sexta-feira, 30 de maio de 2014

Lectio Divina - 30/05/14

SEXTA-FEIRA -30/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 18,9-18

Jesus já havia advertido seus discípulos que iam ser perseguidos e que os levariam aos tribunais, porém, também lhes assegurou que Ele mesmo estaria com eles e que o Espírito Santo lhes daria palavras e sabedoria com a qual poderiam fazer frente a seus inimigos. Paulo, nesta passagem, é novamente testemunho de que este aviso e esta promessa de Jesus se realizam na vida daquele que o testifica com sua palavra e com sua vida. Jesus nos diz hoje a nós também como fez com Paulo: “Não tenham medo de falar com coragem. Falem e não se calem, Eu estou com vocês”. É, pois, necessário que o anunciemos com coragem em nosso trabalho, em nossos bairros, nas escolas e universidades, etc. Se o mundo de hoje vive nesta escuridão e solidão, que o empurra para buscar o mal que o destrói, é porque nós os cristãos ficamos por muito tempo calados. É necessário despertar de nossa letargia e colocar-nos a falar do amor de Jesus; é necessário anunciá-lo e deixar que Ele evidente em nossa vida, ainda que isto nos leve a ter problemas. Estamos seguros que da mesma maneira que Deus livrou Paulo e seus companheiros, assim também fará conosco.

ORAÇÃO INICIAL 

O Deus, que pela ressurreição de teu Filho nos tem feito renascer para vida eterna, levanta nossos corações para o Salvador, que está sentado a tua direita, a fim de que quando vir novamente, nós que renascemos no batismo sejamos revestidos de uma imortalidade gloriosa. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 16,20-23ª

Nestes dias entre Ascensão e Pentecostes, os evangelhos de cada dia são tirados dos capítulos de 16 a 21 do evangelho de João, e formam parte do assim chamado “Livro da Consolação ou da Revelação” (Jo 13,1 a 21,31). Este livro está subdividido da seguinte maneira: despedida dos amigos (Jo 13,1 a 14,31); testamento de Jesus e oração ao Pai (Jo 15,1 a 17/28); a obra consumida (Jo 18,1 a 20,31). O ambiente é de tristeza e de expectativa. Tristeza, porque Jesus se despede e a saudade invade o coração. Expectativa, porque está chegando a hora de receber o dom prometido do consolador que fará desaparecer a tristeza e a trará a alegria da presença amiga de Jesus no meio da comunidade.

João 16,20: A TRISTEZA SE TRANSFORMARÁ EM ALEGRIA. Jesus disse: “Também vós estais tristes agora, porém, voltarei a vê-los e se alegrará vosso coração e vossa alegria ninguém as poderá tirar”. A freqüente alusão a tristeza e ao sofrimento reflete o ambiente das comunidades do final do primeiro século na Ásia Menor (atual Turquia), para as quais João escreve seu evangelho. Elas viviam em uma situação difícil de perseguição e de opressão que era a causa da tristeza. Os apóstolos haviam ensinado que Jesus voltaria logo, porém a parusía, o retorno glorioso de Jesus, estava demorando e a perseguição aumentava. Muitos eram impacientes: “Até quando?” (Cf. 2Ts 2,1-5;2Pd 3,8-9). Porque uma pessoa só agüenta uma situação de sofrimento e de perseguição quando sabe que o sofrimento é o caminho e a condição para a perfeita alegria. E, então, ainda tendo a morte diante dos olhos, a pessoa agüenta a dor. Por isto o evangelho apresenta a comparação tão bonita do parto.

João 16,21: A COMPARAÇÃO COM AS DORES DO PARTO. Todos entendem esta comparação, sobretudo, as mães: “A mulher, quando vai dar a luz, está triste, porque chegou a hora, porém, quando tiver dado a luz a criança, já não se lembra do aperto pela alegria de ter trazido uma criança ao mundo”. A dor e a tristeza causadas pela perseguição, ainda que não ofereçam um horizonte de melhoria, não são agonias da morte, mas sim, dores de parto. As mães sabem disto por experiência. A dor é terrível, porém, agüentam, porque sabem que a dor é fonte de vida nova. Assim, é a dor da perseguição dos cristãos, e assim pode e deve ser vivida qualquer dor, sempre que seja à luz da experiência da morte e ressurreição de Jesus. 

João 16,22-23ª: A ALEGRIA ETERNA. Jesus aplica uma comparação: Também vós estais tristes agora, porém, voltarei a vê-los e se alegrará vosso coração e vossa alegria ninguém as poderá tirar. Nesse dia não fareis mais perguntas. Esta é a certeza que anima as comunidades cansadas e perseguidas da Ásia Menor e as faz cantar de alegria no meio das dores. Como diz São João da Cruz: “Em uma noite escura, com ânsias e amores inflamados, oh ditosa ventura, saiu sem ser notada, já estando minha casa sossegada!”. A expressão nesse dia indica a chegada definitiva do Reino que traz consigo sua própria claridade. A luz de Deus não haverá mais necessidade perguntar coisa alguma. A luz de Deus é a resposta total e plena a todas as perguntas que podem nascer de dentro do coração humano.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Tristeza e alegria. Existem juntas na vida. Como acontecem em minha vida?
Dores do parto. Esta experiência está na origem da vida de cada um de nós. Minha mãe agüentou a dor com esperança, e por isto eu estou vivo. Pare e pense um momento nesse mistério da vida.



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 47,2-3)
Hoje farei um plano para ir apresentando Jesus a cada um de meus conhecidos, de um modo adequado para cada um.






quinta-feira, 29 de maio de 2014

Lectio Divina - 29/05/14


QUINTA-FEIRA -29/05/2014



PRIMEIRA LEITURA: Atos 18,1-8


Em alguns períodos de sua vida Paulo teve que trabalhar com suas próprias mãos para ganhar seu sustento. Isto fazia que, como a maioria de nós, tivesse que administrar seu tempo entre o trabalho e as demais atividades. Dado que par ele sua atividade principal era a pregação, utilizava o tempo livre falando de Jesus. No mundo corrido em que vivemos nós também devemos administrar bem nosso tempo e atender as obrigações que nos vem por sermos cristãos. Entre elas estão o dedicar tempo a família (pais, filhos, irmãos e demais parentes). E quando dizemos dedicar tempo não quer dizer, simplesmente sentar-se e ver televisão com eles, implica compartilhar nossa vida, nossos problemas e necessidades, é buscar caminhos comuns que nos levem a amar-nos mais. Esta é uma das fontes mais importantes de evangelização que podemos ter na família, pois, ao dar-nos tempo para estar com eles, não faltará a oportunidade para orarmos juntos e para instruir-nos uns aos outros nas coisas do Senhor. Lembre que é preciso trabalhar para viver e não viver para trabalhar.



ORAÇÃO INICIAL 

Ouça Senhor, nossa oração e concede-nos que assim como celebramos na fé a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo, assim também, quando Ele voltar com todos seus santos, possamos alegrar-nos com sua vitória. Por Nosso Senhor...




REFLEXÃO

João 16,16-20


João 16,16: AUSÊNCIA E PRESENÇA. Jesus disse um “pouco”, isto é, um tempo muito breve, como um “instante”. Por cima de múltiplos matizes, que enfatizar a brevidade do tempo. Se o tempo que Jesus passou junto aos seus, como verbo encarnado foi muito breve, igualmente será breve o tempo que separará sua partida e seu retorno. Não haverá mudança na situação interior de seus discípulos porque não muda sua relação com Jesus: existe uma proximidade permanente. Por isso, a visão de Jesus não sofrerá interrupção, mas terá como característica a comunhão de vida com Ele (Jo 14,19). É interessante o uso repetido do verbo “ver” no v.16: “Dentro de pouco não me vereis e dentro de outro pouco tempo voltareis a me ver”. A expressão “um pouco e não me vereis” lembra o modo em que os discípulos vêm o Jesus histórico o Filho de Deus, a outra expressão “um pouco e voltareis a me ver” remete a experiência do Cristo ressuscitado. Parece que Jesus quer dizer a seus discípulos que por brevíssimo tempo permanecerão ainda na condição de vê-lo, de reconhecê-lo em sua carne visível, mas, o contemplarão com uma visão diferente porque Ele se mostrará transformado, transfigurado. 

João 16,17-19: A INCOMPREENSÃO DOS DISCÍPULOS. Alguns discípulos não conseguem compreender o que significa esta ausência de Jesus, isto é, sua ida ao Pai. Entretanto, experimentam algum desconcerto diante das palavras de Jesus, e a expressam com quatro perguntas, unidas na mesma expressão: “O que é que está nos dizendo?”. O leitor tem ouvido outras vezes as perguntas de Pedro, de Felipe, de Tomé, de Judas –não o Iscariotes- e agora dos discípulos que pedem explicações. Os discípulos não entendem do que Ele fala. Não compreendem como Jesus, se vai ao Pai, pode ser visto de novo por eles (vv.16-19). Mas a pergunta parece concentrar-se naquele “pouco”, que para o leitor parece ser um tempo longo que não acaba nunca, sobretudo, quando se está na angústia e na tristeza. De fato, o tempo de tristeza não passa. Espera-se uma resposta por parte de Jesus, porém, o evangelista retoma antes a pergunta: Andais perguntando sobre o que tenho dito: Dentro de pouco não me vereis e dentro de outro pouco tornareis a me ver?” (v.19).

João 16,20: A RESPOSTA DE JESUS. De fato, Jesus não responde a pergunta que lhe fazem: “o que é que quer dizer esse dentro de pouco?”, porém, os convida à confiança. É verdade que os discípulos serão provados, sofreram muito, se acharam sozinhos diante de uma situação hostil, abandonados a um mundo que desfruta com a morte de Jesus, porém, Jesus assegura que sua tristeza se converterá em alegria. A tristeza se contrapõe a um tempo em que tudo se inverterá. O inciso adversativo “porém vossa tristeza se converterá em alegria” sublinha esta mudança de perspectiva. Para o leitor é evidente que a expressão “um pouco”, “dentro de um breve tempo” corresponde àquele instante, ou, momento em que a situação será mudada, porém, até então tudo é tristeza e provação. Em definitivo, os discípulos recebem de Jesus uma promessa de felicidade e de alegria; em virtude daquele instante que inverte a situação difícil para “os seus”, para a comunidade eclesial, na qual são submetidos, eles entraram na realidade de um mundo iluminado pela ressurreição.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Estou convencido de que passará o tempo da prova e Ele voltará a estar comigo?
Vocês estarão tristes, porém, vossa tristeza se converterá em alegria. Que efeito tem nos acontecimentos de tua vida estas palavras de Jesus? Como vive tuas situações de tristeza e de angustia?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 98,3-4)
Hoje farei uma recontagem de como estou manejando meu tempo e minha atenção as diferentes funções que me tocam, e ajustarei o que seja necessário para que tudo ande como deve.





quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lectio Divina - 28/05/14


QUARTA-FEIRA -28/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 17,15-16.22-18,1


Os atenienses, talvez igual a maioria dos homens, eram pessoas muito religiosas, as quais acreditavam fervorosamente em Deus. Hoje em dia muitos homens estão perdendo seu interesse por Deus, pelas coisas divinas e transcendentes. O materialismo que vivemos está levando o homem a uma imanência na qual se perde de vista o sobrenatural e com isso Deus e nosso destino final. Por outro lado, nos encontramos, inclusive dentro de nossa própria Igreja, irmãos que ainda acreditando em Deus, vivem com uma imagem equivocada Dele. Paulo no Areópago lhes anuncia a autêntica visão de Deus, do Deus amoroso que em sua misericórdia ressuscitou seu Filho e o constituiu Senhor, para que todos os que acreditam Nele tenham vida e a tenham em abundância. Não deixes que o materialismo te faça perder o sentido do espiritual; e se conheces alguém que não tem uma idéia clara do Deus Amor, fale-lhe de sua misericórdia e com quanto amor o está buscando.



ORAÇÃO INICIAL 

Ouça Senhor, nossa oração e concede-nos que assim como celebramos na fé a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo, assim também, quando Ele voltar com todos seus santos, possamos alegrar-nos com sua vitória. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 16,12-15


Nestas semanas do tempo pascal, os evangelhos diários são tirados, quase todos, dos capítulos de 12 a 17 de João. Isto revela algo a respeito da origem e do destino destes capítulos. Refletem não só o que acontece antes da paixão e da morte de Jesus, mas, também e, sobretudo, a vivência da fé das primeiras comunidades depois da ressurreição. Refletem a fé pascal que as animava.

João 16,12: MUITO TENHO QUE DIZER-VOS. O evangelho de hoje começa com esta frase: “Muito tenho que dizer-vos, mas, agora não podeis entender”. Nestas palavras de Jesus afloram duas coisas: o ambiente de despedida que marcava a última ceia, e a preocupação de Jesus, o irmão mais velho, com seus irmãos mais jovens que em breve ficariam se sua companhia. Restava muito pouco tempo. Em breve, Jesus seria detido. A obra iniciada estava ainda incompleta. Os discípulos apenas estavam no começo do aprendizado. Três anos é muito pouco para mudar de vida e começar a viver a partir de outra imagem de Deus. A formação deles não havia terminado. Faltava muito, e Jesus tinha muitas coisas que ensinar e transmitir. Mas, Ele conhece seus discípulos. Eles não são dos mais inteligentes. Não suportariam conhecer todas as implicações e conseqüências do discipulado. Ficariam desanimados, não seriam capazes de suportar.

João 16,13-15: O ESPÍRITO SANTO DARÁ SUA AJUDA. “Quando o Espírito da Verdade vier, ele os guiará até a verdade completa, pois, não falará por sua conta, mas sim, falará do que ouviu, e explicará o que há de vir. Ele me dará glória, porque receberá de mim e o explicará a vós”. Esta afirmação reflete a experiência das primeiras comunidades. Na medida em que iam imitando Jesus, tratando de interpretar e aplicar sua Palavra em diversas circunstâncias de suas vidas, experimentavam a presença e a luz do Espírito. E isto acontece hoje nas comunidades que tratam de encarnar a palavra de Jesus: “Tudo o que tem o Pai é meu, também. Por isso tenho dito que receberá de mim e explicará tudo”. 

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NO EVANGELHO DE JOÃO. João usa muitas imagens e símbolos para explicar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito descendo sobre Jesus “como uma pomba vinda do céu” (Jo 1,32). É o começo de uma nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e Vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, disse que ia enviar outro consolador, outro defensor, para que ficasse conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós, através do batismo, todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo”! (Jo 20,22). O Espírito é como água que brota de dentro das pessoas que acreditam em Jesus (Jo 7,37-39;4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: “A quem vós perdoais os pecados serão perdoados, e a quem não liberais de seus pecados, ficaram retidos” (Jo 20,23). O Espírito que Jesus nos comunica tem ação múltipla: consola e defende (Jo 14,16), comunica a verdade (Jo 14,17;16,13); faz lembrar o que Jesus ensinou (Jo 14,26); dará testemunho de Jesus (Jo 15,26); manifesta a glória de Jesus (Jo 16,14), desmascara o mundo (Jo 16,8). O Espírito nos é dado para que possamos entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26;16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade de Espírito da qual fala Paulo: “Onde existe o Espírito do Senhor, ali existe liberdade” (2Cor 3,17).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Como vivo minha adesão a Jesus: só ou em comunidade?
Minha participação na comunidade me levou alguma vez a experimentar a luz e a força do Espírito Santo?


ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 148,13-14)
Como sinal de entrega e confiança absoluta na Providência de Deus, neste dia me despojarei de algo que tenha e use, e o darei para alguém que necessite.





terça-feira, 27 de maio de 2014

Lectio Divina - 27/05/14

TERÇA-FEIRA -27/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 16,22-34


Definitivamente que não existe experiência mais alegre no homem que a que Deus produz no coração daquele que crê, naquele que a leva com a fé. Nesta passagem, na qual vemos como Deus toca o coração do carcereiro e o leva à fé, podemos perceber a alegria que se generalizou não só no homem, mas sim, em Paulo e Silas, de tal modo que depois de curar-lhe as feridas preparou uma festa, pelo fato de “ter acreditado”. Por isso, te convido a que vá perdendo o medo de falar de Jesus, de aproveitar toda a oportunidade que Deus te apresenta para ser seu testemunho e para ajudar a tua comunidade a conhecer e a amar Deus. Eu te asseguro que não que te encherás de alegria no dia que Deus te conceder que por seu meio, outros homens aceitem a vida conforme o Evangelho.



ORAÇÃO INICIAL 

Pedimos-te Senhor de misericórdia, que os dons recebidos nesta Páscoa dêem fruto abundante em toda nossa vida. Por Jesus Cristo Nosso Senhor... 


REFLEXÃO

João 16,5-11


João 16,5-7: TRISTEZA DOS DISCÍPULOS. Jesus, a partir da comunicação artificiosa de sua separação, provoca que a tristeza que os discípulos guardavam em seu coração aflore neles: “Agora vou para aquele que me enviou e ninguém de vós me pergunta: Aonde vais?”. É evidente que separar-se do estilo de vida aprendido junto a Jesus acarreta para os discípulos um sofrimento. Jesus insiste: “E mais, porque eu vos tenho dito isso, vosso coração está cheio de tristeza” (v.6). Santo Agostinho explica assim este sentimento de abandono que invadia os discípulos: “Dava-lhes medo o pensamento de perder a presença visível de Jesus... Seu afeto humano entristecia-se ao pensar que seus olhos não experimentariam mais o consolo de vê-lo”. Jesus pretende dissipar esta tristeza, causada pela diminuição de sua presença, ao revelar a finalidade de sua ida. Isto é, se Ele não fosse, o Paráclito não viria à eles, porém, se Ele morresse para retornar ao Pai, então, poderia enviá-lo aos discípulos. A partida e a separação é condição prévia para a vinda do Paráclito: “pois se Eu não for, não virá a vós o Consolador...” (v.7).

João 16,8-11: MISSÃO DO PARÁCLITO. Jesus continua descrevendo a missão do Paráclito. O termo Paráclito significa “advogado”, isto é, apoio, assistente. Aqui o Paráclito vem indicado como acusador em um processo que se realiza diante de Deus, no qual o imputado é o mundo, culpado de condenar Jesus: “demonstrará a culpa do mundo referente ao pecado, a justiça e ao juízo” (v.8). O objeto da demonstração é o pecado: Ele oferecerá ao mundo a prova do pecado que cometeu no que se refere à Jesus e o manifestará. De que pecado se trata? O da incredulidade (Jo 5,44ss; 6,36; 8,21.24.26; 10,31ss). Além disso, o mundo ter pensado que Jesus é um pecador (Jo 9,24;18,30) resulta ser uma culpa inescusável (Jo 15,21ss). 

Em segundo lugar “demonstrará” a culpabilidade do mundo a “respeito da justiça”. No plano jurídico, a noção de justiça que mais concorda com o texto é a que acarreta uma declaração de culpabilidade ou de inocência em um juízo. Em nosso contexto, é a única vez que no evangelho de João aparece o termo “justiça”, nos outros lugares aparece o termo “justo”. Em Jo 16,8 a justiça está unida a quanto Jesus tem afirmado de si mesmo, isto é, a finalidade pela qual vai o Pai. Com esta exposição sua glorificação: Jesus vai ao Pai, está a ponto de ocultar-se e, portanto, os discípulos não mais poderão vê-lo; está a ponto de entregar-se e de submergir-se totalmente na vontade do Pai. A glorificação de Jesus confirma sua filiação divina e a aprovação por parte do Pai da missão levada a cabo por Jesus. Portanto, o Espírito demonstrará diretamente a justiça de Cristo (Jo 14,26;15,26) ao proteger os discípulos e a comunidade eclesial.

O mundo, que pensava haver julgado Jesus condenando-o, agora é condenado pelo “príncipe deste mundo”, porque é o responsável pela sua crucificação (13,2.27). Jesus, morrendo na cruz, levantou-se e venceu Satanás. Agora o Espírito testificará à todos o sentido da morte de Jesus, que coincide coma a queda de Satanás (Jn 12,32; 14,30; 16,33).



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Temos o mesmo medo e a preocupação de perder Jesus que tinham os discípulos?
Você se deixa conduzir pelo Espírito Paráclito que te leva a identificar com a verdade o erro do mundo, te ajuda a aderir-se a Jesus e te conduz à conhecer a verdade sobre você mesmo?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 138,1-2)
Hoje escreverei a história de como Deus me encontrou e me chamou, e a compartilharei com alguém próximo de mim.







segunda-feira, 26 de maio de 2014

Lectio Divina - 26/05/14


SEGUNDA-FEIRA -26/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 16,11-15


A passagem de Paulo, Silas, Lucas e Timóteo por Filipos representou o início da obra evangelizadora na Europa. Uma pequena semente, lançada no coração de mulheres simples, germinou, cresceu de uma forma extraordinariamente vigorosa, pois proporcionou a expansão do Evangelho para a África, Ásia, América do Norte, América Latina e Oceania. “A invasão da Europa certamente não estava na mente de Paulo, mas, evidentemente, estava na mente do Espírito”. No meio deste crescimento estava uma mulher chamada Lídia, de biografia bíblica curta, mas de um caráter marcado pela oração, trabalho, temor, submissão, decisão e solidariedade. Crescer hoje cada vez mais nestas áreas é o desafio de Deus para as mulheres e, igualmente, homens que caminham com Ele! 



ORAÇÃO INICIAL 

Concedei-nos, ó Deus, que vejamos frutificar em toda a nossa vida as graças do mistério Pascal, que instituístes na vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



REFLEXÃO

João 15,26-16,4


Nos capítulos 15 a 17 do Evangelho de João, o horizonte se amplia para além do momento histórico da Ceia. Jesus reza ao Pai “não só por estes mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles” (Jo 17,20). Nestes capítulos, é constante a alusão à ação do Espírito na vida das comunidades depois da Páscoa.

João 15,26-27: A ação do Espírito Santo na vida das comunidades.A primeira coisa que o Espírito faz é dar testemunho de Jesus: “Ele dará testemunho de mim”. O Espírito não é um ser espiritual sem definição. Não! Ele é o Espírito da verdade que vem do Pai, será enviado pelo próprio Jesus e nos introduzirá na verdade plena (Jo 16,13). A verdade plena é o próprio Jesus: “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida!” (Jo 14,6). No fim do primeiro século, havia alguns cristãos de tal modo fascinados pela ação do Espírito que já não olhavam para Jesus. Afirmavam que agora, depois da ressurreição, já não era preciso fixar-se em Jesus de Nazaré, aquele “que veio na carne”. Dispensavam Jesus e ficavam só com o Espírito. Diziam: “Anátema seja Jesus!” (1Cor 12,3). O Evangelho de João toma posição e não permite separar a ação do Espírito da memória de Jesus de Nazaré. O Espírito Santo não pode ser isolado como uma grandeza independente, separada do mistério da encarnação. O Espírito Santo está inseparavelmente unido ao Pai e a Jesus. É o Espírito de Jesus que o Pai nos envia, aquele mesmo Espírito que Jesus nos conquistou pela sua morte e ressurreição. E nós, recebendo este Espírito no batismo, devemos ser o prolongamento de Jesus: “E vós também dareis testemunho!” Não podemos esquecer nunca que foi precisamente na véspera da sua morte que Jesus nos prometeu o Espírito. Foi no momento em que ele se entregava pelos irmãos. Hoje em dia, o movimento carismático insiste na ação do Espírito, e faz muito bem. Deve insistir cada vez mais. Mas deveria ter a mesma insistência para afirmar que se trata do Espírito de Jesus de Nazaré que, por amor aos pobres e marginalizados, foi perseguido, preso e condenado à morte e que, por isso mesmo, nos prometeu o seu Espírito, para que nós, depois da sua morte, continuássemos a sua ação e fôssemos para a humanidade a mesma revelação do amor preferencial do Pai pelos pobres e oprimidos.

João 16,1-2: Não ter medo. O evangelho adverte que ser fiel a este Jesus vai trazer dificuldades. Os discípulos vão ser expulsos da sinagoga. Vão ser condenados à morte. Com eles vai acontecer o mesmo que aconteceu com Jesus. Por isso mesmo, no fim do primeiro século, havia pessoas que, para evitar a perseguição, diluíam a mensagem de Jesus transformando-a numa mensagem gnóstica, vaga, sem definição, que não contrastava com a ideologia do império. A estes se aplica o que Paulo dizia: “Eles têm medo da cruz de Cristo” (Gl 6,12). E o próprio João, na sua carta, dirá a respeito deles: “Há muitos impostores espalhados pelo mundo, que não querem reconhecer que Jesus Cristo veio na carne (se fez homem). Quem assim procede é impostor e Anticristo” (2Jo 1,7). A mesma preocupação transparece na exigência de Tomé: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei.” (Jo 20,25) O Cristo ressuscitado que nos prometeu o dom do Espírito é Jesus de Nazaré que continua até hoje com os sinais da tortura e da cruz no seu corpo ressuscitado.

João 16,3-4: Não sabem o que fazem . Tudo isso acontece “porque não reconhecem o Pai nem a mim”. Estas pessoas não têm a imagem correta de Deus. Têm uma imagem vaga de Deus na cabeça e no coração. O Deus deles já não é o Pai de Jesus Cristo que congrega todos na unidade e na fraternidade. No fundo, é o mesmo motivo que levou Jesus a dizer: “Pai, perdoa, eles não sabem o que estão fazendo’ (Lc 23,34). Jesus foi condenado pelas autoridades religiosas porque, de acordo com o pensamento deles, ele teria uma falsa imagem de Deus. Nas palavras de Jesus não transparece ódio nem vingança, mas compaixão: são irmãos ignorantes que não sabem nada do nosso Pai.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

O mistério da Trindade está presente nas afirmações de Jesus, não como uma verdade teórica, mas como expressão do compromisso do cristão com a missão de Jesus. Como vivo em minha vida este mistério central da nossa fé?
Como vivo a ação do Espírito na minha vida?



ORAÇÃO FINAL 

SALMO (149,1-2)





quinta-feira, 22 de maio de 2014

Lectio Divina - 22/05/14

QUINTA-FEIRA -22/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 15,7-21

Este discurso que ouvimos é o que logo se conhecerá na Igreja como o primeiro Concílio, ou Concílio de Jerusalém. A partir de então, quando havia diferenças na Igreja, ou quando era necessário esclarecer, seja a doutrina ou a ação pastoral no povo de Deus, todos os bispos, sucessores dos apóstolos e encarregados do pastoreio do rebanho do Senhor, se reuniam a fim de esclarecer, iluminar ou dar a correta direção aos assuntos da Igreja. Desde esse primeiro concílio onde se esclarece qual é a doutrina da Justificação (que é por meio da fé no Cristo e não pela observância da circuncisão), existiram 21 Concílios Ecumênicos na Igreja. Todo bom cristão devia ter uma cópia dos documentos do último concílio celebrado na cidade do Vaticano e que é conhecido como Concílio Vaticano II, no qual se trataram temas que devolveram o “frescor” do Espírito à Igreja. De particular interesse para todos nós é a Constituição “Lúmen Gentium” sobre o papel da Igreja no mundo. 


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor Deus todo poderoso, que, sem mérito algum de nossa parte, nos tem feito passar da morte para a vida e da tristeza para a alegria, não coloque fim a teus dons, nem cesse de realizar tuas maravilhas em nós, e concede aos que forem justificados pela fé, a força necessária para perseverar sempre nela. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 15,9-11

A reflexão sobre a parábola da videira compreende os versículos de 1 a17. Ontem meditamos os versículos de 1 a 8. Hoje meditaremos os versículos de 9 a 11. Depois de amanhã, o evangelho do dia pula os versículos de 12 a 17 e começa a partir do versículo 18, que fala de outro tema. Por isto, incluímos hoje um breve comentário dos versículos de 12 a 17, pois nestes versículos desponta a flor e é aqui onde a parábola da videira mostra toda sua beleza.

O evangelho de hoje é apenas três versículos, que dão continuidade ao evangelho de ontem e liberam mais luz para aplicar na comparação da videira com a vida das comunidades. A comunidade é como uma videira. Passa por momentos difíceis. É o momento da poda, momento necessário para que produza mais fruto. 

João 15,9-11: PERMANECER NO AMOR, FONTE DA PERFEITA ALEGRIA. Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que Dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que Ele nos deixou. E devemos observá-los do mesmo modo que Ele observou os mandamentos do Pai: “Se guardais meus mandamentos, permanecereis em meu amor, como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço em seu amor”. E nesta união do amor do Pai e de Jesus está a fonte da verdadeira alegria: “Tenho dito isto, para que minha alegria esteja em vós, e vossa alegria seja cumulada”. 

João 15,12-13: AMAR OS IRMÃOS COMO ELE NOS AMOU. O mandamento de Jesus é um só: “amar-nos uns aos outros como Ele nos amou!” (Jo 15,12). Jesus supera o Antigo Testamento. O critério antigo era: “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 18,19). O novo critério é: “Amar-vos uns aos outros como eu vos amado”. Aqui Jesus diz a frase: “Não existe amor maior do que aquele que dá a vida para seus irmãos!”.

João 15,14-15: AMIGOS E NÃO SERVOS. “Sereis meus amigos. Vós sois meus amigos, se fizeres o que Eu mando”, a saber, a prática do amor até o dom total de si. Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. E lhes diz: “Não os chamo de servos, porque o servo não sabe o que o seu amo faz, chamo-vos de amigos, porque tudo o que ouvi de eu Pai lhes dei a conhecer”. Jesus não tinha segredos para seus discípulos e suas discípulas. Tudo o que ouvia do Pai ele lhes contava. É este o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos a transparência total, ao ponto de não ter segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos compartilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecermos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles “eram um só coração e uma só alma” (At 4,32; 1,14; 2,42.46).

João 15,16-17: FOI JESUS QUEM NOS ESCOLHEU. Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi Ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e de dar fruto, fruto que permaneça. Nós necessitamos Dele, porém, Ele também quer necessitar de nós e de nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo da Galiléia. A última recomendação: “Isto Eu vos mando: que vos ameis uns aos outros!”.

O SIMBOLO DA VIDEIRA NA BÍBLIA. O povo da Bíblia cultivava vinha e produzia um bom vinho. A colheita da uva era uma festa, com cantos e danças. Foi dali que teve origem o canto da vinha, usado pelo profeta Isaias. Ele compara o povo de Israel com uma vinha (Is 5,1-7; 27,2-5; Sal 80,9-19). Antes dele, o profeta Oséias já havia comparado Israel com uma vinha exuberante que quantos mais frutos produziam, mais multiplicava suas idolatrias (Os 10,1). Este tema também foi utilizado por Jeremias, que comparou Israel a uma vinha bastarda (Jr 2,21), dela é que iam ser arrancados os ramos (Jr 5,10;6,9). Jeremias usa estes símbolos porque ele mesmo teve uma vinha que foi pisada e devastada pelos invasores (Jr 12,10). Durante o cativeiro da Babilônia, Ezequiel usou o símbolo da videira para denunciar a infidelidade do povo de Israel. Contou três parábolas sobre a videira: (a)-A videira queimada que já não serve par nada (Ez 15,1-8); (b)-A videira falsa plantada e protegida pelas duas águas, símbolos dos reis da Babilônia e do Egito, inimigos de Israel (Ez 17,1-10). (c)-A videira destruída pelo vento oriental, imagem do cativeiro da Babilônia (Ez 19,10-14). A comparação da videira foi usada por Jesus em várias parábolas: os trabalhadores da vinha (Mt 21,1-16); os dois filhos que devem trabalhar na vinha (Mt 21,33); os que alugaram uma vinha, não pagaram o dono, espantaram seus servos e mataram seu filho (Mt 21,33-45); a figueira estéril plantada na vinha (Lc 13,6-9); a videira e os sarmentos (Jo 15,1-17). 



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Somos amigos e não servos. Como vivo isto em minha relação com as pessoas?
Amar como Jesus nos amou. Como cresce em mim este ideal de amor?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 96,2-3)
Hoje investigarei na internet ou em alguma livraria sobre o Concílio do Vaticano II, e começarei a lê-lo pouco a pouco.





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Lectio Divina - 21/05/14

QUARTA-FEIRA -21/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 15,1-6

Em algumas passagens vemos o quão importante é a hierarquia da Igreja para que o Espírito possa construí-la. Nessa leitura vemos como surgiu uma diferença na comunidade: os pagãos convertidos devem ser circuncidados? Quem deverá decidir isto? Qual é o grupo que está com a razão? Movidos pelo Espírito, decidem não tomar esta decisão por sua própria conta, mas, CONSULTAR a hierarquia da Igreja. Hoje e dia as decisões difíceis em matéria de fé e costumes continuam sendo postas as claras pelos bispos, sucessores dos Apóstolos. A obediência à hierarquia da Igreja é a garantia da unidade. É possível que “nossa opinião” seja contrária, porém, ainda tendo uma revelação privada podermos ir contra o magistério da Igreja. Se verdadeiramente queremos fazer a vontade de Deus e não estivermos envoltos pelas mentiras do demônio que se veste de luz, devemos confiar no poder de discernir que o Senhor deixou na hierarquia da Igreja (apesar de ser como nós, homens, pecadores e frágeis).



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que amas a inocência e a devolve a quem há perdeu, atrai para ti o coração de teus fiéis, para que sempre vivam na luz de tua verdade os que se livraram das trevas do erro. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 15,1-8


Os capítulos de 15 a 17 do Evangelho de João nos apresentam vários ensinamentos de Jesus, que o evangelista uniu e colocou aqui no contexto amistoso e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:

João 15,1-17: REFLEXÕES EM TORNO DA PARÁBOLA DA VIDA

João 15,18 a 16,4ª: CONSELHOS SOBRE A MANEIRA DE SE COMPORTAR QUANDO SE É PERSEGUIDO

João 16,4b-15: PROMESSA SOBRE A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

João 16,16-33: REFLEXÕES SOBRE A DESPEDIDA E O RETORNO DE JESUS

João 17,1-26: O TESTAMENTO DE JESUS EM FORMA DE ORAÇÃO

Os evangelhos de hoje e de amanhã apresentam uma parte da reflexão de Jesus sobre a parábola da vida. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. É igualmente importante observar de perto uma vida ou uma planta para ver como cresce e como se enlaçam o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

João 15,1-2: JESUS APRESENTA A COMPARAÇÃO DA VIDEIRA. No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma vida que Deus plantou com muito carinho nas costas dos montes da Palestina (Sl 80,9-12). Porém, a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Ao invés de cachos de uva boa deu um fruto amargo que não servia para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira videira. Em uma única frase Ele nos dá toda a comparação. Ele disse: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o vinicultor. Todo sarmento que em mim não dá fruto, o corta, e todo o que dá fruto, o limpa, para que dê mais fruto”. A poda é dura, porém, é necessária. Purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos. 

João 15,3-6: JESUS EXPLICA E APLICA A PARÁBOLA. Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós por meio de sua Palavra que nos chega por meio da Bíblia e de muitos outros meios. Jesus estenda a parábola e diz: “Eu sou a videira e vós os sarmentos!”. Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, de outro, os ramos. Não! Não existe uma videira sem ramos. Nós somos partes de Jesus, Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir frutos, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. “Sem mim, não podeis fazer nada!”. Ramo que não produz fruto é cortado. Se seca é queimado. Já não serve para nada, nem sequer, para fazer lenha! 

João 15,7-8: PERMANECER NO AMOR. Nosso modelo é aquele que o próprio Jesus vive em relação com seu Pai. Ele disse: “Como o Pai me amou, eu também os tenho amado. Permanecei no meu Amor!”. Insiste em dizer que devemos permanecer Nele e que suas palavras devem permanecer em nós. E chega a dizer: “Se permaneceis em mim, e minhas palavras permanecem em vós, pedi o que quiseres e o conseguirei!”. Pois, o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e assim darmos muitos frutos.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Quais são as podas ou momentos difíceis que passei em minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais são as podas ou momentos difíceis que passamos em nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?
O que mantém viva uma planta, capaz de dar frutos, é a seiva que a atravessa. Qual é a seiva que está presente em nossa comunidade e a mantém viva, capaz de dar frutos?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 96,1-2)
Hoje meditarei os cinco mandamentos da Igreja e avaliarei o quão o conheço e os aplico.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Lectio Divina - 19/05/14

SEGUNDA-FEIRA -19/05/2014



PRIMEIRA LEITURA: Atos 14,5-18


Esta passagem nos mostra, por um lado, que nem sempre a adversidade é algo negativo, mas que é parte do misterioso plano de Deus. É graças a esta perseguição que acontece em Icônio, que Paulo e Barbabé pregaram o Evangelho em outras cidades. Isto é importante lembrar, sobretudo, quando as coisas em nossa vida não vão como nós esperávamos, e mais ainda, quando por estas circunstâncias nos vemos obrigados a deixar um trabalho, uma cidade, ou uma associação. Devemos sempre pensar que Deus está nos brindando agora a oportunidade de levar a boa nova do Evangelho a outras comunidades, de levar a alegria e a salvação a quem ainda vive na obscuridade do pecado. Por outro lado, nos fala do perigo que temos de sermos vencidos pela adulação das pessoas que vendo nossa vida e as obras que Deus realiza por nosso meio, cheguemos a pensar que somos merecedores da glória que só pertence a Deus. Sejamos, pois, cautelosos, e em toda boa obra que realizemos demos sempre a glória ao único que pertence: a Deus.



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus que unes os corações de teus fiéis no mesmo desejo, inspira em teu povo o amor a teus preceitos e a esperança a tuas promessas, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria. Por Nosso Senhor... 


REFLEXÃO

João 14,21-36


Como dizíamos anteriormente, o capítulo 14 de João é um bonito exemplo de como se praticava a catequese nas comunidades da Ásia Menor no final do primeiro século. Através das perguntas dos discípulos e das respostas de Jesus, os cristãos iam formando a consciência e encontravam uma orientação para seus problemas. Assim, neste capítulo 14, temos a pergunta de Tomé e a resposta de Jesus (Jo 14,5-7), a pergunta de Felipe e a resposta de Jesus (Jo 14,8-21), e a pergunta de Judas e a resposta de Jesus (Jo 14,22-26). A última frase da resposta de Jesus a Felipe (Jo 14,21) constitui o primeiro versículo do evangelho de hoje.

João 14,21: EU O AMAREI E ME MANIFESTAREI A ELE. Este versículo é o resumo da resposta de Jesus a Felipe. Felipe havia dito: “Mostra-nos o Pai e isto nos basta!” (Jo 14,8). Moisés havia perguntado a Deus: “Mostra-nos tua glória!” (Es 33,18). Deus respondeu: “Não poderás ver meu rosto, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo” (Es 33,20). O Pai não poderá ser mostrado. Deus habita uma luz inacessível (1Tm 6,16). “Deus nunca ninguém verá” (1Jo 4,12). Porém, a presença do Pai poderá ser experimentada através da experiência do amor. Diz a primeira carta de João: “Quem não ama não conhece Deus, porque Deus é amor”. Jesus disse a Felipe: “O que tem meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama. E o que me ama, será amado de meu Pai. E eu lhe amarei e me manifestarei a ele”. Observando o mandamento de Jesus, que é o mandamento do amor ao próximo (Jo 15,17), a pessoa mostra seu amor por Jesus. E quem ama Jesus, será amado pelo Pai e pode ter a certeza de que o Pai se manifestará. Na resposta a Judas, Jesus dirá como acontece esta manifestação do Pai em nossa vida.

João 14,22: A PERGUNTA DE JUDAS, PERGUNTA DE TODOS. A pergunta de Judas: “O que é que vais manifestar para nós e não para o mundo?”. Esta pergunta de Judas reflete um problema que é real até hoje. Às vezes, aflora em nós cristãos a idéia de que somos melhores que os demais e que Deus nos ama mais que aos outros. Deus faz distinção de pessoas?

João 14,23-24: RESPOSTA DE JESUS. A resposta de Jesus é simples e profunda. Repete o que acabou de dizer a Felipe. O problema não é se os cristãos são amados por Deus mais que os outros, o se os outros são desprezados por Deus. Não é este o critério da preferência do Pai. O critério da preferência do Pai é sempre o mesmo: o amor. “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos morada nele. Quem não me ama, não guarda minhas palavras”. Independentemente do fato que a pessoa seja ou não cristã, o Pai se manifesta a todos aqueles que observam o mandamento de Jesus que é o amor pelo próximo (Jo 15,17). Em que consiste a manifestação do Pai? A resposta a esta pergunta está impressa no coração da humanidade, na experiência humana universal. Observe a vida das pessoas que praticam o amor e fazem de sua vida uma entrega aos demais. Examina tua própria experiência. Independentemente da religião, da classe, da raça ou da cor, a prática do amor nos dá uma paz profunda e uma alegria que conseguem conviver com a dor e o sofrimento. Esta experiência é o reflexo da manifestação do Pai na vida das pessoas. E é a realização da promessa: Eu e meu Pai viremos a ele e faremos morada nele.

João 14,25-26: A PROMESSA DO ESPÍRITO SANTO. Jesus termina sua resposta a Judas dizendo: Tenho dito estas coisas estando convosco. Jesus comunicou tudo o que ouviu do Pai (Jo 15,15).Suas palavras são fonte de vida e devem ser meditadas, aprofundadas e atualizadas constantemente à luz da realidade sempre nova que nos envolve. Para esta meditação constante de suas palavras Jesus nos promete a ajuda do Espírito Santo: “Porém, o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, os ensinará tudo e os lembrará tudo o que eu vos tenho dito”.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Jesus disse: Eu e meu Pai viremos a ele e faremos morada nele. Como experimento esta promessa?
Temos a promessa do dom do Espírito para ajudar-nos a entender a palavra de Jesus: Invoco a luz do Espírito quando vou ler e meditar a Escritura?




ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 145. 2-3)
Reconhecerei que os dons e virtudes que possuo não são por meus méritos, mas sim, pela graça de Deus. 




terça-feira, 13 de maio de 2014

Lectio Divina - 13/05/14


TERÇA-FEIRA -13/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 11,19-26

Esta passagem de novo mostra como uma situação que em si mesma é triste e dolorosa como é o martírio de Estevão, se converte, pela graça de Deus, em fonte de benção para muitos. Graças a perseguição que se desencadeia em Jerusalém contra os discípulos de Jesus por parte das autoridades judias, e como o Evangelho sai da cidade para chegar à que nesse tempo seria a terceira cidade romana em importância. É que Deus se vale de todos os acontecimentos de nossa vida, inclusive dos que consideramos desagradáveis (que poderíamos dizer que principalmente destes) para que a mensagem do Evangelho chegue àqueles que não conhecem ou não o amam. De nós, só espera docilidade a seu Espírito e que confiando plenamente em seu amor falemos aos demais do Evangelho. Deixe que Deus converta todo acontecimento em tua vida em uma oportunidade para que Ele seja mais conhecido e mais amado.


ORAÇÃO INICIAL 

Pedimos-te Senhor todo poderoso, que a celebração das festas de Cristo ressuscitado aumente em nós a alegria de saber-nos salvos. Por Jesus Cristo Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 10,22-30

Os capítulos de 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição para com Ele, segundo a visão com que cada qual espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como as pessoas seguiam Jesus naquele tempo, mas, também e, sobretudo, como devemos seguir-lhe nós hoje, seus leitores e leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham seus critérios para poder-lhe reconhecer. Queriam que fosse como eles imaginavam. Porém, Jesus não se submete a esta exigência. Revela o Pai como é o Pai e não como gostariam os ouvintes que Ele fosse. Pede que nos convertamos em nossa maneira de pensar e agir. Hoje também, cada um de nós tem seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se ali encontramos a confirmação de nossos desejos. O evangelho de hoje projeta luz a esse respeito.

João 10,22-24: OS JUDEUS INTERPELAM JESUS. Fazia frio. Mês de Outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus caminha pela esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus lhes perguntam: “Até quando vamos ter esta dúvida? Se tu és o Cristo, diz-nos abertamente”. Eles querem que Jesus se defina e que eles possam comprovar, a partir de seus critérios, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário, não terão direito de falar nem de agir.

João 10,25-26: RESPOSTA DE JESUS: AS OBRAS QUE FAÇO DÃO TESTEMUNHO DE MIM. A resposta de Jesus é sempre a mesma: “Já lhes disse, porém, não me acreditaram. As obras que faço em nome de meu Pai são as que dão testemunho de mim, porém, vós não acreditais porque não são minhas ovelhas”. Não se trata de provar. Não adiantaria nada. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não existe prova que o convença de outra forma. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde existe esta abertura, Jesus é reconhecido por suas ovelhas. “Todo homem que está com a verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais tarde diante de Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.

João 10,27-28: MINHAS OVELHAS CONHECEM MINHA VOZ. Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por suas ovelhas. Este mutuo entendimento – entre Jesus que vem em nome do Pai e das pessoas que se abem à verdade – é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus, supera a ameaça de morte: “Não pereceram jamais e ninguém as arrebatará de minhas mãos!”. Estão a salvo e, por isso, em paz e em plena liberdade.

João 10,29-30: EU E O PAI SOMOS UM. Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “O Pai, que tudo me entregou, é maior que todos. E ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas, é fruto da obediência: “Eu faço sempre o que agrada ao Pai” (Jo 8,29;6,38;17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai” (Jo 4,34;5,30). A carta aos Hebreus diz que Jesus teve que aprender, pelo sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Foi obediente até a morte e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas sim, profética. Obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isto podia dizer: “O Pai e eu somo um!”. Foi um longo processo de obediência, que durou 33 anos. Começou com o “SIM” de Maria (Lc 1,38) e terminou com “TUDO ESTÁ CONSUMADO!” (Jo 19,30). 




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupo com minha salvação?
Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam comprovar se Ele era o messias anunciado. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisitiva típica dos adversários de Jesus?



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 87)
Hoje enfrentarei as dificuldades que me apresentarem e, deixarei de fugir daquelas que tenho me escondido.





segunda-feira, 12 de maio de 2014

Lectio Divina - 12/05/14


SEGUNDA-FEIRA -12/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 11,1-18

Nunca julguemos pelas aparências ou por circunstâncias das quais não temos pleno conhecimento. É bem possível que um cristão cujo comportamento estranhamos esteja agindo em obediência ao Senhor. Foi o caso de Pedro quando entrou na casa de Cornélio e comeu com ele. "Os que eram da circuncisão" quiseram ater-se apenas a esses detalhes (v. 2), ao passo que naquela casa haviam sucedido coisas maravilhosas. A salvação dos gentios estava anunciada no Antigo Testamento (Isaías 49:6 e 65:1). O próprio Pedro havia feito alusão a isso em seu primeiro discurso (Cap. 2:21, 39). Eram necessárias, porém, evidências mais concretas para dissipar o preconceito dos irmãos em Jerusalém. O relato de Pedro lhes dava estes elementos, atestados também pelas seis testemunhas que o tinham acompanhado. Ao ouvir como o apóstolo fora inspirado e conduzido à casa de Cornélio e, acima de tudo, como o Espírito Santo descera sobre os gentios, todos reconheceram a vontade de Deus e deram-Lhe glória. Alegremo-nos por essa tão grande bênção que se estendeu até nós, e - se ainda não o fizemos - apressemo-nos em recebermos também o "arrependimento para a vida" (v. 18).


ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que por meio da humilhação de teu Filho levantaste à humanidade caída, concede a teus fiéis a verdadeira alegria, para que aqueles que foram libertados da escravidão do pecado alcancem também a felicidade eterna. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 10,11-18


O evangelho de hoje nos trás a parábola do Bom Pastor que é a continuação do evangelho de ontem. É difícil escolher entre um e outro. Por isso, preferimos comentar brevemente os dois (Jo 10,1-18). O discurso sobre o Bom Pastor trás três comparações enlaçadas entre si: 1ª)- COMPARAÇÃO: Jesus fala do pastor e dos ladrões (Jo 10,1-5); 2ª)-COMPARAÇÃO: Jesus é a porta das ovelhas (Jo 10,6-10); 3ª)-COMPARAÇÃO: Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11-18).

João 10,1-5: 1ª COMPARAÇÃO: ENTRAR PELA PORTA E NÃO POR OUTRO LUGAR. Jesus inicia o discurso com a comparação da porta: “Quem não entra pela porta e sim por qualquer outra parte é um ladrão e um salteador. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas”. Naquele tempo, os pastores cuidavam do rebanho durante o dia. Quando chegava a noite, levavam as ovelhas a um grande redil ou curral comunitário, bem protegido contra ladrões e lobos. Todos os pastores de uma mesma região levavam ali seu rebanho. Um guardião se ocupava de todas as ovelhas durante a noite. No dia seguinte, logo pela manhã, o pastor chegava, batia palmas contra a porta do redil e o guardião abria. O pastor entrava e chamava as ovelhas por seu nome. As ovelhas reconheciam a voz de seu pastor, se levantavam e saiam atrás dele para pastar. As ovelhas de outros pastores ouviam a voz, porém não se moviam, porque era uma voz estranha para elas. De vez em quando, surgia o perigo de assalto. Os ladrões entravam por um atalho ou derrubavam a cerca do redil, feita de pedras amontoadas, para roubar as ovelhas. Eles não entravam pela porta, pois, ali estava o guardião que as custodiava.

João 10,6-10: 2ª COMPARAÇÃO: JESUS É A PORTA. Os ouvintes, os fariseus (Jo 9,40-41), não entendiam o que significava “entrar pela porta”. Jesus então conclui: “Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes são ladrões e malfeitores”. De quem está falando Jesus nesta frase tão dura? Provavelmente, se referia aos líderes religiosos que arrastavam as pessoas atrás de si e que, entretanto, não respondiam às esperanças das pessoas. Não estavam interessados no bem do povo, mas sim em seus próprios bolsos e em seus interesses. Enganavam as pessoas, e as deixavam sem nada. Entrar pela porta é o mesmo que agir com agia Jesus. O critério básico para discernir quem é pastor e quem é assaltante, é a defesa da vida das ovelhas. Jesus pede ao povo que não siga às pessoas que se apresentam como pastor, mas, que não procuram a vida das pessoas. E aqui diz a frase que continuamos cantando até hoje: “Ele veio para que todos tenham vida, e para que a tenham em abundância!”. Este é o critério!

João 10,11-15: 3ª COMPARAÇÃO: JESUS É O BOM PASTOR. Jesus muda a comparação. Antes, Ele era a porta das ovelhas. Agora é o pastor das ovelhas. Todo mundo sabia o que era um pastor e como vivia e trabalhava. Mas, Jesus não um pastor qualquer, mas sim é o “bom pastor!” A imagem do bom pastor vem do AT. Dizendo que é o Bom Pastor, Jesus se apresenta como aquele que vem realizar as promessas dos pofetas e das esperanças do povo. Podemos ler, por exemplo, a belíssima profecia de Ezequiel (Ez 34,11-16). Existem dois pontos nos quais Jesus insiste: (a)-Na defesa da vida das ovelhas: o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (b)-No mutuo reconhecimento entre pastor e ovelhas: o Pastor conhece a suas ovelhas e elas conhecem o pastor. Jesus disse que nas pessoas existe uma percepção para saber quem é o bom pastor. Era isto que os fariseus não aceitavam. Eles desprezavam as ovelhas e as chamava “povo maldito e ignorante” (Jo 7,49;9,34). Pensavam ter o olhar justo para discernir as coisas de Deus. Na realidade estavam cegos. O discurso sobre o Bom Pastor ensina duas regras para poder curar este tipo bastante freqüente de cegueira: (I)-Prestar muita atenção na reação das ovelhas, pois elas reconhecem a voz do pastor. (II)-Prestar muita atenção na atitude daquele que se diz pastor para ver se lhe interessa verdadeiramente a vida das ovelhas, sem ou não, e se é capaz de dar a vida pelas ovelhas.

João 10,16-18: A META A QUAL JESUS QUER CHEGAR: UM SÓ REBANHO E UM SÓ PASTOR. Jesus abre o horizonte e diz que existem outras ovelhas que não são deste redil. E elas não ouviram a voz de Jesus, porém, quando a ouvir, se darão conta de que Ele é o pastor e lhe seguirão. É a dimensão ecumênica universal.


PARA REFLEXÃO PESSOAL

Pastor-Pastoral. A pastoral em minha paróquia imita a missão de Jesus - Pastor? Em minha ação pastoral, qual é minha atitude? Sou pastor como Jesus?
Já teve a experiência de haver sido enganado por um falso pastor? Como procurar superar isso?


ORAÇÃO FINAL 
(SALMO 42,2-3)




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Lectio Divina - 07/05/14


QUARTA-FEIRA -07/05/2014



PRIMEIRA LEITURA: Atos 8,1-8


Novamente como em situações que nos pareciam “adversas”, como é o caso de uma perseguição, são precisamente estas as que tornam possível que a salvação se estenda ao resto da comunidade. Muitos são os casos nos quais uma enfermidade, a morte de um amigo, a perda do emprego, são precisamente o instrumento de Deus para trazer a salvação à família ou a própria vida. Por isso, devemos sempre lembrar o que diz Paulo a respeito: “Tudo convém para aqueles que amam ao Senhor”. De maneira que se está passando por uma situação particularmente difícil em tua casa, em teu trabalho, em tua escola ou em qualquer área de tua vida, mantenha firme a tua fé no Senhor. Verás que com o tempo, de deixar que Deus verdadeiramente trabalhe em ti, isso que agora é causa de dor e pena, se converterá em fonte de alegria e salvação. A vida não é fácil em nenhum sentido, porém, Jesus prometeu estar conosco até o final dos tempos.



ORAÇÃO INICIAL 

Permanecei, ó Pai, com vossa família e, na vossa bondade, fazei que participem eternamente da ressurreição do vosso Filho aqueles a quem destes a graça da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.




REFLEXÃO

João 6,35-40


João 6,35-36: Eu sou o pão da vida.Entusiasmado com a perspectiva de ter o pão do céu de que falava Jesus e que dá vida para sempre (Jo 6,33), o povo pede: “Senhor, dá nos sempre desse pão!” (Jo 6,34). Pensavam que Jesus estivesse falando de um pão especial. Por isso, interesseiramente pede: “Dá-nos sempre desse pão!” Este pedido do povo faz lembrar a conversa de Jesus com a Samaritana. Jesus tinha dito que ela poderia ter dentro de si a fonte de água que brota para a vida eterna, e ela interesseiramente pedia: “Senhor, dá-me dessa água!” (Jo 4,15). A Samaritana não percebeu que Jesus não estava falando da água material. Da mesma maneira, o povo não se deu conta de que Jesus não estava falando do pão material. Por isso, Jesus responde bem claramente: “Eu sou o pão da vida! Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”. Comer o pão do céu é o mesmo que crer em Jesus. É crer que ele veio do céu como revelação do Pai. É aceitar o caminho que ele ensinou. Mas o povo, apesar de estar vendo Jesus, não acredita nele. Jesus percebe a falta de fé e diz: “Vocês me vêem, mas não acreditam”.

João 6,37-40: Fazer a vontade daquele que me enviou. Depois da conversa com a Samaritana, Jesus tinha dito aos discípulos: “O meu alimento é fazer a vontade do Pai que está no céu!” (Jo 4,34). Aqui, na conversa com o povo a respeito do pão do céu, Jesus toca no mesmo assunto: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, e sim para fazer a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia. Sim, esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele acredita, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” Este é o alimento que o povo deve buscar: fazer a vontade do Pai do céu. É este o pão que sustenta a pessoa na vida e lhe dá rumo. Aí começa a vida eterna, vida que é mais forte que a morte! Se estivessem realmente dispostos a fazer a vontade do Pai, não teriam dificuldade em reconhecer o Pai presente em Jesus.

João 6,41-43: Os judeus murmuram. O evangelho de amanhã começa com o versículo 44 (Jo 6,44-51) e salta os versículos 41 a 43. No versículo 41, começa a conversa com os judeus, que criticam Jesus. Damos aqui uma breve explicação do significado da palavra judeus no evangelho de João para evitar que uma leitura superficial alimente em nós cristãos o sentimento do anti-semitismo. Antes de tudo, é bom lembrar que Jesus era Judeu e continua sendo judeu (Jo 4,9). Judeus eram seus discípulos e discípulas. As primeiras comunidades cristãs eram todas de judeus que aceitavam Jesus como o Messias. Só depois, pouco a pouco, nas comunidades do Discípulo Amado, gregos e pagãos começam a ser aceitos em pé de igualdade com os judeus. Eram comunidades mais abertas. Mas tal abertura não era aceita por todos. Alguns cristãos vindos do grupo dos fariseus queriam manter a “separação” entre judeus e pagãos (At 15,5). A situação ficou mais crítica depois da destruição de Jerusalém no ano 70. Os fariseus se tornam a corrente religiosa dominante dentro do judaísmo e começam a definir as diretrizes religiosas para todo o povo de Deus: suprimir o culto em língua grega; adotar unicamente o texto bíblico em hebraico; definir a lista dos livros sagrados eliminando os livros que estavam só na tradução grega da Bíblia: Tobias, Judite, Ester; Baruc, Sabedoria, Eclesiástico e os dois livros dos Macabeus; segregar os estrangeiros; não comer nenhuma comida, suspeita de impureza ou de ter sido oferecida aos ídolos. Todas estas medidas assumidas pelos fariseus repercutiam nas comunidades dos judeus que aceitavam Jesus como Messias. Estas comunidades já tinham caminhado muito. A abertura para os pagãos era irreversível. A Bíblia em grego já era usada há muito tempo. Não podiam voltar atrás. Assim, lentamente, cresce um distanciamento mútuo entre cristianismo e judaísmo. As autoridades judaicas nos anos 85-90 começam a discriminar os que continuavam aceitando Jesus de Nazaré como Messias (Mt 5, 11-12; 24,9-13). Quem teimava em permanecer na fé em Jesus era expulso da sinagoga (Jo 9,34) . Muitos das comunidades cristãs sentiam medo desta expulsão (Jo 9,22), já que significava perder o apoio de uma instituição forte e tradicional como a sinagoga. Os que eram expulsos perdiam os privilégios legais que os judeus tinham conquistado ao longo dos séculos dentro do império. As pessoas expulsas perdiam até a possibilidade de ter um enterro decente. Era um risco muito grande. Esta situação conflituosa do fim do primeiro século repercute na descrição do conflito de Jesus com os fariseus. Quando o evangelho de João fala em judeus não está falando do povo judeu como tal, mas está pensando muito mais naquelas poucas autoridades farisaicas que estavam expulsando os cristãos das sinagogas nos anos 85-90, época em que o evangelho foi escrito. Não podemos permitir que esta afirmações sobre os façam crescer o anti-semitismo entre os cristãos.




PARA REFLEXÃO PESSOAL

Anti-semitismo: olhe bem dentro de você e arranque qualquer resto de anti-emitismo.
Comer o pão do céu é crer em Jesus. Como isto me ajuda a viver melhor a eucaristia?



ORAÇÃO FINAL 

SALMO 65,1-3
Dizei a Deus: “Como são estupendas as tuas obras! pela grandeza da tua força teus adversários se curvam diante de ti”.







terça-feira, 6 de maio de 2014

Lectio Divina - 06/05/14

TERÇA-FEIRA -06/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 7,51-8,1


Duras, porém, corretas as palavras de Estevão dirigidas a todos nós: “Homens de cabeça dura, de coração e ouvidos fechados. Vocês resistem sempre ao Espírito Santo”. E na verdade, pensemos, quantas vezes temos tido a oportunidade de crescer no amor de Jesus, de assistir um retiro? Quantas vezes por preguiça ou por priorizar outras atividades faltamos à missa? Quantas vezes, podendo fazer caridade, um favor, um serviço não o temos feito? Quantas vezes preferimos ver a televisão no lugar de atender nossos filhos, irmãos, ou, a nossos pais? Quantas vezes temos deixado a oração por alguma outra atividade? Nesta Páscoa, Jesus nos oferece de novo a possibilidade de abrir-lhe totalmente nosso coração e deixar que seja o Espírito Santo quem dirija nossa vida, nos faz de novo o convite para que tomemos o Evangelho como norma de nosso trabalho diário e que façamos da caridade um estilo de vida. 


ORAÇÃO INICIAL 

Senhor, tu que abres as postas de teu reino aos que tem renascido da água e do Espírito, acrescenta a graça que tens dado a teus filhos, para que, purificados já de seus pecados, alcancem todas tuas promessas. Por Nosso Senhor...


REFLEXÃO

João 6,30-35


O Discurso do Pão da Vida não é um texto que discute ou disseca, mas sim, um texto que existe para pensar e meditar. Por isto, se não se entende tudo, não tem porque preocupar-se. Este texto do Pão da Vida exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Um texto assim, a gente o deve ler, meditar, rezar, pensar, ler de novo, repetir, meditar, como se faz com um bom caramelo na boca. Tê-lo na boca, dando voltas, até que se acabe. Quem lê o Quanto Evangelho superficialmente pode ficar com a impressão de que João repete sempre a mesma coisa. Lendo com mais atenção, é possível perceber que não se trata de repetições. O autor do Quarto Evangelho tem sua própria maneira de repetir o mesmo assunto, porém, num nível cada vez mais profundo. Parece com uma escada em caracol. Girando, chega-se ao mesmo lugar, porém, em um nível mais profundo.

João 6,30-33: QUAL É O SINAL QUE REALIZAS PARA QUE POSSAMOS CRER? As pessoas haviam perguntado: O que é que devemos fazer para realizar a obra de Deus? Jesus responde: “A obra de Deus é acreditar naquele que Ele enviou”, isto é, crer em Jesus. Por isto, as pessoas formulam uma nova pergunta: “Que sinal realizas para que possamos ver e crer em ti? Qual é tua obra?”. Isto significa que não entenderam a multiplicação dos pães como um sinal de parte de Deus para legitimar a multiplicação dos pães como um sinal da parte de Deus para legitimar Jesus diante do povo como um enviado de Deus. E continuam argumentando: No passado, nossos pais comeram o maná que lhes foi dado por Moisés. Eles o chamaram “pão do céu” (Sb 16,20), ou seja, “pão de Deus”. Moisés continua sendo um grande líder, em quem eles acreditam. Se Jesus quer que as pessoas acreditem Nele, tem que fazer um sinal maior que o de Moisés. “Qual é a tua obra?”.

Jesus responde que o pão dado por Moisés não era o verdadeiro pão do céu. Vinha de cima, sim, porém, não era o pão de Deus, pois não garantiu a vida para ninguém. Todos morreram no deserto (Jo 6,49). O verdadeiro pão do céu, o pão de Deus, é o pão que vence a morte e traz vida. É aquele que descendo do céu dá a vida ao mundo. É Jesus! Jesus procura ajudar as pessoas a libertarem-se dos esquemas do passado. Para Ele, fidelidade ao passado não significa fechar-se nas coisas antigas e não aceitar a renovação. Fidelidade ao passado é aceitar o novo que chega como fruto da semente plantada no passado.

João 6,34-35: SENHOR DÊ-NOS SEMPRE DESTE PÃO! Jesus responde claramente: “Eu sou o Pão da Vida!”. Comer o pão do céu é o mesmo que acreditar em Jesus e aceitar o caminho que Ele nos ensinou, a saber: “Meu alimento é fazer a vontade do Pai que está no céu!” (Jo 4,34). Este é o alimento verdadeiro que sustenta a pessoa, que dá um rumo à vida, e que traz vida nova. Este último versículo do evangelho de hoje (Jo 6,35) será retomado como primeiro versículo do evangelho de amanhã.



PARA REFLEXÃO PESSOAL

Fome de pão, fome de Deus. Qual das duas predomina em mim?
Jesus diz: “Eu sou o pão da vida”. Ele sacia a fome e a sede. Que experiência tenho disto? 



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 31,2-3) 
Hoje farei aquilo que Deus está me pedindo e que tenho adiado! 






segunda-feira, 5 de maio de 2014

Lectio Divina - 05/05/14


SEGUNDA-FEIRA -05/05/2014


PRIMEIRA LEITURA: Atos 6,8-15


Ao fazermos esta leitura ficamos surpresos pelo ódio que se pode chegar a criar sobre uma pessoa pelo simples fato de acreditar em Jesus. Entretanto, como estavam longe as comunidades cristãs daquele tempo, em pensar que isto aconteceria a Estevão. Nós os cristãos faríamos com nossos próprios irmãos cristãos? As divisões que existem, e que ainda desgraçadamente existem na Igreja, tem sido motivo para caluniar, ferir, desterrar e inclusive matar aqueles que não professam a fé da mesma maneira. Nas lutas religiosas em todo o mundo a única coisa que tem deixado é fome, miséria, morte, desolação e, sobretudo, grandes feridas no coração daqueles que crêem. O motivo é que não deixamos que Deus tenha a regra das coisas, mas sim, que as queremos do nosso jeito, e desta maneira o ódio só engendra mais ódio. Estevão nos diz a escritura, cheio do Espírito Santo, deixou que Deus falasse por meio dele, com palavras de amor, não com espadas nem com lanças. Em teu trato com irmãos que não professam a fé como você, permite à Deus agir, se te atacaram, sinta-se feliz por padecer pelo nome de Jesus, e tua caridade mostrará a teus adversários que Deus verdadeiramente vive em ti. Lembra-te que o amor sempre vence!



ORAÇÃO INICIAL 

Oh Deus, que mostras a luz de tua verdade aos que andam extraviados, para que possam voltar ao bom caminho, concede a todos os cristãos rejeitar o que é indigno deste nome e cumprir o quanto Ele significa! Por Nosso Senhor...



REFLEXÃO

João 6,22-29

No evangelho de hoje iniciamos a reflexão sobre o Discurso do Pão da Vida, que se prolongará durante os próximos seis dias, até o final desta semana. Depois da multiplicação dos pães, o povo foi atrás de Jesus. Havia visto o milagre, havia comido até saciar-se e queria mais! Não procurou entender o sinal ou o chamado de Deus que havia em tudo isto. Quando as pessoas encontraram Jesus na sinagoga de Cafarnaum, tiveram com Ele uma longa conversa, chamada de Discurso do Pão da Vida. Não é propriamente um discurso, porém, trata-se de um conjunto de sete breves diálogos que explicam o significado da multiplicação dos pães como símbolo do novo Êxodo e da Ceia Eucarística.

É bom ter presente a divisão do capítulo para poder perceber melhor seu sentido: (a)- 6,1-15: a passagem sobre a multiplicação dos pães; (b)-6,16-21: a travessia do lago, e Jesus caminha sobre as águas e (c)-6,22-71: o diálogo de Jesus com as pessoas, com os judeus e com os discípulos.

1º DIÁLOGO: 6,22-27 COM AS PESSOAS: as pessoas procuram Jesus e o encontram em Cafarnaum

2º DIÁLOGO: 6,28-34 COM AS PESSOAS: a fé como obra de Deus e o maná no deserto 

3º DIÁLOGO: 6,35-40 COM AS PESSOAS: o pão verdadeiro é fazer a vontade de Deus

4º DIÁLOGO: 6,41-51 COM OS JUDEUS: murmurações dos judeus

5º DIÁLOGO: 6,52-58 COM OS JUDEUS: Jesus e os judeus

6º DIÁLOGO: 6,59-66 COM OS DISCÍPULOS: reação dos discípulos

7º DIÁLOGO: 6,67-71 COM OS DISCÍPULOS: confissão de Pedro

A conversa de Jesus com as pessoas, com os judeus e com os discípulos é um diálogo bonito, porém, exigente. Jesus procura abrir os olhos das pessoas para que aprendam a ler os acontecimentos e descubram neles o rumo que devem tomar na vida. Pois, não basta ir atrás dos sinais milagrosos que multiplicam o pão para o corpo. Não só de pão vive o homem. A luta pela vida sem uma mística não alcança a raiz. Na medida em que vai conversando com Jesus, as pessoas ficam cada vez mais contrariadas pelas palavras de Jesus, porém, Ele não cede, nem muda as exigências. O discurso parece mover-se em espiral. Na medida em que a conversa avança, existe cada vez menos pessoas que ficam com Jesus. No final ficam somente os doze, e Jesus não pode confiar nem sequer neles! Hoje acontece o mesmo. Quando o evangelho começa a exigir um compromisso, muita gente se afasta.

João 6,22-27: AS PESSOAS PROCURAM JESUS PORQUE QUEREM MAIS PÃO. As pessoas vão atrás de Jesus. Vêem que não entrou no barco com os discípulos e, por isso, não entendem como fez para chegar à Cafarnaum. Tampouco, entendem o milagre da multiplicação dos pães. As pessoas vêem o que acontece, porém, não chegam a entender tudo isto como um sinal de algo mais profundo. Detém-se na superfície: na fartura de comida. Procuram pão e vida, porém, só para o corpo. Segundo as pessoas, Jesus fez o que Moisés havia feito no passado: alimentar a todos no deserto, até saciarem-se. Indo, atrás de Jesus, eles queriam que o passado se repetisse. Porém, Jesus pede ás pessoas que dêem um passo a mais. Além do trabalho pelo pão que perece, deve trabalhar pelo alimento que não perece. Este novo alimento o dará o Filho do Homem, indicado pelo próprio Deus. Ele nos dá a vida que dura para sempre. Ele abre para nós um horizonte sobre o sentido da vida e sobre Deus.

João 6,28-29: QUAL É A OBRA DE DEUS? As pessoas perguntam: O que é que devemos fazer para realizar este trabalho (obra) de Deus? Jesus responde que a grande obra que Deus nos pede “é acreditar naquele que Deus enviou”. Ou seja, crer em Jesus!




PARA REFLEXÃO PESSOAL

As pessoas tinham fome, comeram o pão e procuraram mais pão. Procuraram o milagre e não o sinal de Deus que no milagre se escondia. O que é que mais procuro em minha vida: o milagre ou o sinal?
Por um momento, faça silêncio dentro de ti e pergunta-te: “Acreditar em Jesus: o que é que isto significa para mim, bem concretamente em minha vida de cada dia?”. 



ORAÇÃO FINAL 

(SALMO 119,26-27)
Hoje procurarei pessoas de outra religião com as quais sempre acontecem confrontações, e simplesmente ouvirei com atenção, não responderei ataques com ataques, mas sim, com cortesia e amabilidade, confiando em que Deus se manifestará de uma maneira mais forte em meu testemunho de paz, amor e aceitação.