terça-feira, 31 de março de 2015

Lectio Divina - 31/03/15



DIA 31/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Isaias 49,1-6
  • Novamente o Senhor nos lembra que é Ele precisamente quem vence nossas batalhas, que em vão nos esforçamos, quando é o seu poder que nos dá a vitória. Deus nos acolheu e nos chamou para viver em sua plenitude, por isso, o grande erro do homem é querer ser auto-suficiente, procurar a independência de tudo e de todos, inclusive do próprio Deus. Precisamente com Deus somos mais que vencedores; para isto Jesus morreu e ressuscitou, para que tenhamos a vitória sobre nossos pecados e debilidades. Aproveitemos esta semana para intensificar nossa relação com Deus. Conheçamo-lo mais a cada dia e não só de “ouvido”, mas, como uma experiência pessoal. Preparemo-nos constantemente, intensificando nossa oração e buscando para que vitória de Deus se manifeste em nossa caridade para com os demais.
ORAÇÃO INICIAL
  • Deus todo poderoso e eterno, concede-nos participar tão vivamente nas celebrações da paixão do Senhor, que alcancemos teu perdão. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à João 13,21-33.36-38
  • Estamos no segundo dia da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à detenção e a condenação de Jesus. Os textos nos trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, porém, não nos relatam as traições e negações dos discípulos que possibilitaram a detenção de Jesus por parte das autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus.
  • João 13,21: O ANUNCIO DA TRAIÇÃO. Depois de haver lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e de haver falado da obrigação que temos de lavarmos os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comove profundamente. E não era para menos. Enquanto Ele estava fazendo aquele gesto de total entrega de si mesmo, a seu lado um discípulo estava tramando como atraiçoá-lo naquela mesma noite. Jesus expressa sua comoção e diz: “Em verdade vos digo: um de vós me entregará”. Não disse: “Judas me entregará”, mas sim, “um de vós”. Alguém do circulo de amizade será o traidor.
  • João 13,22-25: A REAÇÃO DOS DISCÍPULOS. Os discípulos se assustam. Não esperavam esta declaração tão séria de que um deles o trairia. Pedro faz um sinal à João e pergunta a Jesus quem dos doze ia cometer a traição. Sinal de que não entendia quem poderia ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles não havia chegado, a mesma transparência de Jesus para com eles (cf. Jo 15,15). João se inclina próximo de Jesus e pergunta: “Quem é?”.
  • João 13,26-30: JESUS INDICA JUDAS. Jesus disse: “É aquele a quem Eu der o pão que eu vou molhar”. Aquele a quem vou dar um pedaço de pão molhado. Toma um pedaço de pão, o molha e o dá a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam ter entre eles. E Jesus diz a Judas: “O que vai fazer, faça-o logo!”. Judas tinha uma bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e dar esmola aos pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anuncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: “Até meu amigo fiel no qual confiava e, que meu pão compartilhava, me trata com desprezo” (Sl 41,10, cf. Sl 55,13-15). Judas percebe que Jesus estava sabendo de tudo (cf. Jo 13,18). No entanto, não volta atrás, e se mantém na decisão de trair Jesus. É neste momento que ocorre a separação entre Judas e Jesus. João disse que Satanás entrou nele. Judas se levantou e se foi. Colocou-se ao lado do adversário (satanás). João comenta: “Era de noite”. Era a escuridão.
  • João 13.31-33: COMEÇA A GLORIFICAÇÃO DE JESUS. É como se a história houvesse esperado este momento de separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entram em Judas quando decide executar aquilo que está tramando. Neste mesmo instante se faz a luz em Jesus que declara: “Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado Nele. Se Deus foi glorificado Nele, Deus também se glorificará em si mesmo e o glorificará agora!”. O que vai acontecer daqui em diante é contagem regressiva. As grandes decisões já foram tomadas, tanto de parte de Jesus (Jo 12,27-28) como de parte de Judas, agora. Os fatos se precipitam. E Jesus avisa: “Filhos meus, pouco tempo vou estar convosco”. Falta pouco para que se realize o passo, a Páscoa.
  • João 13,34-35: O NOVO MANDAMENTO. O evangelho de hoje omite estes dois versos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.
  • João 13,36-38: ANUNCIO DA NEGAÇÃO DE PEDRO. Junto com a traição de Judas, o evangelho trás também a negação de Pedro. São dois fatos que farão Jesus sofrer mais. Pedro disse que está disposto a dar à vida por Jesus lhe chama à realidade: “Quer dar tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo antes que tu me tenhas negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando amanhece o galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os demais galos cantam. Pedro é mais rápido na negação que o canto do galo.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Judas, amigo, se torna traidor. Pedro, amigo, se torna negador. E eu?
  • Colocando-me na situação de Jesus: como se enfrenta a negação e a traição, o desprezo e a exclusão?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 70)
  • Hoje, à hora de qualquer tentação, direi em meu interior: sou mais que vencedor em Cristo e resistirei sem cair.





segunda-feira, 30 de março de 2015

Lectio Divina - 30/03/15


DIA 30/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Isaias 42,1-7
  • O profeta Isaias nos convida durante esta semana a voltar nossos olhos para o eleito de Deus, para seu Messias e Salvador. Ao ver Nele a imagem de um homem eliminado pelo pecado da humanidade, um homem que ofereceu sua vida pela salvação de todos e para cada um de nós. Para o homem de hoje, tão acostumado a ter os olhos fixos nas coisas do mundo, tão preocupado pelos problemas que o circundam, esta semana de repouso, pode ser uma boa oportunidade para que seus olhos se voltem a fixar em Jesus, naquele que nos deu a vida morrendo por cada um de nós. Certamente as coisas do mundo são importantes, porém, é ainda mais importante que nossa vida esteja centrada em Cristo, já que isto é o que faz com que todas as demais coisas tenham seu justo valor. Não deixes que esta semana seja uma semana a mais, volte teus olhos para Jesus, ore e leia sua Palavra. Oxalá possa fazer isso com toda tua família!
ORAÇÃO INICIAL
  • Deus todo poderoso, olhe para a fragilidade de nossa natureza e levanta nossa débil esperança com a força da paixão de teu Filho. Que vive e reina contigo.
REFLEXÃO à João 12,1-11
  • Estamos entrando na Semana Santa, na semana da páscoa de Jesus, de sua passagem deste mundo ao Pai (Jo 13,1). A liturgia coloca diante de nós o começo do capítulo 12 do Evangelho de João, que enlaça o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc 13,21). No final do “Livro dos Sinais” aparece com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-31.39) e o perigo que Jesus corre. Várias vezes procuraram matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto é assim que Jesus se vê obrigado a levar uma vida clandestina, pois, podiam detê-lo a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).
  • João 12,1-2: JESUS, PERSEGUIDO PELOS JUDEUS, VAI À BETÂNIA. Seis dias antes da páscoa, Jesus via para Betânia à casa de seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Betânia significa “Casa da Pobreza”. Ele estava sendo perseguido pela polícia (Jo 11,57). Querem matá-lo (Jo 11,50). Porém, ainda sabendo que a polícia estava atrás de Jesus, Maria, Marta e Lázaro recebem Jesus em casa e lhe oferecem comida. Acolher uma pessoa perseguida e oferecer-lhe comida era perigoso. Porém, o amor supera o medo.
  • João 12,3: MARIA UNGE JESUS. Durante a refeição, Maria unge os pés de Jesus com meio litro de perfume de nardo puro (cf. 7,36-50). Era um perfume caro, muito caro, de trezentos denários. Imediatamente, seca os pés de Jesus com seus cabelos. A casa inteira ficou perfumada. Em todo este episódio, Maria não fala. Só age. O gesto cheio de simbolismo fala por si. Lavando os pés, Maria se converte em servidora. Jesus repetirá esse mesmo gesto na última ceia (Jo 13,5).
  • João 12,4-6: REAÇÃO DE JUDAS. Judas critica o gesto de Maria. Afirma que é um desperdício. De fato, trezentos denários era o salário de trezentos dias! Foi assim que o salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez! Judas pensa que o dinheiro deveria ter sido dado aos pobres. O evangelista comenta que Judas não tinha nenhuma preocupação pelos pobres, mas, era um ladrão. Tinha a bolsa comum e roubava dinheiro. Juízo forte que condena Judas. Não condena a inquietude pelos pobres, mas sim, a hipocrisia que usa os pobres para promover-se e enriquecer-se. Segundo seus interesses egoístas, Judas pensa só no dinheiro. Por isto, não percebe o que estava se passando no coração de Maria. Jesus conhece o coração e defende Maria.
  • João 12,7-8: JESUS DEFENDE A MULHER. Judas olha o gasto e critica a mulher. Jesus olha o gesto e defende a mulher: “Deixe-a. Que ela o conserve para o dia de minha sepultura!”. E depois Jesus acrescenta: “Porque pobres sempre tereis entre vós”. Qual dos dois vivia mais próximo de Jesus: Judas ou Maria? Como discípulo, Judas convivia com Jesus já fazia três anos, vinte e quatro horas por dia. Tomava parte do grupo. Maria se encontrava com Ele só uma ou duas vezes ao ano, na ocasião das festas, quando Jesus ia à Jerusalém e a visitava. Mas, a convivência sem amor não nos torna conhecidos. Impede ver. Judas era cego. Muita gente convive com Jesus e até o louva com cânticos, porém, não o conhece de verdade, nem o revela (cf. Mt 7,21). Duas afirmações de Jesus merecem um comentário detalhado: (a)-“Pobres sempre tereis”, e (b)-“Deixe-a. Que ela o conserve para o dia de minha sepultura’.
  • POBRES SEMPRE TERÃO. Jesus quis dizer que não devemos preocupar-nos com os pobres, visto que vai sempre vai haver gente pobre? A pobreza é um destino imposto por Deus? Como entender esta frase? Naquele tempo, as pessoas conheciam o Antigo Testamento de memória. Bastava que Jesus citasse o começo de uma frase do AT, e a pessoas já sabiam o resto. O começo desta frase dizia: “Os pobres os tereis sempre convosco!” (Dt 15,11ª). O resto da frase que as pessoas conheciam e que Jesus quis lembrar, era esta: “Por isto, os ordeno: deves abrir tua mão a teu irmão, para aquele que é indigente e pobre de tua terra!” (Dt 15,11b). Segundo esta Lei, a comunidade deve acolher os pobres e compartilhar com eles seus bens. Porém, Judas, em vez de dizer “abre a mão em favor do pobre” e compartilhe com eles teus próprios bens, queria vender o perfume de Maria por trezentos denários e usá-los para ajudar os pobres. Jesus cita a Lei de Deus que ensinava o contrário. Quem, igual Judas, faz campanha com o dinheiro da venda dos bens dos demais, não se incomoda. Porém, aqueles que, como Jesus, insiste na obrigação de acolher os pobres e compartilhar com eles seus bens, este se incomoda e corre o perigo de ser condenado.
  • QUE O GUARDE PARA O DIA DE MINHA SEPULTURA. A morte na cruz era o castigo terrível e exemplar, adotado pelos romanos para castigar os subversivos que se opunham ao império. Uma pessoa condenada a morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois, ficava pendurado na cruz até que os animais comessem seu cadáver, e recebia sepultura rasa de indigente. Além disso, segundo a Lei do Antigo Testamento, tinha que ser considerada como, “maldita por Deus” (Dt 21,22-23). Jesus ia ser condenado à morte e morte de cruz, conseqüência de seu compromisso com os pobres e de sua fidelidade ao Projeto do Pai. Não ia ter um enterro. Por isso, depois de morto, não ia poder ser ungido. Sabendo isto, Maria se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, indica que aceitava Jesus como messias, ainda que fosse crucificado! Jesus entende o gesto da mulher e o aprova.
  • João 12,9-11: A MULTIDÃO E AS AUTORIDADES. Ser amigo de Jesus pode ser perigoso. Lázaro corre perigo de morte por causa da vida nova que recebeu de Jesus. Os judeus decidiram matá-lo. Lázaro vivo era a prova viva de que Jesus era o Messias. Por isto, a multidão o procurava, já que as pessoas queriam experimentar de perto a prova viva do poder de Jesus. Uma comunidade viva corre perigo de vida porque é prova viva da Boa Nova de Deus.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Maria foi maltratada por Jesus. Alguma vez você já foi maltratado? Como reagiu?
  • O que é que ensina o gesto de Maria? Qual o tipo de alerta que nos coloca a reação de Judas?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 26)
  • Hoje estarei muito atento para descobrir Jesus nas pessoas que me rodeiam, e cada vez que conseguir descobri-lo, eu demonstrarei tacitamente o muito que lhe amo.







terça-feira, 24 de março de 2015

Lectio Divina - 24/03/15


DIA 24/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Números 21,4-9
  • Quem diz que a vida é fácil? Mais ainda, quem diz que a vida cristã é “lua-de-mel”? Quando Pedro perguntou a Jesus o que é que receberiam seus seguidores, aqueles que haviam deixado tudo por Ele, a resposta foi: “O cem por um em tudo o que haviam deixado junto com perseguições e, no final a vida eterna”.  Por isso o Papa João Paulo II, em sua Carta Apostólica “Salvifici Doloris”, nos lembra que Jesus não veio nos tirar a dor, mas sim, dar-lhe sentido. Os judeus, libertados por Deus da terrível escravidão, agora se davam conta que serem livres não é fácil, e se revoltam contra seu libertador. Entretanto, Deus não se dá por vencido. Os castiga, porém, no próprio castigo lhes dá a possibilidade de salvação, a qual de novo terá que ser opção de cada um: O Senhor sempre te dirá: “Se queres...”. Não deixemos de aproveitar esta oportunidade para levantar nossos olhos para a cruz de Jesus e, movidos por seu amor, mudar nossa vida.
ORAÇÃO INICIAL
  • Concede-nos Senhor, perseverar no fiel cumprimento de tua santa vontade, para que, em nossos dias, cresça em santidade e em número o povo dedicado a teu serviço. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à João 8,21-30
  • Aparentemente, trata-se de diálogos entre Jesus e os fariseus (Jo 8,13). Os fariseus querem saber quem é Jesus. Eles o criticavam por dar testemunho de si mesmo, sem nenhuma prova ou testemunho para legitimar-se diante das pessoas. Jesus responde dizendo que Ele não fala a partir de si mesmo, mas sim, sempre a partir do Pai e em nome do Pai (Jo 8,14-19).
  • Na realidade, os diálogos também é expressão de como era a transmissão catequética da fé nas comunidades do discípulo amado no final do primeiro século. Refletem a leitura orante que os cristãos faziam das palavras de Jesus como expressão da Palavra de Deus. O método de pergunta e resposta os ajudava a encontrar a resposta aos problemas que, naquele final de século, os judeus expunham aos cristãos. Era uma maneira concreta de ajudar a comunidade a aprofundar sua fé em Jesus e em sua mensagem.
  • João 8,21-22: AONDE EU VOU, VÓS NÃO PODEIS IR. Aqui João aborda um novo assunto um outro aspecto do mistério que envolve a pessoa de Jesus. Jesus fala de sua ida e diz que ali para onde Ele vai, os fariseus não podem seguir-lhe. “Eu vou e vocês me procurarão, e morrerão em vosso pecado”. Eles procuram Jesus, porém, não o encontram porque não o conhecem e o procuram com critérios equivocados. Eles vivem em pecado e vão morrer no pecado. Viver no pecado quer dizer viver afastado de Deus. Eles imaginavam Deus de uma determinada forma, e Deus é diferente daquilo que o imaginavam. Por isto, não são capazes de reconhecer a presença de Deus em Deus. Os fariseus não entendem ao que Jesus quer dizer e tomam tudo ao pé da letra: “Será que vai se suicidar?”.
  • João 8,23-24: VÓS SOIS DE BAIXO, EU SOU DO ALTO. Os fariseus se orientam em tudo segundo os critérios deste mundo. “Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo!”. O marco de referências que orienta Jesus em tudo o que diz é o mundo do alto, isto é, Deus, o Pai, e a missão que recebeu do Pai. O marco de referências dos fariseus é o mundo aqui de baixo, sem abertura, fechado em seus próprios critérios. Por isto, vivem no pecado. Viver no pecado é não ter os olhos de Jesus sobre a vida. Os olhos de Jesus são totalmente abertos para Deus até o ponto que Deus está Nele em toda sua plenitude (cf.Cl 1,19). Nós dizemos: “Jesus é Deus”. João nos convida a dizer: “Deus é Jesus!”. Por isto, Jesus disse: “Tenho-vos dito que morrereis em vossos pecados, porque se não acreditais que “EU SOU”, morrereis em vossos pecados”. EU SOU é a afirmação com que Deus se apresenta à Moisés no momento de libertar o povo da opressão do Egito (Ex 3,13-14). É a expressão máxima da certeza absoluta de que Deus está no meio de nós através de Jesus. Jesus é a prova definitiva de que Deus está conosco - Emanuel -.
  • João 8,25-26: QUEM É VOCÊ? O mistério de Deus em Jesus não cabe nos critérios com os quais os fariseus olham Jesus. De novo perguntam: “Quem é você?”. Eles não entendiam porque não entendem a linguagem de Jesus. Jesus falava com eles a partir de tudo que Ele experimentava e vivia em contato com o Pai e a partir da consciência de sua missão. Jesus não se auto-promove. Ele apenas diz e expressa o que ouve do Pai. Ele é pura revelação porque é pura e total obediência.
  • João 8,27-30: QUANDO LEVANTAREM O FILHO DO HOMEM, ENTÃO, SABEREIS QUE “EU SOU”. Os fariseus não entendem que Jesus, em tudo o que diz e faz, é expressão do Pai. O compreenderão só depois que tiverem levantado o Filho do Homem. “Então sabereis que EU SOU”. A palavra levantar tem um duplo sentido, de levantar sobre a Cruz e de levantado à direita do Pai. A Boa Nova da morte e da ressurreição revelará quem é Jesus, e eles saberão que Jesus é a presença de Deus no meio de nós. O fundamento desta certeza de mostra de fé é dupla: de um lado, a certeza de que o Pai está sempre com Jesus e nunca lhe deixa só e, por outro lado, a total e radical obediência de Jesus ao Pai, pela qual Ele se converte em total abertura e total transparência do Pai para nós.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Quem se fecha em seus critérios e pensa saber tudo, não será nunca capaz de compreender o outro. Assim eram os fariseus diante de Jesus. Eu diante dos demais, como me comporto?
  • Jesus é radical obediência ao Pai e por isto é total revelação do Pai. Qual é a imagem de Deus que se irradia a partir de mim?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 101)
  • Hoje farei algo que em verdade me dê trabalho e necessite de paciência, e o farei pedindo a Deus que através disso ensine-me a ser paciente.







segunda-feira, 23 de março de 2015

Lectio Divina - 23/03/15


DIA 23/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Daniel 13,1-9.15-17.19-30.33-62
  • Esta história de Suzana, nos deixa ver o que significa o haver tomado decisão de não pecar chegando, inclusive, a preferir a morte que ser infiel ao Senhor. Estamos nos aproximando do final de nossa quaresma, que bom seria que cada um de nós tenha progredido o suficiente em seu processo de conversão que o leve a tomar a decisão de não mais pecar. Se bem que é certo que isto não depende exclusivamente de nossas forças, pois, sempre o pecado será mais forte que nós, porém, com a graça de Deus: é possível. Uma das razões pelas quais não avançamos no caminho da graça é o fato de não haver tomado a resolução e dizer a Deus: “Com tua graça não voltarei a pecar NUNCA MAIS”. Esta decisão é a mais importante de nossa vida, pois, é a que nos separa da felicidade do Reino. Certamente que o dizer “não pecarei mais”, implica o deixar muitas ou algumas coisas que nos atraem e inclusive nos fascinam; porém, se de verdade queremos ser santos e viver a plenitude do amor de Deus, não resta outro caminho. Decidir-se!
ORAÇÃO INICIAL
  • Senhor, Deus nosso, cujo amor sem medidas nos enriquece com toda benção, faz que, abandonando a corrupção do homem velho, nos preparemos, como homens novos, a tomar parte na glória de teu reino. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à João 8,1-11
  • No evangelho de hoje, vamos meditar sobre o encontro de Jesus com a mulher que ia ser apedrejada. Por sua pregação e por sua maneira de agir, Jesus incomodava às autoridades religiosas. Por isto, as autoridades procuravam todos os meios possíveis para acusá-lo e eliminá-lo. Trazem diante Dele uma mulher surpreendida em flagrante adultério. Sob a aparência de fidelidade a lei, usam a mulher para esgrimir argumentos contra Jesus. Hoje também, sob a aparência de fidelidade das leis da igreja, muitas pessoas são marginalizadas: divorciados, enfermos de “Aids”, prostitutas, mães solteiras, homossexuais, etc. Vejamos como reage Jesus:
  • João 8,1-2: Jesus e as pessoas. Depois da discussão sobre a origem do Messias, descrita no final do capítulo 7(Jo 7,37-52), “cada um foi para sua casa” (Jo 7,53). Jesus não tinha casa em Jerusalém. Por isto, foi para o Monte das Oliveiras. Ali havia um horto onde Ele ia passar a noite em oração (Jo 18,1). No dia seguinte, antes do amanhecer, Jesus estava de novo no Templo. As pessoas também compareciam para poder ouvi-lo. Sentavam-se ao redor de Jesus e Ele lhes ensinava. O que Jesus ensinava? Devia ser algo muito bonito, porque as pessoas compareciam antes do amanhecer para poder ouvir.
  • João 8,3-6ª: Os escribas preparam uma armadilha. De repente, chegam os escribas e os fariseus, trazendo consigo uma mulher surpreendida em flagrante adultério. A colocam no meio. Segundo a lei, esta pessoa deveria se apedrejada (Lv 20,10; Dt 22,22.24). Eles perguntam, “O que é que Tu dizes?”. Era uma cilada. Se Jesus houvesse dito: “Aplica-lhe a lei!”, eles pensariam e diriam: “Não é tão bom como parece, porque manda matar a pobre mulher!”. Se houvesse dito: “Não a mateis”, diriam então: “Não é tão bom como parece, porque nem sequer observa a lei!”. Sob a aparência de fidelidade a Deus, eles manipulam a lei e usam a pessoa da mulher para poder acusar Jesus.
  • João 8,6-b: Reação de Jesus: escreve na terra. Parecia um beco sem saída. Mas, Jesus não se espanta nem se deixa levar pelo nervosismo. Ao contrário. Calmamente, como quem é dono da situação, se inclina e começa a escrever na terra com o dedo. Os nervos se apoderam dos adversários. E insistem para que Jesus lhes diga o que pensa. Então, Jesus se levanta e diz: “Aquele de vós que estais sem pecado, que lhe atire a primeira pedra!”. E inclinando-se voltou a escrever na terra. Jesus não discute a lei. Porém, muda o ponto do juízo. Em vez de permitir que eles coloquem a luz da lei por cima da mulher para condená-la, lhe pede que se examinem à luz do que a lei exige deles. A ação simbólica de escrever n terra esclarece tudo. A palavra da Lei de Deus tem consistência. Uma palavra escrita na terra não tem. A chuva e o vento a eliminam. O perdão de Deus elimina o pecado identificado e denunciado pela lei.
  • João 8,9-11: Jesus e a mulher. O gesto e a resposta de Jesus derrubam os adversários. Os fariseus e os escribas se retiram envergonhados, um após o outro, começando pelos mais velhos. Aconteceu o contrário do que eles esperavam. A pessoa condenada pela lei não era a mulher, mas sim, eles mesmos que pensavam ser fiéis à lei. No final, Jesus fica apenas com a mulher no meio do círculo. Jesus se levanta e a olha: “Mulher, onde estão? Ninguém te condenou!”. E ela responde: “Ninguém, Senhor!”. Jesus diz: “Tampouco eu te condeno. Vai, e daqui por diante não peque mais!”.
  • Jesus não permite que alguém use a lei de Deus para condenar o irmão ou a irmã, quando ele próprio, ela própria são pecadores. Este episódio, melhor que qualquer outro ensinamento, revela que Jesus é a luz que faz aparecer a verdade. Ele faz aparecer o que existe escondido nas pessoas, no mais íntimo de cada um de nós. A luz de sua palavra, os que pareciam os defensores da lei, se revelam cheios de pecado e eles mesmos o reconhecem, pois, vão começando pelos mais velhos. E a mulher, considerada culpada e merecedora da pena de morte, está de pé diante de Jesus, absolvida, redimida e dignificada (Cf. Jo 3,19-21).
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Coloque-se na pele da mulher. Quais seriam seus sentimentos nesse momento?
  • Que passos pode e deve dar nossa comunidade para acolher os excluídos?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 22)
  • Hoje procurarei as promessas batismais e as renovarei pessoalmente, em oração, diante de Deus.





sexta-feira, 20 de março de 2015

Lectio Divina - 20/03/15


DIA 20/03/15
PRIMEIRA LEITURA à   Sabedoria 2,1.12-22
  • Esta bela passagem refere-se sem dúvidas à Cristo, é perfeitamente aplicável a todos os que, como Jesus, procuram viver de acordo com o projeto de Deus. O cristão que vive de acordo com o Evangelho, será sempre contestado e rejeitado pelos demais, já que sua maneira de viver o coloca em evidência. A maneira que concebe a justiça, o amor e a verdade, faz com que os que vivem de acordo com este mundo, se sintam agredidos e, em muitas ocasiões, até descobertos em suas más ações. Por isso, os rejeitam, os segregam de seus grupos sociais e são poucos considerados. Esta rejeição do mundo é de alguma maneira a prova substancial de nossa pertença a Cristo, e esta pertença é que faz com que a vida dos discípulos do Senhor seja plena, recebendo Dele o amor, a consolação e a paz perdurável. Não deixes se enganar pelos critérios deste mundo, que te oferece felicidade passageira e prazer que só corrompe. Seja fiel ao Senhor e Ele te mostrará a glória e produzirá em teu coração a alegria e a paz que nunca passam.
ORAÇÃO INICIAL
  • Senhor, tu que em nossa fragilidade nos ajuda com meios abundantes, concede-nos receber com alegria a salvação que nos outorgas e manifestá-la em nossa própria vida. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à João 7,1-2.10.25-30
  • Ao longo dos capítulos que vão do 1 ao 12 do Evangelho de João vai acontecendo a progressiva revelação que Jesus faz de si mesmo aos discípulos e as pessoas. Ao mesmo tempo e na mesma proporção, vai crescendo a rejeição e a oposição das autoridades contra Jesus até o ponto de decidir sua condenação à morte (Jo 11,45-54). O capítulo 7, que meditamos no evangelho de hoje, é uma espécie de parada no meio do caminho. É a previsão de como será o desenlace final.
  • João 7,1-2.10: Jesus decide ir a festa dos Tabernáculos em Jerusalém. A geografia da vida de Jesus no evangelho de João é diferente da geografia nos outros três evangelhos. É mais completa. Conforme os outros evangelhos, Jesus foi apenas uma única vez em Jerusalém, quando foi detido e o levaram para a morte. Segundo o evangelho de João, Jesus foi pelo menos duas ou três vezes à Jerusalém para a Festa da Páscoa. Por isso, sabemos que a vida pública de Jesus durou aproximadamente três anos. O evangelho de hoje informa que Jesus se dirigiu mais uma vez à Jerusalém, porém, não publicamente. Foi às escondidas, pois na Judéia, os judeus queriam matá-lo.
  • Tanto aqui no capítulo 7 como em outros capítulos, João fala de “judeus”, e de “vocês judeus”, como se ele e Jesus não fossem judeus. Esta maneira de falar reflete a situação da trágica ruptura que tem lugar o final do primeiro século entre os judeus (Sinagoga) e os cristãos (Ecclesia). Ao longo dos séculos, esta maneira de falar do evangelho de João contribuiu para acrescentar o anti-semitismo. Hoje, é muito importante ficar a distância desta polêmica para não alimentar o anti-semitismo. Não podemos esquecer nunca que Jesus é judeu. Nasceu judeu, viveu como judeu e morreu como judeu. Toda sua formação vem da religião e da cultura dos judeus.
  • João 7,25-27: Duvidas dos habitantes de Jerusalém a respeito de Jesus. Jesus está em Jerusalém e fala publicamente às pessoas que querem ouvi-lo. As pessoas ficam confusas. Sabem que querem matar Jesus e que Ele anda solto diante dos olhos de todos. As autoridades estariam reconhecendo que Ele é o Messias? Mas, como é que Jesus pode ser o messias? Todos sabem que Ele vem de Nazaré, porém, do messias ninguém sabe a origem.
  • João 7,28-29: Esclarecimento por parte de Jesus. Jesus fala de sua origem. “Sabeis de onde sou”. Porém, o que as pessoas não sabem é a vocação e a missão que Jesus recebeu de Deus. Não veio por vontade própria, mas, como todo profeta veio para obedecer a uma vocação, que é o segredo de sua vida. “Porém, eu não vim por minha conta; mas é verdadeiro o que me enviou; porém, vocês não o conhecem. Eu o conheço, porque venho Dele e Ele é o que me enviou”.
  • João 7,30: Porque, todavia, não havia chegado sua hora. Queriam pegar Jesus, mas ninguém coloca a mão em cima “porque, todavia, não havia chegado sua hora”. No evangelho de João quem determina a hora e o rumo dos acontecimentos não são os que detêm o poder, mas sim, o próprio Jesus. É Ele quem determina a hora (Cf. Jo 2,4;4,23;8,20;12.23.27;13,1;17,1). E na cruz, Jesus é quem determina até a hora de sua morte (Jo 19,29-30).
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Como vivo minha relação com os judeus? Tenho algum anti-semitismo dentro de mim? Consigo eliminá-lo?
  • Como no tempo de Jesus, hoje também existem muitas idéias e opiniões sobre as coisas da fé. Como atuo? Agarro-me as idéias antigas e me fecho nelas, ou, procuro entender o porquê das novidades?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 33)
·         Hoje farei uma lista das coisas que em minha vida são distintas dos que não conhecem Deus e agregarei alguns pontos que serão um compromisso para estes dias santos.







quinta-feira, 19 de março de 2015

Lectio Divina - 19/03/15



DIA 19/03/15
PRIMEIRA LEITURA à 2Samuel 7,4-5.12-14.16
·         Esta passagem se refere sem sombra de dúvidas a Jesus, que será o descendente esperado do povo e aquele que reinará para sempre. Para a realização desta profecia Deus escolheu José de Nazaré, descendente da casa davídica para que fosse quem desse a “linhagem” (hoje diríamos, o apelido) da família de Davi. Sabemos que José não é o pai de Jesus, pois, foi gerado do Espírito Santo, no entanto, cumpriu tudo como o pai de Jesus: deu-lhe seu nome, o educou, ensinou-lhe a Lei e a viver de acordo com a Aliança e finalmente lhe ensinou seu próprio ofício de carpinteiro. Tudo isto nos fala de algo que às vezes vai se perdendo em nossos lares isto é: “ter tempo para os filhos”. É tal a atividade do homem moderno (cabeça da família), que muitas vezes deixa toda a carga da educação para a esposa, no entanto, a presença e a educação paterna são FUNDAMENTAIS para o desenvolvimento equilibrado dos filhos. Jesus, como homem, se desenvolveu graças a proximidade de José e sua preocupação por sua educação, oxalá, todos os que têm sido chamados a ser pais saibam imitá-lo tirando um tempo para compartilhar com seus filhos.
ORAÇÃO INICIAL
·         Espírito que paira sobre as águas, acalme em nós nossas desarmonias, os fluxos inquietos, o rumor das palavras, os turbilhões de vaidade e faz aparecer no silêncio a Palavra que nos acalma. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à Mateus 1,16.18-21.24
·         A passagem do evangelho hoje é tirada do primeiro capítulo de Mateus que é parte da seção referente a concepção, nascimento e infância de Jesus. O centro de todo o relato é a pessoa de Jesus à qual se somam todos os sucessos e as pessoas mencionadas na narração. Deve-se ter presente que o Evangelho revela uma teologia da história de Jesus, por isso, ao aproximarmos da Palavra de Deus devemos recorrer a mensagem escondida sob os zelos da história sem nos perder, como sabiamente nos avisa Paulo, “nas questões difíceis”, guardemo-nos “das genealogias, e das questões e das discussões em torno da lei, porque são coisas inúteis e vãs”.
·         Efetivamente, este texto se conecta à genealogia de Jesus, que Mateus escreve com o intento de sublinhar a sucessão da dinastia de Jesus, o salvador de seu povo (Mt 1,21). A Jesus são outorgados todos os direitos hereditários da estirpe davídica, de “José, filho de Davi” (Mt 1,20;Lc 2,4-5) seu pai legal. Para o mundo bíblico e hebraico a paternidade legal era o bastante para conferir todos os direitos da estirpe em questão (cf. a lei da adoção –Dt 25,5ss). Por isto, depois do começo da genealogia, Jesus se designa como “Cristo filho de Davi” (Mt 1,1), isto é, o ungido do Senhor, filho Davi, com o qual se cumprirão todas as promessas de Deus a Davi seu servo (2Sam 7:1-16; 2Cr 7:18; 2 Cr 21:7; S 89:30). Por isto Mateus acrescenta ao relato da genealogia e da concepção de Jesus a profecia de Isaias: “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que havia sido dito pelo Senhor por meio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho que será chamado Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt 1,21-23, Is 7,14).
·         Detendo-nos, na realidade espiritual da adoção, podemos referir-nos ao fato de que o povo eleito possui “a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas” porque “eles são Israelitas e possuem a adoção de filhos” (Rm 9,4). Mas, nós também o novo povo de Deus em Cristo, recebemos a adoção de filhos porque “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar àqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos” (Mt 1,21), porque Ele é o “Deus conosco” (Mt 1,23) que nos fez filhos adotivos de Deus.
·         Jesus nasce de “Maria desposada com José” que “achou-se grávida por obra do Espírito Santo” (Mt 1,18b). Mateus não nos conta o relato da anunciação como o faz Lucas, porém estrutura a narração a partir do ponto de vista da experiência de José o homem justo. A Bíblia nos revela que Deus ama seus justos. Pensamos em Noé “homem justo e íntegro entre seus contemporâneos” (Gn 6,9). O em Joás que “fez o que era reto aos olhos do Senhor” (2Re 12,3).
·         Uma idéia constante na Bíblia é o “sonho” como lugar privilegiado onde Deus dá a conhecer seus projetos e planos, e, algumas vezes revela o futuro. Bem conhecido são os sonhos de Jacó em Betel (Gn 28,10ss) e os de Josué seu filho, como também os do copeiro e do padeiro prisioneiros no Egito com ele, (Gn 37,5ss;40,5ss) e os sonhos do Faraó que revelaram os futuros anos de prosperidade e escassez (Gn 41,1ss).
·         À José aparece “em sonhos um anjo do Senhor” (Mt 1,20) para revelar-lhe o plano de Deus. Nos evangelhos da infância aparece muito o anjo do Senhor como mensageiro celestial (Mt 1:20.24; 2:13.19; Lc 1:11; 2:9) e também em outras ocasiões esta figura aparece para tranqüilizar, revelar o projeto de Deus, curar, libertar da escravidão (cf.: Mt 28:2; Jn 5:4; Act 5:19; 8:26; 12: 7.23). Muitas são as referências ao anjo do Senhor também no Antigo Testamento, onde originariamente representava o próprio Senhor que cuida e protege seu povo sempre o acompanhando de perto (cf.: Gn 16:7–16; 22:12; 24:7; Éx 3:2; Tb 5:4).
PARA REFLEXÃO PESSOAL
·         O que mais lhe chamou a atenção nesta passagem evangélica?
·         A leitura oferece bastante espaço para alguns termos: adoção, anjo, sonho, justo. Que sentimentos e pensamentos suscitam em teu coração?
·         Que importância pode ter para você o caminho de maturidade espiritual?
·         Qual é a mensagem central desta passagem evangélica?
ORAÇÃO FINAL
·         (SALMO 88/89)
·         Hoje dedicarei um tempo do dia à convivência, bem estar e educação familiar.





quarta-feira, 18 de março de 2015

Lectio Divina - 18/03/15



DIA 18/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Isaias 49,8-15
  • Essa passagem tem uma estrutura bem equilibrada. Começa com a procissão triunfal de volta a Israel. A parte central da profecia é uma reafirmação para Sião. Depois, o poeta volta à reunião dos exilados, dessa vez, vistos da posição vantajosa de Sião. Finalmente, conclui com dois breves oráculos que afirmam o poder salvífico do Senhor. Os versos mais notáveis desta passagem são com certeza os de 49,15 “Porventura a mulher esquece sua criança de peito...?”. Juntamente com a masculina, a experiência feminina serve de analogia para Deus. A analogia da mãe é, então, transferida para Sião. A abundância de filhos é indicativa da idéia hebraica de salvação – abundância de vida na terra de Israel.
ORAÇÃO INICIAL
  • Senhor, nosso Deus, que concedes aos justos o prêmio de seus méritos e aos pecadores que fazem penitência lhes perdoa seus pecados, tem piedade de nós e dá-nos, por humilde confissão de nossas culpas, tua paz e teu perdão. Por Nosso Senhor...
REFLEXÃO à João 5,17-30
  • O evangelho de João é distinto dos outros três. Revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue perceber nas palavras e nos gestos de Jesus. Os Pais da Igreja diziam que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito nos mostra nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um bonito exemplo desta dimensão espiritual do evangelho de João é a passagem que meditamos hoje.
  • João 5,17-18: Jesus explicita o profundo significado da cura do paralítico. Criticado pelos judeus por haver curado em dia de sábado, Jesus responde “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho”. Os judeus ensinavam que no dia de sábado não se podia trabalhar, pois, o próprio Deus descansou e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele disse que o Pai não parou de trabalhar “até agora”. Por isto, Jesus também trabalha até no dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade na obra da criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Queriam matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do sábado, e por considerar-se igual a Deus.
  • João 5,19-21: O amor deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo do mistério da relação entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, o faz também. Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta total atenção do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar no Filho, e através do Filho, pode realizar sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e dar vida. A cura do paralítico foi uma maneira de tirar as pessoas da morte e fazê-las viver. É uma maneira de dar continuidade à obra criadora do Pai.
  • João 5,22-23: O Pai não julga, porém, confia no juízo do filho. O decisivo na vida é a maneira na qual nos colocamos diante do Criador, pois, dependemos radicalmente Dele. O Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude da divindade (cf. Col 1,19). Por isto, expressamos nossa postura diante de Deus Criador na maneira em nos definimos diante de Jesus. O que o Pai quer é que os conheçamos e o honremos na revelação que Ele faz se si mesmo em Jesus.
  • João 5,24: A vida de Deus em nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Ali onde Ele se faz presente, a vida renasce. Ele se faz presente mediante a Palavra de Jesus. Quem ouve a palavra de Jesus como enviado de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o toque vivificador que o leva além da morte. Já passou da morte para a vida. A cura do paralítico é a prova disso.
  • João 5,25-29: A ressurreição já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que, todavia, não nos abrimos a voz de Jesus que vem do Pai. Porém, “chega a hora (já estamos nela), em que os mortos ouviram a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Com a Palavra de Jesus, vinda do Pai iniciou-se uma nova criação. Já está a caminho. A palavra criadora de Jesus vai alcançar todos, também aos que já morreram. Eles ouviram e morreram.
  • João 5,30: Jesus é o reflexo do Pai. “Eu não posso fazer nada por minha conta: julgo segundo o que ouço; e meu juízo é justo, porque não procuro minha vontade, mas sim, a vontade daquele que me enviou”. Esta frase final é um resumo de tudo o que foi refletido anteriormente. Esta era a idéia que as comunidades do tempo de João tinham e irradiavam a respeito de Jesus.
PARA A REFLEXÃO PESSOAL
  • Como imaginas a relação entre Jesus e o Pai?
  • Como vive a fé na ressurreição?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 144)
  • Hoje procurarei alguém verdadeiramente necessitado de esperança, fé e amor, e lhe direi claramente que Deus lhe ama, que tem um plano para sua vida.





terça-feira, 17 de março de 2015

Lectio Divina - 17/03/15



DIA 17/03/15
PRIMEIRA LEITURA à Ezequiel 47,1-9.12 
  • Jesus veio para fazer tudo novo, para dar-nos uma vida nova. Da mesma maneira como a água da profecia de Ezequiel mudava o mar em água doce, assim o amor e a graça de Deus transformam nossa amargura, solidão e frustração em paz e alegria. Nos fecunda para que nossa vida estéril dê fruto e para que este fruto permaneça. Esta pausa que faz a Quaresma nos “foca” em nossa vida cristã e nos faz desejar com todas as nossas forças que os frutos da redenção se façam presentes em nós, em nossa vida e em nossa família. A Água pura do Espírito vivifica, renova e cura. Se quiseres que este efeito vivificador de Deus vá se realizando em sua vida, incremente um pouco tua oração, verás então grandes e profundas mudanças em tua vida.
ORAÇÃO INICIAL
  • Pedimos-te Senhor, que as práticas santas desta Quaresma disponham o coração de teus fiéis para celebrar dignamente o mistério pascal e anunciar à todos os homens a grandeza de tua salvação. Por Nosso Senhor…
REFLEXÃOà João 5,1-16
  • O evangelho de hoje descreve como Jesus cura um paralítico que ficou esperando 38 anos para que alguém lhe ajudasse a chegar a água da piscina para curar-se. Trinta e oito anos! Diante essa ausência total de solidariedade, o que é que faz Jesus? Não respeita a lei do sábado curando o paralítico. Hoje, faltam pessoas que atendam os enfermos nos países pobres, muita gente experimenta essa mesma falta de solidariedade. Vivem no abandono total, sem ajuda, sem solidariedade por parte de ninguém.
  • JOÃO 5,1-2: JESUS VAI À JERUSALÉM. Na ocasião de uma festa dos judeus, Jesus vai para Jerusalém. Havia ali, próximo ao Templo, uma piscina com cinco pórticos ou passagens. Naquele tempo, o culto no Templo exigia o uso de muita água para os numerosos animais que eram sacrificados, sobretudo, nas grandes festas. Por isto, ao lado do Templo, havia diversas cisternas com mais de um milhão de litros de água. E próximo dali, graças a abundância de água, havia um balneário público, onde os enfermos se aglomeravam à espera de ajuda ou de cura. A arqueologia informa que, naquele mesmo lugar do Templo, havia outro lugar onde os escribas ensinavam a lei aos estudantes. Por um lado, o ensinamento da Lei de Deus. Por outro, o abandono dos pobres. E a água purificava o Templo, porém não purificava as pessoas.
  • JOÃO 5,3-4: A SITUAÇÃO DOS ENFERMOS. Esses enfermos se sentiam atraídos pelas águas do balneário. Diziam que um anjo removia as águas e o primeiro que chegasse depois desse movimento do anjo ficaria curado. Disto com outras palavras, os enfermos se sentiam atraídos por falsas esperanças. Pois, a cura, era só para uma única pessoa. Como as loterias de hoje! Só uma pessoa ganha o prêmio! A maioria somente paga e não ganha nada. E nesta situação de total abandono, ali no balneário popular, Jesus encontra os enfermos.
  • JOÃO 5,5-9: JESUS CURA NO DIA DE SÁBADO. Bem próximo do lugar onde se ensinava a observância da Lei de Deus, um paralítico ficou por 38 anos a espera de alguém que lhe ajudasse a chegar até a água para que se curasse. Este fato revela a absoluta falta de solidariedade e de acolhida aos excluídos. O número 38 indicava a duração de uma geração (Dt 2,14). É toda uma geração que não chega a experimentar nem solidariedade, nem misericórdia. A religião da época não era capaz de revelar o rosto acolhedor e misericordioso de Deus. Diante desta situação dramática, Jesus não observa a lei do sábado e se ocupa do paralítico dizendo: “Toma tua cama e anda!”. O homem agarra sua cama e se vai, e Jesus desaparece no meio da multidão.
  • JOÃO 5,10-13: DISCUSSÃO DO HOMEM CURADO COM OS JUDEUS. Chegam imediatamente alguns judeus e criticam o homem por carregar sua cama no dia de sábado. O homem não sabe responder a pergunta de quem o havia curado. Não conhecia Jesus. Isto significa que Jesus, ao passar por esse lugar de pobres e enfermos, viu aquele homem, percebeu a situação dramática na qual se encontrava, cura-o. Não faz isto para que se converta, nem para que acredite em Deus. O faz, apenas para ajudar-lhe. Queria que o homem pudesse experimentar um pouco de amor e solidariedade mediante sua ajuda e seu afeto.
  • JOÃO 5,14-16: O REENCONTRO COM JESUS. Ao ir ao Templo no meio da multidão, Jesus encontra a mesma pessoa e lhe diz: “Veja, recobrou a saúde! Não peques mais para que não te aconteça pior!”. Naquele tempo, a pessoa dizia: “A enfermidade é castigo de Deus! Se tens paralisia, é sinal de que Deus não está bem contigo”. Jesus não concorda com este modo de pensar. Ao curar o homem, estava dizendo o contrário: “Tua enfermidade não é um castigo de Deus. Deus está contigo”. Uma vez curado, o homem deve tratar de não pecar mais, para que não lhe aconteça algo pior. Porém, ingenuamente, o homem vai dizer aos judeus que Jesus era quem lhe havia curado. Os judeus começam a perseguir Jesus porque faz coisas no dia de sábado. No Evangelho de amanhã veremos como continua.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Você já teve uma experiência semelhante a do paralítico, ficando algum tempo sem ajuda? Como é a situação de assistência aos enfermos no lugar onde você vive? Existem sinais de solidariedade?
  • O que isto ensina a nós?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 45)
  • Hoje procurarei alguma oração do Espírito Santo para ser repetida constantemente o dia todo. E, além disso, procurarei ser benção para alguma pessoa a meu redor.





sexta-feira, 13 de março de 2015

Lectio Divina - 13/03/15



DIA 13/03/15
PRIMEIRA LEITURA -- Oséias 14,2-10
  • Uma das coisas que mais impressiona nesta passagem é a ternura de Deus para com o pecador. Talvez, algo que também devamos mudar em nosso coração é nosso conceito de Deus e de seu infinito amor. Muitos de nós nos parecemos com o filho pródigo da parábola contada por Jesus o qual, enquanto caminhava de volta ao Pai também ia preparando sua “desculpa” ou sua defesa. O final da parábola nos mostra que não necessitamos de defesa nem desculpa com Deus, pois, Deus é um Pai terno e amoroso que nos ama INCONDICIONALMENTE. Ama-nos pelo que somos: SEUS FILHOS, e não pelo que tenhamos feito. Aproveitemos qualquer momento para receber o amor e o perdão incondicional de Deus, através do Sacramento da Reconciliação e deixe-te abraçar por Ele.
ORAÇÃO INICIAL
  • Infunde Senhor, tua graça em nossos corações para que saibamos dominar nosso egoísmo e imitar as inspirações que nos vêm do céu. Por Nosso Senhor…
REFLEXÃO --  MARCOS 12,28-34
  • No Evangelho de hoje, os escribas e os doutores querem saber de Jesus qual é o maior mandamento. Hoje também muita gente quer saber o que é mais importante na religião. Alguns dizem: ser batizados. Outros: a oração. Outros dizem: ir a missa ou participar no culto de domingo. Outros: amar o próximo e lutar por um mundo mais justo. Outros se preocupam só com as aparências e os cargos da igreja.
  • MARCOS 12,28: A PERGUNTA DO DOUTOR DA LEI. Pouco antes da pergunta do escriba, a discussão havia sido com os saduceus em torno da fé na ressurreição (Mc 12,23-27). O doutor, que havia assistido o debate, havia gostado da resposta de Jesus, e havia percebido Nele uma grande inteligência. Quis aproveitar a ocasião para fazer uma pergunta e receber um esclarecimento: “Qual é o maior de todos os mandamentos?”. Naquele tempo, os judeus tinham uma grande quantidade de normas para regulamentar a prática e a observância dos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Alguns diziam: “Todas estas normas têm o mesmo valor, pois, todas vêm de Deus. Não nos compete introduzir distinções nas coisas de Deus”. Outros diziam: “Algumas leis são mais importantes que outras e, por isso, exigem mais!”.  O doutor quer saber a opinião de Jesus.
  • MARCOS 12,29-31: A RESPOSTA DE JESUS. Jesus responde, citando uma passagem da Bíblia para dizer que o maior mandamento é: “Amar a Deus com todo coração, com toda a mente e com toda a força!” (Dt 6,4-5). No tempo de Jesus, os judeus piedosos recitavam esta frase três vezes ao dia: pela manhã, ao meio dia e pela noite. Era tão conhecida entre eles como o Pai Nosso é entre nós. E Jesus acrescenta, citando de novo a Bíblia: “O segundo é este: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Não existe outro mandamento maior que estes dois”. Resposta breve e muito profunda! É o resumo de tudo o que Jesus ensinou sobre Deus e sobre a vida (Mt 7,12).
  • MARCOS 12,32-33: A RESPOSTA DO DOUTOR DA LEI. O doutor concorda com Jesus e conclui: “Sim, amar a Deus e amar ao próximo é muito mais importante que todos os holocaustos e todos os sacrifícios”. Isto é, o mandamento do amor é mais importante que os mandamentos relacionados com o culto e os sacrifícios do Templo. Esta afirmação vem dos profetas do Antigo Testamento (Os 6,6; Sal 40,6-8; Sal 51,16-17). Hoje diríamos que a prática do amor é mais importante que as novenas, as promessas, as missas, as orações e as procissões.
  • MARCOS 12,34: O RESUMO DO REINO. Jesus confirma a conclusão do doutor e diz: “Não estás longe do Reino de Deus!”. De fato, o Reino de Deus consiste em unir os dois amores: amor a Deus e amor ao próximo. Pois, se Deus é Pai/Mãe, nós todos somos irmãos e irmãs, e temos que mostrar na prática, vivendo em comunidade. “Destes dois mandamentos dependem toda lei e os profetas!” (Mt 22,40). Os discípulos e as discípulas têm que colocar na memória, na inteligência, no coração, nas mãos e nos pés esta lei maior, pois, não se chega a Deus a não ser através da entrega total ao próximo.
  • Jesus havia dito ao doutor da Lei “Não estás longe do Reino!” (Mc 12,34). O doutor já estava próximo, porém, para poder entrar no Reino tinha que dar um passo mais. No AT o critério do amor ao próximo era: “Amar o próximo como a ti mesmo”. No Novo Testamento, Jesus amplia o sentido do amor: “Este é meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei!” (Jo 15,12-13). Agora o critério será: “Amar o próximo como Jesus nos amou!”. É o caminho seguro para chegar a uma convivência mais justa e mais fraterna.
PARA REFLEXÃO PESSOAL
  • Para você, o que é mais importante na religião?
  • Hoje nós, estamos mais próximos ou mais longe do Reino de Deus que o doutor que foi elogiado por Jesus? O que você acha?
ORAÇÃO FINAL
  • (SALMO 80/81)
  • Hoje repassarei os mandamentos do Senhor e confrontarei minha vida com eles. Darei ênfase aos mandamentos que tenho cumprido ou passado por cima e me conscientizarei de como eles têm afetado minha pessoa e as que me rodeiam.