O canto de Zacarias (Lc 1,67-79) e o canto de Simeão com a profecia de Ana (Lc 2.29-32). F)-A vida oculta de João (Lc 1,80) e de Jesus (Lc 2,39-52).

Lucas 1,57-58: O NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA. “Cumpriu-se o tempo de Isabel de dar a luz e teve um filho. Seus vizinhos e parentes viram que o Senhor havia feito grande misericórdia, e se congratulavam com ela”. Como tantas mulheres do AT, Isabel era estéril: Como Deus teve piedade de Sara (Gn 16,1;17,17;18,12), de Raquel (Gn 29,31) e de Ana (1Sm 1,2.6.11) transformando a esterilidade em fecundidade, assim Ele teve piedade de Isabel, e ela concebeu um filho. Grávida, Isabel se escondeu durante cinco meses. Depois de cinco meses, as pessoas puderam comprovar em seu corpo como Deus havia sido bom com Isabel, todos se alegrarão com ela. Este ambiente comunitário em que todos participam da vida dos demais, tanto na alegria como na dor, é o ambiente em que João e Jesus nasceram, cresceram e receberam sua formação. Um ambiente assim marca a personalidade das pessoas pelo resto de sua vida. E neste ambiente comunitário é o que mais nos falta hoje.

Lucas 1,59: DAR O NOME NO OITAVO DIA. “No oitavo dia foram circuncidar o menino e queriam colocar-lhe o nome de seu pai, Zacarias”. A participação na vida da comunidade e na vida da família de Zacarias, de Isabel e João é tal que os pais e os vizinhos chegam a interferir até em escolher o nome da criança. Querem dar ao menino o nome do pai: “Zacarias!”. Zacarias quer dizer: Deus concordou. Talvez, queriam expressar a gratidão a Deus por haver concordado de Isabel e de Zacarias haverem tido um filho em sua velhice.

Lucas 1,60-63: SEU NOME SERÁ JOÃO! Porém, Isabel intervém e não permite que os parentes tomem a dianteira na questão do nome. Lembrando o anuncio do nome feito pelo anjo Zacareias (Lc 1,13), ela diz: “Não! Chamar-se-á João”. Em lugar pequeno como Ain Karem na serra da Judéia, o controle social é muito forte. E quando uma pessoa sai fora dos costumes normais do lugar, é criticada. Isabel não seguiu os costumes do lugar e escolheu um nome fora dos padrões normais. Por isto, os parentes e os vizinhos reclamaram dizendo: “Não existe ninguém em tua parentela que tenha esse nome”. Os parentes não cedem com facilidade e fazem sinais ao pai para saber dele como quer que o menino se chame. Ele pediu uma tábua e escreveu: “João é seu nome”. Todos ficaram admirados, pois, deviam haver percebido algo do mistério de Deus que envolvia o nascimento do menino. E esta percepção que a gente tem do mistério de Deus presente nos fatos tão comuns da vida, é a que Lucas quer comunicar a seus leitores e leitoras. Em sua maneira de descrever os acontecimentos, Lucas não é como o fotógrafo que só registra o que os olhos podem ver. É como aquele que usa os Raios “X” e que registra aquilo que os olhos não podem ver. Lucas lê os fatos com os Raios “X” da fé que revela o que os olhos comuns não percebem.

Lucas 1,64-66: A NOTICIA DO MENINO SE ESPALHA. “Ao mesmo tempo abriu-se sua boca e sua língua, e falava bendizendo a Deus. O temos invadiu a todos seus vizinhos, e em toda a montanha da Judéia se comentavam todas estas coisas; todos os que as ouviam as guardavam em seu coração, dizendo: Pois, o que é que será este menino? Porque, com efeito, a mão do Senhor estava com ele”. A maneira em que Lucas descrevia os fatos evoca as circunstancias do nascimento das pessoas que no AT tiveram um papel importante na realização do projeto de Deus e cuja infância já parecia marcada pelo destino privilegiado que iam ter: Moisés (Ex 2,1-10), Sansão (Jz 13,1-4 e 13,24-25), Samuel (1Sm 1,13-28 e 2,11).

Conhecendo bem o Antigo Testamento, encontraram-se muitas evocações no evangelho de Lucas. Os dois primeiros capítulos de seu Evangelho não são histórias no sentido como hoje entendemos a história. Funcionam mais como um espelho para ajudar aos leitores e leitoras a descobrir que João e Jesus haviam vindo cumprir as profecias do Antigo Testamento. Lucas quer mostrar que Deus, mediante os dois meninos, vinha responder as mais profundas aspirações do coração humano. Por um lado, Lucas mostra que o Novo realiza o que o Antigo prefigurava. Por outro lado, mostra que o novo supera o antigo e não corresponde em tudo o que o povo do Antigo Testamento imaginava e esperava. Na atitude de Isabel e de Zacarias, de Maria e de José, Lucas apresenta um modelo de como converter-se e acreditar no Novo que está chegando.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

O que é que mais chama atenção na maneira que Lucas tem de descobrir os fatos da vida?
Como leio os fatos de minha vida? Como fotografia ou como raio “x”?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 24)
Hoje propiciarei, em cada prática com meus próximos, a importância da natividade em torno do nascimento de nosso Salvador Jesus Cristo.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 20/12/13


SEXTA-FEIRA -20/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 7,10-14


Esta profecia messiânica surge no contexto no qual o povo de Israel, temeroso diante da proximidade de uma invasão, sente-se tentado a recorrer a Assíria para que o salve. É aqui que Deus lhes lembra que seu único salvador é Ele e que, como prova de sua presença e seu poder, lhes dará um sinal para que já não duvidem e confiem plenamente Nele. Este sinal virá a converter-se precisamente na chegada do Messias, que é Deus Conosco. O povo, talvez, não imaginou a profundidade destas palavras, as quais ficaram ainda longe de iluminar a realidade que Deus tinha pensado para a salvação do povo, pois, a Encarnação do Verbo realizou o cumprimento da profecia, o envio do Espírito Santo, produto deste projeto salvífico, fez que Deus seja agora Deus Conosco. Seja, pois, consciente de que Deus está em ti, e que desde teu coração procura iluminar e salvar toda a humanidade, particularmente aqueles que convivem cotidianamente contigo.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor Nosso Deus, a cujo desígnio se submeteu a Virgem Imaculada aceitando, ao anúncio do anjo, encarnar em seu seio teu Filho; tu que se transformastes, por obra do Espírito Santo, em templo de tua divindade, concede-nos, seguindo seu exemplo, a graça de aceitar teus desígnios com humildade de coração. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Lucas 1,26-38


A visita do anjo a Maria evoca as visitas de Deus a várias mulheres do Antigo testamento: Sara, mãe de Isaac (Gn 18,9-15), Ana, mãe de Samuel (1Sm 1,9-18), a mão de Sansão (Jz 13,2-5). A todas elas foi anunciado o nascimento de um filho com uma missão importante na realização do plano de Deus. 

A narração começa com uma expressão “no sexto mês”. É o sexto mês da gravidez de Isabel, uma mulher de idade já avançada que vai ter seu primeiro filho, com um parto de risco, é a tela de fundo de todo esse episódio. E ela o menciona no começo (Lc 1,26) e no final da visita do anjo (Lc 1,36.39). 

O anjo lhe diz: "alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”. Palavras similares foram ditas a Moisés (Ex 3,12), Jeremias (Jr 1,8), a Gedeão (Jz 6,12) e a outras pessoas com uma missão importante no plano de Deus. Maria, estranha esta saudação e procura saber o significado daquelas palavras. É realista. Quer entender. Não aceita qualquer inspiração.

O anjo responde: “não temas, Maria!”. Como na visita do anjo a Zacarias, o anjo lembra aqui que a primeira saudação de Deus sempre é: “não temas!”. Logo em seguida o anjo lembra as promessas do passado que se cumprirão mediante o filho que vai nascer e que deve receber o nome de Jesus. Será chamado Filho do Altíssimo e Nele se realizará o Reino de Deus. Esta é a explicação do anjo para que Maria não tenha medo.

Maria tem consciência da missão que está recebendo, porém, continua realista. Não se deixa embalar pela grandeza da oferta e olha sua condição. Analisa a oferta a partir dos critérios que tem a sua disposição. Humanamente falando, não é possível: “como poderei ser mãe se não tenho relação com nenhum homem?”. 

O anjo explica que o Espírito Santo, presente na Palavra de Deus desde o dia da Criação (Gn 1,2), consegue realizar coisas que parecem impossíveis. Por isto, o Santo que vai nascer de Maria será chamado Filho de Deus. O milagre se repete hoje. Quando a Palavra de Deus é acolhida pelos pobres, algo novo acontece pelo poder do Espírito Santo. Algo tão novo e surpreendente como um filho que vai nascer de uma virgem ou um filho que vai nascer de uma mulher já de idade avançada como Isabel, da qual todos diziam que não podia ter filhos! E o anjo acrescenta: “Eis que tem tua parenta Isabel, que se encontra no sexto mês de gravidez!”. 

A resposta do anjo esclarece tudo para Maria, e ela se entrega: “Eis aqui, a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo sua Palavra”. Maria usa para si o título de Serva, servidora do Senhor. Este título vem de Isaias, que apresenta a missão do povo não como um privilégio, mas sim, como um serviço aos outros povos (Is 42,1-9;49,3-6). Mais tarde, Jesus também definirá sua missão como um serviço: “não vim para ser servido, mas, para servir” (Mt 20,28). Aprendeu com sua Mãe!



PARA REFLEXÃO PESSOAL

O que é que mais te chama a atenção na visita do anjo Gabriel à Maria?
Jesus elogiou sua mãe quando disse: “Ditosos aqueles que ouvem a Palavra e a colocam em prática” (Lc 11,28). Como Maria se relacionou com a Palavra de Deus durante a visita do anjo?



ORAÇÃO FINAL 

(Salmo 24,1-2)
Este dia serei muito consciente de que meu ser é o ser de Cristo, e farei todas as coisas como ele as faria.






quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 19/12/13


QUINTA-FEIRA -19/12/2013




PRIMEIRA LEITURA: Juízes 13,2-7.24-25


Ao aproximar-se o Natal, a liturgia vai-nos propondo as diferentes imagens que sempre mantiveram viva a esperança do Messias. Nesta leitura Deus promete livrar seu povo, por meio de Sansão, da tirania que exerciam seus inimigos sobre eles. O advento deve, por isso, ser um tempo em que se alimenta a esperança de ver-nos libertados definitivamente da tirania do pecado sobre todos nós. É certo que por méritos gloriosos de Jesus temos sido libertos do pecado, este exerce sobre todos nós sua tirania, procurando por meio da tentação, seduzir-nos e manter-nos a sua mercê. A oração, própria deste tempo, deve fazer crescer o poder de Deus em nós, que vai colocando de lado a sedução do demônio vai-nos levando a uma liberdade mais perfeita. Jesus, é nosso Messias libertador, porém, para que exerça essa ação salvífica, nós devemos dar-lhe mais espaço em nossa vida. Aproveite, pois, esse tempo, para aumentar teu diálogo amoroso com Ele, abra-lhe teu coração e deixe entrar o Evangelho na tua vida.



ORAÇÃO INICIAL 

Deus e Senhor nosso, que no parto da Virgem Maria quis revelar ao mundo inteiro o esplendor de tua glória: proteja-nos com tua graça, para que proclamemos com fé integra e celebremos com piedade sincera o mistério admirável da encarnação de teu Filho. Que vive e Reina...



REFLEXÃO

Lucas 1,5-25


O evangelho de hoje nos fala da visita do anjo Gabriel a Zacarias. O evangelho de amanhã nos fala da visita do mesmo anjo Gabriel a Maria. Lucas coloca as duas visitas uma ao lado da outra, para que nós, lendo os dois textos com atenção, percebamos as pequenas e significativas diferenças entre as visitas, entre o Antigo e o Novo Testamento. Procure descobrir as diferenças entre as visitas do anjo Gabriel a Zacarias e a Maria por meio das seguintes perguntas: Onde aparece o anjo? A quem aparece? Qual é o anuncio? Qual é a resposta? Qual é a reação da pessoa visitada depois da visita? Etc.

A primeira mensagem do anjo de Deus a Zacarias é: “Não temas!”. Até hoje, Deus continua causando medo a muita gente e até hoje a mensagem continua válida: “Não temas!”. Imediatamente depois, o anjo disse: “Tua oração foi ouvida!”. Na vida, tudo é fruto da oração!

Zacarias representa o Antigo Testamento. Ele acredita, porém, sua fé é débil. Depois da visita, fica mudo e incapaz de se comunicar com os demais. A economia anterior, revelada em Zacarias, estava no final de suas capacidades, havia esgotado seus recursos. A nova economia de Deus estava por chegar em Maria.

No anuncio do anjo aparece a importância da missão do menino que vai nascer e cujo nome será João: “Não beberá vinho nem licor, e estará cheio do Espírito Santo desde o seio de sua mãe”, isto é, João será uma pessoa inteiramente consagrada a Deus em sua missão. “Por ele muitos filhos de Israel voltarão ao Senhor seu Deus, pois, ele abrirá o caminho do Senhor com o espírito e o poder do profeta Elias para reconciliar os pais com os filhos. Fará com que os rebeldes voltem à sabedoria dos bons, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto”, isto é, no menino João acontecerá o esperado retorno do profeta Elias que virá realizar a reconstrução da vida comunitária: reconciliar os pais com os filhos e fazer com que os rebeldes voltem à sabedoria dos bons.

De fato, a missão de João foi muito importante. Para as pessoas ele era um profeta (Mc 11,32). Muitos anos depois, em Efeso, Paulo encontrou pessoas que haviam sido batizadas no batismo de João (At 19,3).

Quando Izabel, sendo já velha, concebe e fica grávida, escondeu-se por cinco meses. Ao contrário, Maria em vez de esconder-se saiu de sua casa, para servir.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

O que chama tua atenção nesta visita do anjo Gabriel a Zacarias?
Converter o coração dos pais para os filhos e dos filhos para os pais, isto é, reconstruir o tecido de relações humanas na base e refazer a vida em comunidade. Esta é a missão de João. Foi também a missão de Jesus e continua sendo hoje a missão mais importante. Como contribuo nesta missão?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 71,5-6)
Hoje farei uma lista dos hábitos negativos que estão afetando minha vida espiritual, procurarei alguma atividade que os substitua e trabalharei arduamente para superá-los.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 18/12/13


QUARTA-FEIRA -18/12/2013

PRIMEIRA LEITURA:Jeremias 23,5-8


Esta palavra de Deus nos ajuda a terminar nossa reflexão sobre o “Já, porém, todavia não”, pois, nos propõe dois elementos chaves do Reino messiânico: A Lei e a Justiça. Seria importante que cada um de nós revisasse se nossa vida é verdadeiramente uma vida que se apega ao cumprimento da lei de Deus, já que é fácil ver-se envolvido pelos critérios deste mundo que em muitas áreas de nossa vida tem diluído o conteúdo, inclusive dos próprios Dez Mandamentos básicos da lei. Por outro lado, revisar se nossa vida também vai sendo uma vida que sabe dar, não somente a cada um que lhe toca, mas, ir mais além, imitando com isso a Deus, quem, em lugar de dar-nos o que merecemos por nossas faltas, nos ama, nos perdoa e nos dá sua graça. Com a chegada de Cristo se inaugurou a vida no amor e na justiça, cooperemos com a graça para que esta seja uma realidade crescente em nossa vida, em nossa família e em nossa comunidade.




ORAÇÃO INICIAL 

Conceda Senhor, aos que vivem oprimidos pela antiga escravidão do pecado, serem libertados pelo novo e esperado nascimento de teu Filho. Que vive e Reina…




REFLEXÃO

Mateus 1,18-24

No evangelho de Lucas, a história da infância de Jesus ( caps. 1 e 2) está centrada em torno da pessoa de Maria. Aqui no evangelho de Mateus, a infância de Jesus ( caps. 1 e 2) está centrada ao redor da pessoa de José, o prometido esposo de Maria. José era da descendência de Davi. Através dele Jesus pertence a raça de Davi. Assim, em Jerusalém, se realizam as promessas feitas por Deus a Davi e a sua descendência. 

Como vimos no evangelho de ontem, nas quatro mulheres companheiras de Maria, na genealogia de Jesus, havia algo anormal que não estava de acordo com as normas da lei: Tamar, Raab, Rute e Betsabé. O evangelho de hoje nos mostra que também em Maria havia algo anormal, contrário às leis da época. Aos olhos do povo de Nazaré, ela se apresentou grávida antes de conviver com José. Nem as pessoas, nem José, seu futuro esposo, sabiam a origem de sua gravidez. Se José houvesse sido justo segundo a justiça dos escribas e dos fariseus, deveria denunciar Maria, e a pena para ela teria sido a morte por apedrejamento.

José era justo, sim! Porém, sua justiça era diferente. Já praticava aquilo que Jesus ensinaria mais tarde: “Se sua justiça não supera a justiça dos escribas e dos fariseus, não entrarás no Reino dos Céus” (Mt 5,20). Por isso José, sem compreender os fatos, decide despedir Maria em segredo.

Na Bíblia, o descobrimento do chamado de Deus nos fatos acontece de formas distintas. Por exemplo, examinando os fatos (Lc 2,19.51), através da meditação da Bíblia (At 15,15-19;17,2-3), através dos anjos (a palavra anjo significa mensageiro), que ajudam descobrir o significado dos fatos (Mt 28,5-7). José percebeu o significado do que estava ocorrendo com Maria através de um sonho. No sonho um anjo se serviu da Bíblia para clarear a origem da gravidez de Maria. Vinha da ação do Espírito de Deus.

Quando para Maria tudo ficou claro, ela exclamou: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo tua Palavra”. Quando para José tudo foi clareado, tomou Maria como sua esposa, e foram viver juntos. Graças a justiça de José, Maria não foi apedrejada e Jesus continuou vivendo em seu seio.


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Aos olhos dos escribas, a justiça de José seria uma desobediência. Existe nisto alguma mensagem para nós?
Como você descobre o chamado da Palavra de Deus nos fatos de tua vida?



ORAÇÃO FINAL 

(Salmo 72,12-13)
Hoje orarei por todas as vítimas de injustiça em meu país, olharei as notícias e pedirei especificamente pelas notas de injustiça que apareçam aí.




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 17/12/13


TERÇA-FEIRA -17/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 48,17-19

Toda a história do povo de Israel estava centrada na promessa do Messias, o qual reinaria eternamente e a quem todos os povos renderiam honra e obediência. Esta promessa se realizou de maneira definitiva em Cristo pelo que Ele deve reinar, não só sobre as nações, mas em cada um de nossos corações. Ao iniciar a etapa final de nossa preparação para a festa do Natal, a liturgia nos convida a revisar se verdadeiramente Jesus já é uma realidade em nossa vida. Se, é assim, conviria perguntar-nos se efetivamente Ele reina em todas as áreas de nossa vida e se sua palavra é considerada sempre como a palavra de um Rei. Só se Deus reina em tua vida e em teu coração, a paz e a salvação oferecida por Deus para seu povo será uma realidade em teu coração. Dê a Jesus o “cetro” de tua vida e serás verdadeiramente feliz.



ORAÇÃO INICIAL 

Deus, criador e restaurador do homem, que quis que teu Filho, Palavra eterna, se encarnasse no seio da sempre Virgem Maria, ouça nossas súplicas e que Cristo, teu Unigênito, feito homem por nós, se digne fazer-nos partícipes de sua condição divina. Por Nosso Senhor.




REFLEXÃO

Mateus 1,1-17


A genealogia define a identidade de Jesus. Ele é o “filho de Davi e o filho de Abraão” (Mt 1,1; cf. 1,17). Como filho de Davi, é a resposta de Deus as expectativas do povo judeu (2Sm 7,12-16). Como filho de Abraão, é uma fonte de benção para todas as nações (Gn 12,13). Judeus e pagãos vêm realizadas suas esperanças em Jesus.

Na sociedade patriarcal dos judeus, as genealogias traziam amiúde nomes de homens. Surpreende que Mateus coloque as cinco mulheres entre os antepassados de Jesus: Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias e Maria. Por que é que Mateus escolhe precisamente estas quatro mulheres como companheiras de Maria? Nenhuma é rainha, nenhuma é matriarca, nenhuma é mulher lutadora do Êxodo: Por quê? É esta a pergunta que o Evangelho de Mateus nos deixa na cabeça.

Na vida das quatro mulheres companheiras de Maria existe algo anormal. As quatro são estrangeiras, conceberam seus filhos fora dos padrões normais e não cumpriram com as exigências das leis de pureza do tempo de Jesus. Tamar, uma Cananéia, viúva, se veste de prostituta para obrigar o patriarca de Judá que seja fiel à lei e que lhe dê um filho (Gn 38,1-30). Raab, uma Cananéia de Jericó, era uma prostituta que ajudou aos Israelitas a entrar na Terra Prometida (Js 2,1-21). Rute, uma Moabita, viúva e pobre, optou por ficar ao lado de Noemi e aderir ao Povo de Deus (Rt 1,16-18). Tomou a iniciativa de imitar Tamar e de passar a noite junto com Booz, obrigando-o a observar a lei e dar-lhe um filho. Dá relação entre os dois nasceu Obed, o avô do rei Davi (Rt 3,1-15;4,13-17). Betsabé, uma Hitita, mulher de Urias, foi seduzida, violentada e ficou grávida do rei Davi, quem, além disso, mandou matar seu marido (2Sm 11,1-27). A forma de agir destas quatro mulheres estava em desacordo com as normas tradicionais. E , no entanto, foram iniciativas pouco convencionais as que deram continuidade a linhagem de Jesus e trouxeram a salvação de Deus a todo o povo. Tudo isto, nos faz pensar e nos questiona quando damos demasiado valor à rigidez das normas.

O cálculo de 3 x 14 gerações (Mt 1,17) tem um significado simbólico. Três é o número da divindade. Quatorze é o dobro de Sete. Sete é o número da perfeição. Por meio deste simbolismo, Mateus expressa a convicção dos primeiros cristãos segundo a qual Jesus aparece no tempo estabelecido por Deus. Com sua chegada a história chega a sua plenitude.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Qual é a mensagem que você descobre na genealogia de Jesus? Encontrou alguma resposta à pergunta que Mateus nos deixa na cabeça?
As companheiras de Maria, a mãe de Jesus, são distintas como nós imaginávamos? Qual é a conclusão que tira para tua devoção a Nossa Senhora?



ORAÇÃO FINAL 

(Salmo 72,17)
Revisarei em que ponto da lei não obedeço ao Senhor, e em oração pedirei a assistência do Espírito Santo para poder crescer nessa área.




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 16/12/13


SEGUNDA-FEIRA -16/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: Números 24,2-7.15-17


Nosso mundo, cheio de atividades e imerso no comercialismo, muitas vezes não nos permite perceber que nós, os cristãos, já estamos vivendo os tempos profetizados, que nossa vida já está marcada pela presença do Messias, do Salvador. Isto faz com que nossas festas de Natal tenham unicamente uma nota comercial. É, pois, necessário deter-nos em nossa correria diária e dar-nos conta que o que vamos celebrar nos próximos dias é o acontecimento que mudou a história, que a dividiu e que a fez ser “História de Salvação”. É necessário que em uma profunda reflexão peçamos a Deus que nos ajude com sua graça para entender que o Natal representa para nós o início da vida no Espírito, que possamos descobrir neste acontecimento o cumprimento das profecias e a irrupção do amor de Deus entre nós por meio de Emanuel. Deus tem se feito não unicamente próximo, mas, presente em você, em mim; abra teus olhos como o profeta e o descobrirá em teu coração.


ORAÇÃO INICIAL 



Deus, criador e restaurador do homem, que quis que teu Filho, Palavra eterna, se encarnasse no seio da sempre Virgem Maria, ouça nossas súplicas e que Cristo, teu Unigênito, feito homem por nós, se digne fazer-nos partícipes de sua condição divina. Por Nosso Senhor.


REFLEXÃO

Mateus 21,23-27


O evangelho de hoje descreve o conflito que Jesus teve com as autoridades religiosas da época, depois de haver deixado os vendedores do Templo. Os sacerdotes e os anciãos do povo querem saber com que autoridade Jesus fazia essas coisas ao ponto de entrar no Templo e expulsar os vendedores (cf. Mt 21,12-13). As autoridades consideravam-se donas de tudo e pensavam que ninguém podia fazer nada sem sua permissão. Por isso, perseguiam Jesus tentavam matá-lo. Algo semelhante estava acontecendo nas comunidades cristãs dos anos setenta/oitenta, época em que se escreveu o evangelho de Mateus. Os que resistiam as autoridades do império eram perseguidos. Havia outros que, para não serem perseguidos, procuravam conciliar o projeto de Jesus com o projeto do império romano (cf. Gl 6,12). A descrição do conflito de Jesus com as autoridades de seu tempo era uma ajuda para que os cristãos continuassem firmes nas perseguições e não se deixassem manipular pela ideologia do império. Hoje também, alguns que exercem o poder, tanto na sociedade como na Igreja e na família, querem controlar tudo como se fossem eles os donos de todos os aspectos da vida das pessoas. Às vezes, chegam até perseguir aos que pensam de forma diferente. Com estas idéias e problemas na cabeça, vamos ler e meditar o evangelho de hoje.

Mateus 21,23: A PERGUNTA DAS AUTORIDADES RELIGIOSAS À JESUS. “Chegando ao Templo, enquanto ensinava aproximaram-se os sumos sacerdotes e os anciãos do povo dizendo: Com que autoridade faz isto? E quem te deu esta autoridade?”. Jesus circula, de novo, na enorme praça do Templo. Logo aparecem alguns sacerdotes e anciãos para interrogá-lo. Depois de tudo o que Jesus havia feito, na véspera, eles querem saber com que autoridade faz estas coisas. Não perguntam de onde vem a autoridade (cf. Mt 21,12-13). Pensam que Jesus tem que prestar-lhes conta. Pensam que tem direito de controlar tudo. Não querem perder o controle das coisas.

Mateus 21,24-25ª: A PERGUNTA DE JESUS ÀS AUTORIDADES. Jesus não se nega a responder, porém, mostra sua independência e liberdade e diz: “Eu também vos pergunto uma coisa; se responderem-me, Eu vos direi com que autoridade faço isto. O Batismo de João, de onde era? Do céu ou dos homens?”. Pergunta inteligente, simples como uma pomba, e astuta como uma serpente! (Cf. Mt 10,16). A pergunta vai revelar a falta de honestidade dos adversários. Para Jesus, o batismo de João vinha do céu, vinha de Jesus. O mesmo havia sido batizado por João (Mt 3,13-17). Os homens do poder, pelo contrário, havia tramado a morte de João (Mt 14,3-12). E assim, mostraram que não aceitaram a mensagem de João e que consideravam seu batismo como coisa de homens e não de Deus. 

Mateus 21,25b-26: OBJETIVO DAS AUTORIDADES. Os sacerdotes e os anciãos se deram conta do alcance da pergunta e raciocinavam entre si da seguinte maneira: “Se dissermos: do céu, nos dirá: Então por que não acreditastes?”. E se dissermos: “Dos homens, ficaremos com medo das pessoas, pois, todos têm João por profeta”. Por isto, para não exporem-se, responderam: “Não sabemos”. Resposta oportunista, fingida e interessada. O único interesse deles era não perder sua liderança diante das pessoas. Dentro de si, já haviam decidido tudo: Jesus devia ser condenado à morte (Mt 12,14).

Mateus 21,27: CONCLUSÃO FINAL DE JESUS. E Jesus disse-lhes: “Tampouco Eu vos digo com que autoridade faço isto”. Por sua total falta de honestidade, não merecem a resposta de Jesus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Alguma vez você se sentiu controlado/a ou observado/a, indevidamente, pelas autoridades, em casa, no trabalho, na Igreja? Qual foi sua reação?
Todos nós temos alguma autoridade. Também em uma simples conversa entre duas pessoas, cada um exerce algum poder, alguma autoridade. Como uso o poder, como exerço a autoridade: para servir e libertar, ou, para dominar e controlar?





ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 25,4-5)
Em meus preparativos para a celebração em família programarei que se reze o Rosário ou que se medite sobre o Mistério do Nascimento de Jesus.





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 13/12/13


SEXTA-FEIRA -13/12/2013


PRIMEIRA LEITURA: Isaias 48,17-19


O tom em que o profeta fala ao povo por parte de Deus nos deixa ver o que acontece quando o homem decide caminhar à margem do amor de seu Senhor: perde-se a paz e a justiça. O tempo do Advento é um tempo, como dizia João Batista, para corrigir nossos erros e para agregar a nossa vida aos elementos que fazem com que toda nossa existência se junte mais a Deus. É um tempo, pois, de ver se nossa relação com Jesus é estreita, se nossa oração é continua e se verdadeiramente estamos procurando viver de acordo com o Evangelho. Enderecemos nossos caminhos para que nunca falte em nossa família e em nossa comunidade a paz e a justiça. Aproveite este tempo para fazer uma revisão em tua vida e poder assim responder com generosidade ao Senhor.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor, que teu povo permaneça em vigília aguardando a vinda de teu Filho, para que, seguindo os ensinamentos de nosso Salvador, saiamos ao seu encontro, quando Ele chegar, coma as lâmpadas acesas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!


REFLEXÃO

Mateus 11,16-19


Aos líderes, aos sábios, não é bom quando alguém lhes critica, ou, os desafia. Isto ocorria nos tempos de Jesus e ocorre hoje, na sociedade civil e na Igreja. João Batista viu, criticou e não foi aceito. Diziam: “Está possuído pelo demônio!”. Jesus viu, criticou e não foi aceito. Diziam: “Está fora de si!”. “Ficou louco!” (Mc 3.22). “É um samaritano!” (Jo 8,48). “Não é de Deus!” (Jo 9,16). Hoje ocorre o mesmo. Existem pessoas que se apegam ao que sempre tem sido ensinado e não aceitam outro modo de explicar e viver a fé. Logo inventam motivos e pretensões para não aderir: “É marxismo!”. “Isto é contra a Lei de Deus!”. “É desobediência a tradição e ao Magistério!”.

Jesus se queixa da falta de coerência por parte de sua gente. Sempre inventam algum pretexto para não aceitar a mensagem de Deus anunciada por Jesus. De fato, é relativamente fácil encontrar argumentos e pretextos para rejeitar aos que pensam de forma diferente da nossa. 

Jesus reage e demonstra esta incoerência. Eles se consideravam sábios, porém, Jesus reage e demonstra sua incoerência. Eram como crianças que querem divertir-se na praça e que se rebelam quando as pessoas não dançam conforme a música que tocam. Ou, como os que se consideram sábios sem ter nada de realmente sábio. Aceitam somente aqueles que têm as mesmas idéias. E assim eles próprios se condenam, por sua atitude incoerente.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Até que ponto eu sou incoerente com minha fé?
Tenho consciência crítica de que o sistema social e eclesiástico, muitas vezes, inventa motivos e pretensões para legitimar a situação para qualquer mudança?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 1,1-2)
Revisarei quais são as montanhas que me faltam rebaixar e os vales que devo preencher em minha vida.






quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Lectio Divina - 12/12/13


QUINTA-FEIRA -12/12/2013

PRIMEIRA LEITURA: Isaias 7,10-14


Esta profecia messiânica surge no contexto no qual o povo de Israel, temeroso diante da proximidade de uma invasão, sente-se tentado a recorrer a Assíria para que o salve. É aqui que Deus lhes lembra que seu único salvador é Ele e que, como prova de sua presença e seu poder, lhes dará um sinal para que já não duvidem e confiem plenamente Nele. Este sinal virá a converter-se precisamente na chegada do Messias, que é Deus Conosco. O povo, talvez, não imaginou a profundidade destas palavras, as quais ficaram ainda longe de iluminar a realidade que Deus tinha pensado para a salvação do povo, pois, a Encarnação do Verbo realizou o cumprimento da profecia, o envio do Espírito Santo, produto deste projeto salvífico, fez que Deus seja agora Deus Conosco. Seja, pois, consciente de que Deus está em ti, e que desde teu coração procura iluminar e salvar toda a humanidade, particularmente aqueles que convivem cotidianamente contigo.


ORAÇÃO INICIAL 

Despertai Senhor, nossos corações e mova-o para preparar os caminhos de teu Filho, para que pelo mistério de sua vinda possamos servir-te com pureza de espírito. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!



REFLEXÃO

Mateus 11,11-15

No evangelho de hoje, Jesus opina sobre João Batista. Comparado com personagens do Antigo Testamento, não existe ninguém maior que João. João é o maior: maior que Jeremias, maior que Abraão, maior que Isaias! Mas, se comparado com o Novo Testamento, João é inferior a todos. O menor no Reino é maior que João. Como entender estas palavras aparentemente contraditórias que Jesus pronuncia sobre João? 

Pouco antes, João havia enviado seus discípulos para perguntar-lhe: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,3). João parecia ter dúvidas a respeito de Jesus, já que Jesus não correspondia à idéia que ele, João, havia feito do messias: um juiz severo que tinha que vir para cumprir o juízo de condenação e de ira (Mt 3,7).Tinha que cortar as árvores desde a raiz (Mt 3,10), limpar o campo e atirar os paus secos ao fogo (Mt 3,12). Mas, Jesus, em lugar de ser um juiz severo, é amigo de todos, “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), acolhe os pecadores e come com eles (Mc 2,16).

Jesus contesta João citando o profeta Isaias: “Vão e conte a João o que têm visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e uma boa nova chega aos pobres. E, além disso, feliz o que me encontra e não se confunde comigo!” (Mt 11,5-6;cf. Is 33,5-6;29,18). Resposta dura. Jesus diz à João que analise melhor as Escrituras para poder mudar a visão equivocada que tem do messias. 

João foi grande! O maior de todos! E o menor no Reino dos céus é maior que João. E o menor no Reino dos céus é maior que João. João é o maior, porque era o último do Antigo Testamento. Foi João quem, por sua fidelidade, pode por fim indicar ao povo o messias: “Este é o cordeiro de Deus” (Jo, 1,36), e a longa história iniciada com Abraão alcançou, por fim, seu objetivo. Mas, João não foi capaz de compreender o alcance da presença do Reino de Deus em Jesus. Ele tinha dúvidas: “É o Senhor ou temos que esperar outro?”. A história antiga, só ela, não comunica a pessoa luz suficiente para compreender toda a novidade da Boa Notícia de Deus que Jesus traz consigo. O Novo não entra no Antigo. Santo Agostinho dizia: “O Novo está escondido no Antigo. Porém o Antigo revela somente seu pleno significado no Novo”. Quem está com Jesus e vive com Ele, recebe Dele uma luz que novos olhos para descobrir um significado mais profundo no Velho. E qual é esta novidade?

Jesus oferece uma chave de leitura: “Com João Batista finalizaram os tempos da Lei e dos profetas, tempos da profecia e da espera. Entendam isto se puderem: Elias tinha de voltar, não é certo? Os que têm ouvidos que entenda!”. Jesus não explica, mas diz: “O que tem ouvido que entenda!”. Elias tinha que vir par preparar a chegada do Messias e reconstruir a comunidade: “Ele reconciliará os pais com os filhos e estes com suas mães” (Ml 3,24). João anunciou o Messias e procurou reconstruir a comunidade (Lc 1,17). Porém, não captava o mistério mais profundo da vida em comunidade. Somente Jesus a comunicou, anunciando que Deus é Pai e, por conseguinte, todos somos irmãos e irmãs. Este anúncio comporta uma nova força que nos faz capazes de superar divergências e de criar comunidade. 

Estes são os fortes que conseguem conquistar o Reino. O Reino não é uma doutrina, mas sim, um novo modo de viver como irmãos e irmãs, a partir do anúncio que Jesus faz: DEUS É PAI DE TODOS.


PARA REFLEXÃO PESSOAL


O Reino pertence aos fortes, isto é, pertence aos que como Jesus, tem a coragem de criar comunidade. Você também?
Jesus ajudou João a compreender melhor os fatos por meio da Bíblia. A Bíblia me ajuda a compreender melhor os fatos de minha vida?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 145,1-2)
Hoje refletirei em meus momentos de aridez e frieza espiritual e, os apresentarei a Deus em oração pedindo-lhe sua ajuda para ver o que de bom pode ser tirado desses momentos.