sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 28/02/14

SEXTA-FEIRA -28/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 5,9-12


Ainda que este texto de Tiago aborde dois dos temas que são recorrentes em nossa vida cotidiana: a murmuração e a confiança plena em nossas palavras, vamos focar nossa meditação no segundo tema, sobretudo, porque a credibilidade de nossa palavra está muito debilitada, tanto que com freqüência nos forçam a “jurar” para garantir qu o que dizemos é verdade. Hoje, pela forma em que o cristianismo tem se mundanizado, nossa palavra não tem credibilidade, de maneira que se um cristão afirma algo, o comum é que as pessoas duvidem que, ao menos seja “exatamente” como foi dito. O mundo deveria saber que em nós não cabe a mentira e que preferiríamos qualquer coisa antes de mentir. É dito que São Tomás foi vítima de brincadeiras por seus companheiros no convento. Diz-se que enquanto estudava foram dizer-lhe: ”Tomás, levanta-te, vem conosco, algumas vacas estão voando no pátio”. E Tomás nem devagar nem correndo foi ver “as vacas voando”. Quando chegou ao pátio, todos seus companheiros riram dele por sua inocência. Um dos professores lhe disse: “Tomás como você se deixa enganar por seus companheiros? Não vê que caçoam de ti?”. Ao que santo Tomás contestou: “É que para mim é mais fácil acreditar que umas vacas voem e, que meus companheiros me digam mentiras”. Devemos, pois, voltar a ter no cristianismo esta qualidade de vida, de honradez e veracidade em nossa palavra e que baste para nós, como cristãos dizermos: “SIM” ou “NÃO”. 


ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso e eterno: concede a teu povo que a meditação assídua de tua doutrina lhe ensine a cumprir de palavra e obra, o que a ti agrada. Por Nosso Senhor.



REFLEXÃO

Marcos 10,1-12


O evangelho de ontem trazia conselhos de Jesus sobre o relacionamento entre adultos e crianças, entre os grandes e os pequenos da sociedade. O evangelho de hoje traz conselhos sobre como deve ser o relacionamento entre homem e mulher, entre marido e mulher.

Marcos 10,1-2: A pergunta dos fariseus: “o marido pode mandar a mulher embora?”. A pergunta é maliciosa. Ela pretende colocar Jesus à prova: “É lícito a um marido repudiar sua mulher?”Sinal de que Jesus tinha uma opinião diferente, pois do contrário os fariseus não iriam interrogá-lo sobre este assunto. Não perguntam se é lícito a esposa repudiar o marido. Isto nem passava pela cabeça deles. Sinal claro da forte dominação machista e da marginalização da mulher na sociedade daquele tempo.

Marcos 10,3-9: A resposta de Jesus: o homem não pode repudiar a mulher. 
Em vez de responder, Jesus pergunta: “O que diz a lei de Moisés?” A lei permitia o homem escrever uma carta de divórcio e repudiar sua mulher. Esta permissão revela o machismo. O homem podia repudiar a mulher, mas a mulher não tinha este mesmo direito. Jesus explica que Moisés agiu assim por causa da dureza de coração do povo, mas a intenção de Deus era outra quando criou o ser humano. Jesus volta ao projeto do Criador e nega ao homem o direito de repudiar sua mulher. Ele tira o privilégio do homem frente à mulher e pede o máximo de igualdade entre os dois.

Marcos 10,10-12: Igualdade homem e mulher. Em casa, os discípulos fazem perguntas sobre este assunto. Jesus tira as conclusões e reafirma a igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher. Ele propõe um novo tipo de relacionamento entre os dois. Não permite o casamento em que o homem pode mandar a mulher embora, nem vice-versa. O evangelho de Mateus acrescenta um comentário dos discípulos sobre este assunto. Eles dizem: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar” (Mt 19,10). Preferem não casar, do que casar sem o privilégio de poder continuar mandando na mulher e sem o direito de poder pedir divórcio caso ela não lhe agradar mais. Jesus vai até o fundo da questão e diz que há somente três casos em que se permite uma pessoa não casar:“Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda” (Mt 19,11-12). Os três casos são: “(1) impotência, (2) castração e (3) por causa do Reino. Não casar só porque o homem se recusa a perder o domínio sobre a mulher, isto, a Nova Lei do Amor já não o permite! Tanto o casamento como o celibato, ambos devem estar a serviço do Reino e não a serviço de interesses egoístas. Nenhum dos dois pode ser motivo para manter o domínio machista do homem sobre a mulher. Jesus modificou o relacionamento homem-mulher, marido-esposa.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Na minha vida pessoal, como vivo o relacionamento homem-mulher?
Na vida da minha família e da minha comunidade, como está sendo o relacionamento homem-mulher?



ORAÇÃO FINAL 

(Sl 102, 8-9)
Hoje me tornarei mais consciente de cada palavra que digo, desde a menor como: “te vejo depois” até a mais séria; e colocarei tudo de minha parte para que cada coisa que diga hoje seja verdade. 





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 27/02/14

QUINTA-FEIRA -27/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 5,1-6


Esta é uma das passagens mais dura que encontramos na Sagrada Escritura sobre a justiça, especialmente dos que têm a seu cargo a distribuição das riquezas. Isto nos deve parecer estranho se considerarmos que Jesus, dedicou muitos de seus ensinamentos falando sobre o dinheiro. Isto é porque o dinheiro sempre compete com Ele. Em certa ocasião dizia Jesus: “Não podem servir a dois senhores, pois, com um vão ficar mal. Não podem servir a Deus e ao dinheiro”. E como vemos, não é que o dinheiro em si mesmo seja mal, mas sim, o que rouba o lugar de Deus e, com isso, corrompe nosso coração. Esta sempre será a nossa luta: dá o lugar que tem a Deus e às riquezas na nossa vida. Parece que existe dois elementos que temos que ter sempre enfocados, se não queremos que nossa vida se perca e se destrua: Um deles é a acumulação e a outra a falta de interesse pelos demais (provenientes do egoísmo). Devemos deixar que os bens fluam em nossa vida, que nossas mãos estejam furadas para que não possamos reter mais do que necessitamos para viver. Isto nos levará a colocarmos sapatos em nossos irmãos, pois sempre haverá gente que tem menos que os outros. Especialmente isto, como o texto de hoje, deve ter um lugar muito especial na consciência daqueles que têm sido abençoados por Deus com empresas e organizações as quais devem ser consideradas como meios de criação de riquezas PARA TODOS não só para o empresário. A justiça, no cristão deve sempre ir mais além de dar só para que se viva, mas, é preciso ver que nossa gente possa viver bem, com dignidade e como filhos de Deus. Tenhamos sempre adiante estas duas coisas e Deus abençoará ainda mais nossa vida.



ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso e eterno: concede a teu povo que a meditação assídua de tua doutrina lhe ensine a cumprir de palavra e obra, o que a ti agrada. Por Nosso Senhor.


REFLEXÃO

Marcos 9,41-50


O evangelho de hoje nos apresenta alguns conselhos de Jesus sobre a relação dos adultos com os pequenos e excluídos. Naquele tempo, muita gente pequena era excluída e marginalizada. Não podia participar. Muitos perdiam a fé. O texto que vamos meditar tem algumas afirmações estranhas que se tomadas ao pé da letra causam perplexidade nas pessoas.

Marcos 9,41: Um copo de água é recompensado. Aqui é inserida uma frase solta de Jesus: Em verdade vos digo: Qualquer um que dê de beber um copo de água porque sois de Cristo e levais seu nome, os asseguro que não ficará sem recompensa. Dois pensamentos: a)- “Qualquer um que dê um copo de água”: Jesus está indo para Jerusalém para entregar sua vida. Gesto de grande entrega! Porém, não esqueça os pequenos gestos de entrega do cotidiano: um copo de água, uma acolhida, uma esmola, tantos gestos. Quem despreza o ladrilho, nunca constrói uma casa! b)- “Porque sois de Cristo”: Jesus se identifica como nós que queremos pertencer a Ele. Isto significa que, para Ele, temos muito valor. 

Marcos 9,42: Escândalo para os pequenos. Escândalo, literalmente, é a pedra no caminho, pedra no sapato; é aquilo que desvia uma pessoa do bom caminho. Escandalizar os pequenos é ser motivo pelo qual os pequenos se desviam do caminho e perdem a fé em Deus. Quem faz isto recebe a seguinte sentença: “Amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e ser jogado no mar!”. Por que tanta severidade? Porque Jesus se identifica com os pequenos? Qual faz algo a eles, o faz para Jesus! Hoje, no mundo inteiro, os pequenos, os pobres, muitos deles estão indo para as igrejas tradicionais. Cada ano, somente na América Latina, quase três milhões de pessoas migram para outras igrejas. Não conseguem acreditar no que professamos em nossa igreja! Por que será? Até onde temos culpa? Merecemos a pedra de moinho no pescoço? 

Marcos 9,43-48: Cortar a mão e o pé, arrancar o olho. Jesus manda a pessoa que arranque a mão, o pé, o olho, em caso de ser motivo de escândalo. Disse: “É melhor entrar para a vida ou no Reino com um pé (mão, olho), que entrar no inferno com os dois pés (mãos, olhos)”. Estas frases não podem ser tomadas ao pé da letra. Significam que uma pessoa tem que ser radical na opção por Deus e pelo Evangelho. A expressão “Geena (inferno) onde o verme não morre e o fogo não se apaga”, é uma imagem para indicar a situação da pessoa que fica sem Deus. A “Geena” era o nome de um vale próximo de Jerusalém, onde se jogava o lixo da cidade e onde sempre havia um fogo que queimava o lixo. Este lugar causava náuseas e para as pessoas era símbolo da situação de uma pessoa que deixava de participar do Reino de Deus.

Marcos 9,49-50: Sal e Paz. Estes dois versículos ajudam a entender as palavras severas sobre o escândalo. Jesus disse: “Tende sal em vós e tende paz uns com os outros!”. Uma comunidade na qual se vive em paz, uns com os outros, é como um pouco de sal que dá gosto a toda comida. A convivência pacífica e fraterna na comunidade é o sal que dá gosto a toda a vida das pessoas no bairro. É um sinal do Reino, uma revelação da Boa Noticia de Deus. Estamos sendo sal? Sal que não dá gosto, não serve para nada!

Jesus acolhe e defende a vida dos pequenos. Várias vezes, Jesus insiste na acolhida que é preciso dar aos pequenos. “Quem acolhe um destes pequenos em meu nome, é a mim que acolhe”. Quem dá um copo de água a um destes pequenos não perderá sua recompensa. Ele pede que não desprezem os pequenos. E no juízo final os justos serão recebidos porque deram de comer “a um destes pequeninos”. Se Jesus insiste tanto na acolhida que se precisa dar aos pequenos, é porque provavelmente havia muita gente pequena que não era acolhida! De fato, muitas mulheres, muitas crianças não eram contadas, eram desprezadas e silenciadas. Até os apóstolos impediam que chegassem próximos de Jesus. Em nome da lei de Deus, mal interpretada pelas autoridades da época, muitas pessoas boas eram excluídas. Em vez de acolher os excluídos, a lei era usada para legitimar a exclusão. Nos evangelhos, a expressão “pequenos” (em grego se diz elachistoi, mikroi onepiol), às vezes, indica “crianças”, outras vezes indica os setores excluídos da sociedade. Não é fácil discernir. Às vezes o que é “pequeno” é um evangelho, é “criança” em outro. Porque as crianças pertenciam a categoria dos “pequenos”, dos excluídos. Além disso, nem sempre é fácil discernir entre o que vem do tempo de Jesus e o que vem do tempo das comunidades para as quais os evangelhos foram escritos. Ainda assim, o que fica claro é o contexto de exclusão que estava presente na época e na imagem que as primeiras comunidades conservaram de Jesus: Jesus se coloca do lado dos pequenos, dos excluídos, e assume sua defesa.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Em nossa sociedade e em nossa comunidade, quem hoje são os pequenos e os excluídos? Como está sendo a acolhida que lhes damos?
“Corda no pescoço”. Meu comportamento merece uma corda ou uma cordinha no pescoço? E o comportamento de nossa comunidade: o que é que merece?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 103,3-4)
Hoje compartilharei algo meu com um irmão necessitado: seja roupa, comida, dinheiro ou bens que realmente sejam úteis.




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 26/02/14

QUARTA-FEIRA -26/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 4,13-17


Como são sábias estas palavras do Apóstolo em nossa Geração “Tecnológica” na qual, muitos de nossos irmãos têm acreditado na mentira do mundo, e pensam poderem realizar sua Vida com suas próprias forças, à margem de Deus. Esta Geração paga a si mesma, acredita que tudo pode e, pensa que é capaz de conhecer até o mais profundo segredo da vida e Governar o Universo com um desejo seu, esquecendo-se das regras e princípios básicos que o próprio Deus criou. É uma passagem que exorta a confiança na dependência e reconhece Deus verdadeiramente como o reitor de tudo o que criou, ou o pecado no qual não se pode fazer nada. Devemos, pois, reconhecer nossa dependência de Deus, a necessidade de seu poder para realizar nossa vida e de construir nosso mundo. Deixe de lado tua auto-suficiência e verá que é muito mais fácil construir a vida e nosso mundo com o poder de Deus.


ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso e eterno: concede a teu povo que a meditação assídua de tua doutrina lhe ensine a cumprir de palavra e obra, o que a ti agrada. Por Nosso Senhor.


REFLEXÃO

Marcos 9,38-40


Hoje o evangelho nos apresenta um belo e atual exemplo da pedagogia de Jesus. Mostra-nos que Ele ajudava seus discípulos a perceber e a superar a “levedura dos fariseus e de Herodes”.

Marcos 9,38-40: A mentalidade da exclusão: “não está conosco!”. Alguém que não era da comunidade usava o nome de Jesus para expulsar os demônios. João, o discípulo, vê e proíbe: “Vamos impedi-lo, porque não está conosco!”. Em nome da comunidade impede que o outro possa fazer uma boa ação! Por ser discípulo, ele pensa ter o monopólio sobre Jesus e, por isto, quer proibir que outros usem o nome de Jesus para realizar o bem. Era a mentalidade fechada e antiga do “Povo eleito, Povo separado!”. Jesus responde: “Não o impeça, pois não existe ninguém que opere um milagre invocando meu nome e que logo seja capaz de falar mal de mim. Pois, o que não está contra nós, está a nosso favor” (Mc 9,40). Dificilmente é possível encontrar uma afirmação mais ecumênica que esta afirmação de Jesus. Para Jesus, o que importa não é se a pessoa faz ou não faz parte da comunidade, porém se faz ou não o bem que a comunidade deve realizar. 

Um retrato de Jesus como formador de seus discípulos. Jesus, o Mestre, é o eixo o centro e o modelo de formação dada aos discípulos. Por suas atitudes, é uma mostra do Reino, encarna o amor de Deus e o revela. Muitos pequenos gestos refletem este testemunho de vida com que Jesus marcava sua presença na vida dos discípulos e das discípulas, preparando-os para a vida e a missão. Era sua maneira de dar forma humana à experiência que Ele próprio tinha de Deus como Pai. Eis aqui um retrato de Jesus como formador de seus discípulos:



• Os envolve na missão (Mc 6,7;Lc 9,1-2;10-1),
• Ao voltar, faz revisão com eles (Lc 10,17-20),
• Os corrige quando se equivocam e querem ser os primeiros (Mc 9,33-35;10,14-15),
• Espera o momento oportuno para corrigir (Lc 9,46-48; Mc 10,14-15).
• Os ajuda a discernir (Mc 9,28-29),
• Os interpela quando são lentos (Mc 4,13;8,14-21),
• Os prepara para o conflito (Jo 16,33;Mt 10,17-25),
• Os manda observar a realidade (Mc 8,27-29; Jo 4,35; Mt 16,1-3),
• Reflete com eles sobre as questões do momento (Lc 13,1-5),
• Os confronta com as necessidades das pessoas (Jo 6,5),
• Ensina-lhes que as necessidades das pessoas estão acima das prescrições rituais (Mt 12,7.12),
• Tem momentos só com eles para poder instruí-los (Mc 4,34;7,17;9,30-31;10,10;13,3),
• Sabe ouvir, ainda quando o diálogo é difícil (Jo 4,7-42),
• Os ajuda a aceitarem-se a si mesmos (Lc 22,32),
• É exigente e pede que deixem tudo por amor a Ele (Mc 10,17-31),
• É severo com a hipocrisia (Lc 11,37-53),
• Faz mais perguntas que dar respostas (Mc 8,17-21),
• É firme e não se deixa desviar pelo caminho (Mc 8,33; Lc 9,54), 
• Os prepara para o conflito e para a perseguição (Mt 10,16-25).

A formação não era, em primeiro lugar, a transmissão de verdades que tinham que aprender de memória, mas sim, uma comunicação da nova experiência de Deus e da vida que irradiava de Jesus para seus discípulos e discípulas. A comunidade que se formava ao redor de Jesus era a expressão desta nova experiência. A formação levava as pessoas a ter outros olhos, outras atitudes. Fazia nascer nelas uma nova consciência a respeito da missão e, a respeito de si mesma. Fazia que fossem colocando os pés ao lado dos excluídos. Produzia, depois de pouco tempo, uma “conversão” como conseqüência da aceitação da Boa Nova (Mc 1,15).




PARA REFLEXÃO PESSOAL

O que é que significa hoje, no século XXI, para mim, para nós, a afirmação de Jesus que diz: Quem não está contra nós, está a nosso favor?
Como acontece a formação de Jesus em minha vida?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 48)
Hoje para cada coisa que fizer diga: “Se Deus quiser” ou “Se Deus me permitir” para não esquecer e dar testemunho aos demais de que sua vida depende de Deus.






terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 25/02/14


TERÇA-FEIRA -25/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 4,1-10


Hoje a liturgia toca em um tema muito atual: a amizade com o mundo. Em sua primeira carta João trata com muita profundidade este ponto, pois, é vital para a vida cristã. Em concordância com o que diz Tiago, o apóstolo Paulo, em sua primeira carta a Timóteo no diz que a origem de todos os males é o amor ao dinheiro, pois, esta é a causa das invejas e de todo tipo de rivalidades. É incrível o poder que tem este instrumento do demônio para destruir nossa vida e a dos demais. Pareceria incrível que famílias que tenham levado uma vida de unidade, no momento da morte do pai ou da mãe, na luta pela herança terminam destruindo completamente a relação entre todos os irmãos. O cristão é chamado a dar, a compartilhar com os demais. Isto é, o que nasce do Espírito Santo. Entretanto, nossa natureza egoísta procura o contrário e termina por destruir-nos. É uma forte tentação o afã de possuir, de enriquecer-se e de não compartilhar o que se tem. Por isso, o apóstolo, hoje termina convidando a resistir esta tentação e a deixar que seja o espírito de generosidade quem guie toda nossa vida. Se, pensamos que tudo vem de Deus, para que ficar preocupado com o comeremos ou com o que vestiremos. Busquemos melhor o Reino e resto nos virá por acréscimo.



ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso e eterno: concede a teu povo que a meditação assídua de tua doutrina lhe ensine a cumprir de palavra e obra, o que a ti agrada. Por Nosso Senhor.



REFLEXÃO

Marcos 9,30-37


Hoje o evangelho nos apresenta o segundo anuncio da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Como no primeiro anuncio (Mc 8,27-38), os discípulos ficam espantados e com medo. Não entendem a palavra sobre a cruz, porque não são capazes de entender nem aceitar um Messias que se faz servo dos irmãos. Eles continuam sonhando com um messias “glorioso” e mostram, além disso, uma grande incoerência. Enquanto Jesus anuncia sua Paixão e Morte, eles discutem entre si qual deles é o maior. Jesus quer servir, eles só pensam em mandar! A ambição os leva a auto promover-se à custa de Jesus. Até hoje, aqui e ali, o mesmo desejo de autopromoção aparece em nossas comunidades.

Tanto na época de Jesus, como na época de Marcos, havia a “levedura” da ideologia dominante. Hoje também, a ideologia das propagandas do comércio, do consumismo, das novelas influi profundamente na maneira de pensar e agir das pessoas. Na época de Marcos, nem sempre as comunidades eram capazes de manter uma atitude crítica frente a invasão do Império Romano. E hoje?

Marcos 9.30-32: O ANUNCIO DA CRUZ. Jesus caminha pela Galiléia, porém, não quer que as pessoas fiquem sabendo, pois, está ocupado com a formação dos discípulos e conversa com eles sobre a Cruz. Diz que, conforme a profecia de Isaias (Is 53,1-10), o Filho do Homem devia ser entregue e condenado à morte. Isto indica que Jesus se deixava orientar pela Bíblia, tanto na realização de sua própria missão, como na formação dada aos discípulos. Ele tirava seu ensinamento das profecias. Como no primeiro anuncio (Mc 8,32), os discípulos o ouviam, porém, não entendiam a palavra sobre a Cruz. Mas, tampouco, pedem explicações. Têm medo de deixar transparecer sua ignorância!

Marcos 9,33-34: A MENTALIDADE DE COMPETIÇÃO. Ao chegar em casa, Jesus pergunta: “O que discutiam pelo caminho?”. Eles não respondem. É o silêncio de quem se sente culpado, “pois pelo caminho haviam discutido entre si quem era o maior”. Jesus é um ótimo pedagogo. Não intervêm imediatamente. Sabe esperar o momento para lutar contra a influência da ideologia em seus formandos. A mentalidade de competição e de prestígio, que caracterizava a sociedade do Império Romano, já se infiltrava na pequena comunidade que estava a ponto de começar! Aqui aparece o contraste, a incoerência: enquanto Jesus se preocupa em ser o Messias Servo, eles só pensam em ser o “maior”. Jesus que descer. E eles querem subir!

Marcos 9,35-37: SERVIR, EM VEZ DE MANDAR. A resposta de Jesus é um resumo do testemunho de vida que Ele próprio vinha dando desde o começo: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos, o servo de todos!”. Pois, o último não ganha prêmio nem recompensa. É um servo inútil (cf. Lc 17,10). O poder deve ser usado não para subir e dominar, mas sim, para descer e servir. Este é o ponto em que Jesus mais insistia e do qual mais deu testemunho (cf. Mc 10,45; Mt 20,28; Jn 13,1-16). Em seguida, Jesus coloca uma criança no meio deles. Uma pessoa que só pensa em subir e em dominar, não prestaria grande atenção nos pequenos. Porém, Jesus inverte tudo! Diz: “Quem recebe a um destes pequenos em meu nome, é a mim que recebe. Quem me recebe, recebe àquele que me enviou!”. Ele se identifica com as crianças. Quem acolhe os pequenos em nome de Jesus, acolhe o próprio Deus.

Não é pelo fato de que uma pessoa “siga Jesus” já seja santa e renovada. No meio dos discípulos, já existia a levedura de Herodes e dos fariseus (Mc 8,15), virava a cabeça. No episódio do evangelho de hoje, Jesus aparece como o mestre que forma seus seguidores. “Seguir” era um termo que fazia parte do sistema educativo da época. Era usado para indicar a relação entre discípulo e mestre. A relação mestre-discípulo é diferente da relação professor-aluno. Os alunos assistem as explicações do professor sobre uma determinada matéria. Os discípulos “seguem” o mestre e convivem com ele, vinte e quatro horas ao dia. Foi nesta “convivência” de três anos com Jesus, que os discípulos e as discípulas receberam sua formação. O evangelho de amanhã nos dará outro exemplo muito concreto de como Jesus formava seus discípulos.





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus que descer e servir. Os discípulos querem subir e dominar. Eu? Qual é a motivação mais profunda de meu “eu” desconhecido?
Seguir Jesus e estar com Ele, vinte e quatro horas, e deixar que seu modo de viver transforme meu modo de viver e conviver. Está ocorrendo isto em mim?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 19,15) 
Hoje compartilharei meu pão com o faminto, ou, meu tempo com os que me tem procurado.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 24/02/14

SEGUNDA-FEIRA -24/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 3,13-18


No mundo das universidades, e em geral em nosso meio, é fácil confundir a sabedoria com a inteligência, quando estas duas coisas são totalmente distintas, já que a inteligência tem que ver com nossas capacidades mentais, enquanto que a sabedoria tem sua fonte no próprio Deus. A primeira nos ajuda a destacar na escola e em geral no mundo, enquanto que a segunda é realmente a fonte da felicidade, como vemos no texto que hoje nos apresenta a liturgia. Hoje vejo como existe muita gente que passa horas nas bibliotecas, estudando, investigando, gente que busca por diferentes formas sobressair intelectualmente e ter um maior conhecimento do mundo para ir galgando postos na sociedade e no governo, mais importante e melhor remunerados, e não é que isto é mal, o problema reside nas muitas pessoas que pouco ou nada dedicam de seu tempo para complementar esta inteligência das coisas, com a sabedoria divina, dedicam pouco tempo à oração e à meditação da Palavra de Deus. Isto faz com que suas decisões não cooperem para o enriquecimento da sociedade e, sobretudo, para criar um mundo onde exista mais amor, mais paz e mais justiça. É, pois, importante crescer no conhecimento humano, porém, é mais importante crescer na sabedoria divina, pois esta, no final do dia, é a que nos proporcionará os critérios que manterão no equilíbrio nossa vida e nos permitirão conhecer o pensamento de Deus. Assim, pois, balanceia adequadamente tua vida.




ORAÇÃO INICIAL 

Deus todo poderoso e eterno: concede a teu povo que a meditação assídua de tua doutrina lhe ensine a cumprir de palavra e obra, o que a ti agrada. Por Nosso Senhor.



REFLEXÃO

Marcos 9,14-29


O evangelho de hoje informa que os discípulos de Jesus não foram capazes de expulsar o demônio do corpo de um menino. O poder do mal foi maior que sua capacidade. Hoje também, existem muitos males que são maiores que nossa capacidade de enfrentá-los: violência, drogas, guerras, dores, falta de emprego, terrorismo, etc. Fazemos um grande esforço, porém, parece que ao invés de melhorar o mundo fica pior ainda. O que adianta lutar? Com esta pergunta na cabeça vamos ler e meditar o evangelho de hoje.

Marcos 9,14-22: A SITUAÇÃO DAS PESSOAS: desespero sem solução. Ao descer do monte da Transfiguração, Jesus encontra muita gente ao redor dos discípulos. Um pai estava desesperado, pois, um espírito mudo havia se apoderado de seu filho. Com muitos detalhes, Marcos descreve a situação do garoto possuído, a angústia do pai, a incapacidade dos discípulos e a reação de Jesus. O que mais chama atenção são duas coisas: por um lado, a confusão e a impotência das pessoas e dos discípulos diante do fenômeno da possessão e, por outro, o poder de Jesus e o poder da fé em Jesus diante da qual o demônio perde toda sua influência. O pai havia pedido aos discípulos que expulsassem o demônio do menino, porém, eles não foram capazes. Jesus se impacientou e disse: “Oh geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei que suportá-los? Tragam-no!”. Jesus pergunta pela doença do garoto. Pela resposta do pai, Jesus se intera de que o menino, “desde pequeno”, tinha uma enfermidade grave que o colocava em perigo de vida. O pai pede: “Se podes, ajude-nos, compadeça-te de nós!”. A frase do pai expressa a situação bem real das pessoas: (a)-têm fé, (b)-está sem condições para resolver os problemas, porém (c)-têm muita boa vontade para acertar.

Marcos 9,23-27: A RESPOSTA DE JESUS: o caminho da fé. O pai havia dito: “Se podes…!”. Jesus não gostou desta afirmação: “Se o senhor pode…”. Esta condição não podia colocar-se, pois, “tudo é possível àquele que tem fé”. O pai responde: Eu creio Senhor, ajude minha pouca fé! A resposta do pai ocupa um lugar central neste episódio. Mostra como tem de ser a atitude do discípulo que, apesar de seus limites e duvidas, quer ser fiel. Vendo que vinha muita gente, Jesus agiu rapidamente. Ordenou ao espírito que saísse do menino e não voltasse “nunca mais!”. Sinal do poder de Jesus sobre o mal. Sinal também de que Jesus não queria propaganda popular.

Marcos 9,28-29: APROFUNDAMENTO COM OS DISCÍPULOS. Em casa, os discípulos querem saber por que é que não foram capazes de expulsar o demônio. Jesus responde: Esta classe de demônio não pode ser tirada com nada, apenas com a oração. Fé e oração andam juntas. Uma sem a outra não existe. Os discípulos haviam piorado. Antes eles haviam sido capazes de expulsar demônios (cf. Mc 6,7.13). Agora, não conseguem mais. O que é que lhes falta? Fé e oração? Por que é que faltava? São perguntas que saem do texto e entram em nossa cabeça para que também nós façamos uma revisão em nossa vida.

A EXPULSÃO DOS DEMÔNIOS NO EVANGELHO DE MARCOS. No tempo de Jesus, muita gente falava de Satanás e de expulsão de demônios. Havia muito medo, e havia pessoas que exploravam o medo do povo. O poder do mal tem muitos nomes. Demônio, Diabo, Belzebu, Príncipe dos Demônios, Satanás, Dragão, Dominações, Poderes, Potestades, Soberania, Besta-Fera, Lúcifer, etc. (cf. Mc 3,22.23; Mt 4,1; Ap 12,9; Rm 8,38; Ef 1,21). Hoje, entre nós, o poder do mal tem também muitos nomes. Basta consultar no dicionário e a palavra Diabo ou Demônio. Hoje também, muita gente desonesta enriquece, explorando o medo que outros têm do demônio. Agora, um dos objetivos da Boa Nova de Jesus é, precisamente, ajudar as pessoas a libertarem-se deste medo. A chegada do Reino de Deus significa a chegada de um poder mais forte. O homem forte era uma imagem para designar o poder do mal que mantinha o povo dentro do cárcere do medo (Mc 3,27). O poder do mal oprime as pessoas e as aliena de si mesma. Faz com que vivam no medo e na morte (cf. Mc 5,2). É um poder tão forte que ninguém consegue agarrá-lo (cf. Mc 5,4). O império romano, com suas “Legiões” (cf. Mc 5,9), isto é, com seus exércitos, era um instrumento usado para manter esta situação de opressão. Mas, Jesus é um homem mais forte que vence, agarra e expulsa o poder do mal! Na carta aos Romanos, o apóstolo Paulo faz uma enumeração de todos os possíveis poderes do demônio que poderiam ameaçar-nos, e resume tudo da seguinte maneira: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem criatura alguma nos separaram do amor de Deus que tem se manifestado em Cristo Jesus nosso Senhor!” (Rm 8,38-39). Nada! E as primeiras palavras de Jesus depois da ressurreição são estas: “Não temais! Alegrai-vos! Não tenhais medo! A paz esteja convosco!” (Mc 16,6; Mt 28,9.10; Lc 24,36; Jo 20,21).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Tens vivido uma experiência de impotência diante do mal e da violência? Tens sido uma experiência só tua ou também da comunidade? Como a venceste e reencontraste a ti mesmo?
Qual é a classe de poder do mal que, hoje, pode se tirada só com muita oração?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 19,8) 
Hoje, em cada situação que me apresentar, perguntarei como Deus entende isto? Como Deus vê isto? Como Deus sente isto? O que é que faria Jesus em meu lugar? E assim procurarei trabalhar em tudo conforme sua sabedoria. 






sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 21/02/14


SEXTA-FEIRA -21/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 2,14-24.26


Um dos grandes debates com os irmãos separados é a INUTILIDADE DAS OBRAS para a salvação. Nesta passagem da Escritura vemos que as duas coisas estão intimamente ligadas, de maneira que não se pode falar de fé sem obras, nem tampouco, se pode falar das obras sem a fé. O apóstolo é claro ao dizer que a fé sem obras é uma fé morta, e que por outro lado as obras são o fruto da fé. As duas coisas, então, são necessárias para a salvação e para a perfeição cristã. Por isso devemos procurar, mediante a oração, que cresça em nós a fé; e ao mesmo tempo devemos exercitar-nos nas boas obras para que nestas se faça visível nossa fé e vá se aperfeiçoando. É assim que, se dizemos que acreditamos em Cristo, nossa vida deve ser congruente com nossa fé. Lembremos que o Senhor nos disse: “Por seus frutos o conhecerão!”. Procure, pois, que tua vida dê testemunho daquilo que acredita e ao mesmo tempo busque aprofundar cada dia mais em tua fé.



ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tem prazer em habitar nos retos e simples de coração, concede-nos viver por tua graça de tal maneira, que mereçamos ter-te sempre conosco. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

Marcos 8,34-9,1



O evangelho de hoje apresenta as condições para poder seguir Jesus. Pedro não entendeu a proposta de Jesus quando este lhe falou do sofrimento e da cruz. Pedro aceita Jesus como messias, porém, não como messias sofredor. Diante da incompreensão de Pedro, Jesus descreve o anuncio da Cruz e explica o significado da cruz para a vida dos discípulos (Mc 8,27 a 9,1).

CONTEXTO HISTÓRICO DE MARCOS: Nos anos 70, quando Marcos escreve, a situação das comunidades não era fácil. Havia muito sofrimento, muitas cruzes. Seis anos antes, em 64, o imperador Nero havia decretado a primeira grande perseguição, matando muitos cristãos. No ano 70, na Palestina, Jerusalém estava sendo destruída pelos romanos. Em outros países, estava começando uma tensão forte entre judeus convertidos e judeus não convertidos. A dificuldade maior era a Cruz de Jesus. Os judeus pensavam que um crucificado não podia ser o messias, pois, a lei afirmava que todo crucificado devia ser considerado como um maldito de Deus (Dt 21,22-23).

Marcos 8,34-37: CONDIÇÕES PARA SEGUIR JESUS. Jesus tira as conclusões que valiam para os discípulos, para os cristãos do tempo de Marcos e para nós que vivemos hoje: Se alguém quer vir após mim, tome sua cruz e siga-me. Naquele tempo, a cruz era a pena de morte que o império impunha aos marginalizados. Tomar a cruz e carregá-la após Jesus era o mesmo que aceitar ser marginalizado pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. A Cruz de Jesus não é fruto do fatalismo da história, nem é uma exigência do Pai. A Cruz é a conseqüência do compromisso livremente assumido por Jesus de revelar a Boa Nova de que Jesus é Pai e que, por conseguinte, todos e todas devem ser aceitos e tratados como irmãos e irmãs. Por este anuncio, Ele foi perseguido e não teve medo de dar sua vida. Não existe prova maior de amor que dar a vida pelos irmãos. Em seguida, Marcos, acrescenta aqui duas frases soltas.

Marcos 8,38-9,1: DUAS FRASES SOLTAS: UMA EXIGENCIA E UM AVISO. A primeira (Mc 8,38), é a exigência para não envergonhar-se do Evangelho, e ter a coragem de professá-lo. A segunda (Mc 9,1), é um aviso sobre a vinda ou a presença de Jesus nos fatos da vida. Alguns pensavam que Jesus viria logo ((1Ts 4,15-18). Jesus, de fato, já havia vindo e estava presente nas pessoas, sobretudo, nos pobres. Porém eles não percebiam. O próprio Jesus havia dito: “Quando ajudastes o pobre, o enfermo, o sem casa, o preso, o peregrino, era Eu!” (Mt 23,34-45).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Qual é a cruz que pesa sobre mim e que torna pesada minha vida? Como eu a levo?
Ganhar a vida ou perder a vida, ganhar o mundo inteiro ou perder a própria alma; envergonhar-se do evangelho ou professá-lo publicamente. Como isto acontece em minha vida?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO (112,1-2)
Hoje prestarei atenção no Evangelho ou em alguma Palavra do Senhor, tirarei os conselhos específicos e me esforçarei para convertê-los em ação.




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 20/02/14


QUINTA-FEIRA -20/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 2,1-9

Algo que fere sensivelmente o homem e a sociedade é a discriminação. Isto, ainda que, pareça um tema superado, não o é de todo, não só em nossa sociedade, mas, inclusive em nossa própria comunidade cristã. É questionável que, depois de quase 2000 anos de cristianismo, ainda não tenhamos aprendido a valorizar às pessoas pelo que são e que nos deixemos levar pelas aparências. Não falta reunião, ainda do tipo social-cristã, onde se vê a preferência pelas pessoas melhor vestidas, fazendo com eles tomem os melhores assentos. É triste, que em muitas de nossas casas, as pessoas que ajudam com o serviço doméstico sejam menos valorizadas e tratadas como pessoas de outra categoria. Jesus já nos havia dito: “quando der uma festa convide os pobres, pois, eles não podem pagar-te, assim terás teu prêmio no céu”. Não coloque teus olhos nas aparências, mas, busque dar aos pobres a dignidade e o lugar que Jesus lhe deu… isto é, o primeiro lugar.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tem prazer em habitar nos retos e simples de coração, concede-nos viver por tua graça de tal maneira, que mereçamos ter-te sempre conosco. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 8,27-33


O evangelho de hoje fala da cegueira de Pedro que não entende a proposta de Jesus quando fala do sofrimento e de cruz. Pedro aceita Jesus como messias, porém, não como messias sofredor. Está influenciado pela “levedura de Herodes e dos fariseus”, isto é, pela propaganda do governo da época que falava só do messias como rei glorioso. Para entender bem todo o alcance desta cegueira de Pedro é importante colocá-la em seu contexto literário.

CONTEXTO LITERÁRIO: O evangelho de Marcos trás três anúncios da paixão e morte de Jesus: o primeiro em Mc 8,27-38, o segundo em Mc 9,30-37 e o terceiro em Mc 10,32-45. Este conjunto, que vai de Mc 8,27 a Mc 10,45, é uma longa instrução de Jesus aos discípulos para ajuda-los a superar a crise provocada pela Cruz. A instrução é introduzida pela cura de um cego (Mc 8,22-26) e, em definitivo, é encerrada pela cura de um cego (Mc 10,46-52). Os dois cegos representam uma cegueira de dois discípulos. A cura do primeiro cego foi difícil. Jesus teve que realiza-la em duas etapas. Também foi difícil a cura da cegueira dos discípulos. Jesus teve que fazer uma longa explicação a respeito do significado da Cruz, para ajudá-los a perceber algo, pois, era a cruz que estava provocando neles a cegueira. Vejamos a cura do primeiro cego:

Marcos 8,22-26: A PRIMEIRA CURA DO CEGO. Um cego pede a Jesus que o cure. Jesus o cura, porém, de forma diferente. Primeiro, o leva para fora da aldeia. Em seguida “cospe” em seus olhos, impõe as mãos e pergunta: Vê algo? Vejo pessoas, parecem árvores que andam. Percebe só uma parte. Confunde árvores com pessoas, ou pessoas com árvores. Somente na segunda tentativa Jesus o cura. Esta descrição da cura do cego introduz a instrução aos discípulos. Na realidade, o cego era Pedro. Ele aceitava Jesus como messias, mas, somente como messias glorioso. Percebia somente uma parte! Não queria o compromisso da Cruz.

Marcos 8,27-30. DESCOBRINDO A REALIDADE: O que é que dizem os homens que sou? Jesus pergunta. Eles respondem relatando as diversas opiniões: -“João Batista”. –“Elias ou um dos profetas”. Depois de ouvir as opiniões dos demais, Jesus pergunta: “E vocês, que dizem que sou?”. Pedro respondeu: “É Senhor, o Cristo, o Messias!”. Isto é, o Senhor é aquele que o povo está esperando! Jesus concorda com Pedro, porém, lhe proíbe falar disto com as pessoas. Por que o proíbe? Naquele tempo todos esperavam a vinda do messias, porém, cada um a sua maneira: alguns como rei, outros como sacerdote, doutor, guerreiro, juiz, profeta! Ninguém parecia estar esperando o messias servidor, sofredor, anunciado por Isaias (Is 42,1-9).

Marcos 8,31-33. PRIMEIRO ANUNCIO DA PAIXÃO. Em seguida, Jesus começa a ensinar que Ele é o Messias Servo e afirma que como Messias Servo anunciado por Isaias, será condenado à morte no exercício de sua missão de justiça (Is 49,4-9; 53,1-12). Pedro se espanta, chama Jesus a um lugar separado para desaconselhar-lhe. E Jesus responde a Pedro: “Afasta-te de minha vista, Satanás, porque teus pensamentos não são os de Deus, mas, dos homens!”. Satanás é uma palavra hebraica que significa acusador, aquele que afasta os demais do caminho de Deus. Jesus não permite que alguém o afaste de sua missão. Literalmente o texto diz: “Para trás de mim, Satanás!”. Pedro deve seguir Jesus. Não deve inverter os papéis e pretender que Jesus o siga.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Todos nós acreditamos em Jesus. Porém alguns entendem Jesus de uma forma, outros de outra. Qual é a imagem comum que a gente tem de Jesus? Qual é a resposta que a gente daria hoje a pergunta de Jesus? Eu, que resposta daria?
O que é que nos impede de reconhecer Jesus como Messias?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 34,2-3)
Hoje repetirei com freqüência “O que fizeste ao menor de meus irmãos, foi a mim que fizeste!”.




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 19/02/14


QUARTA-FEIRA -19/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 1,19-27


Se o mundo cristão não é o que deveria ser, em grande parte se deve a que muitos de nós nos convertemos só em “ouvidores” da Palavra. É triste que nossos templos se em encham aos domingos de irmão que ao sair da celebração não se lembram nem do que trataram as leituras, e muito menos do que estas propunham como norma de ação. Desta maneira, é como se a água da chuva caísse sobre o deserto para finalmente regressar ao mar. E isto pode se por causa certamente de uma má instalação do equipamento de som, porém, mais parece que muitos destes irmãos estão unicamente esperando que acabe a celebração, foram simplesmente para cumprir com o preceito da missa dominical e não para encontrar-se com Jesus em sua Palavra. Lembremos que hoje nos disse o apóstolo que é precisamente em “praticar esta palavra” onde se encontra a verdadeira felicidade. Procure como Maria, cumprir sempre a vontade de Deus.



ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tem prazer em habitar nos retos e simples de coração, concede-nos viver por tua graça de tal maneira, que mereçamos ter-te sempre conosco. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 8,22-26


O evangelho de hoje conta a cura de um cego. Este episódio da cura constitui o inicio de um longo ensinamento de Jesus aos discípulos (Mc 8,27 a 10,45) que termina com a cura de outro cego (Mc 10,46-52). No meio deste contexto mais amplo Marcos sugere aos leitores que os cegos de verdade são Pedro e os demais discípulos. Somos todos nós! Eles não entendiam a proposta de Jesus quando falava do sofrimento da cruz. Pedro aceitava Jesus como messias, porém, não como um messias que sofre (Mc 8,27-33). Ele estava influenciado pela propaganda do governo da época que falava do messias como rei glorioso. Pedro parecia cego. Não entendia nada e queria que Jesus fosse como ele, Pedro, queria que fosse.

O evangelho de hoje mostra o quão difícil foi a cura do primeiro cego. Jesus teve que realizá-la em duas etapas. Igualmente foi difícil a cura da cegueira dos discípulos. Jesus teve que fazer uma longa explicação a respeito do significado da Cruz para ajudá-los a entender, porque era a cruz que estava causando neles esta cegueira.

No ano 70, quando Marcos escreve, a situação das comunidades não era fácil. Havia muito sofrimento, muitas cruzes. Seis anos antes, em 64, o imperador Nero havia decretado a primeira grande perseguição, matando muitos cristãos. No ano 70, na Palestina, Jerusalém estava sendo destruída pelos romanos. Em outros países, estava se instalando uma forte tensão entre judeus convertidos e judeus não convertidos. A dificuldade maior era a Cruz de Jesus. Os judeus pensavam que um crucificado não podia ser o messias tão esperado pelas pessoas, pois, a lei afirmava que todo crucificado devia ser considerado como um maldito de Deus (Dt 21,22-23).

Marcos 8,22-26: CURA DE UM CEGO. Levam-lhe um cego, pedindo a Jesus que o curasse. Jesus o cura, mas, de uma forma diferente. Primeiro, afasta-o do povo. Logo, lhe coloca saliva nos olhos, lhe impõe as mãos e lhe pergunta: Vês algo? E o homem lhe responde: Vejo os homens, mas os vejo como árvores, que andam! Via só parte. Trocava árvores por pessoas, e pessoas por árvores. Assim que Jesus o cura em sua segunda tentativa, lhe proíbe de entrar no povoado. Jesus não queria uma propaganda fácil.

Como diríamos esta descrição da cura do cego, é a introdução de um longo ensinamento de Jesus para curar a cegueira dos discípulos, e que no final termina com a cura de outro cego, Bartimeu. Na realidade o cego é Pedro. Somos todos nós. Pedro não queria o compromisso da Cruz! E nós entendemos o sofrimento na vida?

Entre as duas curas do cego (Mc 8,22-26 e Mc 10,46-52), está o longo ensinamento sobre a Cruz (Mc 8,27 a 10,45). Parece um catecismo, feito com frases e com frases de Jesus. Fala da cruz na vida do discípulo e da discípula. A longa instrução consta de três anúncios da paixão. O primeiro é Marcos 8,27-38. O segundo Marcos 9,30-37. O terceiro Marcos 10,32-45. Entre o primeiro e o segundo, existe uma série de ensinamentos para ajudar a entender que Jesus é o Messias Servo (Mc 9,1-29). Entre o segundo e o terceiro, uma série de ensinamentos que esclarecem que tipo de conversão tem que ocorrer na vida dos que aceitam Jesus como Messias Servo (Mc 9,38 e 10,31): (a)-Mc 8,22-26: a cura de um cego. (b)-Mc 8,27-38: primeiro anuncio da Cruz. (c)-Mc 9,1-29: as instruções aos discípulos sobre o Messias Servo. (d)-Mc 9,30-37: segundo anuncio da Cruz. (e)-Mc 9,38 a 10,31: instruções aos discípulos sobre a conversão. (f)-Mc 10,46-52: a cura do cego Bartimeu.

O conjunto de ensinamentos tem como pano de fundo a caminhada desde a Galiléia até Jerusalém. Desde o começo até o final desta longa instrução, Marcos informa que Jesus está a caminho de Jerusalém, onde a morte lhe espera (Mc 8,27;9,30.33; 10,1.17.32). O seguimento de Jesus não se entende por meio do ensinamento teórico, mas sim, por meio do compromisso prático, caminhando com Ele pelo caminho do serviço, desde a Galiléia até Jerusalém. Quem ensina em manter a idéia de Pedro, isto é, do Messias glorioso sem a cruz, não entenderá nada nunca e nunca chegará a tomar a atitude do verdadeiro discípulo. Continuará cego, trocando pessoas por árvores (Mc 8,24). Pois, sem a cruz é impossível entender quem é Jesus e o que significa seguir Jesus.

O caminho do seguimento é o caminho da entrega, do abandono, do serviço, da disponibilidade, da aceitação do conflito, sabendo que haverá ressurreição. A cruz não é um acidente no caminho, mas sim, parte do caminho. Pois, em um mundo organizado a partir do egoísmo, o amor e o serviço só podem existir crucificados! Quem faz de sua vida um serviço aos demais, incomoda aos que vivem agarrados aos privilégios, e sofre.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Todos nós acreditamos em Jesus. Porém, entendemos Jesus de formas distintas. Hoje qual é o Jesus mais comum na maneira de pensar das pessoas? Como a propaganda interfere em minha maneira de ver Jesus? O que faço para não cair na propaganda enganosa?
O que é que Jesus pede às pessoas que querem seguir-lhe? O que hoje nos impede de reconhecer e assumir o projeto de Jesus?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 15,1-3)
Farei uma leitura de um texto do evangelho e em oração tentarei descobrir o que é que Deus quer de mim.







terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 18/02/14


TERÇA-FEIRA -18/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 1,12-18

Esta passagem vem dissipar outra das concepções equivocadas, ou ao menos inadequadas sobre Deus, e é o fato de que Deus é o autor da tentação. O apóstolo Tiago nos afirma que não é Deus que nos coloca em tentação, já que isto seria como se Deus nos pusesse uma armadilha para ver o qual inteligente somos para poder evitá-la, com o grave risco de que caiamos nela. Se fosse este o pensamento e o agir de Deus, como poderíamos entender a passagem da Escritura que diz: “Deus não quer a morte do pecador, mas sim, que se converta e se salve”, ou aquela outra que em consonância com esta diz: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade?”. O pecado é uma realidade misteriosa que está em íntima relação com o demônio e com seus sequazes, que buscam a morte do homem e sua infelicidade na terra (e pode ser possível também na eternidade). Pelo contrário, Deus, procura nossa vida e felicidade. Deus nos ama de maneira infinita e fará sempre tudo o que nós lhe deixemos fazer, para levar-nos a conhecer seu amor e a felicidade plena que se pode viver Nele. Afasta-te das ocasiões de pecado, e serás fortalecido no momento em que se apresente a tentação.



ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tem prazer em habitar nos retos e simples de coração, concede-nos viver por tua graça de tal maneira, que mereçamos ter-te sempre conosco. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 8,14-21


O evangelho de ontem falava do mal entendido entre Jesus e os fariseus. O evangelho de hoje fala do mal entendido entre Jesus e os discípulos e mostra como a “levedura dos fariseus e de Herodes” (religião e governo), havia-se infiltrado também na cabeça dos discípulos até o ponto de não serem capazes de acolher a Boa Nova.

Marcos 8,14-16: CUIDADO COM A LEVEDURA DOS FARISEUS E DE HERODES. Jesus adverte aos discípulos: “Guardai-vos da levedura dos fariseus e de Herodes”. Mas, eles não entendiam as palavras de Jesus. Pensavam que falava assim porque haviam esquecido de comprar o pão. Jesus disse uma coisa e eles entenderam outra. Este desencontro era o resultado da influência insidiosa da “levedura dos fariseus” na cabeça e na vida dos discípulos.

Marcos 8,17-18: AS PERGUNTAS DE JESUS. Diante desta falta quase total de percepção dos discípulos, Jesus faz uma série de perguntas rápidas, sem esperar uma resposta. Perguntas duras que evocam coisas muito sérias e revelam uma total incompreensão por parte dos discípulos. Por incrível que pareça, os discípulos chegaram a um ponto em que não se diferenciavam dos inimigos de Jesus. Anteriormente, Jesus havia ficado triste com a “dureza de coração” dos fariseus e dos herodianos (Mc 3,5). Agora os próprios discípulos tinham um “coração endurecido” (Mc 8,17). Anteriormente, “os de fora” (Mc 4,11) não entendiam as parábolas, porque “tinham olhos e não viam ouvidos e não escutavam” (Mc 4,12). Agora, os próprios discípulos não entendiam nada, porque “tinham olhos e não viam ouvidos e não ouviam” (Mc 8,18). Além disso, a imagem do “coração endurecido” evocava a dureza do coração das pessoas do AT que sempre se desviava do caminho. Evocava o coração endurecido do faraó que oprimia e perseguia o povo (Ex 4,21; 7,13; 8,11.15.28; 9,7…). A expressão “tem olhos e não vêm, ouvidos e não ouvem” evocava não só a pessoa sem fé, criticada por Isaias (Is 6.9-10), mas também aos adoradores dos falsos deuses, dos quais o salmo dizia: “Tem olhos e não vêm, tem ouvidos e não ouvem” (Sl 115,5-6).

Marcos 18,21: AS DUAS PERGUNTAS SOBRE O PÃO. As duas perguntas finais são sobre a multiplicação dos pães. Quantos cestos sobraram da primeira vez? Doze! E da segunda? Sete!. Como os fariseus, os discípulos também, apesar de haver colaborado ativamente na multiplicação dos pães, não chegaram a compreender seu significado. Jesus termina: “Ainda não entenderam?”. A forma que Jesus tem de lançar estas perguntas, uma depois da outra, quase sem esperar resposta, parece uma ruptura. Revela um desencontro muito grande. Qual é a causa deste desencontro?

A CAUSA DO DESENCONTRO ENTRE JESUS E OS DISCÍPULOS. A causa deste desencontro não foi sua má vontade. Os discípulos não eram como os fariseus. Estes também não entendiam, porém, neles havia malícia. Serviam-se da religião para criticar e condenar Jesus (Mc 2,7.16.18.24; 3,5.22-30). Os discípulos, pelo contrário, era boa gente. Não tinham má vontade. Pois, ainda sendo vítimas da “levedura dos fariseus e dos herodianos”, não estavam interessados em defender o sistema dos fariseus e dos herodianos contra Jesus. Então, qual era a causa? A causa do desencontro entre Jesus e os discípulos tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas messiânicas. De acordo com as diversas interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (cf. Mc 15,9.32). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (cf. Mc 1,24). Outros um Messias Guerrilheiro subversivo (cf. Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros um Messias Doutor ( cf. Jo 4,25; Mc 1,22.27). Outros, um Messias Juiz (cf. Lc 3,5-9; Mc 1,8). Outros, um Messias Profeta (6,4; 14,65). Ao que parece ninguém esperava um Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaias (Is 42,1;49,3;52,13). Eles não davam valor a esperança messiânica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada qual, segundo seus próprios interesses e segundo sua classe social, esperava o Messias, querendo encaixá-lo em sua própria esperança. Por isto, o título Messias, dependia das pessoas ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita confusão de idéias! Nesta atitude de Servo que está a chave que vai acender a luz na escuridão dos discípulos e que os ajudará a converter-se. Somente aceitando o Messias como Servo sofredor de Isaias, eles serão capazes de abrir os olhos e compreender o Mistério de Deus em Jesus.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Hoje qual é a levedura dos fariseus e de Herodes para conosco? O que é que significa hoje, para mim, ter o “coração endurecido”?
A levedura de Herodes e dos fariseus impedia aos discípulos entender a Boa Nova. A propaganda da televisão nos impede hoje entender a Boa Nova de Jesus?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 94,18-19) 
Hoje farei um sacrifício de algum tipo, orarei mais e observarei com mais atenção quem me sonda e por quê? 






segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 17/02/14

SEGUNDA-FEIRA -17/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: Tiago 1,1-11

Um dos pensamentos comuns entre os irmãos é pensar que as provas, o sofrimento, e em geral, qualquer classe de inconveniência na vida, é um castigo de Deus o produto de um afastamento de Deus a respeito deles. Esta passagem do apóstolo Tiago nos esclarece que não é assim, já que estas experiências dolorosas é o elemento por meio do qual Deus “tempera” nossa fé e nosso caráter. É precisamente no meio das provas quando temos a oportunidade de provar verdadeiramente a Deus que nossa amizade não é uma amizade interessada, que somente se matem fiel nos momentos bons e agradáveis da vida, mas sim, precisamente nestes momentos difíceis, o continuamos considerando nosso amigo e nosso Senhor. São também estes momentos do qual Deus se faz presente com seu amor e misericórdia, dando-nos as graças necessárias para superá-los. É por isso, que como resultado destas ações (a de Deus e do homem), o cristão sai fortalecido em sua fé, sua esperança e sua caridade. Se vemos desta maneira as provas e dificuldades da vida, não cessaremos de dar graças a Deus pelas oportunidades que nos brinda para crescer em seu amor e madurar em nossa fé.


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor tu que tem prazer em habitar nos retos e simples de coração, concede-nos viver por tua graça de tal maneira, que mereçamos ter-te sempre conosco. Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 8,11-13

OS FARISEUS PEDEM UM SINAL DO CÉU. O evangelho de hoje apresenta uma discussão dos fariseus com Jesus. Como Moisés no Antigo Testamento, Jesus havia dado de comer ao povo no deserto, realizando a multiplicação dos pães (Mc 8,1-10). Sinal de que se apresentava diante do povo como um novo Moisés. Porém, os fariseus não foram capazes de perceber o significado da multiplicação dos pães. Começaram a discutir com Jesus e pedem um sinal “vindo do céu”. Não haviam entendido nada do que Jesus havia feito. “Jesus suspira profundamente”, provavelmente de desabafo e de tristeza diante de uma cegueira tão grande. E conclui “não se dará a esta geração nenhum sinal!”. Os deixou e se foi para outra margem do lago. Não serve de nada mostrar uma linda pintura a quem não quer abrir os olhos. Quem fecha os olhos não pode ver!

O PERIGO DA IDEOLOGIA DOMINANTE. Aqui se percebe claramente a “levedura de Herodes e dos fariseus” (Mc 8,15), a ideologia dominante da época, fazia as pessoas perderem a capacidade de analisar com objetividade os eventos. Essa levedura vinha de longe e afundava suas profundas raízes na vida das pessoas. Chegou a contaminar a mentalidade dos discípulos e neles se manifestava de muitas maneiras. Com a formação que Jesus lhes dava, Ele procurava lutar contra essa levedura e erradicá-la.

AQUI ALGUNS EXEMPLOS DESTA AJUDA FRATERNA DE JESUS AOS DISCÍPULOS. (a)-Mentalidade de grupo fechado. Certo dia, alguém que não era da comunidade, usou o nome de Jesus para expulsar demônios. João viu e proibiu: “Sim, o impedimos porque não é dos nossos” (Mc 9,38). João pensava ter monopólio sobre Jesus e queria proibir que outros usassem seu nome para fazer o bem. Queria uma comunidade fechada em si mesma. Era a levedura do “Povo eleito, Povo separado!”. Jesus responde: “Não o impeçais!… Quem não está contra está a nosso favor!” (Mc 9,39-40). (b)-Mentalidade de grupo que se considera superior aos outros. Uma vez, os samaritanos não quiseram acolher Jesus. A reação de alguns discípulos foi imediata: “Que um fogo do céu baixe sobre este povo!” (Lc 9,54). Pensavam que, pelo fato de estar com Jesus, todos deveriam acolhê-los. Era a levedura do “Povo eleito, Povo privilegiado!”. Jesus os repreende: “Vós não sabeis com que espírito está sendo animado!” (Lc 9,55). -(c)-Mentalidade de competição e de prestígio. Os discípulos discutiam entre eles para obter o primeiro posto (Mc 9,33-34). Era a levedura de classe e competitividade, que caracteriza a religião oficial e da sociedade do império Romano. Infiltrava-se já na pequena comunidade ao redor de Jesus. Jesus reage e manda ter a mentalidade contrária: “O primeiro seja o último” (Mc 9,35). (d)-Mentalidade de quem marginaliza o pequeno. Os discípulos afastavam as crianças. Era a levedura da mentalidade da época, segundo a qual elas não contavam e deviam ser disciplinadas pelos adultos: “Quem não recebe o Reino como uma criança, não pode entrar no Reino” (Lc 18,17).

Como no tempo de Jesus, hoje também a mentalidade neoliberal da ideologia dominante renasce e reaparece até na vida das comunidades e das famílias. A leitura orante do evangelho, feita em comunidade, pode ajudar-nos a mudar em nós a visão das coisas e aprofundar em nós a conversão da fidelidade que Jesus nos pede.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Diante da alternativa: ter fé em Jesus ou pedir um sinal do céu, os fariseus queriam um sinal do céu. Não foram capazes de acreditar em Jesus. Já ocorreu algo assim em mim? O que escolhi?
A levedura dos fariseus impedia aos discípulos e as discípulas perceberem a presença do Reino de Deus. Existe em mim algum resto desta levedura dos fariseus?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 119,68) 
Hoje orarei várias vezes ao longo do dia com o texto da Sabedoria 9 para pedir a Deus a sabedoria que vem Dele.






sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 14/02/14

SEXTA-FEIRA -14/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: 1Reis 11,29-32;12,19


A infidelidade sempre tem conseqüências negativas na vida do homem. Quando seduzidos pelo pecado, esquecemos nossa aliança batismal e nos enrolamos na vida mundana, nossa vida se divide da mesma maneira que e dividiu o reino de Israel, e como produto desta divisão se perde a paz e a harmonia interior, o que tarde ou cedo terminará por extinguir em nós a felicidade. É que, como diria Jesus, não podemos servir a dois senhores, pois, com algum deles terminará mal. Em uma vida dividida não se pode ser feliz. Entretanto, apesar de nossa infidelidade, Deus não cancela o compromisso de amor que fez com nós no dia de nosso batismo e continua manifestando-se cheio de misericórdia para conduzirmos de novo à Ele. E assim, da mesma maneira que deixou uma tribo da casa de Davi, assim também o Senhor com sua graça, que nunca se extingue em nós e move-nos à conversão. Se pensas que tua vida está longe de Deus, lembre que dentro de ti está a chama de seu Espírito que te convida hoje mesmo a regressar para seu amor mediante um ato de fé, se em tua vida tem-se manifestado a infidelidade á Deus ou a teus seres queridos, deixa-te levar pelo amor inextinguível de Deus e com humildade retorne ao amor e a fidelidade.



ORAÇÃO INICIAL 

Protege Senhor, com amor minha família, defenda-a sempre, já que só em ti foi colocada sua esperança. Por nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 7,31-37

No evangelho de hoje, Jesus cura um surdo. Este episódio é pouco conhecido. No episódio da mulher cananéia, Jesus supera as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não era do povo e com quem era proibido conversar. Essa mesma abertura continua no evangelho de hoje.

Marcos 7,31: A REGIÃO DA DECÁPOLIS. “Andou pela região de Tiro e veio de novo, por Sidon, ao mar da Galiléia, atravessando a Decápolis”. Decápolis significa, literalmente, Dez Cidades. Era uma região de dez cidades a sueste da Galiléia, cuja população era pagã.

Marcos 7,31-35. ABRIR OS OUVIDOS E SOLTAR A LINGUA. Um surdo é levado diante de Jesus. A maneira de curá-lo é diferente. As pessoas queriam que Jesus apenas impusesse as mãos sobre ele. Mas, Jesus vai muito mais além do que lhe pedem. Leva o homem diante da multidão, coloca os dedos nos ouvidos e com a saliva lhe toca a língua, olha para o céu, dá um gemido e diz: “Effata!”, isto é, “Abre-te!”. Nesse mesmo instante, os ouvidos do surdo se abriram e o homem começou a falar corretamente. Jesus quer que as pessoas abram os ouvidos e soltem a língua!

Marcos 7,36-37: JESUS NÃO QUER PUBLICIDADE. “Jesus mandou que ninguém contasse nada. Porém, quanto mais proibia, mais eles falavam. E se maravilhavam sobremaneira e diziam: “Tudo foi bem feito, faz ouvir os surdos e falar os mudos”. Ele lhe proíbe falar de sua cura, mas não consegue. Aquele que tem alguma experiência de Jesus, conta aos demais, queira ou não queira! As pessoas que assistiram a cura começam a proclamar o que tem visto e resumem assim a Boa Nova: “Tudo Ele faz bem, faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!”. Esta afirmação das pessoas faz lembrar a criação, onde se diz: “Deus viu que tudo era muito bom”(Gn 1,31). E evoca a profecia de Isaias, onde se diz que no futuro os surdos ouviram e os mudos falaram (Is 29,28;35,5 cf. Mt 11,5).

A RECOMENDAÇÃO DE NÃO CONTAR NADA A NINGUÉM. Às vezes, se exagera na atenção que o Evangelho de Marcos atribui a proibição de divulgar a cura, como se Jesus tivesse um segredo que precisa guardar. Na maioria das vezes que Jesus faz um milagre, não pede silêncio. E uma vez até pediu publicidade (Mc 5,19). Algumas vezes, entretanto, dá ordem de não divulgar a cura (Mc 1,44;5,43;7,36;8,26), porém, isso obtêm o resultado contrário. Quanto mais proíbe, tanto mais a Boa Nova se difunde (Mc 1,28.45; 3,7-8; 7,36-37). Proibir, não serve para nada! Pois, a força interna da Boa Nova é tão grande que se divulga por si mesma!

ABERTURA CRESCENTE NO EVANGELHO DE MARCOS. Ao longo das páginas do evangelho de Marcos existe uma abertura crescente para os demais povos. Assim, Marcos leva aos leitores e as leitoras a abrir-se à realidade do mundo ao redor e a superar idéias pré-concebidas que impedem a convivência pacífica entre as pessoas. Em seu caminho pela Decápolis, a religião pagã, Jesus atende a súplica das pessoas do lugar e cura o surdo. Não têm medo de contaminar-se com a impureza de um pagão, pois, cura-o tocando-lhe os ouvidos e a língua. As autoridades dos judeus e dos discípulos têm dificuldade em ouvir e entender, no entanto, um pagão era surdo e consegue falar e ouvir graças a Jesus que o toca. Lembra o cântico de Isaias: “O Senhor Yahvé me abriu o ouvido e não resisti” (Is 50,4-5). Ao expulsar os vendedores do templo, Jesus critica o comércio injusto e afirma que o templo tem que ser casa de oração para todos os povos (Mc 11,17). Na parábola dos vinhateiros homicidas, Marcos faz alusão a que a mensagem se tirará do povo eleito, dos judeus, e se dará aos demais, aos pagãos (Mc 12,1-12). Depois da morte de Jesus, Marcos apresenta a profissão de fé de um pagão aos pés da cruz. Ao citar o centurião romano e seu reconhecimento de Jesus como Filho de Deus, está dizendo que o pagão é mais fiel que os discípulos e mais fiel que os judeus (Mc 15,39). A abertura para os pagãos aparece de forma muito clara na ordem final que Jesus dá aos discípulos, depois da ressurreição: “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda a criação” (Mc 16,15).





PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus foi muito aberto para as pessoas de outra raça, de outra religião e de outros costumes. Os cristãos, hoje, têm a mesma abertura?
Definição da Boa Nova: “Jesus faz todas as coisas muito bem!” Sou Boa Nova para os outros?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 96,1-2)
Hoje cuidarei das palavras que saírem de minha boca, para não blasfemar e não ferir ou lastimar a quem me rodeia.






quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Lectio Divina - 13/02/14


QUINTA-FEIRA -13/02/2014


PRIMEIRA LEITURA: 1Reis 11,4-13


Esta passagem nos deixa ver, por um lado, como um dos elementos mais importantes da relação com Deus é precisamente a fidelidade, pois, não basta ao Senhor em um momento de ardor espiritual, que o amamos, mas sim, manter-nos fiéis durante toda a vida. Por outro lado, nos mostra com que felicidade o coração do homem que não tem TUDO, deixa seduzir pelo pecado chegando a esquecer seu compromisso com Deus. É, pois, importante em nosso mundo materialista e pragmático ter em conta estas duas situações, pois, na cultura do “usar e jogar” é fácil modificar nossa opção de vida cristã para irmos a uma religião mais cômoda, na qual se vê projetado não só em nossa relação com Deus, mas inclusive em outras áreas da vida, como pode ser a matrimonial, na qual, vemos no olho por olho, com que facilidade os esposos esquecem as promessas feitas diante de Deus. Igualmente, esta passagem nos previne sobre a grande tentação de esquecer-nos de Deus quando as coisas em nossa vida se pintam de azul. A Sagrada Escritura nos diz que se algo se valoriza em um servidor é que seja FIEL. Mantenha-se, pois alerta, já que o prêmio oferecido por Jesus está reservado aos que se mantêm fiéis até o final.



ORAÇÃO INICIAL 

Protege Senhor, com amor minha família, defenda-a sempre, já que só em ti foi colocada sua esperança. Por nosso Senhor...



REFLEXÃO

Marcos 7,24-30


. No evangelho de hoje, veremos como Jesus atende a uma mulher estrangeira de outra raça e de outra religião, o que era proibido pela lei religiosa daquela época. Inicialmente, Jesus não queria atendê-la, porém, a mulher insistiu e conseguiu o que queria: a cura da filha.
• Jesus trata de abrir a mentalidade dos discípulos e das pessoas mais além da visão tradicional. Na multiplicação dos pães, havia insistido no compartilhar (Mc 6,30-44). Na discussão sobre o que é puro e impuro, havia declarado puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Agora, neste episódio da Mulher Cananéia, supera as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não pertence ao povo e com a qual estava proibido conversar. Estas iniciativas de Jesus, nascidas de sua experiência de Deus como Pai, eram estranhas para a mentalidade das pessoas da época. Jesus ajuda as pessoas a abrir sua maneira de experimentar a Deus na vida.
• Marcos 7,24: JESUS SAI DO TERRITÓRIO. No evangelho de ontem (Mc 7,147-23) e de antes de ontem (Mc 7,1-13), Jesus havia criticado a incoerência da “Tradição dos Antigos” e havia ajudado as pessoas e aos discípulos a sair da prisão das leis da pureza. Aqui, em Mc 7,24, sai da Galiléia. Parece querer sair da prisão do território e da raça. Está no estrangeiro, e parece que não quer ser conhecido. Porém, sua fama havia chegado antes Dele. As pessoas sabem e o procuram.
• Marcos 7,25-25: A SITUAÇÃO. Uma mulher chega perto e começa a pedir pela filha enferma. Marcos diz explicitamente que era de outra raça e de outra religião. Isto é, era pagã. Ela se lança aos pés de Jesus e começa a suplicar para que cure sua filha possuída por um espírito impuro. Os pagãos não tinham problema em recorrer a Jesus. Os judeus sim que tinham problemas em conviver com os pagãos!
• Marcos 7,27: A RESPOSTA DE JESUS. Fiel às normas de sua religião, Jesus diz que não convém tirar o pão dos filhos e dá-los aos cachorros. Frase dura. A comparação é tirada da vida familiar. Até hoje, crianças e cachorros são o que mais existem nos bairros pobres. Jesus afirma uma coisa que é certa: nenhuma mãe tira o pão da boca dos filhos para dá-los aos cachorros. Neste caso, os filhos eram os judeus e os cachorros, os pagãos. Na época do AT, por causa da rivalidade entre os povos, um povo tinha o costume de chamar ao outro de “cachorro” (1Samuel 17,43). Em outros evangelhos Jesus explica o porquê de sua rejeição: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15,24). Isto é: “O Pai não quer que eu me ocupe desta mulher”.
• Marcos 7,28: A REAÇÃO DA MULHER. Ela concorda com Jesus, porém, amplia a comparação e a aplica à seu caso: “Sim, Senhor: os cachorrinhos também comem sob a mesa as migalhas das crianças”. É como dissesse: “Se sou cachorrinho, então tenho os direitos dos cachorrinhos, isto é, as migalhas me pertencem!”. Ela simplesmente tirou as conclusões da parábola que Jesus contou e, mostrou que, até na casa de Jesus, os cachorrinhos comiam as migalhas que caiam da mesa das crianças. E na “casa de Jesus”, isto é, na comunidade cristã, a multiplicação do pão para os filhos foi tão abundante que estavam sobrando doze cestos (Mc 6,42) para os “cachorros”, isto é, para ela, para os pagãos!
• Marcos 7,29-30: A REAÇÃO DE JESUS: “Pelo que disse, vá, o demônio já saiu de tua filha”. Nos outros evangelhos se explicita: “Grande é a tua fé! Que se cumpra teu desejo!” (Mt 15,28). Se Jesus atende a súplica da mulher é porque compreende que, agora, o Pai quer que Ele ouça seu pedido. Este episódio ajuda a perceber algo do mistério que envolvia a pessoa de Jesus e como Ele convivia com o Pai. Era observando as reações das pessoas e as atitudes das mesmas, que Jesus descobre a vontade do Pai nos acontecimentos da vida. A atitude da mulher abre um novo horizonte na vida de Jesus. Através dela Ele descobre que o projeto do Pai é para todos os que procuram a vida e querem libertar-se das cadeias que aprisionam sua energia. Assim, ao longo das páginas do evangelho de Marcos, existe uma abertura crescente para os demais povos. Deste modo, Marcos leva os leitores e as leitoras a abrir-se, pouco a pouco, à realidade do mundo ao redor e a superar idéias pré-concebidas que impedem a convivência pacífica entre as pessoas. Esta abertura para os pagãos aparece de forma muito clara na ordem final que Jesus dá aos discípulos, depois de sua ressurreição: “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). 



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Você, o que é que faz concretamente, para conviver em paz com pessoas de outras igrejas cristãs? No bairro onde vive existe pessoas de outras religiões? Quais? Fala normalmente com pessoas de outras religiões?
Qual é a abertura que este texto nos pede hoje, em família e em comunidade?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 106,3-4)
Hoje procurarei os pequenos aspectos de minha vida diária e nos que parecem não importar se sou fiel ou não, para que, atento a voz de Jesus, seja eu um servo fiel inclusive nas coisas pequenas e de pouco valor.